Nadal joga pela liderança
Por José Nilton Dalcim
9 de agosto de 2019 às 23:59

Apesar da atuação um tanto irregular desta sexta-feira, Rafael Nadal pode atingir a primeira meta da semana em Montréal: se avançar à decisão de domingo, irá recuperar a liderança do ranking da temporada.

O espanhol atingiria 6.825 pontos e deixaria para trás Novak Djokovic, que tem 6.735. Caso confirme o título, soma mais 400 pontos e se distancia. Com uma chave bem propícia em Cincinnati na semana que vem, o espanhol tem todo o direito de sonhar.

Mas não gostei do Rafa desta noite contra o ‘baleado’ Fabio Fognini. Jogou um primeiro set muito abaixo do seu padrão, reagiu bem mas já era evidente a movimentação ruim do italiano, que pediu atendimento para a problemática perna direita e nada adiantou. Claro que o vento forte é atenuante.

Nadal terá de esperar para saber quem enfrentará na noite deste sábado, já que Roberto Bautista e Gael Monfils jogaram apenas dois pontos antes de a chuva cair forte. Se for uma partida equilibrada como se espera, Rafa agradecerá muito.

A outra vaga na final será russa e valerá o oitavo lugar do próximo ranking. Daniil Medvedev e Karen Khachanon, ambos de 23 anos, vivem momentos diferentes. Enquanto Medvedev faz uma temporada sólida e surpreendente, com grande desempenho até no saibro, Khachanov tinha sobre si grande expectativa mas fez cinco meses decepcionantes e só começou a reagir em Roland Garros. Faz sua primeira semi de 2019.

Os dois tiveram jogos muito fáceis nesta sexta-feira. com destaque para a surra de 56 minutos que Medvedev deu em Dominic Thiem. Já Khachanov dominou amplamente o ainda perdido Alexander Zverev. Dono de estilos semelhantes mas postura distinta em quadra, imagino Medvedev com ligeiro favoritismo para chegar a sua primeira final de Masters.

Serena ‘carimba’ o 1 de Osaka
Antes mesmo de entrar em quadra para reencontrar a ídolo Serena Williams, Naomi Osaka já sabia que será novamente a líder do ranking na segunda-feira, já que Karolina Pliskova pouco antes havia se tornado a nova vítima de Bianca Andreescu. Mas quem se mostrou motivada foi Serena. O forte vento e uma evidente tensão não permitiram um grande jogo, uma pena. Serena ainda viu Simona Halep abandonar e assim tem uma enorme chance de enfim voltar aos títulos. Não ergue um troféu desde o AusOpen de 2017.

Murray vai se testar
Grande notícia: Cincinnati vai ter o Big 4. O escocês Andy Murray confirmou presença e me parece ter escolhido o torneio certo: piso veloz, jogo rápido. Não será fácil, porque pegou Richard Gasquet – o francês jogou muito motivado em Montréal – e se passar terá Dominic Thiem, porém também não é o pior dos mundos. Acompanhei o desempenho de Murray nas duplas e o que vi me deixa otimista: ele está jogando firme, solto, ótima movimentação e golpes afiados.

Djoko x Federer de novo?
Há muitas dificuldades para Novak Djokovic reencontrar Roger Federer na semi de Cincinnati. O sérvio tem ótimos sacadores no caminho – Querrey ou Herbert, Isner e Khachanov -. enquanto o suíço deve pegar jovens como Berrettini, Tsitsipas ou Medvedev. Seria muito interessante se repetissem a final de 2018 e a de Wimbledon de semanas atrás. Já imaginaram o clima? Nadal tirou a sorte grande e não tem qualquer grande barreira no caminho, podendo encarar Bautista ou Cilic na semi.

Nishikori preocupa
Nem começou a fase da quadra dura e Kei Nishikori já está com problemas físicos. Após derrota para Gasquet, ele abandonou as duplas e confessou: “O cotovelo está doendo demais. Já tentei de tudo para tratá-lo, mas continua incomodando”. Nishikori está na chave de Nadal em Cincinnati.

