De drop em drop, Alcaraz chega lá
Por José Nilton Dalcim
1 de abril de 2022 às 23:48

Carlos Alcaraz viveu dois dias distintos em Miami. Na quinta-feira, fez um dos jogos mais espetaculares da temporada e superou um brilhante Miomir Kecmanovic com direito a uma contabilidade digna de Roger Federer: 52 de seus 102 pontos na partida foram winners. Hoje, contra o atual campeão Hubert Hurkacz, errou quase tanto que acertou porém foi o tenista com maior controle emocional nos dois tiebreaks disputados. De um jeito ou de outro, o espanhol achou o jeito de vencer. Um veterano de 18 anos.

O pupilo de Juan Carlos Ferrero tem duas excepcionais qualidades, que são antagônicas, e talvez seja essa rara dualidade que o faça tão deslumbrante. Defende-se como um leão, dono de velocidade e antecipação notáveis, mas ao mesmo tempo é capaz de atacar com diferentes armas, sejam golpes de base extremamente precisos e fortes, a destreza de curtinhas desconcertantes ou transições à rede inteligentes.

Num passe de mágica, sai da defesa para o ataque, algo que necessariamente nos lembra de Novak Djokovic. Também me causa admiração, e seria interessante observarem isso com atenção, sua capacidade de fazer escolhas certas, ou seja quando optar pela cruzada ou pela paralela, usar curta ou um topspin profundo, lob ou bola no pé. Já cansei de dizer aqui que essa habilidade no encontro da jogada mais adequada, em frações de segundo, é o dom que me faz gostar tanto de Rafa Nadal.

Por falar em Rafa, caso vença Miami, Alcaraz mais uma vez lembrará façanhas do ídolo espanhol, que também ganhou o primeiro Masters 1000 aos 18 anos, em abril de 2005 no saibro de Monte Carlo.

Mais um campeão de Masters inédito
Quem também está radiante com sua campanha em Miami é o norueguês Casper Ruud. Depois de três semifinais de Masters 1000 no saibro, ele acabou superando a barreira logo no piso duro, ao superar com folga o surpreendente argentino Francisco Cerundolo. Com isso, haverá certamente um novo campeão de Masters 1000, o quinto diferente nos últimos nove disputados e o segundo estreante em 2022, depois de Taylor Fritz.

É bem verdade que Miami é considerada a quadra sintética mais lenta do circuito, inferior até a alguns torneios de saibro, mas ao mesmo tempo não se pode negar a campanha sólida de Ruud, que tirou adversários de estilos tão distintos como Alexander Bublik, Cameron Norrie e Alexander Zverev, todos reconhecidamente bons nesse tipo de superfície.

O noruguês usou muito de sua solidez do saibro, mas também sacou de forma mais ofensiva e se aventurou diversas vezes na rede. É dono também de físico privilegiado, mas tudo isso me parece insuficiente para superar Alcaraz, para quem perdeu sem grande chance no saibro de Marbella muito antes de o espanhol assombrar o circuito.

Swiatek é favorita contra Osaka
Duas jogadoras em momentos muitos distintos decidem neste sábado a chave feminina de Miami. De um lado, a embalada Iga Swiatek tenta seu terceiro 1000 consecutivo, consagrando de vez sua chegada à liderança do ranking, invicta há 16 partidas e sem perder set no torneio.

Do outro, está a japonesa Naomi Osaka, ex-número 1 que começou Miami ameaçada de sair do top 100. Conseguiu reagir à eliminação chorosa de Indian Wells e, apesar de estar ainda distante do seu melhor nível, tem se mostrado fisica e mentalmente mais forte. E sacando de novo bem. Vamos ver se vai funcionar diante das devoluções muito firmes que a polonesa tem feito.

Claro que o favoritismo é naturalmente de Swiatek. Sua adversária não decide um título desde a conquista do Australian Open do ano passado, então seu quarto troféu de Slam. O único duelo entre elas não tem grande significado, já que a vitória de Naomi em 2019 veio sobre uma Iga quase iniciante. Fossem outros tempos, Osaka deveria ganhar sobre a quadra dura, sua superfície predileta, mas Swiatek evoluiu rapidamente no piso, como dizem as conquistas de Doha e de Indian Wells.

O título seria muito mais importante para Osaka, que já recuperou 41 posições no ranking e pode terminar como 30º colocada. Seria essencial para a retomada completa de confiança. Iga, ao contrário, está às portas da temporada europeia de saibro, onde se espera muito dela. Eventual título da polonesa a deixará quase 1.700 pontos à frente de Barbora Krejcikova, uma liderança consideravelmente folgada.


