Isner faz Murray dar adeus
Por José Nilton Dalcim
29 de junho de 2022 às 20:27

Numa de suas atuações mais impecáveis que me lembro de ter visto, o gigante John Isner enfim conseguiu derrotar Andy Murray. O fim do tabu de oito confrontos veio logo na grama sagrada de Wimbledon, no domínio do escocês. Diante de seu físico tão imprevisível, há uma considerável chance de ter sido o adeus definitivo do bicampeão.

Isner, que já fez tanta história no torneio, também sabe que esta pode ter sido sua terceira e última vez na Quadra Central, mas foi extremamente elegante e sincero ao dizer que sabe que não joga mais do que Murray, porém que aproveitou suas chances. “Joguei incrivelmente bem e não foi só no saque. Não tenho muitas armas a meu dispor para fazer coisas diferentes”.

Foi um daqueles dias especiais para ele. “Vencer Andy na Central aos 37 anos é algo incrível. É para isso que continuo jogando, levando cedo todos os dias para treinar”. Dois pontos foram cruciais para a vitória, além é claro do excepcional serviço: o ataque ao segundo saque adversário, o chamado ‘chip-and-charge’, e os voleios impecáveis, especialmente os curtinhos. Isner aliás está a apenas quatro aces do recorde de Ivo Karlovic e é muitíssimo provável que atinja mais essa marca em Wimbledon na partida contra Jannik Sinner.

Apesar dos pesares, Murray jura que ainda acredita que pode novamente chegar em rodadas decisivas dos Grand Slam. “O jogo foi decidido por um punhado de pontos e eu definitivamente não saquei bem”, avaliou, dizendo que a contusão abdominal em Stuttgart não permitiu que ele treinasse saque por muitos dias. Sua meta? Elevar o ranking para ser cabeça no US Open ou no Australian Open. “Não sei se vou estar aqui de novo. Com meu físico, é impossível planejar a tão longo prazo”.

Jogo a jogo
Bom treino para Djokovic
– Bom sacador, Thanasi Kokkinakis foi um oponente perfeito para Novak Djokovic melhorar seu ritmo, experimentar devoluções, subidas à rede, slices. A rigor, o australiano incomodou muito pouco e nem mesmo o saque bastou, com apenas 67% de pontos vencidos. O reflexo claro do passeio sérvio foi a entrevista oficial, em que se falou de tudo, exceto da partida. Agora vem Miomir Kecmanovic, promessa de novo treino.

Alcaraz mostra mais – A segunda apresentação de Carlos Alcaraz foi muito melhor, sem dramas e com um tênis bem mais consistente, apesar do começo irregular de terceiro set. O motivo tem a ver também com a quadra: na estreia, ele jogou com teto fechado na 1 e agora enfrentou o bom Tallen Griekspool na 2. “A velocidade do jogo foi completamente outra. Na coberta, a coisa é muito rápida”, explicou ele, que se tornou o 15º profissional a atingir 3ª rodada em pelo menos cinco Slam. A coisa deve ficar bem mais apertada contra Oscar Otte.

Saibristas fora – Nenhuma surpresa. Ugo Humbert aproveitou a chance de encarar Casper Ruud para tentar sair da má fase e David Goffin só permitiu sete games a Sebastian Baez. O belga, lembremos, já fez quartas. O vencedor entre eles pegará Frances Tiafoe ou Alexander Bublik. Bem equilibrado.

A esperança – O canhoto Cameron Norrie se torna agora a principal esperança britânica, mas é difícil ficar animado depois do sofrimento que foi seu jogo contra Jaume Munar. O próximo é Steve Johnson. No mesmo setor, avança o sempre imprevisível Jiri Vesely, que ganhou o jogo maluco do dia. Alejandro Fokina nem pôde jogar o match-point, desclassificado no acúmulo de advertências por isolar a bola. O tcheco faz duelo interessante contra Tommy Paul.

Emma não passa – Experiente e vindo de título no fim de semana, Caroline Garcia sabia que pressionar era o caminho. Sufocou Emma Raducanu do começo ao fim com categoria e a britânica sucumbiu na sua falta de confiança, prova que ainda vai levar tempo para tentar se fixar no alto nível. O quadrante tem Ons Jabeur em rota de colisão com a campeã Angelique Kerber, um jogo que promete muito.

