Thiem e Zverev derrubam os campeões
Por José Nilton Dalcim
29 de janeiro de 2020 às 13:32

A nova geração levou a melhor sobre os ‘trintões’ no complemento das quartas de final do Australian Open e farão uma semifinal toda renovada. Caíram aliás dois campeões de Melbourne: Dominic Thiem ganhou um jogo de detalhes, força bruta e muitas emoções diante de Rafael Nadal, o vencedor de 2009, e Alexander Zverev virou em grande estilo sobre Stan Wawrinka, ganhador de 2014. Assim, mantém-se a expectativa do primeiro triunfo peso pesado da Next Gen, ainda que do outro lado estará Novak Djokovic ou Roger Federer.

Seria justo dizer que o set-point perdido por Nadal no primeiro set, que lhe daria um folgado 6/3, pode ter influenciado todo o andamento da partida. Thiem ainda não tinha adquirido toda a confiança – a quebra sofrida foi um momento ruim – e via um espanhol cheio de surpresas, com saque-voleio, contrapés e devolução mais perto da linha. O austríaco se agigantou com a chance recuperada e daí em diante deu um show com seus golpes pesadíssimos, precisos e ousados.

O segundo set foi quase uma repetição, com Rafa outra vez quebrando antes, cedendo empate e sendo dominado no tiebreak pouco depois de salvar um set-point. E tudo isso sem que Thiem usasse todo o poder de seu serviço. Mas contra Rafa nada está garantido até a última bola, e o espanhol manteve a cabeça no lugar. Esperou a primeira brecha para fechar o terceiro set. Thiem jogou muito para quebrar no terceiro game do quarto set, manteve a vantagem até sacar para a vitória. Aí bateu o nervosismo, errou forehands bobos enquanto Nadal espertamente enchia a bola de spin apostando na ansiedade do oponente.

O terceiro tiebreak foi ainda mais interessante. Nenhum dos tenistas segurou o saque nos cinco primeiros pontos, e Nadal poderia ter chegado a 4-1. Ao contrário, foi Thiem quem fez 4-2 e aí ganhou um ponto totalmente improvável: caiu na quadra, levantou-se e rebateu ainda duas bolas antes de Nadal mandar um backhand para fora. Mas não seria o fim. Com 6-4, Thiem perdeu o match-point com um forehand incrivelmente fácil de meio de quadra. Nadal salvou outro e foi impossível não lembrar Federer da véspera. Porém com o saque na mão, o espanhol falhou e aí seria pedir demais que o já tão experiente Thiem deixasse outra chance tão preciosa escapar.

Esta foi apenas a segunda vez que Nadal precisou jogar três tiebreaks numa mesma partida de Slam, mas na anterior conseguiu ganhar um deles na vitória sobre Fernando Verdasco rumo ao título do Australian Open de 2009. Quatro jogadores já haviam tirado dois tiebreaks dele (Federer, Isner, Darcis e o próprio Verdasco).

Com 59% de primeiro saque em quadra, Thiem ganhou mais pontos do que Rafa devolvendo o primeiro serviço (31% a 22%). Fez 65 winners contra 49, mas 49 erros diante de 33. Era o que tinha de fazer para chegar à quinta vitória geral sobre Nadal, a primeira em Slam (1-5 agora) e na quadra dura.

Dado muito significativo levantado pela ATP mostra que Thiem venceu 7 dos 9 duelos diante do Big 3 nos últimos 12 meses, o que inclui 3-0 sobre Federer, 2-1 em Djokovic e 2-1 contra Nadal. Desde o começo de 2018, sua marca também é positiva com 9 triunfos em 15 confrontos: 3-1 sobre Federer e Djokovic, 3-4 frente Nadal. Soma agora 11 triunfos nos 14 duelos mais recentes.

Ao atingir sua quinta semifinal de Slam, a primeira fora de Roland Garros, o austríaco de 26 anos também anota sua quarta vitória da carreira em cima de um número 1 em 12 tentativas, sendo duas sobre Nadal e uma diante de Djoko e de Murray.

Como todo mundo sabe, Nadal adia o sonho do 20º troféu de Grand Slam para Roland Garros e outra vez falha na tentativa do bi na Austrália, o que o tornaria o único homem com ao menos dois troféus em cada Slam. De quebra, fica ameaçado de perder o número 1, caso Djokovic conquiste o octa no domingo.

