Ferrer mostra ao tênis que vale a pena lutar
Por José Nilton Dalcim
8 de maio de 2019 às 20:24

Ferrer nasceu David, um nome escolhido com precisão. Sem ter qualquer golpe espetacular, capaz de facilitar definição sem esforço de pontos, ele precisou trabalhar duro ao longo de duas décadas de carreira profissional para derrotar os Golias que apareceram pela frente. Encerrou nesta quarta-feira sua trajetória no circuito internacional com números de fazer inveja, principalmente por ter encarado a mais dourada era do tênis masculino já vista.

Dono de 27 títulos individuais e uma coleção de vices imponentes, é injusto dizer que ‘Ferru’ foi um saibrista. De seus 27 títulos, 12 foram no sintético e 2 na grama. Fez seis semifinais de Grand Slam e só duas delas em Roland Garros, além de ter atingido pelo menos quartas em todos eles. Claro que seu grande momento foi o vice em Paris, mas ele também decidiu o Finals e ganhou Bercy na quadra dura coberta. Aliás, das sete finais de Masters, somente duas vieram na terra. Em que pese seu 1,75m de altura, encarou o desafio de mudar o estilo, pegar bola na subida, jogar sobre a linha e treinar voleios.

Esse esforço de progresso técnico lhe deu um grande período de auge e em plena vigência do Big 4, tendo atingido o terceiro lugar do ranking em julho de 2013. Forjou uma invejável coleção de vitórias sobre os grandes, invariavelmente marcadas por dedicação física e emocional extremas. Derrotou seis vezes Nadal, Murray e Del Potro; bateu Djokovic em cinco duelos; Wawrinka, Roddick e Ferrero, em sete, além de três sobre Hewitt. Seu maior freguês foi Fognini (11-0). Venceu 54 adversários então no top 10, três deles como líder do ranking (Andre Agassi, Nadal e Djokovic).

A grande frustração foi jamais ter derrotado Federer em 17 tentativas. “A forma com que ele mudava o ritmo me deixava maluco. Sei que o fiz suar, mas nunca consegui derrotá-lo”, contou recentemente. Na mesma entrevista, garante que o Big 4 o puxou para cima e que Rafa sempre foi um espelho para ele. Agradeceu a ajuda recebida de Ferrero, que “me deu conselhos e abriu suas portas”, algo que ele faz hoje com Roberto Bautista. “Houve momentos na minha carreira em que não sabia que rumo tomar”.

Todo mundo conhece as histórias de seu início, em que chegou a abandonar a raquete – até os 24 anos só havia vencido dois ATPs 250 no saibro – e ir trabalhar de pedreiro, retornando assim que descobriu como a vida fora do tênis era tão mais árdua. Nem do fato de que fumou cigarros a maior parte do tempo, contraste curioso para sua fenomenal resistência física. Ferrer não guarda mágoas. “Não sei se teria vencido um Slam em outra época, não há como saber isso”, diz. “O que mais sentirei falta é da adrenalina dos jogos. Isso é insubstituível”. Vale conferir a biografia mais completa do espanhol de 37 anos feita por Mário Sérgio Cruz no TenisBrasil.

O tênis no entanto não ficará muito tempo sem Ferrer. O primeiro passo da aposentadoria é viajar o mundo “desta vez com calma, curtindo com a família”, mas ele deixa claro que gostaria muito de comentar jogos e quem sabe treinar garotos de 10 a 16 anos, para quem acredita ter muito a ensinar. Questionado a resumir sua carreira, ele afirmou: “Estes 20 anos passaram rapidamente, mas porque eu fui feliz”.

