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Djokovic confirma e aguarda Federer
Por José Nilton Dalcim
14 de novembro de 2018 às 20:55

Como era esperado, Novak Djokovic foi o primeiro a se classificar para a semi de simples do Finals de Londres, e com os pés nas costas. O que ninguém imaginava é que ele tem grande chance de cruzar com Roger Federer na fase do mata-mata do torneio neste sábado, já que o suíço está muito mais para ser segundo do seu grupo, em jogo decisivo que fará nesta quinta-feira contra Kevin Anderson. Como o Finals é muito versátil, existe até a hipótese de tanto Djokovic como Federer ficarem em segundo lugar. Isso sim seria surpreendente.

O duelo entre o número 1 e Alexander Zverev não foi o espetáculo imaginado, mas ao menos teve um primeiro set bem interessante, em que o alemão ficou bem perto de quebrar e em seguida sacar para o set. Optou por um lob cruzado quando tinha a paralela de backhand que tanto gosta, deu azar e daí em diante sucumbiu diante da solidez do adversário.

Djokovic cometeu apenas 13 erros na partida e viu Zverev falhar 33 vezes, 18 delas com seu golpe principal, o backhand. Quando se olha o número de winners, fica a impressão que Zverev atacou mais, porém o placar final de 20 a 11 na verdade conta com 9 aces do alemão. A diferença básica na partida foram as trocas de bola entre 5 e 9 golpes: uma ‘lavada’ de 25 a 8 para Djokovic, o que deixa patente a qualidade de suas bolas profundas e a constante variação de direções.

Esta será a oitava semifinal de Djokovic no torneio nobre que encerra a temporada e a sexta consecutiva em suas participações na arena O2 (obviamente não se conta a ausência de 2017). Aliás, ele só perdeu uma semi no Finals e em Londres, justamente para Federer, em 2010.

Descansado e confiante, Djoko observa agora a interessante definição do segundo lugar do grupo Guga Kuerten e obviamente ele terá participação nisso, já que enfrenta Marin Cilic na sexta-feira. O croata, que marcou grande virada em cima de John Isner, precisa ganhar para ter chance – nunca fez uma semi no Finals – e ainda torcer por Isner contra Zverev.

Cilic só tem uma chance de se classificar: vencer Djoko e Zverev perder de Isner. E nesse caso, o croata será o primeiro do grupo! Zverev no entanto está bem mais confortável, porque depende de si só: basta ganhar de Isner e ficará com o segundo lugar, mas também ficará com a vaga de perder em 3 sets e Djoko superar Cilic. Por fim, Isner está por um fio: tem de torcer pelo sérvio e não perder set de Zverev..

Melo se complica
Quem também está em situação muito delicada é Marcelo Melo e seu parceiro polonês Lukasz Kubot. Eles nem jogaram tão mal assim, mas alguns vacilos no serviço custaram a derrota para os franceses Nicolas Mahut e Pierre Hughes, que jogaram num nível muito alto o tempo inteiro.

Embora estejam sem vitória e sequer set marcado, Melo e Kubot ainda não estão eliminados do torneio. Precisarão no entanto derrotar por 2 a 0 na sexta-feira a parceria número 1 do ano Oliver Marach/Mate Pavic e torcer para que Mike Bryan/Jack Sock não cedam sets para Herbert/Mahut. Ainda assim, dependerão do percentual de games vencidos. Ficou duro, mas não impossível.

O adeus de Aga
Agnieszka Radwanska nunca foi uma tenista brilhante, mas seu espírito de luta e apuro tático, que lhe valeu o apelido de La Professora pelas adversárias, conseguiram lhe dar 20 títulos de peso, entre eles o Finals de Cingapura, além de um vice em Wimbledon e o número 2 do ranking. Não é pouca coisa. Aos 29 anos, cansada de lutar contra as lesões e a falta de progresso técnico, Aga anunciou a aposentadoria nesta quarta-feira. Ela não vencia um torneio desde agosto de 2016.

Sem um rosto bonito, algo que sempre se procura no tênis feminino, Radwanska sempre esbanjou simpatia e foi reconhecida pelo público com prêmios de popularidade. Nunca se conformou com seu tênis limitado pela falta de força e chegou a contratar Martina Navratilova para ajudá-la no jogo de rede.

No texto de adeus, dá a entender que prosseguirá perto das quadras, quem sabe como treinadora. Tem muito a ensinar, sem dúvida.