Comentários
  1. Marcelo+Costa

    Fugir do lugar comum, pois, falar bem de iga e alcaraz beira redundância, Osaka chegou a final, está tratando de si, se achar alegria em jogar, pode voltar a seu lugar de protagonista nas quadras. E o jogador especialista no saibro, fez bonito na quadra de Miami, e agora o circuito voltando ao saibro europeu, Rudd tem tudo pra se sair bem.
    O russo não gosta de sujar meias, aproveitou pra operar, pelo visto a covid cedendo, irá flexibilizar as exigências, e novak poderá jogar RG, Nadal que terá que se superar pós contusão e pouco treino, mas quer saber que o big3 só engrandeça o torneio mas deixe os meninos ganhar, será divertido ver.

  2. Sérgio Ribeiro

    São tantos recordes que deixo a cargo do próximo Post . Mas como joga essa criança rs . Se deu ao luxo de jogar a melhor partida do Torneio ( kecmanovic ) , tirar o Campeão ( Hurkacz) e levar seu primeiro MASTERS 1000 em Sets diretos ( TOP 7 Ruud ) na FINAL . Provou que , assim como o Touro com os mesmos 18 , e’ um Fenômeno e não um “ feto “ como dizem algumas sumidades da Turma da Kombi rs. Em 1999 Federer nesta idade era Top 64 , Nadal terminou 2004 como Top 51 , Murray em 2005 Top 64 , e Novak em 2005 Top 78 . E olha que para os “ sábios “ da “ Turbinada” esta era a “ entressafra “ do Tênis kkkkkkkkk. Na verdade Carlitos ALCARAZ tem tudo pra chegar junto da performance do Big 3 , pelo seu imenso Talento, enorme caracter , e um Staff de primeiríssima linha . A festa só começou e o já TOP 11 deverá nos proporcionar grandes espetáculos na gira de Saibro. A conferir. Abs!

  3. Luiz Fernando

    Vitória merecidíssima e clara do Alcaraz, valorizada por uma excelente atuação de Ruud. O cara conseguiu algo q nem Rafa logrou. Será o primeiro de muitos…

  4. Maria Izabel

    Não tenho mais duvida que esse garoto Alcaraz já é uma realidade.Tem uma grande variedade de jogadas,e todos os recursos de um grande tenista.Sério,educado,carismático e semeador de simpatia.
    Estou estupefata diante desse grande Alcaraz.
    Federer parando ,já o escolhi para torcer.
    Que se aprimore ainda mais,e leve a vida com essa alegria tão natural. Parabéns Alcaraz,há muito não vejo tanto espetáculo.

  5. Hemerson

    Final do Atp Miami 2022.
    Ruud X Alcaraz.
    Pode acontecer uma zebraça!!
    Ruud tem menos chances que Tsitsipas, Kecmanović e
    Hurkacz de vencer Alcaraz e acho que perderá em 2 sets.
    A rapidez , a bola voltando à todo momento, cada vez de um jeito e os humilhantes drops…..Ruud não vai aguentar.
    Que eu esteja errado e ele consiga se opor como Kec e Hurk e termos uma final para coroar o belo Atp- Miami.

  6. Allan

    Graças à Deus, multiplicam-se exponencialmente as vítimas do inescapável Quem Lacra Não Lucra, ou, como falam os gringos, o Get Woke Go Broke. E essa OSAKA é um ícone disso. “Ah, mas ela lucra, sim”, dizem as meninEs que a apoiam. Lucra, mas não vence, tomou uma surra nessa final!

  7. Sandra

    E vc leu alguma coisa sobre Wimbledon a respeito de só quererem liberar os russos só com uma declaração escrita que não apoia Putin? E só a título de curiosidade , Putin em seu avião tem academia de ginástica e a tampa do vaso sanitário e de ouro

  8. SANDRO

    A fantástica IGA FURACAO SWIATEK mostrou como se cala a boca de uma MIMIZENTA!!! Da logo um SUPER HIPER ULTRA PNEU nela!!!

  9. Sérgio Moro

    bom dia. final feminina horrenda. tenistas disputam para saber quem perde menos. polonesa é boa, mas pouco criativa. barty já faz falta. gosto do rosto da swiatek e do corpinho da osaka. sakkari poderia decolar. grega tem tamanho, força, talento e beleza. é torcer.

  10. Vitor Hugo

    Alcaraz só lembra Nadal na feiúra e correria, mas na técnica refinada, habilidade e etc, se aproxima muito mais de Roger GOATERER do que dos anti-espetaculo, Novax e Zé do Balão!

      1. Carlos Reis

        KKKKK Federer não merecia essa “assombração” como torcedor. E Novak não merecia vários daqui, gente esquisita, pra dizer o mínimo.

