Nadal sobe um degrau
Por José Nilton Dalcim
21 de janeiro de 2022 às 12:37

Em seu primeiro jogo da temporada diante de um adversário realmente gabaritado, Rafael Nadal mostrou evidente progresso. Ainda que tenha cedido um set quando repentinamente a intensidade caiu, sua atuação nos dois primeiros sets frente a Karen Khachanov foi impressionante e certamente servirá para deixar futuros adversários bem mais preocupados.

A postura próxima à linha deixou os golpes do espanhol bem ofensivos. Notável ainda sua capacidade de deslocar o pesado russo para os dois lados o tempo todo, sempre achando uma bola correta. E vejam que Khachanov não jogou mal, a ponto de cometer apenas seis erros no set inicial.

Quando recuou demais e passou a esperar o saque do russo seis metros atrás da linha, Rafa sofreu para alongar os golpes e ofereceu ângulos, que enfim o russo usou com mais competência. Mas foi só. Nadal entendeu que não era hora de ficar defensivo e fez um quarto set novamente dominador. Totalizou 39 winners, sendo 35 deles da base. Tenho gostado muito de uma alteração no seu saque, cruzado e chapado no lado do ‘iguais’, que tem se mostrado ótima arma.

A surpresa é que agora irá enfrentar o veterano canhoto francês Adrian Mannarino. Depois de atropelar Hubert Hurkacz, venceu maratona contra Aslan Karatsev de 4h38, encerrada além das 2h30 da madrugada. Mannarino é aquele tipo de jogador inteligente: usa pouquíssima pressão nas cordas e aproveita o peso da bola do adversário, além de ter muita mão. Perdeu os quatro sets que fez contra Rafa, ambos no piso duro, mas dois deles foram bem apertados.

Espetáculo na madrugada
Cada vez mais perto do aguardado duelo com Nadal nas quartas, o alemão Alexander Zverev continua economizando energia, com atuações firmes diante de adversários sem grande currículo. Enfim, espera-se um desafio maior contra o canhoto Denis Shapovalov, para quem perdeu dois de seis confrontos. Curiosamente, no entanto, nunca se enfrentaram em melhor de cinco sets e o desgaste violento já sofrido pelo canadense – 13 sets e seis tiebreaks feitos – pode ser um diferencial importante. ‘Shapo’ teve bela vitória sobre Reilly Opelka, que não sacou como nos bons dias.

Mas o grande jogo da sexta-feira, como se previa, foi mesmo entre Matteo Berrettini e Carlos Alcaraz, uma batalha de golpes incrivelmente pesados entre dois dos maiores forehands do tênis atual. O italiano safou-se com o saque dos break-points do primeiro set, enfim foi quebrado quando já liderava o segundo e a vitória no tiebreak para fazer 2 a 0 parecia definitiva.

Qual nada. O excelente espanhol não desanimou, venceu dois sets com muita aplicação na devolução de segundo saque e quase quebrou no começo da série decisiva. Evitou um match-point antes do supertiebreak e liderou até 4-3. Ao sofrer a primeira quebra, não se recuperou mais. Deixou novamente impressão muito positiva: fez mais winners, aces e pontos na rede do que o poderoso top 10.

Berrettini deve ter outro desafio físico contra Pablo Carreño, num duelo inédito no circuito, e quem avançar terá pela frente Gael Monfils ou a surpresa Miomir Kecmanovic. O francês virou o primeiro set contra Cristian Garin na hora certa e aí atropelou. O sérvio é aquele que enfrentaria Novak Djokovic na primeira rodada e prometeu vingar o ídolo. Até agora, foi muito bem. Possui jogo de base muito firme e se mexe com destreza.

O adeus de Osaka
De técnico novo, Amanda Anisimova parece ter reencontrado o ótimo tênis que a marcou como grande sensação há três anos. Campeã de um WTA preparatório para o Australian Open, fez um jogo parelho contra a bicampeã Naomi Osaka, salvou dois match-points e levou no supertie-break, mostras de que a cabeça está ótima outra vez. Ela se abalou muito com a perda do pai-treinador e ainda vieram contusões.

Num jogo de 18 break-points, aconteceram apenas duas quebras de serviço, algo notável no tênis feminino, e olha que ventou muito. Anisimova, de 20 anos, terminou com mais do dobro de winners (46 a 21). Como resultado da queda, Osaka deixará o top 80.

