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Faltou energia para Djoko, sobrou para Alcaraz
Por José Nilton Dalcim
24 de abril de 2022 às 22:22

Assim como aconteceu na semana passada em Monte Carlo, o número 1 do mundo Novak Djokovic ficou sem bateria. Após suportar uma semana difícil, em que flertou com a eliminação na estreia e foi obrigado a virar três partidas, desta vez o sérvio não suportou o ritmo de um jogador peso pesado, o russo Andrey Rublev, e mesmo diante de sua torcida amargou o vice e um ‘pneu’.

O fato é que Nole poucas vezes mostrou um tênis realmente competitivo nos dois torneios que disputou no saibro europeu até agora. Começou sempre lento, reagiu em determinado momento com jogadas agressivas e se valeu sobretudo da experiência. Isso não foi o bastante contra Rublev, que jogou muito bem o tempo todo, menos afoito, como aliás havia mostrado na fácil vitória sobre Fabio Fognini.

O segundo set de Nole, vencido no tiebreak, foi um bom momento neste domingo, com pontos bem disputados, busca de paralelas, subidas à rede e deixadinhas. Depois, veio o desastre, mostrando-se completamente sem energia. Claro que seu discurso na entrevista oficial foi otimista. Ele se diz no caminho certo, acha que está chegando próximo do nível desejado e acredita estar totalmente confiante até Roland Garros. É esperar para ver.

De forma inversa, Carlos Alcaraz usou toda a juventude de seus 18 anos para superar uma maratona incrível neste domingo. A semi contra Alex de Minaur, que surpreendeu a semana toda com um tênis muito regular e oportuno, levou 3h38 e deveria ter terminado com a eliminação do espanhol não fosse a incrível vacilada do adversário, que teve uma bola fácil para concluir o match-point, não colocou profundidade e aí levou uma passada de total improviso. Na final, jogou bem mais solto e atropelou Pablo Carreño.

Confesso que esperava um tênis maior por parte de Alcaraz na semana. Perdeu set para Soonwoo Kwon, teve uma perigosa desligada contra Stefanos Tsitsipas e ficou por duas vezes a um ponto da derrota diante de De Minaur. Mas talvez tenhamos de colocar na conta a pressão de ser favorito, a necessidade de mostrar serviço em casa e a intensa variação de velocidade da quadra, que por vezes ficou muito lenta por causa do tempo úmido.

O fato é que a temporada de saibro já teve cinco torneios e viu dez finalistas diferentes. Poderemos ter mais novidades em Munique, onde Alexander Zverev e Casper Ruud encabeçam, e no Estoril, que tem favoritismo de Felix Aliassime e Diego Schwartzman.

Isso ratifica a versatilidade que esperávamos. E se Djokovic evoluir e Rafael Nadal voltar bem em Madri, dentro de uma semana, a coisa pode mesmo pegar fogo.

Na contramão, o circuito feminino só tem um nome: Iga Swiatek. Ergueu seu quinto troféu consecutivo em dois meses, elevando sua invencibilidade para 23 partidas desde Dubai, em fevereiro.

Mais notável ainda, fez transição direta para o saibro e foi quase perfeita. Acabou perdendo um set e tendo uma partida bem dura na semi contra Liudmila Samsonova, mas na final não tomou conhecimento de Aryna Sabalenka, que havia jogado muito na véspera para tirar Paula Badosa.

‘Tiozão’ Cilic é o penetra da balada
Por José Nilton Dalcim
22 de janeiro de 2022 às 12:26

A nova face do tênis masculino ficou bem perto do domínio absoluto no lado inferior da chave deste Australian Open, ao se concluir os classificados para as oitavas de final do primeiro Grand Slam da temporada. A exceção é Marin Cilic, que aos 33 anos destoa da média dos demais concorrentes, nenhum deles com mais de 25.

Campeão do US Open tal qual Cilic, o russo Daniil Medvedev mal tomou conhecimento do saque poderoso do holandês Botic van Zandschulp e terá amplo favoritismo diante de Maxime Cressy, norte-americano de 24 anos que pratica o mais autêntico saque-voleio e disputa apenas seu quarto Slam. Parece impossível uma surpresa para o atual vice.

Stefanos Tsitsipas fez seu melhor jogo deste começo de temporada diante do talentoso Benoit Paire, colocou o primeiro saque para funcionar (21 aces) e foi bem econômico nos erros (26). Seu adversário é Taylor Frtiz, que nunca chegou tão longe num Slam e mostra tênis e cabeça de qualidade desde a ATP Cup. Suportou a batalha contra Roberto Bautista, em que aplicou ‘pneu’, depois ficou 2 sets a 1 atrás e ainda manteve a frieza para reagir. Destaque para seus 73 winners. O grego, 23 anos, ganhou os dois duelos já feitos contra Fritz, de 24.