  11. Miguel BsB

    Eu sou um dos que estão boquiabertos com o nível de jogo do Alcaraz. Acho que ele será campeão amanhã, um fenômeno. Mas vou botar as barbas de molho um pouco. Quero ver se ele consegue manter essa intensidade nos Slam, em jogos de 5 sets, que é outra realidade…um Nadal ou Djokovic saberiam o que fazer pra domar o garoto num confronto de Slam, pelo menos a curto prazo.
    Muitos achando a Polonesa favorita, mas eu não cravaria isso. A Osaka bem, tem muito poucas adversárias à altura em quadras duras. Iga talvez hj seja uma delas, a outra seria a recém e precocemente aposentada Barty…mas quando ela tá batendo pesado, poucas conseguem segurar o seu ritmo.

    1. Miguel BsB

      Caramba, viajei…rs
      A final feminina foi hj, vi os highlights. O primeiro set foi equilibrado, o segundo a Iga atropelou.
      Mas ainda acho que a Osaka voltando, vai ser parei duro pra Polonesa.

  12. Teka+Moraes

    Depois da grandiosidade de Rafael Nadal, penso que veremos Carlos Alcaraz caminhar bem rápido, em direção ao topo daquela tabelinha de pontos da ATP. Vamos ver como ele se comportará no saibro. Se for bem, o caminho já estará assegurado, sem dúvidas. Mas tem muita gente formidável no pedaço, acho que Hurkácz é um deles.

    No feminino, Iga se destaca, mas eu – que nunca torci para a japonesa – me peguei passando para o lado de Osaka. Não pelos problemas que Naomi tem enfrentado, mas por não gostar desse jogo “tiroteio”, onde não dá tempo de curtir uma jogada boa, um game longo e trabalhoso, uma oportunidade de torcer. É pá pum e fim. Parece jogo de vídeo game. Desculpem, não quero ser grosseira, mas não gosto. Acho chato.
    Vamos ver como se comportam no saibro, pode ser que eu mude de opinião.

    Bom fds a todos.

  13. Hemerson

    Com certeza foi o melhor campeonato de Naomi Ozaka nos ultimos tempos. Fez final, tá certo levou um pneu. Mas enfrentou a Iga que jogava a 120 por hora qdo a Naomi jogou poucos momento do primeiro set a 100 p/h e algumas vezes à 80 p/h. Muito pouco para uma tetra de Slam , mas muito pelo que ela fez neste ultimo ano. Vamos torcer para que tenha belos pegas da Naomi com as outras e que o duelo com a Iga fique mais parelho.

  14. Fernando Brack

    Será que o colega que classificou Alcaraz como apenas porradeiro ainda sustenta sua opinião?

  15. Maurício Luís *

    A polonesa se firmando como legítima número 1, e com só 20 anos. Ainda prefiro a variação de jogo da Barty, mas devemos respeitar a decisão da australiana.
    E quanto ao Alcaraz, se tinha jornalista esportivo preocupado com uma possível queda de interesse pelo tênis por conta do Big 3 estar a caminho dos 40, agora podem ficar tranquilos. Nasce uma nova estrela com jogo interessante e criativo. A sorte é que não é baloeiro igual ao compatriota antecessor.
    Ah, e por falar em baloeiro…
    ****** O presente ideal pra mãe da Xisca ******
    A Xisca vira-se pro maridão:
    – Benzinho… mamãe anda dando umas indiretas aí… Diz que tá cansada de andar de Uber… Será que você não conheceria uma ALMA CARIDOSA capaz de dar pra ela um carro de presente? Mas OLHE LÁ, hein? Tem que ser um carro que combine com ela…
    O baloeiro:
    https://www.google.com/imgres?imgurl=https%3A%2F%2Fwww.hobbyonline.com.br%2Fimagens%2Fprodutos%2F-carro-the-flinstones-flintmobile-lindberg-1556829228_80532_ad2_g.jpg&imgrefurl=https%3A%2F%2Fwww.hobbyonline.com.br%2Fprodutos%2F0%2C80532_carro-the-flinstones-flintmobile-lindberg&tbnid=RdorexRODIp3ZM&vet=12ahUKEwiqysiUs_b2AhWWu5UCHYY_C-sQMygWegUIARCRAg..i&docid=6SAyPHQLMs-c2M&w=800&h=600&q=carro%20dos%20flintstones&ved=2ahUKEwiqysiUs_b2AhWWu5UCHYY_C-sQMygWegUIARCRAg

  16. Willian Rodrigues

    Imagino que haverá um post exclusivo para o enorme feito de Swiatek.
    Mas, registro aqui minha alegria! Belíssima vitória e uma importante conquista!
    Para que não haja qualquer senão… Sua chegada ao topo do ranking ocorreria mais cedo ou mais tarde, e esse começo de ano avassalador evidencia todo o mérito. Uma pena mesmo que Barty tenha abdicado da carreira e nos privado de uma rivalidade excepcional que prometia entrar para a história.

