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Tênis show
Por José Nilton Dalcim
15 de junho de 2014 às 19:31

Depois de uma longa temporada no saibro europeu onde raramente se viu um grande jogo – e incluo aí todo o torneio de Roland Garros -, o tênis masculino viveu um fim de semana notável na grama, um piso que costuma limitar os duelos. E, mais incrível ainda, nem foi pela mão mágica de Roger Federer, mas sim no Queen’s Club, onde por dois dias seguidos Feliciano López protagonizou dois tremendos duelos.

Saques perfeitos, slices venenosos, devoluções mortais, voleios de levantar o público, Tremendo show deram López, Radek Stepanek e Grigor Dimitrov. O búlgaro campeão, aliás, fez jogadas de grande exigência física e técnica, entre elas um lance de verdadeiro goleiro – bem, não vale lembrar o Casillas -, ou golpes em que se agachou tanto na grama que nem parecia ter 1,90m.

Stepanek, todo mundo sabe do que ele é capaz. Porém, para completar a festa, teve reações divertidíssimas para o público, curtindo cada minuto que passou na quadra. López é um dos meus tenistas prediletos. Talento nato, um jogador de habilidade gigantesca na rede, um slice que não se vê mais hoje em dia. Pena que, aos 32 anos, não vai mais consertar a cabeça. De qualquer forma, os três tiebreaks que ele e Dimitrov fizeram não tiveram nada de monótono.

Não menos curioso foi o fato de que a final de Halle também ter sido toda de tiebreaks, ainda que um pouco por culpa de Federer, que poderia ter liquidado os dois sets de forma bem mais tranquila. Mas Falla – e ser canhoto não é uma coincidência – já lhe deu trabalho, muito trabalho na grama antes (vale observar que cinco dos sete duelos entre os dois foi na grama, o que é algo bem inusitado para dois tenistas de rankings historicamente tão distantes).

O suíço teve seus altos e baixos, mas de forma geral foi excelente vê-lo executar saque-voleio com o primeiro serviço, como se tivéssemos voltado no tempo, além de forçar muito a devolução. Coisa de Stefan Edberg? Não duvido. Claro que Roger precisará jogar em Wimbledon muito mais como fez no sábado diante de Kei Nishikori, diga-se outro jogo muito bom, e não poderá vacilar após obter quebras. Mas o aquecimento em Halle foi bem promissor.

Tão promissor quando a excepcional campanha de Bruno Soares e Alexander Peya, ao levarem o troféu do superprestigiado torneio de Queen’s, o que certamente é uma das maiores conquistas da dupla. Até porque, na semifinal de sábado, bateram com autoridade Daniel Nestor/Nenad Zimonjic e depois tiveram nervos para derrotar o dono da casa Jamie Murray e o australiano John Peers, que não perderam um único game de serviço na partida.

Wimbledon tem melhor de cinco sets até mesmo para duplas, com vantagem normal e quinto set longo. Ou seja, é um torneio bem atípico e bem mais exigente para os duplistas.

King Federer
Ao atingir o 79º título de sua inigualável carreira, Federer completa dois heptacampeonatos, ambos na grama, ou seja em Wimbledon e Halle. Ele tem ainda dois hexa (Finals e Dubai) e três penta (US Open, Cincinnati e Basileia). Tanto em Wimbledon como em Nova York, soma até agora 67 vitórias acumuladas, seus recordes pessoais. E contando.