A casa caiu
Por José Nilton Dalcim
19 de janeiro de 2017 às 12:04

Se a derrota de Novak Djokovic para Sam Querrey em Wimbledon foi um susto para o circuito, o que dizer então do fim de sua gigantesca soberania em Melbourne diante de um adversário que nem é top 100, em plena segunda rodada? Difícil até acreditar.

Djokovic não perdia tão cedo num Slam desde Wimbledon de 2008 e jamais havia sido superado por um adversário fora do top 100 em Slam. Na Austrália, a sensação de vazio é ainda maior. Nole vinha chegando pelo menos às quartas nos últimos nove anos, tendo ganhado cinco das seis edições mais recentes.

Tudo seria apenas um acidente de percurso tão natural no tênis não fosse a longa sequência de altos e baixos que Nole mostra desde Roland Garros do ano passado. Houve é certo o vice no US Open, no Finals e o título em Toronto, mas também decepções grandes. Isso custou a liderança do ranking, que agora fica bem mais distante. O recente título em Doha em cima de Andy Murray sinalizou a recuperação da confiança, mas é certo que viria pressão em Melbourne.

O que talvez mais me tenha surpreendido nessa derrota para Istomin tenha sido a queda nos dois tiebreaks, momentos em que Djokovic costuma impor sua agressividade e enorme poder mental. Ainda mais o primeiro desempate, em que o sérvio vinha de recuperação no set e chegou a ter 4-1 e depois um set-point fácil. Também é notável que tenha permitido a virada após ter 2 sets a 1. O que teria faltado? Achei que ele ficou passivo demais em alguns pontos importantes.

O uzbeque, acima de tudo, merece todos elogios. O ex-33 do ranking usou bem o saque na quadra veloz, mostrou vigor físico para aguentar as trocas e pareceu confiar o tempo todo, apesar das cinco derrotas que já havia sofrido. Assim, raramente deixou de arriscar, tentou ganhar cada ponto, mesmo sob tensão.

Uma coisa é certa. A queda tão precoce de Djoko anima todo mundo. Principalmente quem estava do seu lado da chave, como Rafa Nadal e Milos Raonic. E também Murray, que amargou tantos dissabores em Melbourne frente a Nole. O canhoto espanhol passeou diante de Marcos Baghdatis, em jogo em que impôs as trocas de bola e mostrou forehand e pernas impecáveis, e Raonic fez o básico em cima de Gilles Muller. Agora vem o tão aguardado reencontro entre Nadal e Alexander Zverev. Aí a coisa deve pegar fogo.

A chave feminina também assistiu uma surpresa das grandes, com a queda de Aga Radwanska para a veterana Mirjana Lucic em dois rápidos sets. A croata não vencia um jogo sequer em Melbourne desde 1998, amargando sete derrotas na estreia. Mas já fez uma semi em Wimbledon, o que mostra sua boa adaptação a pisos mais velozes.

Destaque também para a atuação muito firme de Serena Williams diante da canhota e habilidosa Lucie Safarova, com direito a 15 aces, muita vibração e elogios à tcheca. Interessante está o quadrante que agora reúne Cibulkova x Makarova e Wozniacki x Konta. Em cima, Karolina Pliskova desfilou, mas pode ter sufoco contra Daria Gavrilova nas oitavas.

Para finalizar o dia cheio de surpresas, os campeões Bruno Soares e Jamie Murray se despediram na estreia para a improvável parceria de Sam Querrey e Donald Young. Como André Sá também perdeu ao lado de Leander Paes – em jogo que deveriam ter vencido -, apenas Marcelo Melo, com Lukasz Kubot, e Marcelo Demoliner, ao lado de Marcus Daniell seguem adiante.

A próxima rodada já determina os primeiros classificados para as oitavas de final e traz duas expectativas principais: Murray estará recuperado do tornozelo para encarar Querrey e correr muito atrás da bola? Roger Federer terá pernas e confiança para conter a potência de Tomas Berdych? Também merecem atenção Tsonga-Sock e Wawrinka-Troicki, com favoritismo do francês e do suíço.

No feminino, interessante ver Angelique Kerber contra a outra Pliskova, o duelo de força entre Bouchard-Vandeweghe, as veteranas Kuznetsova-Jankovic. Estou de olho em Elina Svitolina…

Qualidade máxima
Por José Nilton Dalcim
6 de setembro de 2016 às 00:28

São quatro jogadores que já decidiram Grand Slam, três deles ganharam, dois lá mesmo em Flushing Meadows. Não dava para querer maior qualidade na parte inferior da chave masculina nesta reta decisiva do US Open. Andy Murray x Kei Nishikori e Stan Wawrinka x Juan Martin del Potro são os que ainda podem sonhar com a final de domingo. Será que existe um favorito?