  17. João ando

    Dalcim.qual a razão de tirar a barty do ranking. ….os pontos que ela conquistou São delas ….as outras tenistas que tentem ultrapassar

      1. Alessandro Siqueira

        Na primeira retirada de Henin aconteceu a mesma coisa e com isso a Ivanivic assumiu a liderança. Da minha parte, penso que o ranking deve refletir as últimas 52 semanas. Com o decurso do tempo a australiana perderia naturalmente a ponta por não defender pontos. Nesse sentido a ascensão da polonesa, a despeito dos 3 títulos em sequência, não reflete a realidade do ranking anual.

      2. Luiz Fabriciano

        Pegando o gancho Mestre, como funciona?
        Barty se aposentou e pediu cancelamento do ranking.
        Imaginemos que mude de ideia daqui a um tempo e queira voltar. Dependeria exclusivamente de convites e tendo-os, escalaria o ranking do zero, ou há outro formato?

        1. José Nilton Dalcim

          Nunca aconteceu algo semelhante, mas eu acredito que ela teria de começar do zero, Luiz.

        2. Alessandro Siqueira

          Luiz, essa situação ocorreu com a Henin. Ela se aposentou em 2008 e pediu a retirada do ranking. Quando voltou, voltou via convites e foi escalando o ranking. Cheguei a mandar uma matéria sobre o afastamento da belga, mas a moderação brecou.

      3. Sérgio Ribeiro

        O Senhor acredita que o objetivo de pedir pra que se retire os pontos é devido a não causar prejuízos aos Tenistas , no Chaveamento dos Torneios subsequentes ? . Grato .

        1. José Nilton Dalcim

          Sim, imagino que seja isso, Sérgio. Poucos tenistas fazem isso. Alguns brasileiros ‘aposentados’ nunca se retiraram do ranking, caso da Teliana Pereira ou da Paula Gonçalves, por exemplo. É premissa de cada um.

  18. Luiz Fernando

    Iga intensa e Osaka errática. A campeã não poderia ser outra, mas não imaginava set com pneu. Vai pra temporada de saibro como franca favorita…

  19. Vitor Hugo

    Quando eu leio drop, lembro dos drops cheios de efeito do maior, melhor, mais talentoso e mais completo tenista da história, Roger GOATERER!!! Pena não ter a idade dos seus dois rivais, caso contrário teria ampla vantagem nos números, mas ainda prevalece na opinião da esmagadora maioria como o maior de todos!

    Quando leio drop, lembro da coisa mais ridícula que vi até hj em quadras de tênis: Os drops desengonçados e ineficazes do bagre from servia. Coisa mais ridícula!

    ,😂😂😂😂😂😂😂

    1. Paulo Almeida

      O drop do mais completo da história DjokoGOAT é nota 10 e o do GUAT freguesaço nota 8. Olha só, até que não é tão atrofiado quanto a devolução e o backhand, kkkkkk.

  20. AKC

    Fora as habilidades técnicas citadas, deve-se mencionar a parte mental do Alcaraz: parece não se incomodar quando está atrás no placar.

    1. Valmir da Silva Batista

      AKC, ainda bem que você teve o cuidado de utilizar o termo “parece”. Claro que o menino Alcaraz está jogando muita bola e, como tantos outros, creio que os louros a lhe recaírem sobre a altíssima condição de tenista exemplar, são merecidos. Por outro lado, é bom nos atermos à sua pouca idade, a fim de chegarmos à conclusão de que ele ainda não foi devidamente testado, ao menos não mediante situações como as que pesaram sobre as cabeças de gente graúda como Nadal, Seles Murray, Serena e Del Potro, dentre outros. Obviamente que também me apercebi dos nós que Carlos tem conseguido desatar ante situações espinhosas, mas ainda assim é pouco, se formos relativizá-los, ou seja, o que há de gigantesco pra valer – e isto é o que mais importante – é a bola que ele tem jogado, e aí cabe comparação igualitária aos deuses da raquete…

  21. Groff

    Não consegui ver a semi, então esse meu comentário se baseia no jogo das quartas.

    O que venho falando há tanto tempo parece estar em vias de se concretizar: enfim surgiu um jogador com nível alto o suficiente para ser o grande campeão dos próximos anos e manter o nível competitivo que começou no início dos anos 2000 e se perpetua graças ao Big3. E vem acompanhado de outro talento que, à parte a questão de ir menos para as bolas (perto do fim do jogo estava 50 a 19 em winners para o Alcaraz), pode fazer um estrago e formar a grande rivalidade futura. E treinado pelo Nalba, o que é sempre interessante de ver.