Anisimova portanto será a adversária da tranquila Ashleigh Barty, que continua rápida e eficiente nos seus jogos. O único confronto entre elas foi a semi de Roland Garros de 2019, em que a australiana precisou virar a partida. Promete.

Nos outros jogos, Barbora Krejcikova esteve um set e uma quebra atrás antes de reagir contra Jelena Ostapenko, a grega Maria Sakkari fez sua melhor exibição da temporada, Paula Badosa perdeu um set de bobeira e Victoria Azarenka destruiu Elina Svitolina. As oitavas terão interessantes Krejcikova-Azarenka, Badosa-Keys e Sakkari-Pegula. Vejo Azarenka como mais provável adversária de Barty na semi.

Brasil das duplas
Bruno Soares e o escocês Jamie Murray levaram um susto, mas avançaram e agora aguardam Marcelo Melo e o croata Ivan Dodig para um duelo direto por vaga nas quartas do Australian Open. Tomara que assim seja. Esse é o lado da chave de Rajeev Ram/Joe Salisbury, campeões de 2020 e atuais vices.

Bia Haddad emendou a sexta vitória seguida nas duplas e concretiza um salto de 350 posições no ranking da especialidade. Começou o ano como 479º e pode já aparecer no top 120. Sua parceira, Anna Danilina, é firme na base e na rede. Além dos pontos e dos dólares muito bem vindos, a canhota brasileira certamente ganha confiança com vitórias em torneios de peso no circuito.


Comentários
  1. Carlo V. W.

    Uma vez no passado, sofremos uma pequena ameaça de um vizinho, por conta dum cachorro que latia demais. O animal acabou envenenado.

    Além de encaminhar atraves da justiça, tomei o cuidado de passar a filmar a frente da minha casa da seguinte forma:
    – coloquei um peso de porta (com areia dentero) na garagem, ligado a um cabo usb e a uma fonte na parede.

    Para todas as pessoas normais, tratava-se apenas de um peso de porta.

    Para o culpado, no entanto, fiquei sabendo oportunamente que o “peso de porta de tecido” tomou outras proporções, e ele achava com todas as forças. que vinha sendo por nós monitorado.

    Enfim, meu problema foi resolvido e nunca mais tive qur tomar qualquer açao adicional.

    Ao final, achei interessante o que a culpa faz faz com as pessoas. Elas se entregam sem muito esforço de inveatigaçao. Numa espécie de comédia/drama dostoieskiana.

    : – D

    Para todos os efeitos e para todas as pessoas “normais”, tratava-se apenas de um peso de porta

  2. Luiz Fernando

    E o rei do ATP 500 já era kkk. Já postei aqui w o staff do Rublev deveria dizer a ele antes de um GS ou M1000 que era pra fazer de conta q é um 500tinho. Mas acho q eles não fazem…

  3. Rubens Leme

    Dalcim, quando escreveu seria o único favorito destacado na rodada de hoje, contra o Cilic, fiquei pensando se não estaria incorreto. O russo é um jogador só de fundo de quadra, quase não sobe, o tipo de jogador que agrada o Cilic, que embora esteja em má fase, é muito agressivo.

    O russo só fez deu uma subida na rede, com acerto, contra 5 em 6 do croata nos dois primeiros sets. Além disso, sofre com o serviço do campeão do US Open de 2014. O jogo ainda não terminou, mas com 2×0, Cilic está bem mais sólido e continua atacando.

    1. José Nilton Dalcim

      Favorito o Rublev era, afinal tinha 4-1 no histórico e 4-0 na quadra dura. Mas fez um jogo taticamente errado e aí deu confiança ao Cilic, que é um tenista muito experiente e que fica perigoso quando está solto. O russo jamais investiu com mais paciência no backhand, ficou encurtando pontos o tempo inteiro.

  4. Samuel

    Nadal e Murray perderam uma quantidade de finais no Aberto da Austrália que chega a ser traumática.

    Acho mais cômodo sequer torcer para o espanhol desta vez.

  5. Alexandre

    Dalcim,
    No confronto Shapovalov vs Zverev, se vc estivesse na equipe técnica de ambos qual seria sua recomendação para cada um deles pra sair com a vitória? Nós, seguidores do seu blog sempre gostamos de saber sua opinião, principalmente em jogos importantes de slans.
    Abraço!!!!!