A quarta-feira
– Nadal afastou quem temia por seus problemas de saúde. O saque evoluiu, permitiu que jogasse mais com o forehand e Aliassime errou muita bola fácil. Agora vem outro NextGen, o mesmo Tiafoe a quem atropelou em Melbourne em janeiro.
– Monfils fez um dos lances mais geniais dos últimos tempos, virou contra Fucsovics e fará interessante duelo contra Federer. Os dois não se cruzam desde junho de 2015 e o placar é um tanto apertado: 9 a 4 para o suíço.
– Fognini confirmou e teremos então um duelo direto contra Thiem, os dois que ousaram bater Nadal no saibro nas últimas semanas. Será apenas o quarto duelo, com 2-1 para o austríaco. Fognini venceu em Roma no ano passado.
– O terceiro grande jogo da quinta-feira é Wawrinka contra Nishikori. Suíço jogou muito bem, o japonês suou mais do que o necessário. Stan tem 6-4 e venceu os dois últimos.
– Chardy ganhou o direito de enfrentar Djokovic nas oitavas. Perdeu todos os 28 sets em 12 confrontos. E pode dar duelo sérvio nas quartas: Djere tirou um Delpo sem pernas nos games finais e desafiará Cilic.
– Zverev, que aposentou Ferrer, enfrenta o ascedente Hurkacz e quem passar terá Tsitsipas ou o bom e velho Verdasco.
– Quartas de final bem interessantes no Premier, a começar pelo duelo de estilos de Halep x Barty e de Osaka x Bencic. A romena marcou ‘bicicleta’ contra Kuzmova. Se japonesa avançar, mantém o número 1.
– Muito promissor também Kvitova x Bertens, que sequer perderam sets até agora e reeditam a final de Madri do ano passado. Tcheca tem 3-2 nos duelos. Stephens cometeu 45 erros, mas é favorita diante de Martic.


Comentários
  1. Sérgio Ribeiro

    Monfils chegou a franzir a testa “ o que que esse Coroa quer aprontar comigo “ ?Passadas incríveis de Slice. Tá ventando muito ? Subidas à rede espetaculares até mesmo no segundo Serviço para salvar Match Point. Um jogaço proporcionado por um Saibro mais rápido. Já valeu a presença do Velhinho de volta ao Barro. E o SuperEstimado junto com o Grego marrento , despacharam em Sets diretos os talentosíssimos Fognini e Verdasco, para alegria dos Sabichões rs . Sasha e Tsitsipas farão umas quartas somente de Next Gen. Rafa Nadal está melhor agora no piso mais rápido do que no ‘ lamaçal “ . Vai entender. Joga com um STANIMAL com muito apetite mas deve ganhar .E desta vez o “ grupinho” vai levar. Thiem tira o Craque e decide com Novak quem enfrenta o Touro na final. A conferir ! Abs!

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  2. manu

    nadal sem camisa batendo palma para o tiafoe sair da quadra.
    tem gente aqui que deve ter tirado um “print” dessa cena para contemplar depois rs…

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  3. Vítor Barsotti

    Bela homenagem ao Ferrer, Dalcim! Grato pelo texto e curiosidades sobre sua carreira (não conhecia essa passagem do abandono temporário do tênis).

    A admiração por um atleta assim aumenta ainda mais. Vai deixar saudades… no entanto, imagino, vai com a sensação de dever cumprido.

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  4. Samdra

    Dalcim, você não achou o Monfils displicente??? Afinal ele estava com a vitória na mão, e mais uma pergunta , você não está achando o Thiem voando?.

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  5. Rodrigo S. Cruz

    Como eu já tinha cantado a bola ao ver a chave, o Monfils sempre endurece o jogo contra o Federer.

    Contudo, o suíço mostrou resiliência mental, ao salvar aqueles 2 matchpoints…

    E terminou o jogo anotando mais winners, e menos erros do que o francês.

    Agora vem uma pedreira maior: Dominic Thiem.

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  6. João

    Dalcim, boa tarde.

    Já vi várias matérias dizendo que o Connors tinha 1256 vitórias. Houve alguma recontagem para o nr agr estar em 1274??

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      1. José Nilton Dalcim

        A ATP revisou muita coisa nos últimos anos, principalmente com relação aos tenistas que jogaram entre 1968 e 1980, quando os dados eram bem mais precários. Vários torneios mudaram de categoria, uns foram rebaixados para challengers, outros foram aceitos como ATP. Isso aconteceu até mesmo com os brasileiros. Exemplo: os Media Guides dos anos 1990 (eram os livros de estatísticas oficiais da ATP, tenho todos) diziam que Thomaz Koch só tinha um ATP (Caracas-1971) e duas finais (Hampton e Nuremberg), mas o perfil atual finalmente acrescentou Washington (1969) e o vice de Khartoum (1976). Abs!

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  7. Paulo F.