    Depois de três gerações “perdidas” (claro que há espaço para Zverev, Medvedev e o Grego fazerem muito mais, só que eles mesmos não parecem ter estrutura suficiente), finalmente temos a possibilidade de ver mantido o nível técnico a que nos acostumamos nos quase últimos 20 anos (19 se contarmos o primeiro Slam do Federer, 21 se contada a derrota de Sampras para o próprio Suíço).

    Entendo que, depois de RF ter subido o nível do jogo para um patamar absurdo, só depois alcançado em competitividade por Nadal e Djoko (com algumas participações excepcionais de DelPo, Wawrinka e principalmente Murray), não havia até agora surgido ninguém com capacidade de produzir um tênis não apenas vistoso mas extremamente competitivo. Na verdade, eu estaria contente com a parte do competitivo, que também sempre me parecia faltar em praticamente tudo o que não envolvia o Big3 e as exceções daqui e d’acolá.

    Não mais.

    Caso não aconteça nenhum problema imprevisto a partir daqui, logo esse jogo entre o Sérvio e o Espanhol será lembrado como um divisor de águas. Alvíssaras! Saudações a um futuro promissor que parece, finalmente, ter se tornado presente.

  22. Carlo Von Wagenp

    E após o título, treinador e pupilo dão uma entrevista juntos.

    Então, um dos repórteres pergunta ao pupilo:
    – Poderia nos contar um pouco sobre como foi sua transição para o circuito profissional?
    Então o treinador tira o microfone do pupilo, que olha sem entender nada e apenas ouve o que o treinador tem a dizer:
    – No… este chico ja nasceu profissional!

  23. Carlo V. W.

    Raros os jogadores no circuito que surgiram com este “instant brilliance” (ou: como num relance… o jogador dos meus sonhos me apareceu no dancing…rs)

    Me vêm a mente primeiramente Guga97 e Guga/2000, mas também me vêem Nadal/2004, Becker, Chang e principalmente Federer rm 2004 (que embora tenha feito uma excelente temporada em 2003, entrou 2004 na reta a 350km/h).

    Não cito Djokovic, porque ele foi diferente: surgiu lentamente e quando se percebeu, ele já estava engolindo todos os recordes, cozidos em vanho Maria, e espalhando covid pra galera.

    Mas acredito que a frase que usaste “deixou muita gente atônito” expressa muito bem como as pessoas estão se sentindo ao vê-lo jogar.

    E não é só no Brasil: nos comentários de fora também vejo a surpresa das pessoas ao “descobrir” o Alcaraz.

    É a prova (ao contràrio do que pensa um dos leitores do blog), de que as pessoas precisam de um ídolo pra chamar de seu. Mesmo que esre ìdolo seja o DjoComCovid.

  24. Luiz Fabriciano

    Que os textos e crônicas do Mestre Dalcim são leituras obrigatórias, quase todo mundo já concorda há tempos.
    Mas nesse, ele aproveitou ao nos mostrar o quão Alcaraz está se firmando como a bola da vez, para, implicitamente, tecer elogios ao eterno Big3, que não sei sei todos notaram.
    De minha parte, minhas surpresas com o Alcaraz, acredito que tenham chegado ao topo, então, curti mais uma vez as várias qualidades do grande trio.

  25. Sérgio Ribeiro

    O Post foi muito feliz ao descrever o perfil de Carlitos e semelhanças com membros do Big 3 . Chama atenção os 52 WINNERS na Semi numa quadra lentíssima a noite em Miami , confirmando seu estilo altamente agressivo , o que o diferencia do Touro Miura com os mesmos 18 aninhos . Juan Carlos Ferrro ( terrível oponente de GUGA ) e o próprio, não exageraram na descrição do estilo mais próximo ao do Suíço . E quem arrisca muito comete mais ENFS, mas fica em contrapartida mais perto das Vitórias . Na verdade ALCARAZ já dá mostra que não escolhe piso pra desespero de seus oponentes rs . Obviamente o fenômeno não é imbatível mas como não apontá-lo favorito ao seu primeiro MASTERS 1000 ??? . O fato de levar o público sempre para o seu lado e’ outro fato que intimida os rivais. Que me perdoe o jovem Casper Ruud e seu jogo muito sólido. Tá feia a coisa pro Norueguês…rs . Abs!

    1. Sérgio Ribeiro

      Ps . Não tem como não apontar IGA favorita ao Título , mas acredito que Osaka em breve vai calar seus precipitados críticos mais ferozes. Não escondeu que a Terapia já está trazendo bons resultados para a vencedora de QUATRO SLAM . Abs!