    1. José Nilton Dalcim

      Puca, quem me dera ter tamanha competência. Mas acho que os dois sabem qual o ponto frágil de cada um. Shapo precisa evitar o backhand – o spin alto não funciona – e pode baixar mais a bola no forehand, tentando também chamar mais o alemão para a rede, já que provavelmente ele vá jogar mais recuado da base. Zverev por seu lado precisa usar a paralela de backhand, principalmente quando o canadense estiver mais deslocado e pode vir atrás desse golpe sempre que sentir que Shapo vai chegar atrasado. Acredito que Zverev também saque mais pelo centro.

  6. Maurício+Luís+*

    A foto do Nadal que ilustra os destaques das notícias tá bem engraçada. A orelha esquerda dele coincide com um fundo branco pontudo. Ficou parecendo a orelha do Sr. Spok, da série Star Trek. E junto com a careta… parece o Spok com dor de barriga.
    ” SP e Rio transferem os desfiles das escolas de samba pro feriado de Tiradentes!” ——- NADA MAIS APROPRIADO! Do jeito que o povão tá ‘enforcado’…..

  7. Periferia

    “Ora, para fazer um gol assim não basta apenas o simples e puro futebol. É preciso algo mais, ou seja, essa plenitude de confiança, certeza, de otimismo, que faz de Pelé o craque imbatível. Quero crer que a sua maior virtude é, justamente, a imodéstia absoluta. Põe-se por cima de tudo e de todos. E acaba intimidando a própria bola, que vem aos seus pés com uma lambida docilidade de cadelinha. Hoje, até uma cambaxirra sabe que Pelé é imprescindível em qualquer escrete.”

    Crônica de Nelson Rodrigues em março de 1958…pedindo o jovem Pelé na seleção.

    Que o Rei possa continuar mais um pouco entre seus súditos.

  8. rafael

    Mestre, li que no jogo do Mannarino só cometeu 14 euros não forçados na partida contra o karatzev. Isso mostra uma regularidade incrível além de bater plano na bola. O francês tem alguma chance contra o Nadal?

    1. José Nilton Dalcim

      Na verdade, foram 22, mas ainda assim é bem baixo. O fato é que o Karatsev jogou pelos dois… rsrs… foram 77 winners e 86 erros (praticamente metade dos 176 pontos que o Mannarino ganhou na partida toda). O francês é consistente, arrisca pouco e usa o peso da bola adversária, então vai ser duro para ele encarar Nadal. Mas ele é muito habilidoso e taticamente esperto. Perdeu todos os quatro sets contra o espanhol, mas um foi 7/6 e o outro 7/5. Então Rafa não pode vacilar.

  9. Fernando Brack

    E a lesão do Nadal, hein? Quem me explica como um tenista de ponta consegue jogar em altíssimo nível por horas com uma lesão congênita (falam em osso quebrado) no pé e que andou se agravando?

    1. Sandra

      Eu ia fazer essa pergunta ao Dalcim , está sempre lesionado e sempre ganhando, sera Dalcim que um dia você poderia tentar nos explicar ?

      1. José Nilton Dalcim

        E eu te pergunto: imagine então do que Rafa seria capaz de fazer se estivesse sempre saudável… rsrs…

        1. Sandra

          Com certeza ! Mas não consigo imaginar alguém jogando com o pé rachado ! Imagina se não tivesse! rsss O Federer até hoje não conseguiu voltar !

        2. MARIA RAQUEL SILVEIRA ADRIANO

          Boa resposta. Ele é incrível! Tem esse problema desde que nasceu e com o tempo piora, as vezes dói mais e tem que parar como no ano passado.

  10. Gilvan

    Dalcim, alguma notícia do Hyeon Chung? Já são quase 2 anos sem jogar tênis profissionalmente.
    O Tsonga aposentou?

    1. José Nilton Dalcim

      O coreano voltou a se contundir em Roland Garros de 2020, realizado em outubro, e aí não deu mais notícias. Tsonga pediu até convite para o Australian Open e deve jogar semana que vem num challenger.

      1. Miguel BsB

        Poxa, Tsonga, top 10 por tanto tempo e finalista do Ausopen pediu convite e não recebeu? Achei (mais) um erro da organização…

  11. Teka+Moraes

    Leylah Fernandez encontrou sim, em seu caminho, tenistas experientes e boas no USOpen : Svitolina, Osaka, Kerber e Sabalenka, o que não foi o caso da Emma. Me decepcionei com as duas nesse AO, mas pelo menos Leilah está lá, treinando, jogando duplas – que dá consistência aos golpes de rede – preparando o caminho dela, aparentemente sem estrelismos e ansiedade. Acho bacana não ter pressa.

