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Nova geração aproveita a chance
Por José Nilton Dalcim
5 de setembro de 2020 às 02:20

O US Open sem três experientes top 10 tinha tudo para abrir espaço à nova geração sedenta por grandes resultados e até aqui a garotada não decepcionou. Dos oito classificados nesta sexta-feira à quarta rodada na parte superior da chave, metade está abaixo dos 24 anos. E no lado inferior, quatro ‘next-gen’ certamente avançarão no sábado.

O único ‘trintão’ no setor superior é justamente o amplo favorito ao título. Novak Djokovic fez outra grande exibição diante de Jan-Lennard Struff, ganhou 46% dos pontos como devolvedor, variou com deixadinhas desconcertantes e mais uma vez economizou energia para as rodadas mais importantes.

Está sobrando em quadra, com um forehand mais afiado do que nunca e isso parece dar muito pouca chance ao espanhol Pablo Carreño, que perdeu os três duelos contra o sérvio mas ao menos já tirou um set. Apesar de ser um tenista consistente em quase todos os aspectos e ter feito semi no US Open de 2017, Carreño é inferior a Djokovic em tudo.

Um possível candidato a ‘azarão’ na rodada seguinte é o canhoto Denis Shapovalov, que arrancou uma virada sofridíssima diante de Taylor Fritz. O norte-americano vinha super bem, sacou para o jogo no quarto set e ficou a dois pontos da classificação no tiebreak. Aí desabou. O canadense de 21 anos fez 60 winners e 33 erros, números bem mais confortáveis, e terá pela frente David Goffin. O belga não saiu de cima da linha, fez ótimas transições à rede e não perdeu set de Filip Krajinovic. Deixou ótima impressão. Está pelo quarto ano seguido nas oitavas, mas nunca foi além.

Já na madrugada, veio o grande jogo deste US Open até agora. Com um incrível espírito de luta e ferrenha aplicação tática, Borna Coric evitou uma derrota que parecia certa no quarto set, quando o grego Stefanos Tsitsipas abriu 5/1. O croata salvou então seis match-points, escapou de quebra atrás no quinto set e foi impecável no tiebreak decisivo. Que comportamento exemplar, em contraste com a conduta juvenil do grego, a esbravejar outra vez com o pai-treinador.

Coric, que sofreu com tantas lesões mesmo ainda aos 23 anos, repete as oitavas de 2018 e pode enfim marcar sua maior campanha num Slam diante de Jordan Thompson, australiano que tem padrão de jogo semelhante, mas sem currículo sobre pisos mais velozes.

Alexander Zverev por fim virou em cima do canhoto Adrian Mannarino e jogou um tênis cada vez mais sólido conforme os sets andaram, com destaque para os 14 aces e 28 subidas à rede. Sascha está pelo segundo ano seguido nas oitavas do US Open. No entanto não pode vacilar diante do poder de fogo do espanhol Alejandro Davidovich, outro de 21 anos, que não pensa duas vezes para espancar a bola.

No lado inferior da chave, jogarão neste sábado para entrar nas oitavas Medvedev-Wolf, Berrettini-Ruud, De Minaur-Khachanov e Aliassime-Moutet. Fiquem de olho nesse francês canhoto abusado. Moutet joga com força e com jeito. Superou Daniel Evans de virada e levou dois tiebreaks.

Bom teste para Osaka
A adolescente Marta Kostyuk exigiu muito da cabeça 4 Naomi Osaka, que segue em busca do segundo título no US Open. Ousada e agressiva, a ucraniana recebeu um elogio e tanto da adversária: “Tenho medo do que ela pode fazer num futuro breve”. Osaka enfrentará no domingo Anett Kontaveit, que se vira bem nas quadras mais rápidas porém perdeu todos os quatro duelos contra Naomi, incluindo o de sete dias atrás.

Petra Kvitova está no caminho da número 9 do mundo e aí a coisa pode ficar mais interessante. A tcheca ainda não se soltou totalmente, cometeu cinco duplas faltas e total de 28 erros em dois sets, mas gosta dos jogos grandes. Enfrentará antes a local Shelby Rogers. O US Open é o único Slam em que Petra jamais fez semi em 12 tentativas.