Buraco lá embaixo – Das oito tenistas que lutam por uma semi no último setor da chave feminina, seis não são cabeças. Pior ainda, Maria Sakkari já deve cruzar com Jelena Ostapenko nas oitavas. Muito difícil que a sobrevivente perca de Lesia Tsurenko, Jule Niemeier ou Kaja Juvan. A queda da cabeça 2 Anett Kontaveit nem de longe surpreendeu, já que a estoniana não fez preparativos para Wimbledon e contou ainda sentir sequelas da covid que pegou.

O país das duplas – O Brasil foi três vezes à quadra na abertura das duplas e saiu com 100% de aproveitamento. Soares/Murray venceram com facilidade, Matos/Vega ganharam a quinta na grama e Bia Haddad/Frech marcaram ótima virada. Todos têm chance real de ir às oitavas. Melo/Klaasen estreiam na quinta. Nas mistas, que terão Venus Williams e Kyle Edmund, Bia/Bruno encaram Matos/Kichenok.


Comentários
  1. Ronildo

    Gostei muito da entrevista da Raducanu. Ela tem a lógica certa para ela: ANTES DOS 20 É VENCEDORA DE UM GRAND SLAN! Então que história é essa de pressão pra cima dela!? Raducanu não tem pressão para vencer certo? Quem dera! Kkkkk
    Ela está correta procurando argumentos para se livrar da pressão, pois este é o caminho: o auto-convencimento e o consequente controle dos nervos. Esta é a maior guerra do tenista: o controle de seus próprios nervos de modo que possa desenvolver suas habilidades 100% concentrado. Porém praticamente tudo contribui contra o tenista nesta batalha e diversos fatores contribuem para o aumento da pressão psicológica, entre elas, o próprio caráter do tenista, seu jeito de ser. Para a Raducanu o simples fato dela pensar que está complicada a partida e que se perder os repórteres virão novamente com as mesmas questões constrangedoras, já é suficiente para inibir o desenvolvimento pleno de seu jogo. Isto, claro, se for uma coisa que a incomode. Kirgios por exemplo, criou as condições perfeitas para sempre sentir uma enorme pressão toda vez que enfrentar um adversário complicado. Os únicos tenistas que encontraram as condições ideais para não sentir pressão foram Rafael Nadal e Novak Djokovic, pois foram os principais adversários de um tenista melhor que eles, mas que porém carregava uma enorme pressão para vencer sempre!

  2. Henrique

    É legal saber que a Serena Williams nunca mais vencerá um joguinho sequer em Spam. Já torci para esse ser, antes de acordar para o fato que ele destilou ódio, ofensas e racismo durante toda a sua carreira. Suas baixarias não tiveram um “auge”, mas foram uma “sucessão de auges”. Ex: boicote a Indian Wells, desclassificação no US Open em 2009, dupla penalização na final do mesmo torneio em 2011, vexame hercúleo e penalização na final do mesmo torneio em 2018. Isso é o que agora me vem à mente. Etc.

    1. Maurício Luís *

      Henrique, o boicote a Indian Wells não foi à toa, e acho que você sabe muito bem o motivo. No mais, concordo que a Serena não tem vocação pra Madre Superiora de um convento de Carmelitas, porém eu não afirmaria com tanta certeza assim que ela nunca mais vai vencer jogos de Slam.

  3. Luiz Fernando

    Vi o set final do jg do Rafa e diria q foi melhor do q na partida anterior. Pelo q li nos demais sets foi medíocre, mas no momento o importante é vencer p seguir se readaptando ao piso. Creio q chegará na segunda semana, e aí veremos o q realmente pode se esperar. No momento não se pode pensar em voos altos…

  4. Emerson

    Eu nao acho que seja definitivo. Ele fala por precalcao, mas parece que seu tenis esta evoluindo e nao acho que Lendl toparia apoia-lo com a aposentadoria proxima

  5. Luiz Fernando

    Rafa vai perdendo sets e prolongando partidas contra adversários fracos, uma hora a coisa vai azedar, tomara q não seja hj. Confirmar 3 de 13 chances de break é algo inaceitável…

  6. Luiz Fernando

    Rafa vai jogando pro gasto e como sempre desperdiçando um caminhão de breaks. Se vencer está bom…

  7. Heitor

    O nível de Kyrgios hoje é o de um candidato ao título. Mas ele é capaz, física e mentalmente, de aguentar por duas semanas? Ele nunca fez isso desde o início de sua carreira.