    1. Sérgio Ribeiro

      Fez FINAL no ATP 500 de Barcelona 2019 quando perdeu pra Dominic Thiem. Ano passado fez Quartas em Roland Garros . Agassi demorou uma eternidade pra levar seu único RG em 99 . Sampras nunca passou da Semi. McEnroe e Connors também Zeraram . E’ óbvio que o Russo vai deixar de marcar pontos importantes no Saibro. Abs!

        1. Sérgio Ribeiro

          Quem está comparando rapaz ??? . Tens uma dificuldade impressionante pra entender qualquer assunto . MEDVEDEV e ‘ simplesmente o N 2 do Mundo . E quem já fez Quartas em RG , pode sim melhorar na superfície. Quem imaginava o saque-voleio do Big Mac numa FINAL de RG contra Lendl ? . Somente sabes opinar em cima de resultados . Agassi e outros foram exemplos … Abs!

    2. Valmir da Silva Batista

      LUIZ FERNANDO, discordo de você quanto a “Medvedev escolheu um ótimo momento p sua pequena cirurgia”, pois não tem essa de escolher fazer cirurgia, já que o problema existe e Daniil precisa ser operado por necessidade e, infelizmente, sua ausência coincidirá com boa parte da temporada de saibro, a fim de que se restabeleça. Por outro lado, concordo com você quando diz que ele é um jogador desprovido de qualidade no saibro, para em seguida voltar a discordar, quando você sugere que Daniil não deve se importar com a perda de parte significativa da temporada do referido piso, e discordo porque seria quase a mesma coisa de deixar de disputá-la sem um motivo relevante, ou seja, deixar de fazê-lo apenas por não jogar bem na terra batida. Não fosse pelo fator cirurgia, penso que agora mesmo é que ele deveria insistir em disputar mais e mais torneios no saibro, pois, além de ainda estar com 26 anos, há o fato de que almeja se manter parelho a seus concorrentes diretos pelas primeiras posições no ranking da ATP, sendo que, para conseguir este intento, ele não pode se dar ao luxo de descartar a temporada de saibro, aliás, a única forma de Medvedev ter uma melhor desenvoltura neste tipo de piso é praticando. Descartar alguns períodos da temporada inteira, é para tenistas bem mais velhos ou com problemas físicos crônicos, como Nadal, por exemplo…

  26. Rafael

    O espanhol claramente é um notável jogador. Contudo, temos que ter calma em enaltecê-lo demasiadamente. Podemos ver que Djoko está ausente por razões óbvias (ou nem tão óbvias), Thiem está machucado, Federer, Nadal e agora Medvedev contundidos, ou seja, ainda há uma íngrime ladeira para o espanhol subir. Assim, é certo que o Alcaraz seguirá evoluindo, mas muita calma… Concorda, mestre?

    1. José Nilton Dalcim

      Acho que você está pensando em resultados, Rafael, o que está muito certo. Mas acho que antes disso temos de ver a qualidade do tênis do Alcaraz, que é muito diferenciado. Nesse campo, ele merece todos os elogios feitos e deslumbres gerados. Nunca recebi tanta mensagem de pessoas atônitas com o nível dele aos 18 anos.

  27. Bartolomeu

    Alcaraz, caso realmente se firme como o sucessor do Big 3, pode encontrar uma situação que tem muitos paralelos com a do Federer:

    Alcaraz surge no ocaso da carreira de Federer, Nadal e Djokovic. Federer surgiu no ocaso dos multicampeões Sampras e Agassi.

    Os jogadores um pouco mais velhos do que Alcaraz, apesar de muito bons, estão com enorme dificuldade de se assumir a coroa de modo consistente: Zverev, Medvedev, Tsitipas, Thiem etc. No caso do Federer, o mesmo se deu com Moya, Kuerten, Kafelnikov, Rafter.

    Por fim, assim como Federer, Alcaraz parece ser muito superior aos rivais de sua própria geração.

    Com tudo isso, pode amealhar muitos títulos de slam e muitas semanas como número 1 até que realmente se firmem rivais maia jovens (no caso de Federer, foram Nadal e Djokovic) em condições de derrotá-lo, o que, afinal, é o ciclo da vida e do tempo.

    É lógico que tudo é especulação, mas acho que há essa possibilidade.

    1. Gildokson

      Alguém então tem que correr e falar pra esse moleque não desembestar a ganhar Grand Slans agora pois lá no futuro podem vir alguns gênios comentando e diminuindo suas conquistas por se tratar de uma “entressafra” kkkkkkkkk
      Ou melhor, uma safra não aprovada por eles. Kkkkkkkk

      1. Paulo Almeida

        A princípio ele terá rivais a altura e não American Clowns ou Reis Magos sem um mísero título de Masters 1000.