O outro quadrante está bem aberto e obviamente o sensato é apostar na experiência de Angelique Kerber, campeã de 2016, que venceu todos os seis sets até agora. A canhota alemã não jogava desde o Australian Open. Já a alegria de Carolina Garcia durou bem pouco e, depois de tirar a cabeça 1 Karolina Pliskova, foi dominada pela boa Jennifer Brady. A vencedora desse duelo enfrentará Petra Martic ou Yulia Putintseva.

Polêmica
O jogo entre Zverev e Mannarino ficou envolvido em polêmica e indefinição. Como Adrian é uma das 11 pessoas a ter contato próximo com Benoit Paire, ele foi autorizado pelas autoridades sanitárias do município a jogar as primeiras rodadas, mas ontem entrou em ação uma ordem do governo do estado que impedia o francês de atuar, exigindo o confinamento. Houve longa negociação para que o jogo acontecesse e Zverev gentilmente aceitou atrasar a partida.

Inquebrável
Por José Nilton Dalcim
6 de julho de 2018 às 19:50

Três jogos, nove sets vencidos e Roger Federer ainda não permitiu um único break-point a seus adversários em Wimbledon. Pela 16ª vez em 20 participações, ultrapassa a segunda semana e entra na reta final do título. Desde o primeiro troféu, em 2003, só ficou de fora uma vez, em 2013.

Se ainda faltava alguma coisa para seu reinado sobre a grama ficar cristalino, o suíço completou o quadro. Detém agora o recorde de vitórias (175) e títulos (18) na superfície, assim como de jogos feitos (105), triunfos (94) e troféus (8) em Wimbledon.

E o grande momento na vitória tranquila em cima do alemão Jan-Lennard Struff veio ali no terceiro set, quando ganhou um ponto com o SABR, sim, o Sneak Attack by Roger. Assustador vendo alguém devolver um saque na grama apenas um passo atrás da linha de serviço.

Duas boas notícias para o octacampeão: dois dias de descanso até as oitavas de final de segunda-feira e o reencontro com o canhoto Adrian Mannarino, sobre quem tem 4 a 0, uma delas em Wimbledon.

Seu caminho pode ter depois Gael Monfils ou Kevin Anderson. Como o acrobático francês é de lua! Quando resolve bater na bola e não se acomoda lá na base, vira um tenista muito perigoso. Claro que não deixou de fazer lances espetaculares, porém foi notável a forma com que cortou os erros: dos 13 no primeiro set, caiu para 5, depois 2 e por fim apenas 1 no set final.

Campeão juvenil em 2004, é um tanto inacreditável que Monfils vá disputar as oitavas de Wimbledon pela primeira vez. Ele, que já tirou Richard Gasquet na estreia, duela contra Kevin Anderson com chance real: só perdeu um set para o sul-africano em cinco duelos.

Outro duelo marcado é entre o sacador John Isner e o atlético Stefanos Tsitsipas. Um incrível contraste quando vemos que também fazem sua primeira presença em oitavas, com a evidente diferença que o top 10 Isner tem anos de estrada e joga seu 10º Wimbledon, enquanto o grego de 19 anos já chama a atenção com a destreza de seu backhand de uma mão sobre a grama. Patrick Mouratoglou alerta: “Esse cara é um lutador incrível, estou impressionado com sua habilidade em reagir durante os jogos”. Olho nele.

Mamães duelam
Kiki Mladenovic foi um teste real para Serena Williams. Boa duplista, a francesa se sente à vontade na grama, liderou o primeiro set e exigiu muito no outro. “Sempre contra mim, as meninas acham seu melhor tênis. É incrível”, avaliou Serena, que gostou de suas reações na partida e avisa: “Este é o segundo torneio em que realmente me sinto competitiva”.

Com as quedas da irmã Venus e de Madison Keys, ela é agora a única norte-americana nas oitavas de Wimbledon e irá enfrentar outra mãe, a russa Evgeniya Rodina, que surpreendeu Keys mesmo com apenas nove winners em 34 games. Se mantiver o favoritismo, Serena cruzará com Ekaterina Makarova ou Camila Giorgi.