Khachanov reclama
O russo não ficou nada satisfeito com o comportamento da torcida canadense durante o duelo contra Felix Aliassime. “Fique maluco com o público. Tudo bem torcerem para o cara da casa, quisera eu ter isso na Rússia. Mas gritar durante os pontos é um desrespeito. Ao menos, me deu uma energia a mais”.

Fortes, quartas de Montréal dividem veteranos e novatos
Por José Nilton Dalcim
9 de agosto de 2019 às 00:09

Não se pode falar mal do nível técnico das quartas de final do Masters de Montréal: todos os oito sobreviventes são top 20 e cinco deles estão na faixa dos 10 primeiros. O fato interessante é que os ‘trintões’ estão no lado de cima, numa soma de 127 anos, e os novatos ficaram embaixo, com total de 93. Promessa de rodadas decisivas bem interessantes.

Nadal vinha com nota 9 até a metade do segundo set, com direito a uma série de jogadas espetaculares, mas aí me pareceu bater no espanhol uma certa ansiedade de concluir logo a tarefa. Aí ficou instável, perdeu serviço e errou forehands no meio da rede. A distância técnica para Guido Pella no entanto é grande demais. Enfrentará agora Fabio Fognini, que chegou reclamando da perna e falando da necessidade de cirurgia ainda neste ano, porém mostrou um tênis bem competitivo até aqui. Será o 15º duelo entre eles, com 11 a 4 para Rafa. Em abril, no lento saibro de Monte Carlo, Fognini atropelou.

Quem vencer, enfrentará Roberto Bautista e Gael Monfils, e acho que qualquer um deles pode dar muito trabalho. O espanhol, único que não tem 32 anos no lado superior da chave, vem jogando muito tênis, tendo tirado Tomic, Schwartzman e Gasquet com muita agressividade. Monfils também não perdeu sets na semana, porém diante de adversários de menor gabarito. O placar está 3-1 para o francês, porém não se cruzam desde a vitória isolada de Bautista lá mesmo em Montréal, em 2017.

Três ‘Next Gen’ e o ainda jovem Dominic Thiem lutam pela outra vaga na final. E serão dois confrontos de top 10. Thiem, que jamais havia vencido no Canadá, fez ótimas partidas diante de Shapovalov e Cilic e não pareceu incomodado com a mudança do saibro para a dura. Ganhou as duas vezes que cruzou com Daniil Medvedev, o finalista de Washington no domingo. Karen Khachanov foi muito bem diante de Wawrinka e Aliassime, daí me parece favorito diante de Alexander Zverev, que passou apertadíssimo por Basilachvili. O histórico mostra 2-1 para o alemão, com empate em 2018.

Por fim, vale destacar ainda que seis dos oito quadrifinalistas estão no momento entre os 10 mais bem pontuados nesta temporada (e Monfils sobe no momento para 12º). Apreciemos.

O rei dos Masters
Maior colecionador de títulos nos eventos de nível Masters, série criada em 1990, com 34 conquistas, Nadal agora também é o que soma maior número de vitórias: 379, superando Roger Federer.

O reencontro de Osaka e Serena
O grande momento para o tênis nesta sexta-feira, no entanto, é o reencontro entre Naomi Osaka e Serena Willimas nas quartas de Toronto. Em janeiro, na Austrália, Serena chegou a ter quatro match-points contra Karolina Pliskova, mas cedeu a virada e o duelo tão polêmico do US Open não se repetiu. Nos jogos desta quinta-feira, as duas pegaram qualis e se enrolaram. Serena outra vez saiu atrás do placar e sofreu diante de Ekaterina Alexandrova, enquanto Osaka precisou de tiebreak e evitou dois set-points antes de tirar Iga Swiatek. A vencedora deve encarar Simona Halep.