  8. Ronildo

    Sempre tem uns sérvios na chave para dar um descanso para o Djokovic. Daí eles disfarçam que querem vencer e que tentam.

  9. Paulo F.

    Confronto dos malas: Kyrgios x Tsitsipas.
    Para as terceietes, que adoram mal-caráteres “habilidosos”, um prato cheio.

    1. Luiz Fernando

      Claro q sim, foi ótimo tenista, só pode entender. Imagine então o Sampras, multicampeão, q apontou claramente a existência da entressafra kkk…

  10. Luiz Fabriciano

    Dalcim, soube agora de mais uma baixa pela COVID-19: Bautista.
    Pergunta: o mesmo disse que apesar de sintomas leves, decidiu se retirar.. seria permitido ir ao jogo, se o tenista quisesse?

    1. José Nilton Dalcim

      Sim, porque não está havendo testagem oficial. Quem se teste é o próprio jogador e cabe a ele decidir o que fazer. Bautista poderia até ter ‘inventado’ uma contusão para desistir, mas foi sincero e isso é muito bom. Infelizmente, reforça a ideia de que Cornet estava certa quando falou de um surto entre os tenistas.

  11. rafael

    O sérvio faz parecer fácil jogar na grama. Ele tem uma fluidez na quadra que impressiona. Realmente ele é muito favorito novamente. Uma pena o Murray ter saído, mas ele segue sendo um guerreiro.
    Mestre, no quadrante do sérvio, quem realmente pode incomodá-lo?

    1. José Nilton Dalcim

      Sinceramente, acho muito difícil ele não estar de novo na final. Talvez o Tim van Rijthoven consiga dar trabalho ou quem sabe depois o Isner, desde que jogue no mesmo nível de ontem. Mas não há neste momento alguém que esteja nem perto do nível dele, Rafael.

  12. Carlo V. W.

    Bom dia Dalcim: por curiosidade. Alèm do Alcaraz, quem sao os outros 14 a atingir 3a. Rodada em pelo me os 5 GS?

    Me veio tantoso jogadores a cabeça, que nao consegui enumerar apenas 15

    Obg!

  13. DANILO AFONSO

    RECORDAR É VIVER

    Há quase 10 anos, FEDERER, à epoca melhor jogador de todos tempos, vencia pela última vez DJOKOVIC em uma partida de Slam.

    1. Ronildo

      Em 2019 ficou a 1 ponto de vencer e tinha dois saques.

      Acho que ele deveria ter tentado sacar por baixo nas duas vezes. Mas o Federer é tão cavalheiro que jamais pensou em tal hipótese.

      1. Luiz Fabriciano

        Não apenas isso não é Ronildo?
        Jamais usou drop-shots por conta de seu alto cavalheirismo.

    2. Sérgio Ribeiro

      Exato , caríssimo estatístico. Mas vamos combinar que depois de WIMBLEDON 2019 , tu não esperavas que o Craque o mandasse pra casa na partida seguinte no ATP FINALS em Sets diretos. O N 1 caiu no colo de Rafa Nadal . Ontem Isner demonstrou pra que serve o famoso h2h que era de 0 x 8 rsrs. Abs!

  14. Rafael Azevedo

    Como joga o Djokovic. Mesmo sendo torcedor do Nadal, gosto de ver os jogos do sérvio. Ele é muito inteligente. As escolhas dele são perfeitas. O adversário se sente perdido, sufocado, sem saída. Sem falar na precisão dos golpes. Ele coloca a bolinha onde quer.
    Um fenômeno!