Considerada a principal barreira no caminho de Serena rumo à final, a tcheca Karolina Pliskova levou um enorme susto quando Mihaela Buzarnescu abriu 6/3 e 4/1. Pliskova precisou de três sets em todos os jogos até agora. Terá de mostrar mais contra Kiki Bertens.

Cenas do quinto dia
– Sascha Zverev pensou em abandonar a partida e não entrar em quadra para a sequência do jogo contra Taylor Fritz por conta de dores abdominais. Ele mal tem se alimentado e vibrou muito com os dois sets tão fáceis que venceu na retomada. O número 4 do ranking volta à quadra já neste sábado para pegar o ex-top 10 Ernests Gulbis.
– Bertens estava incrédula pela vitória sobre Venus: “Tive de jogar de forma agressiva, o que é difícil para mim. E veio na cabeça os match-points que perdi contra Venus em Miami”.
– Rodina fala abertamente: Serena é seu ídolo. E ao enfrentá-la na segunda-feira, sonha enfim jogar na Central. A russa deu a luz a Anna seis anos atrás, quando tinha 23.
– O dia 6 de julho marcou os exatos 10 anos da primeira e histórica conquista de Nadal em Wimbledon. E em cima do então pentacampeão Federer, considerado um dos maiores jogos da Era Profissional.
– A chave de duplas masculinas já perdeu os três principais cabeças de chave: Marach/Pavic e Kontinen/Peers nem passaram da estreia, os atuais campeões Melo/Kubot caíram na segunda. A parceria do mineiro cometeu 15 duplas faltas, incluindo a do match-point!

Vacilos que valeram deliciosa emoção
Por José Nilton Dalcim
9 de agosto de 2017 às 23:51

Apesar da falta de quatro top 10, ou quem sabe exatamente por causa disso, Montréal viu jogos emocionantes desde o primeiro dia e já virou lugar comum match points evitados e perdidos. Se algumas vezes o nível técnico nem foi tão espetacular, sobra emoção. E isso é tudo o que o público gosta de ver.

Quatro jogos foram particularmente interessantes nestes três dias, a começar pela derrota de Rogerinho Silva para Denis Shapovalov da terça-feira. No final da noite, vimos a incrível vacilada de Dominic Thiem e o espetacular espírito guerreiro do baixinho Diego Schwartzman.

Gael Monfils repetiu a façanha contra Kei Nishikori nesta quarta-feira. O japonês tinha o jogo na mão, deixou para depois e aí Monfils imitou Shapovalov e salvou match points com jogadas arrojadas e sensacionais. Deixou o estádio inteirinho de pé num lance de incrível qualidade. Por fim, Alexander Zverev e Richard Gasquet fizeram todo mundo perder o fôlego com sua entrega. O francês conseguiu reagir com o alemão no saque e 40-0. Depois Zverev encarou seus três match points e foi notavelmente frio, inclusive num ponto tão longo e cansativo que Gasquet se pôs a dar slice de forehand, já sem pernas.

Ampliando as surpresas, Adrian Mannarino fez mais aces do que Milos Raonic, num resultado tão inesperado quanto o placar, ao passo que Heyong Chung aproveitou um David Goffin ainda sem ritmo. E Shapovalov, bem menos afoito, pareceu um veterano diante de Juan Martin del Potro, este sim apressado e irregular.

Enquanto isso, Rafael Nadal e Roger Federer ratificaram por que são os grandes nomes da temporada. Claro, os adversários mostraram fragilidade, mas é preciso enxergar como os dois não tomaram conhecimento do tal piso lento de Montréal e bateram com vontade na bola. Nadal deu winners dos dois lados, sufocando Borna Coric, e Federer abusou dos voleios precisos e do ritmo frenético em cima de Peter Polansky.

As oitavas de final têm um pouco de tudo, com atenção maior para o reencontro entre Zverev e Nick Kyrgios e o curioso duelo de canhotos entre Nadal e Shapovalov. É bom lembrar que Zverev e Kyrgios são os grandes candidatos a cruzar com Rafa nas semifinais.

Mas há espaço para grandes novidades, o que tem sido raro nos Masters: Schwartzman ou Donaldson, Chung ou Mannarino estarão nas quartas. E para uma das maiores freguesias das quadras, os 16 a 0 de Federer sobre um reanimado David Ferrer. Divirtam-se.