O grande momento de Sascha
E Alexander Zverev reencontrou grande parte de seu melhor tênis, alcançando com justiça sua maior campanha num Slam. Levou um passeio no primeiro set diante de Stan Wawrinka, quase perdeu o saque no começo da outra parcial porém jamais se desesperou. E isso fez toda a diferença.

Pouco a pouco, o saque começou a fazer estragos – chegou a notáveis 90% de acerto e terminou na média de 80% – e a paciência no fundo de quadra foi recompensada com a pressa que tanto atrapalha Wawrinka. O alemão conhecia o caminho, afinal havia batido Stan nos dois duelos anteriores, ainda que não se cruzassem há quase três anos. E quando o suíço começou a errar o backhand, o sinal de que a confiança tinha sumido era evidente.

Aparentemente, faltaram pernas para Wawrinka no quarto set, já que ele vinha de dois jogos muito duros e ainda encarou um sol bem mais forte em Melbourne. Primeiro alemão na semi de um Slam desde Tommy Haas em Wimbledon-2009, Sascha ganhou dois dos oito duelos diante de Thiem, um no piso veloz de Xangai e outro no saibro rápido de Madri, e levará para a quadra uma animadora estatística: ganhou 10 de seus últimos 11 jogos que foram ao quinto set.

Atrás de mais um Slam
Experiência é o que não faltará na segunda semifinal feminina da Austrália, entre Simona Halep e Garbiñe Muguruza, ambas com títulos e finais de Grand Slam.

Vice do torneio em 2018, a romena está voando e gastou 53 minutos para dominar Anett Kontaveit com um jogo bem vistoso. Na entrevista oficial, destacou a volta do treinador Darren Cahill e uma intensa pré-temporada pela ótima forma física e técnica que demonstra.

Campeã de Wimbledon e Roland Garros, a espanhola faz sua primeira semi em Melbourne e admite surpresa por ir tão longe saindo de uma virose pouco antes do torneio. Pouco a pouco, recuperou a confiança para executar seu jogo agressivo e tem pequena vantagem de 3 a 2 sobre Halep nos confrontos diretos.

Saiba mais
– Esta foi a derrota número 200 na carreira de Nadal, que tem 985 vitórias e deve alcançar a história marca de quatro dígitos no mais tardar no saibro europeu.
– Cada Big 3 tem agora 29 vitórias sobre adversários top 5 em torneios de Slam. Como Rafa perdeu, a liderança será a disputa direta entre Djoko e Federer.
– Aos 22 anos e 288 dias, Zverev pode ser o mais jovem campeão em Melbourne desde Nadal e de um Slam desde Del Potro, ambos em 2009.
– Federer foi multado em US$ 3 mil pelo palavrão que soltou na partida contra Sandgren. Ele reconhece o erro, mas diz que falou em alemão suíço e ainda foi para si mesmo e não tão alto que o público pudesse ouvir.
– A rodada desta quinta-feira começa à meia-noite com as semis femininas (Barty-Kenin e Halep-Muguruza) e às 5h30 será o 50º encontro entre Djokovic e Federer.
– A simpática Ekaterina Makarova anunciou aposentadoria, aos 31 anos. Ex-top 10, liderou em dupla, onde ganhou três Slam e os Jogos do Rio. Foi ao lado dela que Soares venceu mistas do US Open-2012.

Milagre garante reencontro de Nole e Federer
Por José Nilton Dalcim
28 de janeiro de 2020 às 12:44

Roger Federer operou o segundo milagre no Australian Open, salvando outra partida que parecia completamente perdida, não apenas pela atuação superior de Tennys Sandgren, mas também por problema físico na coxa direita que vinha pelo menos desde o final do segundo set. Com sua reação memorável e emocionante, ganhou o direito de desafiar Novak Djokovic pela 50ª vez na carreira, depois que o sérvio dominou com esforço mas muita competência Milos Raonic.

Difícil acreditar no entanto que o suíço conseguirá se recuperar em 48 horas para ao menos ser competitivo diante do homem que está voando em Melbourne. Do jeito que Nole se mostra sólido nas devoluções, me parece impensável que Federer consiga ameaçá-lo com um saque tão debilitado como mostrou nesta terça-feira. Se for assim, será uma pena porque este torneio tem sido um espetáculo até aqui.

