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Mônaco mostra o que esperar do saibro
Por José Nilton Dalcim
11 de abril de 2014 às 11:24

O monopólio de Rafael Nadal e Novak Djokovic vai continuar no saibro europeu? Esta é a pergunta que o Masters 1000 de Monte Carlo tentará responder a partir deste domingo, quando será aberta oficialmente a temporada europeia de pisos lentos. Todo mundo certamente espera ver mais nomes em condições de sonhar com título ou ao menos fazer duelos empolgantes, mas será que isso tem chance de acontecer?

Claro que Nadal sempre será favorito absoluto no saibro enquanto estiver em sua melhor forma física e técnica. Não dá para dizer que as três derrotas sofridas em seus 24 jogos desta temporada possam diminuir a confiança quando começa sua parte predileta do calendário. O que pode mudar, isso sim, é a postura de seus adversários, principalmente os mais adaptados ao saibro. Quem sabe, eles passem a acreditar que Rafa não é imbatível, que existe um caminho técnico-tático para ao menos lhe dar mais dor de cabeça do que o habitual.

E não foi apenas Novak Djokovic quem mostrou o caminho das pedras, na recente final tão bem jogada em Miami. Um tenista experiente e versátil como Alexander Dolgopolov e até mesmo um saibrista digamos ‘padrão’ como Pablo Andujar acharam a fórmula de colocar Nadal na defensiva. Bolas altas e com menos peso no backhand, seguida de um forehand na paralela ou um inside-out angulado no forehand para aproveitar a longa distância com que Rafa fica atrás da linha de base. Sempre que possível, uma subida à rede com voleio cruzado antes do T.

Parece uma receita óbvia, mas acreditem que é bem difícil de executar diante de um tenista com as qualidades técnicas e físicas de Rafa, que pode tanto acabar com a paciência com seu spin extraordinário como parttir para o ataque na segunda bola. Basicamente, essas alternativas dependem de sua confiança. Em Miami, por exemplo, ficou totalmente defensivo na final contra o valente Djokovic.

Por falar em Nole, ele deu a volta por cima na temporada, que tinha começado sem brilho. A conquista seguida de Indian Wells e Miami, ainda por cima com o show em cima do número 1 do mundo, jogará sua disposição às alturas. Não penso que neste momento ele esteja sequer pensando na liderança do ranking. Vai jogar os três Masters de olho exclusivo em Roland Garros, desta vez com a certeza de que só poderá cruzar com o canhoto espanhol numa eventual decisão. E se existe um tenista no circuito capaz de competir mental e fisicamente com Rafa numa melhor de cinco sets sobre o saibro, esse é Nole.

Tomara, no entanto, que a terra batida não fique limitada aos dois. A expectativa não é das mais otimistas. Do atual grupo dos top 20, conta-se nos dedos quem pode ameaçar o dueto. O primeiro da lista tem de ser Stan Wawrinka, um jogador criado sobre o saibro mas que não tem um histórico de sucesso expressivo nos grandes torneios. É o atual vice de Madri, fez final em Roma (2008), semi em Monte Carlo (2010) e quartas de Paris (2013). Sempre barrado por Nadal, Djokovic, Federer e até mesmo por Tsonga. A parte animadora é que ele conseguiu segurar a cabeça na recente Copa Davis e menos de três meses atrás derrotou Nole e Rafa para vencer seu primeiro Slam.

Federer surge como absoluta incógnita, ainda que tenha recuperado boa parte de seu melhor tênis e pernas. Suas últimas aventuras no piso, em julho, foram um desastre. Chegou à final de Roma em 2013, arrasado por Nadal, e às quartas de Paris, facilmente batido por Tsonga. Claro que tem o segundo melhor histórico sobre o saibro da última década, experiência que precisa sempre ser considerada. O que eu quero ver antes de tudo é se aceitará jogar dois passos atrás da linha, usar mais e melhor o topspin, aceitar um jogo em que não poderá contar o tempo todo com o saque para sair do aperto. Ele pode? Claro que sim. Ele é Federer.