    “Drop do Djokovic é de amador”
    kkkk
    Ainda bem que diminuí bastante as picuinhas.
    Não vale a pena entrar nessas discussões ridículas para não soltar verdadeiras asneiras como essa supracitada.

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    1. Luiz Fernando

      Alguns caras fakes são tão manjados q não vale a pena mesmo discutir. Veja nesse Master de Madri postaram recentemente q há um tempo quando Rafa venceu o torneio o campeão moral foi outro, como se isso existisse, exatamente o q um outro blogueiro, atualmente desaparecido (??????), conhecido por postar com fakes já havia postado antes, com o mesmo título, polemizar com algumas pessoas não vale a pena…

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    2. Rodrigo S. Cruz

      Achou absurdo?

      E o que você me diz do louco de pedra, que afirma que o saque do Djokovic é igual ou até melhor que o do Federer?

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    3. Miguel BsB

      Rapaz, o Djoko acertou uma curtinha hj contra o Chardy PERFEITA!
      Quicou umas cinco vezes dentro da área de saque…
      O único golpe do sérvio que é abaixo da média é o Smash…isso é incontestável.
      O Slice, apesar de ele desferí-lo meio desengonçado, funciona…

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  8. Ronildo

    Quem vocês tirariam da Quadra Central para colocar o jogo do Fognini x Thiem?

    Nunca o tênis de primeiro nível esteve tão parelho. É pauleira desde o primeiro jogo. Sorte de quem pegar um rival cujo jogo case bem a seu favor como no caso do Federer em relação ao Casquet.

    E o fato do Federer permanecer entre os 4 primeiros com esta idade mostra claramente como é insana a Teoria da Entressafra!

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  9. Sérgio Ribeiro

    E quem poderia adivinhar que no dia da aposentadoria do “ Grande Guerreiro “ ( uma unanimidade no Circuito ), dois autênticos representantes da Next Gen , estariam presentes na quadra central da Caixa Mágica. Félix sentiu o jogo , algo bastante normal para o mais jovem TOP 50 ( os Manés de sempre já botando defeito até no olhar do garoto ), e o Danoninho “ Russo” , além de ser o responsável pela saída do Campeão, está acreditem, defendendo o Título do importante MASTERS 1000 que Ferrer jamais venceu ( da’ -lhe “ grupinho” rs ). E segundo alguns , o SuperEstimado é quem vai tirar o Craque. Já combinaram com Fognini e Monfils ?…rsrsrs Abs!

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  10. Leopoldo Carlino

    Ufa! finalmente o corcundão esta se aposentando, vai viajar que se ganha mais Galego. Sempre foi esforçado, só isso, um Tenis que lembra os jogadores bundas aqui do Brasil. Parecia sempre pelo seu jeito tosco de andar.

    Leopoldo Carlini

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    1. Marcelo Baiano

      Você foi muito infeliz no seu comentário. Ferrer conseguiu vencer Nadal seis vezes, o que não é para qualquer um, tendo apenas 1,75m. A altura influencia muito no tênis, para o saque, voleio e velocidade (olhe a altura do Bolt!). Para mim, se Ferrer tivesse a altura do Nadal, 10 cm a mais, jogaria de igual para igual com ele, o que o colocaria na categoria de fenômeno, afinal de contas, Nadal está com certeza entre os 5 maiores tenistas da história do tênis!

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    1. José Nilton Dalcim

      Talvez como jogador em si, ficaria com Ferrer pela versatilidade adquirida com tanto esforço, mas como resultados não há menor dúvida que Cilic fez mais, com seu título e mais duas finais, e isso em três diferentes Slam.

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  11. Maurício Luís *

    Ferrer não foi um expoente em termos de talento, mas o foi no aspecto determinação e luta. Grande exemplo!
    NADAL X MONFILS – Bom, espero que o Monfils esteja num dia inspirado. Seria uma pena um jogo tão bonito como o dele, um jogador tão gente boa e bem humorado, perder pra um tenista de jogo feio, cara feia e manias ridículas como o espanhol com cara de quem está com desarranjo intestinal.
    Aliás, na infeliz hipótese de vitória do espanhol, bem que os organizadores poderiam desclassificá-lo por excesso de spin e feiúra. O adversário olha pra ele e fica traumatizado.

