O rei ainda manda no saibro
Por José Nilton Dalcim
25 de abril de 2021 às 21:24

Chances para todos os lados. O que não faltaram nesta histórica final de Barcelona foram emoções e reviravoltas, em que jogadas espetaculares se misturaram a alguns erros de pura tensão, e assim era mais do que justo que o vencedor viesse num placar extremamente apertado, depois da disputa de 242 lances ao longo de uma maratona de 3h38 em que o campeão liderou por meros três pontos.

Stefanos Tsitsipas liderou por 4/2 o primeiro set e por 3/1 o segundo, nos momentos em que conseguiu jogar bem com o serviço e sustentar o ataque ao seu backhand, aproveitando as oportunidades que o segundo serviço irregular do adversário lhe proporcionava. Mas nessas duas desvantagens Rafael Nadal mostrou por que é o ‘rei do saibro’, colocando em prática sua capacidade de trabalhar pontos com enorme variedade de ângulos e de se defender com unhas e dentes.

Rafa engatou até cinco games seguidos entre o final do primeiro set e o começo do segundo, dando a impressão que iria dominar. Foi difícil para ele manter um padrão, sinal de que ainda não está seguro na terra batida como nos velhos tempos. Quando Nadal chegou a seus dois match-points, o que concluiria a partida num compacto 6/4 e 6/4, Tsitsipas mostrou como está confiante. O grego também não duvidou em ser agressivo quando se viu 2-4 no tiebreak, ganhou quatro pontos sucessivos e levou a um terceiro set que parecia improvável. Detalhe importante: nesses 13 games, Nadal cometeu meros 10 erros não forçados e o adversário, 12.

Já com 2h30 de esforço, o terceiro set viu sempre Stef mais apertado em seus serviços do que Nadal, mas o irônico destino deu justamente o primeiro break-point ao grego, que era na verdade um match-point.  Ele entrou no ponto, foi logo para o backhand do espanhol, que se livrou da bola com uma paralela sem pretensões, que resvalou na fita. Tsitsipas reclamaria mais tarde que lhe faltou sorte, mas depois reconheceu que poderia ter feito mais. Aliás, deveria ter feito mais no saque seguinte, em que acabou quebrado no quarto break-point diante de um Nadal incrivelmente veloz, forte e determinado, ainda que tivesse 12 anos a mais de peso a carregar.

Depois de evitar o empate e um novo tiebreak, Nadal venceu sua 12ª final em Barcelona e chegou ao 61º troféu sobre o saibro e aos 87 da carreira. O mais importante de tudo, no entanto, é encerrar o jejum de sete meses sem conquistas, deixar para trás a lesão lombar que ainda afeta claramente seu serviço e esfregar no rosto dos céticos que ele ainda é o jogador a ser temido sobre a terra. Mesmo que não jogue seu 100%.

Dou toda a razão a ele quando diz que o título veio no momento perfeito, logo depois da derrota em Monte Carlo e das atuações instáveis de Barcelona. Perder outro duelo para a nova geração seria um tanto frustrante e poderia causar aquela perigosa ansiedade. Agora, Nadal pode jogar mais solto, ainda que me pareça essencial dar um salto de qualidade principalmente em Roma, o último aquecimento de peso para Roland Garros.

Quanto a Tsitsipas, ao invés de lamentar a chance perdida, vale focar na firmeza e resiliência mental e física que demonstrou nestas duas semanas iniciais sobre o saibro. Ele é claro não deve estar no curto rol de favoritos para Roma ou Roland Garros, mas daqui em diante seus adversários entrarão em quadra com respeito muito maior.

O final de semana viu ainda o fim do jejum de títulos de Matteo Berretini, que venceu Belgrado em cima de um bravo Aslan Karatsev, que lutou mais 2h30 e só decepcionou mesmo no tiebreak decisivo em que não ganhou ponto. Já Ashleigh Barty marcou volta vitoriosa ao saibro, obtendo três viradas nas rodadas decisivas de Stuttgart, onde ainda foi campeã de duplas. É o início de sua trajetória para defender Roland Garros lá de 2019, já que no ano passado ela preferiu manter o isolamento em casa e não foi a Paris.


Comentários
  1. Ronildo

    Bem que o Federer poderia voltar em Madri. Só se ele sentiu um desconforto muito grande em quadra para adiar tanto a volta.

    1. Luiz Fernando

      Não deve ter sido isso, deve ter siso a consciência de q a possibilidade de ser eliminado na primeira rodada de M ou R é muito grande…

  2. Oswaldo E. Aranha

    Fiquei impressionado com o desempenho da Nadal na final de Barcelona, devoluções que ele fez, impensáveis. Tenho estado um pouco ausente porque acho que curtir a decepção pelos últimos péssimos resultados do Djokovic é questão que devo fazer sozinho e nunca passar as frustrações para os outros.