Federer ganhou na marra. Depois de um bom primeiro set, foi perdendo rendimento físico e Sandgren se agigantou. Sacou maravilhosamente, disparou golpes incríveis da base, subiu à rede de forma oportuna. Mostrava frieza e confiança, fazendo ainda a leitura correta de forçar o forehand do adversário. Depois do atendimento médico, Federer melhorou porém ainda fez um quarto set com serviço abaixo do normal, um deles a apenas 153 km/h, sem qualquer ameaça como devolvedor. Chegou ainda assim ao 4/5, saque a favor e aí…

Os match-points
Federer salvou sete match-points ou foi Sandgren quem perdeu sete match-points? É uma discussão e tanto. Acho que a primeira série de três, com o suíço no saque e com primeiro serviço enfraquecido, faltou ao norte-americano tomar a iniciativa, ainda que tenha tentado uma paralela de backhand no primeiro deles, que ficou na fita e provavelmente seria mortal dada a falta de mobiliidade do suíço em se deslocar para aquele lado. No segundo, também fez um slice na direita sem o sucesso imaginado. O suíço foi calmo, colocou o backhand em quadra e evitou o erro.

No 3-6 do tiebreak, Sandgren mandou logo a primeira devolução na linha e Federer se safou com o backhand sabe lá Deus como. Na ideia de não arriscar, deu ao menos duas chances de o norte-americano tentar uma bola forçada e vencedora. Veio então um primeiro saque firme e aí o mais incrível deles todos. Sandgren veio à rede, voleou profundo e Federer achou a paralela de backhand que o adversário não leu com a necessária antecipação. Por fim, Sandgren já tinha perdido de vez a confiança, mas ainda obrigou o suíço a um bate-pronto de backhand antes de entrar no rali e ser pego por um slice muito curto e baixo.

Então, eu diria que Sandgren não teve a coragem necessária – e no tiebreak tinha folga para isso -, mas ao mesmo tempo Federer adotou o ‘espírito de Djokovic’: jogou para não errar nos pontos essenciais e assim passou a responsabilidade para o outro lado. Vivendo e aprendendo.

A partida terminou com Federer muito mais solto em quadra – recebeu novo tratamento no intervalo -, com o forehand enfim fazendo a diferença, e Sandgren completamente fora de si. Ao vê-lo falar sozinho e reclamar de qualquer coisa desde o primeiro game, era evidente que a cabeça ainda estava no quarto set.

Djokovic, esforçado e brilhante
Mesmo com uma freguesia a favor de 9 a 0, nunca se pode menosprezar o poder de fogo de Raonic. E foi com esse cuidado que Nole entrou em quadra. O canadense salvou o saque em três serviços consecutivos no primeiro set, mas ao mesmo tempo teve uma chance de quebra muito perigosa, no 3/3. Era um jogo de detalhes, e a resistência caiu no quarto set-point, abrindo a porta para Djoko se encher de confiança. Notável que o cabeça 2 tenha ganhado 32% dos pontos devolvendo o primeiro saque.

Contra um sacador dessa magnitude, é preciso aproveitar as poucas chances. Djoko se esmerava nas devoluções e fazia Raonic jogar, sendo recompensado com a quebra no quarto game que simplificou tudo. O primeiro serviço do sérvio caiu de rendimento (76 para 58%), e foi por isso que o canadense apertou algumas vezes. Um problema na lente de contato atrapalhou Nole no final do terceiro set, mas ainda assim esteve perto da quebra antes de enfim dominar totalmente o tiebreak. Foi o melhor momento do sérvio no serviço: 88% de pontos vencidos.

Além da questão física, todos os números dão favoritismo a Djokovic no reencontro com Federer: 26-23 nos duelos, 10-6 em Slam, 3-1 em Melbourne e 19-18 no piso duro. O suíço ao menos venceu o confronto mais recente, numa grande exibição no Finals de Londres, que serviu de consolo após a terrível derrota na final de Wimbledon. Marque no seu despertador: o jogo acontece às 5h30 desta quinta-feira.

O sonho de Barty se aproxima
Há muita emoção aguardando este Australian Open ainda e isso se estende à chave feminina, onde a heroína local Ashleigh Barty já garantiu a melhor campanha de uma tenista australiana no torneio desde 1984 e pode ser a primeira finalista em 40 anos, quando Wendy Turnbull foi vice. O último título nacional veio em 1978, com Chris O’Neil.

A chave para mais esse passo abriu-se com a quarta vitória seguida sobre Petra Kvitova, um duelo que na verdade se definiu num tenso e bem jogado primeiro set, em que qualquer coisa poderia ter acontecido. O lance crucial e genial foi uma troca de 22 bolas no sexto ponto, que deu 4-2 a Barty Daí em diante, a canhota tcheca baixou a intensidade e acabou optando por um jogo de risco que lhe custou muitos erros no segundo set.