        Abs!

  28. Thiago+Silva

    Vou torcer pela Iga e pelo Alcaraz, dois jogadores de fibra que em vez de ficarem choramingando e se vitimizando correm atrás de melhorar.

  29. Sandro

    Apesar de não termos NADAL E DJOKOVIC em quadra, tenho a OBRIGAÇÃO de parabenizar jogadores como KECMANOVIC, HURKACZ, CASPER RUUD e ALCARAZ que elevaram e muito o nível desse torneio de MIAMI que vem apresentando partidas simplesmente ESPETACULARES!!!
    Claro que quero ver o mais rápido possível NADAL E DJOKOCIC em quadra, .porém, a garotada tem feito um excelente papel na ausência dos MESTRES, proporcionando um ótimo entretenimento!!!
    No feminino, quem salvou esse MASTERS MIL de MIAMI foi ela, a FENOMENAL IGA SWIATEK, tão nova e tão veterana ao mesmo tempo, essa menina é um fenômeno do tão oscilante e imprevisível tênis feminino!!!

  30. Alexandre

    Dalcim,
    Pelo que acompanho do circuito como apenas um simples telespectador, acho que se esse menino continuar jogando do jeito que está e continuar evoluindo ainda mais o nível do seu jogo, realmente não consigo ver quem possa pará-lo. O espanhol é muito diferenciado de todos dessa nova geração!
    Dalcim, será que até que enfim o Big 3 achou um sucessor com potencial a altura para dar sequência nos seus feitos???
    Abraços!!!!

  31. william ichiki

    Tá aí um cara que pode finalmente vencer Nadal e djockovic. Claro que tá longe do Federer mas pelo menos é uma esperança de renovação. Parece ter algo diferenciado do que outras promessas como zverev e medvedev

  32. George Beco

    Na final de Indian Wells o Dalcim tava cravando Nadal com o título e deu no que deu, vamos ver agora.
    Mas de qualquer forma, vou torcer pra Alcaraz, me lembra muito Federer, mas com um mental digno do seu tênis.
    Previsão pra daqui a 20 anos:

    27 GS
    8 FInals
    50 Masters 1000
    Título olímpico (depende também se ele vai dar importância as olimpíadas, pois existem jogadores que não estão nem aí.
    80 títulos na carreira

    1. Thiago+Silva

      80 títulos? Mas esses três você colocou acima somados já dá 85, contando os dois que ele já tem da 87.
      Sobre as olimpíadas eu posso apostar que ele vai dar tanta importância quanto o Nadal ao torneio.

    2. Daniel+C

      Vixe Maria, se isso acontecer, uma galera vai cometer suicídio, pois o “GOAT” antivaxx será menos lembrado que um certo suíço kkkkk. Afinal se ambos ficarem pra trás nos recordes, vão lembrar mais daquele que trouxe tênis arte para as quadras e sempre se comportou de forma digna, ou vão lembrar do antivacina que gritava com boleiros??? É, aí que o tal de legado entra em jogo… rsrs

      Aliás, realmente irei torcer para esse menino de postura exemplar quebrar todos os recordes do tênis. Pois o que diferencia mesmo o Federer das outras lendas é o estilo de jogo, mais do que os números. E o incrível foi ver ele aliar tênis plásticos com incríveis resultados, e isso enfrentando uma concorrência forte mais jovem, muito mais adaptada à padronização do tênis e à evolução tecnológica. Enfim, é o verdadeiro GOAT mesmo, não tem jeito. Com o Nadal ali encostadinho, com todos os méritos.

      1. Paulo Almeida

        Vixe mesmo: saiu mais rápido do que eu esperava do personagem “bonzinho”, rs.

        Fregueser também será lembrado, além de terceiro do Big 3, por seus chiliques quebrando raquetes nos anos 2000 e discutindo ferozmente com o árbitro na final do USO 2009. Isso pelo menos o Djokovic não fez.

      2. Vitor Hugo

        Não há dúvidas que Roger é o GOAT e que Alcaraz tem um estilo muito mais parecido com Federer do que Nadal ou Novak.

        1. Paulo Almeida

          Errado: felizmente a movimentação e a mecânica dos seus golpes é muito mais parecida com a do craque Djoko. Nada a ver com o estilo bailarínico dimitroviano/freguesiano/gasquetiano. A única semelhança é ir pro winner mais cedo e olhe lá.