  3. Marcelo Costa

    Como se apegar em algo tão subjetivo como aspecto mental? Fazer análises longas ( até demais ) pra avaliar o que o tenista está pensando , sentido no momento do jogo, chegamos ao ponto de analisar torcida contra e a favor, e como isso impacta no jogador.
    Podemos medir até quantos giros a bola dá em um golpe, a velocidade a profundidade que atingiu, mas até ai querer determinar o aspecto mental é um exercício quase astrológico, onde a posição de Marte interfere no psique da pessoa.
    Não é um mental forte, é uma confiança de ter treinado o máximo, repetido o golpe a exaustão, e colocar estratégia em prática.

  4. Rodrigo S. Cruz

    [Jonas]

    ” Meu caro, acredito que não existe essa regra aqui na blog, devemos debater sem se ofender, isso é o principal”.

    Nesse ponto estamos de acordo.

    Entendo que uma provocação leve ou uma sátira são até divertidas.

    Não pode é deixar a coisa descambar para as ofensas pessoais…

    1. José Nilton Dalcim

      Os convites ainda não foram definidos, Joaquim. É a lista de inscritos, baseada no ranking. Outros franceses também devem ser convidados e modificar a lista.

  5. Periferia

    O Passeio do Dudu

    Dudu estava cansado de ficar em casa (lockdown não era com ele)…havia perdido uma “boquinha” de ministro (nunca esquecerá aquelas lagostas).
    Colocou uma bermuda…tênis e uma camiseta apertada que valorizava muito sua barriga (estufada de leite condensado).
    Saiu…percebeu muitas pessoas de máscara nas ruas.
    (estranhou…quando trabalhava no ministério tinha ouvido algo relacionado com máscaras…mas não lembrava).
    Resolveu parar em um camelô para comprar a desgracenta da máscara…olhou vários modelos.
    Quando iria comprar (suspense)…o vendedor disse que era de fabricação chinesa (produto chinês nem pensar).
    Avistou um shopping…ali acharia uma máscara do seu nível…entrou…parece que o segurança disse algo…ele passou direto.
    No interior do shopping…o único sem máscara era ele…aquilo despertou a curiosidade de todos (não tinha como contar todos …o senso do IBGE foi cancelado).
    Uma mulher toda de branco (roupa estranha…pensou ele…não deve ser alguém importante) apareceu do nada…e cedeu uma máscara descartável para Dudu.
    O pequeno Dudu pegou…colocou a máscara (na testa)…e saiu todo feliz…agora ele era como todos…tinha uma máscara.

    1. Barocos

      Periferia,

      Diante do sofrimento de tantos brasileiros, aquilo foi uma afronta, um escárnio sem precedentes, mas já sabemos que gente deste naipe não demonstra e nem sente qualquer apreço pela vida ou mazela alheia. Foi indicado ao cargo por possuir qualificação “superior” em logística, mostrou-se um péssimo intendente. Montou uma equipe que primou pela incompetência, que ignorou o aviso de cientistas, de pessoas e de empresas envolvidas com o fornecimento de insumos para o combate a esta doença terrível. Muitas perdas poderiam ter sido evitadas se possuíssem um mínimo de compaixão e preparo, demonstraram não possuir nenhum dos dois.

      Saúde e paz.

      1. Periferia

        Olá Barocas.

        Frase de outro Dudu e também general (ministro da Casa Civil) :

        “Tomei [a vacina] escondido, né? Porque a orientação era para não criar caso (com o presidente). Mas vazou. Não tenho vergonha, não. Eu tomei e vou ser sincero: como qualquer ser humano, eu quero viver, pô! E, se a ciência e a medicina está (sic) dizendo que é a vacina, quem sou para me contrapor?”

        Escondido general????

        Abs

      2. Carlos Reis

        kkkkkkkkkkkkkk Não usar máscara – inútil – é um CRIME para muita gente enganada pelo sistema. É impressionante como é fácil manipular as pessoas, até aquelas supostamente inteligentes. Uma prima minha usa máscara em casa, trabalhando em home office, porque tem medo de passar a Covid para o seu bebê, que nasceu bem no meio da Pandemia, os pais dela – isolados há mais de um ano – jamais beijaram o netinho. Eu fiquei indignado, sinceramente, não quero ter qq relação com gente doida assim.

        1. Maurício Luís *

          Ah, sim. Cientistas, médicos, muitos com pós-graduação e mestrado… OMS, estão todos errados. O certo é seguir o Sr. Carlos Reis. Este sim, quando diz que a máscara é inútil, é quem sabe das coisas. Misericórdia…

    2. Marcelo Costa

      80% dos municípios, não tem 400 mil habitantes, até quando vamos chorar mortes? O passeio é só mais um escárnio de quem teve ar pra respirar mas não tem alma.