  12. Nathan

    Acho que o fato de não ter Djokovic motiva muito Nadal. No Australian Open o sérvio sempre jogava um ótimo tenis. Não ter ele pela frente vai fazer o Nadal jogar cada vez mais forte. E o público deve torcer muito por ele. Os australianos gostam muito do Nadal. Por isso quiseram tanto que o Djokovic não jogasse.

  13. Carlos Bicalho

    Dalcim, vou ser sincero: nunca vi, em 13 anos que acompanho tênis profissional, um jogador tão ruim quanto aquele “Piscina de Vidro”, ou Glasspool. Péssimo. Bruno e Murray não jogaram nada, serão eliminados daqui a pouco se continuarem com esse jogo. O que vc pensa sobre esse Glasspool?

    1. José Nilton Dalcim

      Não dá para julgar um tenista só por uma partida, Carlos, mas realmente ele não me pareceu um grande duplista, com um forehand muito pouco confiante.

      1. Renato+Toniol

        Dalcim, falando em forehand ruim, o Jamie Murray também tem um forehand nada confiável, o que acha? Ele aparentemente usa a continental e dá apenas um tapa “sem vergonha” na bola, muitas vezes optando pelo lob, que também é muito limitado, já que ele não domina a técnica do spin, até mesmo devido a empunhadura clássica.

        1. José Nilton Dalcim

          Sem dúvida, é um forehand fraco, mas na dupla até é melhor você bater a devolução do que tentar um spin, Toniol, ainda mais numa devolução pelo centro.

  14. Vitor Hugo

    Creio que quem teremos Rafa x Zverev nas quartas, e o alemão provavelmente vai vencer em 3 sets.
    Mas se acontecer uma zebra e o espanhol vencer, creio q já estará na final, pois terá um mamão com açúcar nas semis.

    Mas sim, o espanhol está jogando melhor que o esperado.

    1. Paulo F.

      Para teu desespero será bi na Austrália e consolidar-se como o GOAT.
      Bi em todos os Slams.
      O Messias é monocampeão em Roland Garros.
      Um slam a mais do que o seu filhote.
      Campeão em Wimbledon em cima do Messias.
      Nunca perdeu em Roland Garros para o Messias.

    1. José Nilton Dalcim

      Ah vai ser mais difícil mesmo, mas não vejo muita alternativa para ele. Ficar só na defesa seria contar com um dia ruim do alemão. Mas é certo que ele vai esperar o saque lá depois do Melbourne.

  15. Sérgio Ribeiro

    E não deu para Carlitos rsrs . O cara que bateu todo o Big3 em precocidade em SLAM ( mais jovem cabeça de chave aos 18 ) , jogou uma partida do mais alto nível contra o Top 7 do Mundo. Berrettini ( que nem tinha ponto na ATP na mesma idade ) , conseguiu evoluir em muito seu Backhand desde a FINAL em Wimbledon 2021 , quando tirou Set do N 1 . Daí que mais uma vez comprova que o jogador não pode ser rotulado ( sempre pelos que não assistem jogos ) ainda em fase de formação. A quadra rápida impede aquela tática de empurrar bolinhas e nos permite assistir 4 horas de pura adrenalina. Um jogaço de tirar o fôlego e mostrando que além da técnica, um preparo físico , de ambos , espetacular . Teremos vida sim depois do Big Four + Wawrinka , e CARLOS ALCARAZ sem a menor dúvida, como um dos protagonistas. Abs!

  16. Marcilio Aguiar

    Tenho visto poucos jogos o e nunca por inteiro, mas, pelos comentários gerais e pela história, eu coloco o Nadal no mesmo patamar de favoritismo que o Zverev e Medvedev. Tenho e impressão que o espanhol não vai deixar passar essa oportunidade única, sem a concorrência do Djoko.

    A conferir.