      3. Frederico Schnack

        Novamente com o papo da padronização… Federistas deveriam passar por uma análise psicológica profunda. O maior problema com a retórica é que ancorados nela podemos transformar uma afirmação desfavorável numa favorável(e vice-versa, óbvio). Por exemplo, pegue a frequente afirmação: a existência de quadras mais diversificadas teria dificultado as trajetórias tanto de Nadal quanto de Djokovic, e um tanto quanto dessa molecada que se adapta ‘rapidamente’ à padronização como você se referiu. Será mesmo? Porque se o desafio num cenário assim seriam as adaptações demandas pelas trocas de diferentes terrenos, o que me garante que, justamente pela incrível firmeza mental dos dois (ficarei atendo-me mais a Nadal e Djokovic), eles não seriam, ao contrário, os mais beneficiados? As complicações advindas das mudanças são complicações a serem administradas principalmente pelo cérebro, como todos devem saber por experiência própria adquirida na vida. Esse é um ponto. O outro é quanto a real intensidade, seja ela qualitativa ou quantitativa, das mudanças ocorridas. Não estou negando que houve uma diminuição da diferença, a famosa “padronização”, mas tenho minhas dúvidas se a engenharia dessa aproximação é tão dramática quanto querem fazer parecer. Os que argumentam em favor de uma mudança drástica e doutrinadora, geralmente acólitos de Roger Federer, nunca vão conseguir responder por que Rafael Nadal tem 2 AO, 2 Wimbledon e 4 USOpen ao invés de, 5, 6 ou 7, em algum daqueles. Era para isso ter ocorrido, não? Já que tudo hoje em dia não passa de um variação do “saibro”?

  33. Bruno Macedo

    Se o mundo encontrou mais um gênio do tênis (Alcaraz) antes das aposentadorias definitivas de Nadal, Federer e Djokovic, posso dizer que nossa geração é muito sortuda mesmo. Que era de ouro nos esportes. Gênios no surf, na natação, no futebol, no tênis. É muita diversão!

    1. José+Yoh

      Não há sorte nisso, Bruno. Sempre a geração posterior tenderá a ter um nível mais elevado de jogo, em qualquer esporte. É uma questão de evolução.
      Abraços

      1. Bruno Macedo

        Boa tarde, José!
        Eu discordo da tua opinião. A genialidade não respeita gerações e nem a evolução natural. Observe o comentário feito pelo Bartolomeu, ele cita as gerações perdidas no tênis, fazendo um paralelo entre Federer e Alcaraz. É claro q a evolução da ciência faz com que os atletas fiquem mais fortes, superem problemas físicos e tenham carreiras mais longas. Mas a ciência não faz nascer um gênio.
        Considero nossa geração de sorte pq em qual outro momento foram contemporâneos atletas como Phelps, Slater, Messi, Cristiano Ronaldo, federer, Nadal e Djokovic? Nós vimos talvez os maiores ídolos da história dos esportes jogando , nadando ou surfando ao vivo.

        1. José+Yoh

          Olá Bruno, embora todos esses citados fossem gênios, cedo ou tarde aparecerão novos gênios, frutos da evolução do esporte. Recordes dados como imbatíveis foram quebrados recentemente em diversos esportes, incluindo o tênis. É uma ilusão nossa achar que serão GOATs para sempre (aliás que nome infeliz para um título tão efêmero).

          As gerações perdidas sempre existiram também, mas nunca acreditei que fossem esportistas fracos. Normalmente há um grande nome, um desses gênios que eclipsam qualquer outro que surja. E o esporte dedica toda a promoção, prêmios e patrocínios para esse nome, sobrando pouco para os demais e aumentando ainda mais a aura, recursos e autoestima deste.
          Abs

  34. Periferia

    Resultado dos sete últimos torneios do circuito masculino (apenas os maiores e mais importantes).

    Master 1000 Miami
    (Alcaraz ou Rudd)

    Master 1000 I. Wells
    (Taylor Fritz)

    Austrália Open
    (Rafael Nadal)

    Master 1000 Paris
    (Djokovic)

    Master 1000 I. Wells
    (Norrie)

    Us Open
    (Medvedev)

    Master 1000 Cincinnati
    (Zverev)

    O masculino está mais imprevisível que o feminino…
    Devemos criticar ou elogiar???
    Está nivelado por baixo???
    Ou o nível apresentado é muito bom???

    (Enquanto isso um jovem espanhol desfila pelo salão…solitariamente)

    1. Sandro

      Vou resumir essa sua observação: o masculino está NIVELADO POR CIMA com vários novos talentos que elevaram e muito o nível dos torneios pondo NADAL E DJOKOVIC pra suar muito pra vencer deles…
      Já o feminino está NIVELADO POR BAIXO com jogadoras instáveis que vivem apagões constantes na carreira, exceção à IGA SWIATEK que se mostra mais sólida e centrada que as demais, apesar de ser muito jovem ainda…

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