O que acontecerá se ranking se mover
Por José Nilton Dalcim
15 de março de 2020 às 21:54

O ranking masculino ainda não sofreu atualizações desde que o coronavírus brecou a temporada 2020. Como Indian Wells ainda entraria nesta segunda-feira em sua segunda parte, uma nova lista só deveria mesmo ser divulgada no dia 23 de março e a ATP ainda não disse se irá descontar os pontos semanalmente a cada série de torneios não realizados ou se pretende congelar a pontuação até que o circuito volte, por enquanto previsto para o final de abril.

Nessa longa parada, teriam de ser retirados os pontos de Indian Wells, Miami, Houston, Marrakesh, Monte Carlo, Barcelona e Budapeste. Como exercício, fiz projeção para cada sequência de grandes retiradas de pontos. Vejemos as conclusões de uma forma simplificada e depois o top 20 de cada período importante.

1. Após Indian Wells
Não haveria qualquer alteração no top 10. A se destacar: mesmo como atual campeão, Thiem ainda se manteria à frente de Federer por 105 pontos. Isso porque ele não perderia totalmente os 1.000 pontos, mas 910 (entram os 90 de Monte Carlo). No top 10, Bautista tira Fognini do 11º e Khachanov cai dois postos e vira 17º.

2. Após Miami
Finalista, Federer é superado por Medvedev. A faixa dos 20 primeiros vê mudanças, com a queda de Shapovalov. O beneficiado é Paire, que vai a 19º. Aliassime ficaria fora dos 20 primeiros e Isner, do top 30.

3. Após Houston, Marrakesch e Monte Carlo
Djokovic amplia distância na liderança para 775 pontos, Medvedev vê Thiem mais distante (agora 585 pontos), mas o grande prejudicado é Fognini. O campeão monegasco despencará do então 12º para o 25º. Lajovic, o vice, então 23º, recuaria sete posições. Carreño volta ao top 20.

4. Após Barcelona e Budapeste
Nadal aparecia agora 955 pontos atrás de Nole. Thiem perderia 500 pontos, porém ainda se sustentaria em terceiro, já que Medvedev tem 300 descontados. Berrettini desce para 10º. Coric e Raonic são grandes prejudicados, caem 20 postos e beiram o top 50.

Ranking sem Indian Wells
1 Novak Djokovic – 10175
2 Rafael Nadal – 9850
3 Dominic Thiem – 7045
4 Roger Federer – 6630
5 Daniil Medvedev – 5890
6 Stefanos Tsitsipas – 4745
7 Alexander Zverev     – 3630
8 Matteo Berrettini – 2860
9 Gaël Monfils – 2860
10 David Goffin – 2555
11 Roberto Bautista – 2395
12 Fabio Fognini- 2390
13 Diego Schwartzman – 2265
14 Andrey Rublev – 2226
15 Denis Shapovalov – 2030
16 Stan Wawrinka – 2015
17 Karen Khachanov – 1950
18 Cristian Garín – 1900
19 Grigor Dimitrov – 1862
20 Félix Auger-Aliassime – 1771

Ranking sem Miami
1 Novak Djokovic – 10085
2 Rafael Nadal – 9490
3 Dominic Thiem – 6125
4 Daniil Medvedev – 5800
5 Roger Federer – 5030
6 Stefanos Tsitsipas – 4825
7 Alexander Zverev – 3640
8 Matteo Berrettini – 2725
9 Gaël Monfils – 2680
10 David Goffin – 2545
11 Fabio Fognini – 2345
12 Diego Schwartzman – 2285
13 Roberto Bautista – 2260
14 Andrey Rublev – 2200
15 Stan Wawrinka – 2005
16 Karen Khachanov – 1940
17 Cristian Garín – 1900
18 Grigor Dimitrov – 1817
19 Benoit Paire – 1750
20 Denis Shapovalov – 1680

