Primeiros padrões do saibro
Por José Nilton Dalcim
25 de abril de 2019 às 19:44

Disputados os dois primeiros grandes torneios sobre o saibro, três jogadores repetem quartas de final em Monte Carlo e Barcelona: o rei Rafael Nadal, a surpresa Daniil Medvedev e o canhoto Guido Pella. Há também o garoto Borna Coric, porém ele só fez um jogo em Budapeste. Mas será que dá para apostar nessa moçada até Roland Garros?

Nadal obviamente não entra na discussão, ainda mais depois de evidente progresso na partida emocional diante de David Ferrer. E não seria descartado mesmo que perdesse de Jan-Lennard Struff na sexta ou para Dominic Thiem ou Pella na semi. O austríaco fez dois bons jogos em Barcelona, um saibro um pouco mais veloz que lhe agrada mais. O embalado argentino pode dar trabalho e indicará o quanto Thiem se esqueceu de Monte Carlo.

Medvedev é talvez a maior das surpresas, já que tem um estilo menos apropriado à terra. A vitória sobre Novak Djokovic mostrou no entanto que ele pode sim se mexer bem e colocar spin nos golpes sem grande prejuízo. Enfrentará Nicolas Jarry, um chileno de saque e forehand poderosos, com dois tremendos resultados na semana em cima de Alexander Zverev e Grigor Dimitrov, ambos obtidos no tiebreak do terceiro set. Aliás, Jarry é lucky-loser, tal qual Roberto Carballes, o adversário de Kei Nishikori, outra prova do quanto esta temporada de saibro está aberta.

Por outro lado, há algumas decepções de peso. Depois da apagada campanha em Indian Wells e Miami, Zverev foi para o saibro e ganhou apenas dois de cinco jogos em três torneios, ainda que tenha caído diante de especialistas como Jarry, Jaume Munar e Fabio Fognini.

Mas o próprio Sascha é um tenista respeitável sobre a terra, com dois Masters conquistados. No ano passado, ganhou de quatro top 10 entre o título de Madri e o vice de Roma, com única derrota para Nadal, além da semi em Monte Carlo. Ele claramente andou para trás. Ivan Lendl deve estar descabelando as sobrancelhas para achar um antídoto.

Embora mais consistente, o grego Stefanos Tsitsipas também deixa dúvidas. É verdade que o saibro não figura como piso predileto, ainda que ele tenha sido vice de Barcelona no ano passado. Seu retrospecto no piso está agora com 13 vitórias e 10 derrotas, bem distante das 50 em 82 sobre a quadra dura. Na grama, tem 60% de vitórias.

O grego fez um início forte de temporada, com grandes campanhas em Melbourne, Marselha e Dubai que o impulsionaram ao top 10, mas desde então virou uma festa para quem quer marcar um resultado expressivo no currículo. Casos de Felix Aliassiame e Denis Shapovalov, nos Masters americanos, e agora de Struff. Não por acaso, os três têm em comum a preferência por um estilo bem agressivo. Mas vale lembrar que Stef tirou nada menos que Roger Federer da Austrália.

Muitos poderiam ainda reclamar de Karen Khachanov, que vive um pesadelo nos últimas meses, mas o russo nunca fez nada de muito expressivo sobre o saibro. E num momento de tão pouca confiança, as derrotas de estreia sem ganhar set parecem quase naturais.

E mais:
– Ferrer fez uma boa exibição, buscando agressividade. Lutou como pôde e foi aplaudido de pé ao final do jogo. Merecido!
– Dos quatro duelos desta sexta-feira em Barcelona, três são inéditos no circuito. Thiem e Pella empatam por 2, mas o austríaco ganhou os feitos em 2018.
– Somado à campanha do quali, Jarry já ficou na quadra por 15 sets e 12h24. Medvedev gastou 3h09.
– Zverev não jogou a toalha. Vai buscar o tri em Munique na semana que vem, antes de Madri e Roma, ou seja um calendário incrivelmente longo no saibro. Já Tsitsipas será o favorito no Estoril, junto a Fognini e talvez Monfils.
– Fora do top 100 pela primeira vez desde 2014, Berdych marcou volta para Lyon às vésperas de Roland Garros. Quem decidiu pular todo o saibro foi Anderson.
– Se for campeão em Barcelona, Nadal supera Federer e Djokovic, assumindo liderança do ranking da temporada.
– Kerber tem uma grande chance em Stuttgart de enfim ganhar seu primeiro título da temporada. Bicampeã do torneio, sua adversária será a perigosa Kiki Bertens, que em pleno saibro disparou 20 aces em cima de Bencic.
– Outro destaque foi a virada de Azarenka em cima de Pliskova, a atual campeã, com total de 35 winners. Enfim de volta ao top 50, enfrenta Anett Kontaveit. Cuidado!
– Faltou sorte de novo para Bellucci. Após duas boas vitórias em Francavilla, ele torceu feio o pé ainda no sétimo game e teve de abandonar. Ainda não se sabe a gravidade da contusão. Ele está inscrito para Bordéus e Aix-en-Provence, no saibro francês.


Comentários
  1. Sérgio Ribeiro

    Repetindo a atuação contra o atualmente encardido Guido Pella num Saibro mais rápido , Dominic Thiem tem tudo pra substituir Fabio Fognini a altura nesta Semi de Barcelona. O SuperEstimado apresentou todos os seus golpes , botando o Argentino pra correr de um lado pro outro rs A meu ver, o Rei do Saibro vai precisar jogar o seu melhor pra levar o Caneco. A vida de Rafa Nadal não anda nada fácil rs A conferir. Abs!

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  2. Luiz Fernando

    Tomara q eu esteja errado, mas depois de ver os jogos do Rafa e do Thiem hj nao dá pra apontar o espanhol como favorito. Nadal teve dois pontos positivos bem claros pelo q vi: errou muito pouco e esta muito bem fisicamente, mas suas bolas estão curtas, o q é uma festa p os adversários. Para a final antecipada de amanha vai ter q jogar mais…

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  3. Sandra

    Dalcim , o Pella sempre foi tão bom jogador assim?? E você não acha que Nole, Nadal e Federer tem tido muito mais trabalho com esses jogadores de agora que na geração do Dimitrov e outros , que sempre falaram que seriam seus substitutos?

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    1. José Nilton Dalcim

      É um bom jogador, sem dúvida, ainda mais no saibro. Mas não teve até agora uma carreira de destaque, tanto que acabou de ganhar aqui em São Paulo seu primeiro ATP.

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