  17. Daniel+C

    Por muito tempo eu achei o Nadal unidimensional, um cara que apenas jogava defensivamente usando o spinzao de direita para deslocar o adversário, induzindo aos erros. Tá certo que ele ganhou muita coisa nos primeiros 10 anos da carreira apostando nesse estilo. Mas ele se reinventou nos últimos 5 anos e jogos como o de hoje mostram que ele sabe ser agressivo e tem um jogo muito legal de ver, quando está afinado (mas as vezes parece que ele dá um tilt e volta a recuar muito, geralmente quando está sem confiança ou sendo dominado pela agressividade do adversário)

    Enfim, não vou ficar surpreendido se ele acabar vencendo o torneio e seria merecido pela luta e entrega de sempre. O torneio está muito legal e promete ótimos jogos nas próximas rodadas. O sérvio antivaxx realmente não faz nenhuma falta, com seu jogo sonolento que conseguiu se tornar tão unidimensional quanto era o estilo do Nadal no início da carreira. O problema é que ele consegue executar esse estilo enfadonho com uma eficiência absurda e um físico fora de série, nada além disso.

    Mas está faltando algo nesse torneio ainda. O melhor tenista que já empunhou uma raquete (Federer). Como faz falta ver esse cidadão jogar, as rodadas noturnas no AO com ele executando jogadas geniais uma atrás da outra e o impacto que isso provocava nas arquibancadas era coisa de louco. Bons tempos que não voltam, sortudos aqueles que acompanharam o auge do maestro. E ainda tinha aquela vinheta antiga da ESPN, inesquecível.

    1. Paulo Almeida

      Beleza, negacionista dos números do tênis e da caixa de ferramentas do Craque.

      Tanto o espanhol quanto o sérvio incorporaram vários elementos ao seu jogo há um bom tempo, porém as surras do último te machucaram tanto que o ódio e o recalque te deixaram cego. Em caso de dúvida, é só assistir aos últimos dois jogos contra o Zverev e ao último contra o Medvedev.

  18. Carlos

    É muito triste a atual fase do tênis feminino. Todo esporte se destaca, evolui e empolga quando surgem os grandes campeões. Não quero dizer que apenas quando um único atleta ganha quase tudo é que o esporte ganha. Pode e é bom que haja paridade entre os grandes nomes. Mas não é isso que está acontecendo no tênis feminino. Exemplos da péssima fase do esporte não faltam nos dois últimos anos.
    Não vejo problema no fato de que cada slam seja vencido por uma tenista diferente, mas o problema reside no fato de que estas passam boa parte do restante da temporada sendo presas fáceis em muitos torneios, e caindo cedo para tenistas de ranking inferior. As meninas não têm conseguido regularidade nenhuma. O topo do ranking não é mais formado pelas mais talentosas e mais regulares, mas sim pelas menos instáveis.
    A final do US Open do ano passado foi emblemática desses tempos. Ainda que sejam duas jovens talentosas, que ainda têm todas as chances de outras grandes conquistas no tênis, ainda estavam muito cruas para avançarem tanto no torneio. Chegaram à final não somente por terem talento e terem feito um grande torneio, mas também porque não encontraram no caminho tenistas experientes e regulares. Isso não é bom. Nem sempre vamos ter Navratilovas, Grafs e Serenas, mas precisamos ao menos das Justine Henins, Clijsters e Sharapovas de outrora.

  19. Rafael+Azevedo

    Ao contrário do prega o nosso amigo “o Lógico”, Nadal mostrou que não é unidimensional.
    Foram 23 pontos em 26 subidas à rede. Fez mais winners do que Khachanov, mesmo com 10 aces a menos.
    No momento em que ele voltou ao jogo antigo (o unidimensional), tomou um caldo.
    Não dá mais para o espanhol jogar da forma antiga. Ele não tem mais físico para isso.
    Ainda bem que ele não é unidimensional e pode mudar o jogo, e continuar em alto nível.
    Mas, o saque continua sendo o seu ponto vulnerável. E, agora, começou a fazer mais duplas faltas do que o Zverev.
    Sei que um bom saque não significa apenas “aces”. Como o Dalcim citou, ele está com um bom saque cruzado no lado dos “iguais”. Mas, fazer apenas 4 aces em 4 sets, com várias duplas faltas, é um desempenho muito aquém para um top da história.

    1. Paulo

      Esse Lógico adota uma lógica muito estranha. Bem, se o unidimensional ganhou 20 slams e 36 masters 1000, imagine a quantidade que ganhará o multidimensional, quando aparecer.