Ranking sem Houston, Marrakesh e Monte Carlo
1 Novak Djokovic – 9905
2 Rafael Nadal – 9130
3 Dominic Thiem – 6025
4 Daniil Medvedev – 5440
5 Roger Federer – 5030
6 Stefanos Tsitsipas – 4780
7 Alexander Zverev – 3530
8 Matteo Berrettini – 2715
9 Gaël Monfils – 2680
10 David Goffin – 2500
11 Diego Schwartzman – 2260
12 Roberto Bautista – 2215
13 Andrey Rublev – 2205
14 Stan Wawrinka – 1960
15 Karen Khachanov – 1930
16 Grigor Dimitrov – 1727
17 Denis Shapovalov – 1670
18 Cristian Garín – 1650
19 Benoit Paire – 1520
20 Pablo Carreño – 1512

Ranking sem Barcelona e Budapeste
1 Novak Djokovic – 9905
2 Rafael Nadal – 8950
3 Dominic Thiem – 5525
4 Daniil Medvedev – 5140
5 Roger Federer – 5030
6 Stefanos Tsitsipas – 4780
7 Alexander Zverev – 3530
8 Gaël Monfils – 2680
9 David Goffin – 2500
10 Matteo Berrettini – 2465
11 Diego Schwartzman  – 2230
12 Roberto Bautista – 2215
13 Andrey Rublev – 2205
14 Stan Wawrinka – 1960
15 Karen Khachanov – 1930
16 Grigor Dimitrov – 1682
17 Denis Shapovalov – 1670
18 Cristian Garín – 1605
19 Pablo Carreño – 1512
20 Benoit Paire – 1485

P.S.: Apesar de todo o cuidado, algum detalhe pode ter escapado, Conto com a ajuda de vocês para qualquer correção.

Esticar temporada pode ser alternativa
Por José Nilton Dalcim
12 de março de 2020 às 12:47

O tênis profissional vai parar nas próximas seis semanas. Com otimismo, voltará no dia 27 de abril, deixando para trás torneios tradicionalíssimos da ATP e de enorme faturamento: Indian Wells, Miami, Monte Carlo e Barcelona. A possibilidade já era explorada desde o começo da semana, com o avanço do coronavírus pelos Estados Unidos e Europa e ações tomadas por várias outras modalidades de peso, como a NBA. Não havia alternativa para a ATP e a ITF acaba de anunciar idêntica medida. É muito provável que a WTA siga a mesma diretriz.

O que restam agora são especulações. Fala-se na possibilidade de realizar Indian Wells e Miami depois do US Open, o que provocaria o cancelamento ou redução da temporada asiática, que tem os 500 de Pequiim e Tóquio e o Masters de Xangai. Ainda assim, os dois Masters norte-americanos teriam chaves reduzidas para 64 e aconteceriam em apenas uma semana.

No entanto, há evidentes dificuldades, entre elas o fato de o Hard Rock Stadium de Miami não ter datas disponíveis para o segundo semestre, já que é sede do Dolphins. E o que fazer com os compromissos comerciais já assumidos dos ATPs asiáticos? A alternativa seria esticar a temporada 2020 até dezembro.

Fica é claro a dúvida ainda se a pandemia será estancada em tempo hábil para acontecer os Masters de Madri e Roma e principalmente Roland Garros. Há enorme divergência de opinião entre especialistas em saúde pública. A China, onde se iniciou a virose, já vê redução drástica dos casos mas a Itália, onde aconteceu a primeira explosão europeia, certamente será o parâmetro essencial. Há de se esperar ainda como os outros países da União Europeia vão reagir.

Problema do ranking
As entidades também não se pronunciaram ainda sobre como ficará o ranking dessas seis semanas, considerando que envolvem nada menos do que três Masters e um 500, ou seja, um mar de pontos em jogo.

Se houver a simples retirada dos pontos, haverá mexidas drásticas no ranking, principalmente para os tenistas que estão fora do top 10. A lógica aponta para o congelamento e desconto apenas em 2021, mas aguarda-se ainda comunicado oficial.

Torneios brasileiros
Já é certo o adiamento dos challengers de Olímpia e de Florianópolis, conforme determinou a ATP, e também não poderá acontecer o Circuito Feminino Future de Tênis, previsto para as duas próximas semanas.

Como o calendário dos challengers e ITFs tem maior flexibilidade, é possível movê-los para outras datas, mas obviamente ficará prejuízo para a Koch Tavares, já que a estrutura de Olímpia estava montada devido à realização do ITF feminino nesta semana.