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  12. Daniel

    Grande Ferrer! Sempre teve um estilo interessantíssimo! Apesar de ser espanhol, nunca foi adepto do estilo “Maratenis” da dupla Nadal e Djokovic e sim de um tênis agressivo, pegando a bola na subida, como o Dalcim bem lembrou.

    Só uma coisa me deixou curioso, talvez o Paulo Almeida me tire a dúvida: se o Djokovic é o GOAT, então como o Ferrer derrotou o sérvio cinco(!!!) vezes e não consegui vencer o Federer? Hmmm…rsrs

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    1. rubao

      explico: da mesma forma, que se federer é goat…como pode ser um patão que foi humilhado e ate chorou pro nadal…e o djoko vence o mesmo no hxh…e vence também federer no hxh…e vence também nadal no hxh???

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  13. Jonatas Bruno

    Em minha lista de prioridades de tenistas a assistir Ferrer aí comumente esteve. Sabia que não haveria frustração, pois a sua determinação em prevalecer num ponto, game, e set, valia cada segundo ligado na tela. Um cara excepcional em termos de aplicação,meta e atitude em quadra, bem consciente do que precisava ser feito, e assim trabalhou com afinco. Teve uma carreira digna, compatível com os seus bons serviços prestados.

    O tênis segue… No jogo em que parecia ter disputa, virou um jogo de um tenista só, a partir do momento em que o Félix perdeu um game controlado. Desde então, não se encontrou mais e a precisão ficou pelo caminho. Uma pena,o canadense ficou a dever.

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  14. José Eduardo Pessanha

    Parabéns para o grande Ferrer. Brilhante carreira. Só uma pequena correção, Craque Dalcim: Federer venceu Ferrer em 17 oportunidades. David ganhou 6 sets sobre o Craque nesses 17 jogos.
    Abs

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  15. Leonardo

    O jovem canadense pode ter muito jogo, ser bem talentoso, mas tem medo no olhar( diferente do shapovalov) o jogo todo hj contra o nadal deu pra perceber isso, pelo olhar dava pra ver que ia ser mt dificil ganhar.
    O que Dalcim ? Ele respeitou demais o Nadal.
    Abs.

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    1. José Nilton Dalcim

      Bom, isso seria até normal. Enfrentar o Nadal pela primeira vez, e ainda n saibro e na casa dele, não é uma tarefa simples. Acho que o Felix forçou demais o jogo e ficou atrapalhado com o vento.

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  16. Renato

    Voleio do Novak é meia boca, drop e smash digno de amador, slice fraquíssimo que passa muito acima da rede. Em golpes que mais exigem habilidade de um tenista, não passa de nota 4, sendo legal com o sérvio ainda.
    Comparar o saque do suíço com o do sérvio é uma piada!
    Novak só supera Roger no back e devolução, levando em conta critérios técnicos.

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  17. Renato

    Algumas considerações:

    – Ferrer bateu bastante no pirulito e no baloeiro, mas infelizmente parou sem vencer quem ele considera o maior da história, Roger Federer.
    – Guardadas as devidas proporções, creio que Ferrer tinha uma “saibrodependencia” menor do que Nadal, se levarmos em conta o % de títulos conquistados fora do barro. O maior título do espanhol foi o 1000 de Paris , além das 4 semis em slam nas hards contra 2 em RG.
    – Será que fumava mesmo??? Kkkkk

    Belo post Dalcim! Parabéns!

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  18. Renato

    Ferrer é grande, guerreiro e mereceu todas as homenagens pós jogo com justiça.
    Chamou a atenção um vídeo com as homenagens de alguns jogadores no telão do estádio. Entre eles estavam Federer, Novak e Nadal. Quando Rogerer apareceu, causou um grande frisson no ginásio. Quando Rafa apareceu, o frisson foi ainda maior(claro, conterrâneo do David e maior tenista espanhol da história.). Mas quando Novak apareceu, o silêncio foi total, um desdém.
    É fato que o sérvio já se envolveu em polêmicas com os madrilhenhos quando esteve por lá, e deve sofrer bastante rejeição. Mas cada vez mais fica evidente que o sérvio é muito pouco querido devido às suas atitudes dentro e fora de quadra.

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