        1. Luiz Fabriciano

          Vou me intrometer por ele e espero estar certo.
          Ele disse que é um absurdo, comparando que 80% do municípios não têm esse número, ou seja, quantos municípios foram extintos pela pandemia?

          1. Marcelo Costa

            Obrigado, hoje estamos tão polarizados que não interpretam, já saem pro embate, deixando o bom debate de lado. Obrigado pelo bom senso e respeito e claro a precisa interpretação

        2. Marcelo Costa

          Até quando vamos chorar mortes? Volte e leia, sobre os municípios é claro para dar a dimensão da tragédia. SIM é SUA impressão, muito leviana, mal intencionada e até desprovida de uma simples interpretação básica de texto ousar achar que mortes são poucas.
          Espero não ter mais que sequer debater isso contigo

          1. Maurício Luís *

            Realmente, interpretei errado. Mas foi por precipitação, e não por má intenção. E não cheguei a afirmar, tanto é que perguntei. Peço-lhe desculpas e fico feliz em saber que minha impressão estava errada.

        3. Carlos Reis

          Dependendo de quem partiu é pouco mesmo, eu lamento que os #11pilantras foram poupados, ainda. Espero que tomem a terapia genética da FAIZA, quem sabe assim nos livramos de alguns deles, principalmente o boca de caçapa, o boca de veludo e o kb$$a de ovo, que são os 3 piores entre os #11pilantras .

  6. Wilson Rocha

    Dalcim,
    A diferença na final de Barcelona foi mínima, definida em detalhes/centímetros. Caso Tsitsipas tivesse sido campeão, qual seria sua opinião? Ou não mudaria nem o título do post?

    1. José Nilton Dalcim

      Ah, com certeza Tstisipas teria sido o foco do post, Wilson. Ganhar dois torneios desse porte em semanas consecutivas no saibro é coisa que só Nadal faz. Curiosamente, esta foi a quarta vez que o grego chegou a duas finais seguidas (as outras três foram em 2019) e não consegue vencer as duas.

  7. Sandra

    Dalcim, uma curiosidade , muitas vezes mesmo com a tv ligada vendo os jogos de tênis, também fico vendo o flashe escore, então tem um jogador com vantagem, escrito A/40 , enquanto vejo o ponto , antes de terminar a jogada o jogador no flashe escore já fez o ponto, rsss , não sei se você entendeu alguma coisa ?

    1. José Nilton Dalcim

      Sim, isso se chama ‘delay’ (demora, atraso)… é o tempo que demora a imagem para chegar na sua televisão, Sandra. E se você estiver vendo o jogo por ‘streaming’ (ou seja, via internet), demora mais ainda. Eu estive cronometrando este fim de semana e o ‘delay’ entre a ESPN e o placar chegou perto de 30 segundos!

  8. Rodrigo S. Cruz

    Olha, há algumas boas ideias que podem ser aproveitadas do texto do Ronildo.

    Mas não integralmente…

    Porque fica complicado endossar a noção dele em relação à torcida pelo Federer.

    De um lado, o tenista que entra como franco-atirador as vezes pode sim transformar isso em vantagem psicológica.

    Só que nem todo mundo é capaz disso! rs

    E de outra banda, jogar também com a torcida contra pode ser igualmente difícil. E o sérvio lida com isso bem…

    Nesse ponto, mesmo eu que adoro pegar no pé dele, concordo.

    E mais importante: temos visto que o sérvio também tira de letra a pressão, quando o favoritismo também é dele.

    Então, não tem para onde correr, certo Ronildo?

    Mentalmente ele é forte mesmo.

    Mas deixo aqui essa ressalva: eu acho que ele só tem essa força toda porque o físico acompanha.

    Ou seja: sem super-físico, não haveria super-mental…

      1. Rodrigo S. Cruz

        Não, meu caro sofista de quinta…

        Sem nexo a tua comparação.

        Estou falando de um tenista profissional de alto rendimento, e que baseia o jogo dele no físico.

    1. Luiz Fabriciano

      Aí no final é chover no molhado. Sem físico apurado, nos tempos atuais, tenista nenhum se garante.
      O mental pode ser aço que será quebrado no final.
      No mais, tenho certeza que quanto mais apoio de fãs e torcedores, maior a motivação e vantagem do apoiado.
      Ou então, a frase “jogar com a torcida” não se aplica à Roger Federer.