O domínio dos nervos continua essencial para Barty encarar Sofia Kenin, uma tenista que não tem medo de bater na bola. A norte-americana de 21 anos fez um jogo de altos e baixos contra a tunisiana Ons Jabeur e levou em dois sets, atingindo sua primeira semi de Slam.

Saiba mais
– Esta foi a 24ª partida que Federer venceu encarando match-points e a segunda com sete. Clique aqui e veja a lista completa
– Faltou pouco para Sandgren se tornar o primeiro a derrotar Federer nas quartas da Austrália em 15 edições. Suíço chega à semi de Slam pela 46ª vez.
– Aos 38 anos e 178 dias, Federer se tornou o tenista mais velho a ir tão longe em Melbourne desde Rosewall em 1977 (42 anos e 68 dias) e o mais velho em Slam desde Connors no US Open de 1991 (39 anos e 6 dias).
– Sandgren anotou 27 aces contra apenas 5 e fez 73 a 44 nos winners. E acabou derrotado tendo vencido um ponto a mais na partida (161 a 160).
– Djokovic por sua vez alcança sua 37ª semifinal de Slam na carreira e precisa torcer para Rafa perder para Thiem e assim ter chance de recuperar o número 1 em Melbourne.
– Raonic se torna o quarto ‘freguês’ de Nole com ao menos 10 derrotas e sem vitória alguma. Os outros são Monfils (16-0), Chardy (13-0) e Seppi (12-0).
– Nada menos que 13 títulos do Australian Open estarão em quadra no duelo direto entre Djokovic e Roger. A rivalidade deles só está numericamente atrás dos 55 duelos entre Djokovic e Nadal.
– Nascida em Moscou, Kenin tem enorme chance de avançar ao 11º lugar do ranking e certamente será top 10 se passar por Barty.

Cabeça de ouro
Por José Nilton Dalcim
27 de janeiro de 2020 às 12:53

Rafael Nadal é um monstro jogando sob pressão e deu mais uma aula de tenacidade na tensa vitória sobre o desafeto Nick Kyrgios, onde se destacou seu adjetivo inigualável: a escolha certa do que fazer com a bola quando mais precisa do ponto.

O canhoto espanhol repetiu nesta manhã não apenas o triunfo de Wimbledon de meses atrás, mas também o exato placar, levando os dois tiebreaks da partida. Essa virtude inigualável de Rafa se mostrou em dois momentos para mim mais cruciais do que os próprios desempates.

O primeiro foi no 4/4 do terceiro set, em que precisou defender um serviço vital e tomou opções magníficas para evitar o que poderia ser então a virada do australiano. Depois, ao vacilar para fechar o jogo, 5/4 do quarto set, viu Kyrgios empatar tudo e a torcida ir à loucura. O que fez então o espanhol? Apagou tudo e sacou com maestria absoluta no 5/6 e em todo o tiebreak.

Num duelo felizmente sem grandes ocorrências – Nick quebrou uma raquete, mas até aplaudiu lances de Nadal e pediu desculpas por dar bola na fita -, Nadal tomou postura ofensiva, muito ajudado por um primeiro saque bem variado que encurtou as devoluções do adversário, e saiu de quadra com mais winners (64 a 50) e muito menos erros (27 a 43). Não é para se encher de confiança?

Restando mais uma vitória para assegurar a liderança do ranking, sua barreira agora pode ser ainda mais difícil: Dominic Thiem, contra quem costuma treinar e talvez por isso perdeu 4 de 13 confrontos. O curioso é que se enfrentaram uma única vez fora do saibro e foi aquele memorável duelo das quartas do US Open de 2018. Será também a repetição das duas últimas finais de Roland Garros.

O austríaco, que já despediu o consultor Thomas Muster após duas semanas de trabalho e desentendimentos, faz sua melhor campanha em Melbourne e está jogando um tênis muito vistoso. Os três sets diante do ‘freguês’ Gael Monfils foram bem divertidos e mostraram Thiem cheio de recursos técnicos e táticos, algo que ele precisará contra Nadal mais do que nunca.

Stan e Sascha derrubam russos
Embora não seja exatamente surpresa, chama a atenção a queda dos russos que vinham tão embalados. Daniil Medvedev havia ganhado as duas contra Stan Wawrinka, incluindo o recente US Open, mas novamente falhou num quinto set, situação que jamais se deu bem na carreira em seis tentativas. Invicto desde outubro, o jogo de Andrey Rublev não encaixa mesmo diante do amigo Alexander Zverev, e pela quarta vez sequer tirou set.