Canadá sobrevive no feminino
Já a chamaram de ‘gordinha’ e acusaram Bianca Andreescu de jogar fora de forma. Ela responde na quadra: 3h28 para vencer a número 5 Kiki Bertens e avançar às quartas de Toronto, onde já tirou Bouchard e Kasatkina. Esperança local depois dos homens terem caído cedo em Montréal, seu desafio agora é Pliskova, postulante ao número 1 do ranking. O outro duelo de quartas tem Elina Svitolina contra Sofia Kenin.

Bob chega a 1.100
Recuperado da cirurgia que colocou prótese metálica no quadril – o que foi seguido por Andy Murray -, Bob Bryan anotou grande feito na carreira ao atingir em Montréal sua 1.100 vitória na carreira. Apenas o irmão Mike o supera, com 41 a mais. O único outro duplista com quatro dígitos na Era Profissional é Daniel Nestor, que chegou a 1.062.

38 lances geniais de Federer

Caminho aberto para Nadal
Por José Nilton Dalcim
7 de agosto de 2019 às 23:06

Rafael Nadal passou por um bom teste em seu retorno à quadra dura. O atual campeão de Montréal salvou dois set-points diante do habilidoso Daniel Evans e só então jogou de forma um pouco mais agressiva. É o caminho ideal para encarar Guido Pella, que nunca tirou set do espanhol em três duelos.

Sem os demais Big 3 na chave, Rafa tem favoritismo absoluto, ainda que tenha reclamado da lentidão da bola Penn e achado o piso um tanto veloz, condições que chamou de ‘difíceis’. Sua chave viu a queda melancólica de Borna Coric, tem um Fabio Fognini ‘baleado’, Stefanos Tsitsipas decepcionou de novo e ao que parece Roberto Bautista deve ser o adversário de semi, já que Kei Nishikori sequer passou da estreia diante de Richard Gasquet, um resultado bem inesperado.

O lado de baixo já perdeu John Isner, superado com facilidade por Cristian Garin, um dos cinco ‘next gen’ nas oitavas, ao lado de Alexander Zverev, Felix Aliassime, Daniil Medvedev e Karen Khachanov. O ‘trintão’ perigoso é Marin Cilic, mas Sascha foi campeão aí mesmo dois anos atrás e merece crédito, apesar da fase.

Estrela solitária
Felix Aliassime se valeu de mais um abandono de Milos Raonic e agora é a esperança local em Montréal, já que Denis Shapovalov parou em Dominic Thiem. Se vencer Khachanov, Felix irá se tornar o número 1 nacional e terá grande chance de chegar ao top 20.

Top 10
Roberto Bautista pode se tornar nesta semana o quarto tenista na temporada a atingir pela primeira vez o top 10, seguindo Medvedev, Khachanov e Fognini. Ele precisa no entanto ganhar duas rodadas a mais que o italiano ou uma a partir das semifinais.

Troca na ponta
Ash Barty vai perder a liderança do ranking após oito semanas na ponta. Sua derrota precoce em Toronto colocou Naomi Osaka e Karolina Pliskova na disputa pelo número 1. As duas estão em lados opostos da chave e podem decidir tudo na final, o que seria espetacular.

Bem pagas
Todas as 11 atletas mais bem pagas do mundo são tenistas, lideradas por Serena Williams, que tem contratos de US$ 25 milhões e faturou de premiação cerca de US$ 4,2 mi. Naomi Osaka vem logo atrás, com total de US$ 24,3 milhões, sendo também a segunda em faturamento publicitário (US$ 16 mi).

Toalha polêmica
Nick voltou a ser Kyrgios dois dias depois de sua belíssima conquista em Washington. Na derrota mais do que prevista de estreia para Kyle Edmund, o australiano polemizou com o juiz de cadeira por causa de uma toalha branca. Logo que entrou em quadra, ele indicou ao árbitro que não queria usar a toalha oficial do torneio, mas uma toda branca, sem patrocinadores. Não foi atendido e ficou uma fera. Levou advertência por disparar ‘palavrão’.

Out ou In?
Lance mais do que curioso na partida entre John Isner e John Millman pela primeira rodada de Montréal na terça-feira. O norte-americano pediu desafio e a resposta foi essa da foto abaixo…

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