A ruidosa torcida levou Alex de Minaur à inédita quarta rodada em Melbourne – ele foi quartas no US Open-2020 – e desafiará o garotão Jannik Sinner. O italiano tem agora oitavas em três diferentes Slam e pode repetir as quartas de Paris-2020. Para isso, terá de provar sua força mental diante de um adversário que vibra o tempo todo e sabe envolver o público. Nos jogos deste sábado, De Minaur justificou a superioridade sobre Pablo Andujar e Sinner levou um 1/6 de Taro Daniel antes de dominar os dois sets finais. Nos dois confrontos já realizados e na quadra dura, deu Sinner, de 20 anos, quatro a menos que o australiano.

Muito boa mesmo foi a vitória de Felix Auger-Aliassime sobre Daniel Evans, com um placar elástico demais. O britânico só ganhou seis games e pareceu se perder depois de deixar escapar chances valiosas no set inicial. O canadense de 21 anos sacou muito e está cada vez mais sólido nos Slam. Ele vem de quartas em Wimbledon e semi no US Open, mas agora terá de encarar um pequeno tabu diante do experiente Cilic, que ganhou todos os três encontros.

Fazia exatos dois anos que Cilic não chegava nas oitavas de um Slam, mas ele claramente se sente à vontade em Melbourne, onde fez final em 2018. Encarou bem a batalha de força pura contra Andrey Rublev, num jogo de mínimas variações táticas, e tirou o melhor do seu ótimo primeiro serviço (24 aces e 85% de pontos vencidos) e do mortal forehand (20 winners). O russo, como de hábito, exagerou nos momentos delicados e falhou taticamente ao não investir com mais paciência no backhand do adversário.

Swiatek e Halep empolgam, Aryna se vira
Difícil dizer quem está mais afiada ao término da primeira semana deste Australian Open: a polonesa Iga Swiatek ou a romena Simona Halep. Em comum, as duas têm despachado adversárias sem maior desgaste, mostram opção tática por forçar as jogadas e um saque mais contundente. E, em quadrantes diferentes, podem muito bem fazer uma disputa direta na semi.

Swiatek chega de novo nas oitavas de um Slam na quadra dura, como aconteceu no US Open, mas agora a chance de avançar é bem maior, já que enfrenta pela primeira vez Sorana Cirstea. Finalista do torneio em 2018, Halep tem uma barreira mais perigosa, Alizé Cornet, para quem perdeu três de quatro vezes embora a mais recente tenha sido em 2015. Cornet é enjoada, briguenta, corre muito e tem vasta experiência. Aos 31 anos, no entanto, nunca fez quartas em qualquer Slam.

Quem vai sobrevivendo aos trancos e barrancos é a cabeça 2 Aryna Sabalenka. Mais 10 duplas faltas – ao menos, a metade de sua média da temporada – e nova virada, agora em cima da canhota Marketa Vondrousova. A bielorrussa ainda sonha com uma final de Slam, e desta vez isso pode até valer o número 1 do ranking. Isso talvez explique a instabilidade. O próximo passo é diante de Kaia Kanepi, que aparece como 115 do ranking, mas não se enganem. A estoniana já foi 15 e adora um piso rápido.

Por fim, Danielle Collins e Elise Mertens fazem duelo de duas semifinalistas do torneio. Uma vitória para cada lado no histórico. Collins deu seu showzinho de irritação tão costumeiro na virada sobre a garota Clara Tauson, que vinha da vitória sobre Anett Kontaveit. A belga ainda não perdeu set.

Thiem e Medvedev: noite de MMA
Por José Nilton Dalcim
10 de setembro de 2020 às 00:05

Para muitos, é a tão famosa ‘final antecipada’. Acho que nem tanto. De qualquer forma, o aguardadíssimo duelo entre Dominic Thiem e Daniil Medvedev por vaga na final do US Open promete uma noite de desmedida pancadaria na sexta-feira, ao melhor estilo MMA. É algo para cinco sets, alguns tiebreaks, o que seria ainda mais interessante.

Como era esperado, Thiem encontrou pouca dificuldade para superar o australiano Alex de Minaur, que usou todas as armas que podia, incluindo subidas incansáveis à rede, mas para equilibrar seria necessário que o cabeça 2 não estivesse tão afiado. Qual nada. Thiem disparou seus golpes pesadíssimos mesclados com uso muito frequente e acertado de slices e ficou atento às passadas. Ainda perdeu duas vezes o serviço por afobações e o terceiro set chegou a ficar duro no 4/4, porém o volume de jogo dos dois é muito diferente: 43 dos seus 95 pontos foram winners. De Minaur marcou apenas 17.