Wawrinka controlou muito bem a cabeça e a frustração na gangorra que foi o duelo desta madrugada. Ofensivo, dominou o primeiro set, mas aí Medvedev errou apenas oito pontos nas duas séries seguintes e virou. O suíço continuou forçando, no seu melhor estilo, e isso lhe valeu o tiebreak que seria decisivo na partida. Saiu a série final com quebra e foi a 3/1, evitando então três break-points. É justo dizer que o recorde negativo em cinco sets pesou para o russo. Stan, ao contrário, fez o 51º de sua carreira, com 29 de sucesso.

Aos 34 anos, Wawrinka está pela quinta vez nas quartas de Melbourne e fará duelo de geração contra Zverev, para quem perdeu nos dois duelos feitos, em 2016 e 2017. O suíço tem um curioso retrospecto contra adversários top 20: na carreira, tem agora apenas 21 vitórias e 77 derrotas, mas em Slam venceu 12 das 32. Ou seja, adora jogos grandes e por isso o alemão precisa de cuidado redobrado.

É uma boa novidade ver Sascha em suas primeiras quartas em Melbourne e também fora do saibro nos Slam (as outras duas foram em Paris), e ainda por cima sem perder um único set até agora. O campeão juvenil da Austrália de seis anos atrás ainda sonha com a primeira semi nesse nível em 19 tentativas como profissional. E estar bem longe dos holofotes, fruto de uma temporada 2019 um tanto apagada e conturbada, parece ter ajudado muito até aqui.

O duelo contra Rublev não teve sustos e foi muito bem equacionado pelo alemão, que encaixou 75% do primeiro saque e sequer encarou break-point, somando o dobro dos winners (34 a 17). Desesperado, o russo tentou coisas malucas, como dar slice e pior ainda ir à rede, um elemento que precisa ainda de muita lapidação.

Zverev tem chance contra Stan? Sim, principalmente se jogar a responsabilidade para o outro lado e tentar se divertir. Mas ainda assim Wawrinka me parece bem favorito.

Halep vai subindo
Cada vez mais, Simona Halep desponta como maior candidata à vaga na final no lado inferior da chave feminina. Num jogo de muito lance bonito e jogadas ofensivas, venceu com autoridade Elise Mertens e agora reencontra Anett Kontaveit, a quem superou duas vezes.

A número 3 do mundo tem um histórico de altos e baixos em Melbourne, indo de duas quartas para duas primeiras rodadas e depois final, em 2018. No ano passado, parou nas oitavas. Mas é inegável que está muito confortável nas quadras duras. Diante de Mertens, fez 21 winners e apenas 8 erros em 20 games.

Um tanto inesperado é o duelo entre Garbiñe Muguruza e Anastasia Pavlyuchenkova. A espanhola não ia longe num Slam desde Paris-2018 e passou a última temporada sem brilho. Levou um ‘pneu’ no seu primeiro jogo em Melbourne e foi a três sets no seguinte, mas desde então recuperou a firmeza no seu jogo mais ofensivo.

A russa já foi 13º do mundo e trabalha bem o saque e a base. Com incríveis 71 winners, derrotou Angelique Kerber, a segunda ex-líder do ranking na sequência (Karolina Pliskova foi a outra). Aos 28 anos, tenta primeira semi de um Slam.

Saiba mais
– Nadal soma agora 41 presenças em quartas de final de Slam, igualando-se em terceiro lugar com Connors.
– Embora tenha só um título no AusOpen, este é o agora seu segundo Slam em termos de vitórias: chegou a 65, contra 64 do US Open e 53 de Wimbledon.
– Com os resultados desta segunda-feira, Thiem irá recuperar o quarto posto do ranking, superando Medvedev. E tem chance de ultrapassar Federer, desde que chegue no mínimo à final.
– Wawrinka marcou a vitória de número 300 sobre a quadra dura em sua carreira, o que é expressivo se vermos que seu total é de 521.
– Suíço também atinge as quartas de um Slam pela 18ª vez e está atrás somente do Big 4 nesse quesito entre os jogadores em atividade.
– Ex-top 3 do ranking, Zverev marcou apenas sua segunda vitória sobre um top 20 em Slam em 10 tentativas. A outra foi diante de Fognini.
– Halep recupera a segunda colocação do ranking, mas não terá como chegar em Barty.