Sim. Pelo que vem jogando nas últimas semanas, continua a ser Murray. O escocês mostrou todas as suas armas diante de um atônito Grigor Dimitrov, tendo como ponto alto a volta de seu primeiro saque. Cravou vários acima dos 210 km/h, um deles a 226. Também ficou evidente o dedo de Ivan Lendl no forehand já bem mais agressivo, como Murray exibia lá em 2013. Para completar, seu histórico contra Nishikori é uma lavada de 7 a 1, quatro seguidas. Se bem que o japonês foi muito bem hoje contra Ivo Karlovic, devolvendo com enorme qualidade e sacando melhor ainda.

E o que dizer da pancadaria que deve virar Wawrinka x Del Potro? Como bem colocou o argentino, a vitória de Wimbledon meses atrás é uma referência perigosa, porque o slice na quadra dura funciona bem menos do que na grama, onde falta tempo para o backhand poderoso do suíço. Delpo fez um bom set contra Dominic Thiem e de certa forma se favoreceu do abandono do austríaco, o que economiza fôlego.

Stan ainda não mostra a consistência que se espera, complicou um jogo fácil contra Illya Marchenko e deu vexame ao esmagar a raquete. Porém, tem tênis de sobra para ganhar de qualquer um. Se tivesse de apostar, iria em Delpo. Nem tanto pelo jogo, mas pelo mental. O suíço anda ‘viajando’ demais.

Destaques
E a luta pelo número 1 do mundo agora está entre Serena Williams Angelique Kerber, depois que Agnieszka Radwanska foi inesperadamente derrotada nesta noite por uma corajosa Ana Konjuh, que deu um show de agressividade em seus tenros 18 anos e já na maior campanha de um Slam. Será que ela, campeã juvenil do US Open três anos antes, consegue manter esse mesmo nível de risco e precisão diante da embalada Karolina Pliskova?

Como se imaginava, a tcheca campeã de Cincinnati mostrou enorme sangue frio para virar o primeiro set, salvar match-point, suportar a torcida e o bom jogo de Venus Williams. Vitória de quem está a fim de fazer história. Serena por seu lado teve outra vitória em que mostrou tranquilidade e eficiência total com o saque e agora reencontra Simona Halep, que não está fisicamente no auge mas tem enorme coração. Ganhou uma vez da americana no Finals de 2014 e deu trabalho em outros jogos.

Bruno Soares e o escocês Jamie Murray tiveram mais trabalho do que eu esperava diante de Brian Baker/Marcus Daniell e garantiram não apenas o duelo direto contra André Sá e o australiano Chris Guccione na quarta-feira, mas também a vaga para o Finals de Londres. Sempre bom lembrar que tanto Bruno como Jamie já fizeram final em Flushing Meadows e estão muito bem credenciados para um segundo troféu de Grand Slam.

Nossos três juvenis não passaram da estreia, deixando claro que a quadra dura ainda é um campo a ser explorado. A participação mais legal coube a Gabriel Decamps, de 16 anos, que quase tirou o francês Geoffrey Blancaneaux, o campeão de Roland Garros deste ano.

Drops
– Serena chegou para o jogo desta segunda com média de 85% de pontos vencidos com o primeiro saque nos três jogos anteriores. Aí cravou 93% contra Shvedova, num ritmo alucinante.
– Pelo menos uma tenista não cabeça de chave chegou nas quartas de Flushing Meadows nos últimos três anos. Desta vez, serão  três: Konjuh, Anastasija Sevastova e Caroline Wozniacki.
– Número 142 do mundo, Delpo é o tenista de pior ranking nas quartas do US Open desde Connors de 1991. O argentino já irá saltar para o top 80 com a atual campanha.
– A contusão de Kyrgios continua repercutindo. O australiano não gostou nada da opinião do treinador Roger Rasheed, para quem foi um absurdo Nick ter jogado duplas: ‘Ele diz que já chegou contundido no quadril, mas ainda assim entrou nas duplas. Isso é típico de quem não tem uma equipe por trás para orientá-lo’. Acho que é difícil discordar de Rasheed, não?
– Sempre inovador, o US Open introduz neste ano no placar dos jogos da chave juvenil um cronômetro para chefiar os 20 segundos entre um ponto e outro. O ‘serve clock’ é controlado pelo árbitro de cadeira, que dispara assim que declara o placar. Ótima experiência.