      1. Ronildo

        Uma coisa é um time de futebol jogar com a torcida Fabrício. Nenhum jogador pega para si a responsabilidade exclusiva. A não ser que vá decidir a partida num pênalti aos 45 do segundo tempo. Então, outra coisa completamente diferente é um atleta saber que depende unicamente dele estar à altura das expectativas de legiões de fãs mundo afora; no estádio; sua reputação de melhor de todos os tempos; um adversário para quem já perdeu partidas importantes etc. Não há comparação nestas duas situações. Acredito que não há sensibilidade ou entendimento de muitos para falar com propriedade sobre este assunto, por isso a mistura de situações que são até mesmo opostas. Deveras, um time de futebol fica energizado com o grito da torcida. Um atleta de ginástica ou um tenista pode realmente ter afetado seu rendimento diante das expectativas de um grande público por um resultado vencedor da parte dele. No futebol, a única coisa que se assemelharia aos sentimentos que o tenista pode ter é realmente se for cobrar um pênalti para decidir a partida.

        1. Luiz Fabriciano

          Ronildo, deixe o futebol lá no estádio.
          O tenista que puxa a pressão para si e não dá conta, o problema é só dele. Contrate alguém para ensina-lo a lidar com isso.
          Olhe o que o Djokovic diz fazer: onde ouvi-se “Roger”, entenda-se “Nole”. É barato e eficiente, kkk.
          Agora tentar justificar derrotas por esse motivo, sinceramente, achei que não voltaria mais à esse tema.

      2. Jose Yoh

        Mas entao Federer, ja desprovido de seu melhor fisico não sofre com o mental?
        São sempre varios fatores. Nunca um Só.

      3. Rodrigo S. Cruz

        O físico dele não é apenas apurado, Fabriciano.

        Como eu disse acima: é um super-físico!

        Além disso, ele baseia o jogo dele mais no físico em comparação a outros tenistas…

    2. Ronildo

      Perfeito Rodrigo

      Também concordo com você de que sem super-físico não há super mental.

      Quanto à torcida em si, vou responder uma questão fundamental que levantaram lá embaixo. Eu não me refiro exclusivamente a uma maioria da torcida torcendo por determinado tenista. Me refiro à condição deste tenista estar ciente da elevadíssima popularidade que ele tem no mundo inteiro e de como as pessoas ficam frustradas com suas derrotas. Recentemente Federer disse que ainda recebe mensagens de incentivo por causa da perda de Wimbledom 2019. Falou que para ele isso é coisa do passado (duvido que seja) e que não entende porque as pessoas continuam com isso na cabeça (Não é que não entende, o caso é que ele não gostaria que as pessoas continuassem frustradas com isso). É um assunto que incomoda ele, senão não falaria disso. Nós sabemos que tênis é um esporte que exige muito do mental do atleta. Certa vez Federer falou que o que deu força para ele no AO 2017 foi a raiva da história se repetir novamente contra Nadal em decisões (certamente ainda estava bem fisicamente, porque se estivesse cansado demais a frustração só aumentaria). Se em Wimbledom 2019 ele ficasse imbuído de sentimentos assim, jamais perderia aqueles match-point, porque na verdade nem chegaria ao quinto set, seria 3 sets a zero para Federer!

      Se tênis fosse um esporte de circuito fechado, onde os competidores não tivessem contato com o público, se fizessem parte de uma competição para apostadores no mundo inteiro, por exemplo. Num ambiente onde os competidores pensassem exclusivamente nas partidas, estratégias, etc…neste caso acredito que o rendimento de Roger Federer seria bem superior ao que foi nos confrontos com Nadal e Djokovic.

  9. Ronildo

    Dalcim, já pensou em se associar a um site de apostas? No caso o Tenis Brasil fazer uma parceria com um site de apostas?

    Ou nunca pensou nisto por ser contra a lei brasileira?

    1. José Nilton Dalcim

      Já tivemos propostas e não aceitei. No máximo, publicidade desses sites, que agora foram legalizados no Brasil.

      1. Ronildo

        Entendi Dalcim

        Às vezes dá uma vontade danada de apostar em alguns jogos. Já iniciei duas vezes o cadastro em um site, mas no fim acabo desistindo por receio. Receio de estar lidando com um site internacional. Se houvesse a garantia de um site brasileiro confiável daí sim, acredito que seria diferente para mim. Claro, sei que o site brasileiro não interfiriria no caso do cadastro. Mas apenas o fato deste site brasileiro confiar, já seria suficiente para mim.

        Nos jogos recentes eu ganharia no Sinner contra o Rublev. Porém perderia com o Nadal vs Tsitsipas e Djokovic vs Karatsev.

        Obrigado Dalcim 👍

        1. José Nilton Dalcim

          Há vários sites internacionais muito confiáveis, Ronildo, bem mais antigos e tradicionais que os que estão aparecendo no Brasil. Recomendo que você faça isso por diversão, não na ideia de que vai ficar rico com isso… rsrs…