À tarde, Medvedev prevaleceu de novo no duelo russo diante do amigo Andrey Rublev. A vitória o manteve invicto em sets no torneio, porém foi bem mais exigente. O primeiro set sem break-point chegou ao tiebreak e aí Rublev abriu 5-1 e depois 6-3 com saque. Não ganhou mais pontos, ficou irritadíssimo com razão. Medvedev obteve a única quebra da partida no segundo set e precisou ir a outro tiebreak, que chegou a perigosos 5-5. Foi quem mais forçou o jogo – 51 winners e 37 erros – e por isso mereceu.

O histórico entre Thiem e Medvedev é curto. O austríaco ganhou duas vezes, na quadra dura de St. Petersburgo em 2018, único jogo equilibrado e no terceiro set. Em seguida, levou a melhor na final de Barcelona de 2019, aí por 6/4 e 6/0. Pouco depois, o russo venceu facilmente nas quartas do Canadá, 6/3 e 6/1.

Será curioso ver os dois jogando bem atrás da linha de base, apostando na força física. Thiem ganhou muita confiança no backhand na paralela, geralmente seguido de um slice bem cruzado, e essa poderá ser a opção tática determinante. Se eu fosse apostar, seria nele.

Primeiro grande momento: Serena x Azarenka
Deu a lógica no complemento das quartas femininas, mas em situações muito diferentes. Serena Williams teve grande trabalho para superar Tsvetana Pironkova, que venceu o primeiro set e abriu o seguinte com quebra, enquanto Victoria Azarenka atropelou uma irreconhecível Elise Mertens. Quem vencer, tentará se juntar às três únicas mães que já venceram um Slam na Era Aberta: Margaret Court, Evonne Goolagong e Kim Clijsters. Elas fazem a segunda semifinal desta quinta-feira, por volta de 21h30, logo depois de Naomi Osaka-Jennifer Brady.

Serena foi amplamente dominada no início por Pironkova, que sacou bem, se mexeu muito no fundo e usou variações com slice de forehand. Deu uma única brecha e aí Serena reagiu e começou a jogar bem melhor. Quando ganha confiança, é difícil aguentar seu ritmo. Terminou com 20 aces, sete voleios perfeitos e 18 winners da base. E mesmo tendo feito 2h28 no jogo anterior e mais 2h12 nesta quarta, não pareceu cansada.

Os números de Williams são colossais. Chega à 39ª semi de Slam, onde soma 33 vitórias, e tentará a 11ª final no US Open, a terceira consecutiva. Sua primeira, que já terminou em título, aconteceu há 21 anos! Hexampeã, atinge agora 106 vitórias em Flushing Meadows e 101 na Arthur Ashe. Isso tudo faltando 17 dias para completar o 39º aniversário.

Vika por sua vez disputará a primeira semi de Slam desde o vice de 2013 no mesmo US Open. Foi a segunda final consecutiva que perdeu lá, e adivinhem quem impediu seus títulos.  Depois de um susto nas oitavas de final de segunda-feira, voltou a praticar um tênis extremamente sólido e com enorme apuro tático. Ainda ajudou muito o dia ruim de Mertens, que chegou às quartas sem perder set mas jogou pouco com o primeiro saque e virou presa fácil.

Para atingir a oitava semi de Slam da carreira (retrospecto é de quatro vitórias), Azarenka somou a 10ª vitória consecutiva, embalada desde o Premier de Cincinnati, que aconteceu excepcionalmente em Nova York. A confiança não poderia estar mais alta para o novo desafio.

Pelo retrospecto de 18 vitórias em 22 duelos, Serena poderia ter o favoritismo, mas o fato é que Azarenka vem jogando melhor nas últimas semanas e tem mostrado um forehand angulado que é uma arma poderosa diante da norte-americana. A última de Azarenka nos confrontos foi em 2016. No ano passado, se cruzaram em Indian Wells e o jogo foi duro.

Rankings se mexem
– Mesmo perdendo pontos, Djokovic chegará ao saibro europeu 1.010 pontos à frente de Nadal. Mas espanhol não tem como somar em Roma e Paris.
– Se for campeão, Thiem fará no máximo 9.125 pontos e terá chance de somar 800 em Paris, superando então Nadal. Sua presença em Roma é incerta.
– Medvedev poderá tirar Federer do quarto posto se ganhar o US Open, Zverev chegará a sexto no caso de título.
– Carreño já avançou nove postos (18º), pode ir a 11º ou até mesmo ao 8º, superando seu recorde pessoal.
– Osaka será quarta caso atinja a final e terceira com eventual título, mas ainda estaria quase 3.000 pontos atrás da líder Barty.
– O máximo que Serena pode recuperar é o quarto posto.
– Azarenka estava fora do top 50 antes de Cincinnati, agora já é 17ª. O troféu lhe dará o 11º.
– De 41, Brady salta para 25 e brigará pelo 17º se tirar Osaka.
– Nas quartas em challenger francês, Wild não conseguirá chegar ao top 100 mesmo se levantar o troféu, mas tem chance de ir a 102.