    2. Paulo F.

      Nadal unidimensional….
      Aí ele tem medalha de ouro em simples e duplas no piso duro, 2 Wimbledon, 4 Aberto dos Estados Unidos e 1 Aberto da Austrália.
      Que pena que a realidade desmonta teu delírio, né Lógico?

  20. Ruy+Machado

    Boa tarde! Consegui assistir os 2 primeiros Sets do Nadal antes de sair para o trabalho… E me surpreendi com o que eu vi no 1° Set. Como bem disse, Dalcim, o Espanhol pegou um adversário mais gabaritado. Mas pouco errou, jogou muito bem com o 1° serviço e disparou excelentes Winners. Não sei o que ocorreu no 3° Set, mas deu para se recuperar e finalizar a partida. Aos poucos, vai pegando ritmo no AO e isso faz com que ele passe a acreditar mais nos seus golpes e jogo. Mesmo que ainda tenha muito água para passar debaixo da ponte, seus torcedores estão mais confiantes. Disso, eu não tenho dúvidas… Abc

  21. Diego Bezerra

    Boa tarde Dalcim, os jogos estão ótimos de assistir, jogadores bastante empenhados…..
    Pra vc, o que falta no jogo de Shapovalov pra dar aquela engrenado? O mlk se move muito bem, é solto, destemido e sabe subir pra voltar…

    1. José Nilton Dalcim

      Acho que ele ainda não dosa da melhor forma o controle dos golpes e por vezes exagera na força quando não seria preciso. O backhand é lindo, mas plano demais e lhe custa muitos erros em momentos delicados. É um excepcional voleador, poderia insistir mais. Mas no fundo acho que ainda o que mais falha é o aspecto mental, as duplas faltas e o erro não forçado em momentos cruciais. Ainda assim, seu potencial é grande.

    1. José Nilton Dalcim

      O forehand do Medvedev não é tão veloz assim, Leme. É na verdade um golpe com um pouco de alavanca exagerada. O espanholzinho bate muito pesado.

      1. Rubens Leme

        Você tem ainda alguma expectativas para aquela geração de trintões, este ano, Dalcim ou acha que todos já estão mesmo de saída até, no máximo, no ano que vem? Acho que mais nenhum deles frequenta o top 100: Stan, Tsonga, Raonic, Del Potro, Anderson, Nishikori… parece que o prazo de validade dessa turma se expirou mesmo não é?

        1. José Nilton Dalcim

          Sempre é arriscado descartar um tenista diferenciado, mas realmente acho difícil pela idade, o estilo e o histórico de contusões. Nishikori me parece o único ainda com chance de ficar mais um tempo no top 50 por ser mais versátil.

  22. Gilvan

    Pessoalmente, não fiquei tão impressionado com o tênis do Nadal. Permitiu um pouco criativo Kachanov crescer na partida e, não fosse a quebra precoce no começo do 4o set, poderia ter se complicado. É favorito absoluto contra o Manarino, que tem muita mão, mas pouca potência. Contudo, realmente não vejo o espanhol fazendo frente para o Zverev numa eventual 4as de final.
    Quem se deu bem foi o Monfils. Pegou uma chave limpa, não está se desgastando e tem ótimas chances de chegar numa semifinal de GS depois de muitos anos (a última foi em Roland Garros no longínquo ano de 2008). Eu não botava mais fé no francês, mas ele envelheceu como vinho.

    1. Miguel BsB

      Não meu caro, Monfils fez uma semi mais recente no USopen, contra Djokovic. Se não me engano, 2016 ou 17.
      Abs

    2. Paulo Almeida

      Não, Gilvan, o Monfils fez semifinal do USO 2016 contra o Djokovic. Aliás, o sérvio já estava em má fase e provavelmente com a lesão no cotovelo já instalada e só avançou à final porque pegou uma chave ridícula e com três desistências.

  23. Periferia

    Marcílio lembrou dos irmãos Coen…
    Por coincidência foi lançado o filme A Tragédia de Macbeth…dirigido por um dos irmãos (Joel) Coen.
    Tem Denzel Washington brilhando como o personagem de Shakespeare.

    A história lembra muito o mundo do tênis atual…
    Um postulante que deseja assumir o trono…mesmo sabendo que não será amado.
    Que ouve e acredita em “bruxas”…
    Casado com uma Lady Macbeth que vive soprando na orelha dele o que deveria fazer…
    Quando consegue o trono é assombrado pelo legado do rei anterior.
    Tenta manter seu reinado… até usando artifícios moralmente discutível.
    Acaba enlouquecido…morto por Macduff de Manacor (no tênis…Macduff é espanhol).