Até agora, não se sabe ainda se a ITF irá permitir que o feminino de Olímpia chegue ao fim ou se determinará a suspensão da rodada de hoje, que foi o modelo seguido pelos dois challengers em andamento pela ATP no Cazaquistão e África do Sul.

O adiamento do Circuito Feminino reuniria basicamente as mesmas jogadoras de Olímpia. Ou seja, o adiamento trará prejuízo às tenistas estrangeiras que vieram para cá.

Vírus ameaça o tênis
Por José Nilton Dalcim
9 de março de 2020 às 11:39

Já havia muita gente preocupada com a realização dos torneios casados de Indian Wells, e a notícia nada agradável acabou confirmada no início da noite deste domingo no horário local, quando o serviço de saúde do condado confirmou o primeiro caso de contaminação, declarou emergência pública e determinou o cancelamento de todos os eventos que possam reunir uma grande quantidade de pessoas.

Houve, é claro, muitas críticas aos organizadores por ter anunciado essa dura medida tão em cima da hora, mas o fato é que a decisão não coube ao evento, à ATP ou à WTA, mas sim imposta pelas autoridades da Califórnia, que obviamente estão acima de todos. O anúncio do paciente contaminado pelo coronavírus foi feito às 18 horas locais, e imediatamente o governo tomou as medidas de precaução. Os promotores do Masters 1000 e do Premier só tiveram de cumprir a lei e fazer um esforço para informar jogadores, público, imprensa e patrocinadores o mais rápido possível.

O vírus se tornou uma real ameaça ao circuito do tênis e muitos acreditam que Miami seguirá o mesmo caminho, já que há três dias um grande festival de música foi cancelado. Há informes de contaminação do corona em várias cidades importantes da Flórida, incluindo Orlando. Até sábado, já eram 16 casos com a primeira morte confirmada.

E por que o tênis é especialmente afetado? Em primeiro lugar, porque reúne milhares de pessoas, que ficarão necessariamente lado a lado nas arquibancadas e lanchonetes. E entre elas, muitas serão turistas e estrangeiros, o que obviamente concorre para espalhar a enfermidade. Se já ocorre um severo controle de chegada nos aeroportos, então não existe muito sentido em se permitir eventos de magnitude tão ampla.

Por fim, o perfil mostra que boa parte do público do tênis nesses megacampeonatos internacionais tem mais de 40 anos e já se sabe que a letalidade da doença é mais expressiva a partir dessa faixa etária e cresce muito a partir dos 60 anos. Indian Wells, por exemplo, é uma região de muitos aposentados, daí a urgência das autoridades.

Pode haver exagero no cuidado com o coronavírus? Sim, sem dúvida. É um gripe forte e altamente infecciosa, porém com os mesmos 3% de fatalidade como a maciça maioria das viroses. Com os devidos cuidados, a doença é tratada e desaparece. Mas não se pode acusar as autoridades de excesso de zelo quando se trata de saúde pública. No fim de semana, todo o norte da Itália virou zona restrita até dia 3 de abril.

O fato é que o calendário do tênis está sob alerta vermelho. Se houver o cancelamento de Miami, serão quatro semanas sem atividade, o que levará ATP e WTA a um dilema: descontar ou não os pontos do ranking sobre os resultados de 2019. Eu pensaria no congelamento dos pontos até 2021. Embora o diretor Tommy Haas tenha falado em possível realização de Indian Wells em outra data ainda neste ano, sabe-se a enorme dificuldade que é encaixar qualquer coisa no atual calendário, e ainda mais com as Olimpíadas.

Com motivos, a Europa está preocupada com o vírus a partir da rápida disseminação na Itália, país aliás que tem sido um dos que mais promovem torneios de tênis nos últimos anos em todos os níveis. O corona já chegou a todo o território europeu, e poderá causar um desastre no calendário do tênis se sair do controle em lugares como Espanha e França.

Nesta segunda-feira, França e Alemanha proibiram reuniões com mais de mil pessoas, enquanto Reino Unido fala em fechar escolas, cancelar eventos públicos ou proibir ingresso de maiores de 70 anos a eles. Segundo dados da Folha de S.Paulo de hoje, há mortes registradas na Itália, França, Espanha, Reino Unido e Suíça.