Outros nomes que têm obrigação de jogar decentemente no saibro são David Ferrer, Tomas Berdych e Richard Gasquet, porém a parte mental e pontos fracos evidentes jogam contra eles. Ferrer é o mais experiente e saibrista autêntico, porém perdeu alguma coisa de seu espírito guerreiro de antes, talvez pela idade, talvez pela mudança de treinador. Tsonga, que vinha se virado bem na argila, vive um momento muito instável, onde nem o serviço funciona a contento.

Por isso, talvez eu prefira ficar de olho no italiano Fabio Fognini, no búlgaro Grigor Dimitrov e no próprio Dolgopolov. O garoto-problema Fognini é tão imprevisível que pode jogar como top 5 quando menos se imagina, e a terra sempre foi seu piso natural. Dimitrov é o jogador da nova geração com maiores recursos técnicos, ainda mais agora que parece ter trabalho a sério a parte física. Por fim, longe de ser um garoto, Dolgopolov tem um estilo heterodoxo, mescla incrivelmente bem ataque e defesa, força e jeito. Se conseguir se colocar em quadra como ‘zebra’, vira um perigo.

Monte Carlo é a primeira parada, mas pode esclarecer muitas dúvidas e anseios.

Os reis do tiebreak na reta final
Por José Nilton Dalcim
14 de março de 2014 às 23:05

Os três tenistas que possuem o melhor índice de aproveitamento em tiebreaks de toda a Era Profissional estão na semifinal de Indian Wells. Roger Federer, John Isner e Novak Djokovic. A ‘zebra’ do grupo é o Alexander Dolgopolov, que no entanto entra em quadra neste sábado para conseguir um feito raro na última década, que é vencer Rafael Nadal e Federer no mesmo torneio.

Federer ganhou todos os três tiebreaks que disputou em simples em Indian Wells e subiu seu aproveitamento na carreira para exatos 65%. É seguido muito de perto por Isner que, com os quatro somados nesta semana, alcança 64,9%. Um pouquinho atrás, aparece Djokovic e seus 64,4%. São números notáveis, que mostram não apenas a importância do saque mas principalmente a cabeça fria e a confiança que se precisa ter.

Inegável o favoritismo do suíço e do sérvio, que não por acaso são os dois tenistas em atividade com maior maior número de títulos na quadra dura. O suíço chegou a 53, recorde absoluto, em Dubai e Novak atingiu o 32º em Londres, estando no quinto lugar no geral. A isso se junta o fato de que eles também estão entre os quatro com melhor aproveitamento de vitória/derrota nesse tipo de piso: Federer tem os mesmos 82,6% de Ivan Lendl (e portanto irá se isolar no segundo lugar se for à final) e está grudado nos 82,66% de Jimmy Connors. Nole é o quarto, vejam só, com 82,38%.

Esse currículo difere radicalmente do que Dog fez até hoje. Com apenas dois títulos e quatro vices de nível 250, o ucraniano joga sua primeira semi de Masters. Seria uma presa fácil, não fosse a vitória maiúscula que obteve sobre Nadal, que certamente elevou sua autoestima. É difícil saber o quanto ele pode incomodar o backhand de Federer, já que também gosta de arriscar mais do que esperar o erro adversário. O único duelo entre eles não diz quase nada, já que foi há três anos e meio num dia em que Dolgopolov estava sem condições físicas ideais. Eu arriscaria a dizer que as chances do ucraniano são inversamente proporcionais à qualidade do primeiro saque que Federer obtiver. Se  o suíço sacar bem, cai muito. Se for irregular, cresce.

Nole perdeu dois de quatro jogos contra Isner, com três vitórias na dura, mas sabe muito bem que terá de ter paciência diante dos aces e aproveitar as mínimas oportunidades que surgirem. Acima de tudo, não pode cometer o absurdo erro de Ernests Gulbis nesta sexta-feira que perdia trocas de bola nas pequenas chances em que colocava a devolução em quadra. O letão ainda não mostra o equilíbrio emocional necessário para o salto definitivo ao top 20. Não posso deixar de observar esta estatística assustadora: com toda envergadura e saque que possuem, os dois juntos foram apenas nove vezes à rede em todo o primeiro set. No final da partida, Isner havia perdido 3 de 10 investidas e Gulbis ganhado 6 de 13. Tenho certeza absoluta que Radwanska e Jankovic fizeram muito mais voleios na rodada anterior.