  15. Sérgio Ribeiro

    Impressionante o que fez em quadra o gigante Isner. Além de Serviços devastadores alguns voleios de se tirar o chapéu . ALCARAZ parece que quer chegar a segunda semana . Uma atuação sem escorregões rs . Novak Djokovic demonstrou hoje uma capacidade incrível de adaptação a essa grama de WIMBLEDON. Somente grande Zebra pra tirar o título do Sérvio. A conferir. Abs!

  16. Ricardo Carvalho

    A auto critica do americano e elogiavel. Imagina se nao tivesse jogado “incrivelmente bem”. Os erros amadores que cometeu sao incompativeis com a quadra central. Nao foi a torcida que provocou, penso eu.

  17. Paulo Almeida

    Kecmanovic está devendo desde aquele jogaço contra o Alcaraz em Miami, perdendo de virada até daquele Djoko medonho em Belgrado, contudo não deve ser subestimado. O atual tricampeão precisa entrar no mesmo modo de hoje para triunfar sem sustos.

    1. Gildokson

      Mais um adversário parrudo kkkkkk
      É incrível como você tira sarro e fala de maneira desrespeitosa sobre jogadores finalistas de Slam, mas ao se referir à um “desconhecido” como esse, vê (ou fingi ver) grande dificuldade para o sérvio, numa clara tentativa de promover a partida como se ele fosse enfrentar um grande jogador.
      Conta outra neh Paulo! Rsrs
      Tu tá quase empatando com o cara que tá tirando sarro e citando o Gonzalez na outra pasta, mas deve ter esquecido que antes de chegar à final o chileno eliminou o Nadal, um dos tenistas pra quem ele torce. Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

      1. SANDRO

        Isso tudo é inveja e desdém? É ou não é? O fato é que se o Roger FREGUÊSer fosse o adversário do Djokovic, era vitória garantido, já que o pato suíço perdeu TODAS as finais na grama de Wimbledon contra o Mestre!!!

      2. Luiz Fernando

        Da uma passadinha no YouTube e pesquisa “Federer campeão”, talvez venha algum vídeo em preto e branco mas aparece, aí vc se acalma kkkkkkkkkkkkk…

        1. Gildokson

          Te peguei no pulo aí tu veio com a piada nível 5° série neh camaleão? Kkkkkkkkkkkkkk
          Se eu for para o YouTube ver vídeos do Federer campeão eu teria que ficar no mínimo um final de semana inteiro, ja que o GÊNIO detém nada mais nada menos que uma contagem centenária de conquistas.

      3. Paulo Almeida

        Você que está dizendo que o Kec’s é um adversário parrudo e que trará grande dificuldade ao Djokovic. Bom, é um fato que o cara jogou muito em Miami e tem potencial, mas desde então não tem vingado. Enfim, eu só disse que o Djoko precisa entrar ligado de novo para não passar sufoco como contra o Kwon. Vai que o compatriota resolve voltar a jogar bem justamente na próxima partida?

        Gonçalves venceu um Nadal verde que ainda não conseguia fazer grandes campanhas no AO e no USO, vindo inclusive de eliminação pro fraco Youzhny no Slam americano de 2006. O chileno é um eterno Rei Mago, com menos Masters 1000 do que Sock, Fritz e Norrie.

        Abs!

          1. Paulo Almeida

            O Fritz ganhou do Nadal campeão do AO pelo menos. Já os outros dois se aproveitaram de torneios esvaziados, mas era pro “grande” González ter pelo menos unzinho, né?

        1. Luiz Fabriciano

          Gonzales PA…
          Mas já já o SR vem dizer que o chileno foi tricampeão do Future da Patagônia e mais e mais!

  18. Rafael

    Dalcim, e aquele jogador Van Rijthoven? Não vi ninguém comentando dele, mas parece ser bastante perigoso na grama. Ganhou um torneio no qual bateu Fritz, Aliassime e Medvedev na final. Hoje ganhou do sacador Opelka. Acha que pode dar um trabalho se cruzar com o Djoko?

    1. José Nilton Dalcim

      Sim, com certeza pode dar trabalho, Rafael. É um típico jogador de grama, agressivo, bom sacador, usa slices. E obviamente anda confiante com seus ótimos resultados. É bom ficar de olho nele.

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