    Fica a frase de Macbeth:

    “As conciencias contaminadas descarregam seus segredos nos travesseiros mudos”

    Atualíssimo.

    1. Rubens Leme

      Periferia, uma dúvida: se somos um só, quem irá fazer a declaração do IR este ano, eu ou você? Podíamos procurar um terceiro e deixar ele se virar, o que acha? Voto no Marcílio…

      1. Marcilio Aguiar

        Leme, eu agradeço pela deferência mas abro mão do privilégio rsrsrs. Além de não ter talento para ser fake de ninguém, já sou responsável pela confecção de 5 declarações (1 minha e de mais 4 parentes), que esgotam a minha cota de trabalho para o Leão. Ele não merece tanto!.

    2. Rubens Leme

      Denzel já havia feito um bom Shakespeare, na comédia Muito Barulho por Nada (1993), com um elenco pesado: Kenneth Branagh, Emma Thompson, Robert Sean Leonard, Keanu Reeves, Imelda Staunton, Kate Beckinsale, entre outros. (https://www.imdb.com/title/tt0107616/?ref_=nm_flmg_act_40)

      E vale muito conferir o filme com Danny DeVito de professor, em Um Novo Homem (Renaissance Man, 1994), que ensina Hamlet para um bando de soldados considerados descartáveis. (https://www.imdb.com/title/tt0110971/?ref_=nm_flmg_act_90)

      1. Periferia

        Olá Leme

        Vendo o Denzel Washington atuar…perto dos 70 anos… é algo fora da curva.
        Um grande ator escondido em papéis descartáveis…no crepúsculo da carreira consegue atingir o Everest artístico.

        1. Rubens Leme

          Peri, eu gosto de alguns filmes do Denzel, mas acho, como mesmo disse, um ator perdido em um monte de filmes ruins, como aliás, os filmes estão sendo. Aliás, leu a entrevista do Woody Allen falando sobre o atual momento? É exatamente o que penso. Woody segue sendo de uma coerência imensa.

          (https://www.uol.com.br/splash/colunas/roberto-sadovski/2022/01/05/cinema-metoo-covid-e-o-festival-do-amor-uma-conversa-com-woody-allen.htm?fbclid=IwAR3i1FwZRcV3Xa3WIHhqcnPBXU_psoOSKz7kf_vNEjyW2Swf8OMEppbKe70)

          “Os jovens vão a ótimas universidades, mas quando eles falam sobre os filmes que assistiram, são filmes tolos, comerciais. É uma geração com acesso à melhor educação e eles estão gostando de ver lixo. Eu era um péssimo aluno, saí da faculdade por ser um péssimo aluno. Eu e meus amigos não éramos nem um pouco intelectuais, a gente cresceu na rua jogando baseball. E nós adorávamos os filmes de Bergman e Fellini, de Truffaut e De Sica. Era o tipo de filme que a gente assistia. Eu acredito, portanto, que o público de certa forma mudou, e é uma plateia decepcionante porque seriam as pessoas com quem esperávamos contar para se interessar por cinema como uma expressão artística. O resultado é que um filme feito com US$ 12 milhões termina perdendo dinheiro. E os filmes feitos por mais de US$ 100 milhões conseguem ter lucro. Os produtores preferem investir em filmes de US$ 100 milhões e não nos de US$ 12 milhões. O risco é menor quando existe uma quantidade obscena de dinheiro em jogo.”

          1. Periferia

            Olá Leme…

            Sim…li a entrevista no blog do Sodovski…não sei se foi a tradução….senti o diretor em paz com suas dificuldades…sabendo das limitações.
            Algumas entrevistas antigas…ele parecia alguém acuado.
            Não consigo compreender totalmente os filmes dele…tenho limitações com o idioma…apesar de ter melhorado muito como diretor (aprendeu o local certa da câmera)…
            Os filmes dele tem uma linguagem escrita e não visual…ele me parece um diretor de “memórias”…não é algo depreciativo…Bergman também foi um cineasta de “memórias” (assim como os outros citados por ele…Fellini…De Dica…Truffaut…).
            A filmografia do Allen tem muitas referências ao sueco. (Fellini também).