E para o tênis brasileiro, o sábado também é imperdível. Bruno Soares e Alexander Peya marcam seu primeiro grande resultado da temporada – estava na hora – em Indian Wells, superando partidas difíceis e adversários renomados. Não vimos a vitória histórica sobre Federer e Stanislas Wawrinka, que foi até fácil, mas espero que tenhamos a oportunidade de ver a decisão diante dos irmãos Bob e Mike Bryan, prevista para as 21h30.

Atrás do segundo troféu de nível Masters e de um salto importante no ranking da temporada (irão ao segundo posto em caso de título), Soares e Peya perderam seis dos sete duelos que fizeram contra a melhor parceria da história. Merece torcida, e quem sabe alguma reza.

Em tempo: a internauta Aliny Calejon quer enviar uma petição à ATP exigindo mais jogos de duplas. Quem quiser assinar eletronicamente, clique aqui.

Será que a nova geração começou a acreditar?
Por José Nilton Dalcim
11 de março de 2014 às 01:50

O Rafael Nadal versão 2014 não é o mesmo que fez aquela incrível temporada  no ano passado. Pode-se imaginar que bolha na mão ou contusão nas costas expliquem seu momento estranhamente irregular, mas não me parece que seja apenas isso. Está faltando uma certa convicção na forma de jogar.

Vamos recordar rapidamente que Nadal vem colecionando atuações abaixo do seu nível habitual desde Doha, onde cedeu sets para Tobias Kamke e Peter Goowczyk, ainda que tenha conquistado o título em partida de altos e baixos contra Gael Monfils.

Poderia ter se enrolado contra Kei Nishikori e até caído diante de Grigor Dimitrov na Austrália. Escapou pela falta de experiência contra Pablo Andujar em pleno saibro carioca e esteve bem perto da derrota diante de Radek Stepanek dois dias atrás. É uma coleção de dificuldades, que incluíram serviços ruins, backhand vacilante, falta de paciência, irritação e frustração.

Ainda assim, Rafa vinha ganhando, porque é um vencedor nato, um jogador de tantas qualidades que algumas acabam suprindo outras. Porém, era evidente que a casa estava por cair. E foi interessante que tenha sido diante de Alexander Dolgopolov, um dos talentosos-preguiçosos da nova geração, que talvez necessite acreditar um pouco mais em seu próprio potencial.

Será que o circuito masculino começa enfim a mostrar variedade de potenciais candidatos a títulos importantes? Stan Wawrinka já fez algo extraordinário. Agora foi Dog. Têm-se a impressão que Grigor Dimitrov e Ernests Gulbis estão pertinho. Quem sabe, Milos Raonic consiga uma nova evoluída, Kei Nishikori se livre dos repetidos problemas físicos e Jerzy Janowicz coloque a cabeça no lugar. Até mesmo Fabio Fognini pode competir ainda melhor. É pedir muito, eu sei. Não custa tentar.

No plano tático, também se torna essencial ressaltar que os adversários de Nadal estão mais conscientes do plano que precisam executar. Assim como o espanhol costuma fazer com seus sofridos oponentes, investir em bolas sem tanto peso no backhand se mostra uma arma, principalmente se combinada com o ataque na paralela. Forçar o saque é um ingrediente importante e por isso assusta vermos que Dolgopolov venceu com média de 40%, tendo levado o primeiro set com apenas 32% de acerto do primeiro serviço. Nadal definitivamente não é o mesmo.

Para não ficar atrás, o torneio feminino também surpreende todo dia. Vika Azarenka perdeu para seu problema no pé, Maria Sharapova está sem confiança. Assim, também está sobrando espaço para novos rostos: Alizé Cornet, Lauren Davis, Eugenie Bouchard, Camila Giorgi e Aleksandra Wozniak se juntam a Dominika Cibulkova, Sloane Stephens e Simona Halep.

Provavelmente, nenhuma delas irá impedir que Na Li e Agnieszka Radwanska decidam o título, porque as duas principais cabeças estão jogando um tênis de primeira linha, velozes, agressivas, mais versáteis. Ufa, que assim continue.