        2. Valmir da Silva Batista

          PERIFERIA, concordo com você sobre Denzel Washington atuar frequentemente em filmes menores, sendo que meu único senão é quanto a sua atuação no excelente “Dia de Treinamento”, onde ele esteve, mais que brilhante, irretocável. Ainda que o filme seja ótimo, ao mesmo tempo Denzel o carrega nas costas, tendo, inclusive, ganhado o Oscar por este trabalho…

          1. Rubens Leme

            Woody nunca foi um diretor técnico. Ele contou que filmou seu primeiro filme, Um Assaltante Bem Trapalhão, com um manual de como filmar enquanto dirigia. Por isso, sempre preferiu se cercar dos melhores possíveis. Sabia que o grande Gordon Willys, diretor de fotografia de O Poderoso Chefão, foi com quem ele mais trabalhou?

            Gordon adorava Woody, pois é absolutamente controlador e preciso e Woody, diferente de Coppola, o deixava em paz, já que era o melhor disponível.

            Os filmes antigos possuem aquela atmosfera de familiaridade, pois assim como Bergman, Fellini, John Huston, Hitchcock, Woody adorava trabalhar com o mesmo grupo básico de atores. Eles entendiam o espírito do diretor e roteirista e as filmagens corriam bem.

            Aos 86 anos, tem o direito de estar em paz. Enquanto Coppola anunciou seu novo projeto de 100 milhões de dólares para ser rodado este ano, Woody disse que se precisar parar por causa da covid, ele se aposenta, sem problemas.

            E um homem que fez, em média, um filme, de 1971 para cá, sempre escrevendo e, muitas vezes atuando, não precisa provar mais nada.

    3. Silva

      Toda vez que eu leio uma baboseira desse tipo, eu fico imaginando a cara do cidadão, na frente do computador, com um sorrisinho maroto no canto da boca, completamente excitado com toda a sua “perspicácia”, e, provavelmente, sentindo-se lisonjeado por poder despejá-la num blog de tênis (nada pessoal, Dalcim; seus escritos continuam maravilhosos).

      Pergunta: depois de clicar em “publicar comentário” a excitação continua ou começa o período refratário?
      No meu caso, sempre sinto uma leve ojeriza por meus textos, após publicados.

      Mas, ei, vamos lá. Pelo menos a inspiração para essa “obra” foi O Bardo.
      Já é alguma coisa melhor do que o filmaço da Netflix “Não olhe para cima” com suas sacadas geniais, que vem formando e inspirando uma geração de intelectuais mundo afora.

      1. Barocos

        Silva,

        Que mal há em dois cidadãos que adoram cinema, trocar impressões sobre a sétima arte no Blog do Dalcim?

        Se quem administra este espaço parece não se importar, por que deveria você fazê-lo? Não seria bem mais fácil ignorar aquilo que parece te incomodar e passar ao próximo texto?

        Eu, de fato, já próximo aos meus 60 anos, não consigo entender a necessidade que algumas pessoas têm de manifestar insatisfação, publicamente, sobre assuntos alheios que seriam facilmente contornáveis.

        Não sei há quanto tempo você frequenta este espaço, mas se encontra um pouco de tudo aqui: literatura, cinema, música, humor, futebol, política, ciência, teorias conspiratórias, experiências e impressões sobre a vida e também, condizente com a sua função principal, tênis.

        Se somos, por natureza, sociais, e acredito realmente nisto — não me consta que possamos ser, realmente, felizes (ao menos em curtos espaços temporais) sozinhos, então devemos praticar a cordialidade na interação com nossos semelhantes. Se você acredita que não, então estou muito interessado nos argumentos que embasem a sua discordância.

        Saúde e paz.

        1. Rubens Leme

          Barocos, é só mais um robô, dos mesmos que adoram escrever quando eu e Periferia falamos de cinema e arte. Aliás, descobri que agora eu e Periferia somos um só, já que eu sou fake dele ou vice-versa. Quero ver explicar isso para as nossas senhoras e para o Leão do IR.

      2. Heitor

        Os comentários do periferia eu gosto. Já os do Rubens não porque é de uma soberba, de uma falsa modéstia, de uma arrogância que me fazem, na maioria das vezes, pular.

      3. José+Yoh

        Bom, melhor comentar sobre um assunto aleatório que a pessoa conhece do que falar uma besteira de algo que não conhece, penso eu.

        Também acho melhor do que comentar pejorativamente sobre alguém do blog.
        Abs

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