Basileia vale tudo para Federer
Por José Nilton Dalcim
25 de outubro de 2018 às 19:05

Depois de um início perturbador, Roger Federer enfim mostrou um tênis competitivo na Basileia. A estreia muito estranha de terça-feira, em que uma vitória fácil se transformou num sufoco danado diante de Filip Krajinovic devido à queda vertiginosa do primeiro saque, estendeu seus reflexos quando Jan-Lennard Struff obteve quebra, saltou a 3/1 e ainda teve 15-30.

Mas o alemão contribuiu com sua conhecida instabilidade emocional. Federer ganhou cinco games seguidos e só então pudemos ver um jogo mais solto, menos afoito, ainda que me incomode sua feição muito carrancuda. O backhand mostrou solidez, e talvez por isso tenha sido seu ponto alto, e o primeiro serviço apareceu em momentos importantes, ainda que tenha caído ainda mais (55% no set inicial para 52% na outra série).

È evidente que Federer não atravessa um grande momento, seja por culpa da contusão na mão – que revelou nesta semana ter aparecido ainda em Halle – ou por uma pressão auto-imposta de mostrar um jogo de alto nível e quem sabe chegar ao 100º título. Essa combinação pode explicar as terríveis derrotas em Wimbledon e no US Open e a decepção em Xangai.

Jogando em casa e em condições que tanto aprecia, a Basileia se mostra portanto ainda mais especial para ele. Um lugar onde já fez 13 finais – recorde absoluto na ATP – e soma oito troféus, atrás somente de seus nove em Halle. Tudo que Federer necessita é de uma conquista com atuações convincentes.

O desafio desta sexta-feira se chama Gilles Simon, para quem perdeu duas vezes há 10 anos e depois ganhou seis, a mais recente em 2015. O francês também não vive seus melhores dias, mas adora jogos grandes, é especialista na quadra dura e aposta no contra-ataque. Nesta altura do campeonato, é um perigo.

Números curiosos:
– Se vencer, Federer cravará 200 semifinais na carreira, número apenas inferior às 240 de Connors. Vale sempre lembrar que desse total do suíço, 43 vieram em Grand Slam, um assombro.
– Federer disputou hoje a 1.430ª partida da carreira. Faltam 67 para chegar na marca incrível de Connors (1.497).
– Em termos de vitórias, a dificuldade é maior: está com 1.173, portanto 69 atrás do norte-americano (1.242).
– Roger é o tenista com mais títulos no sintético coberto (23, sendo oito na Basileia)
– O número 3 está garantido por mais uma semana. Se chegar ao título no domingo, estará assegurado até o Finals. Com isso, a chance de atingir 700 semanas também nesse quesito é grande, já que no momento tem 694. Federer tem mais de 700 semanas como top 4, 5 e 10 e lidera todas as categorias, incluindo 1, 2 e 3.


Comentários
  1. Carmelo mudeh

    Bellucci sofre muito para derrotar 339º do ranking no Equador….jogador “BUNDA”.
    Thiago perdeu na 1 rodada….”BUNDA”.
    E os outros que nem aparecem!.
    É duro ter jogadores “BUNDAS” representando o Brasil!

  2. Carlos

    “Gael monfies teve melhor carreira que Djokovic fez os entendedores de tênis gostarem de vê-lo .. existe 30 melhores que Djokovic no mundo por ae”

    Quando eu acho que não pode piorar…

  3. Fernando Pauli

    Que sofrimento do Federer para vencer Simon, o jogo está no terceiro set e Federer vence por 5 a 4 com saque o francês. Muitos ENF do Federer, sem paciência para trocas de bolas e saque meia boca. As partidas de Federer em Basel tem sido sofridas e longas. Se passar por Simon vai enfrentar um dos garotos da última quartas de final a seguir. Federer não consegue deslanchar nas partidas muitos altos e baixos contra tenistas de médio porte, para mim dificilmente ganhará a final contra um provável Zverev. Nesse momento acaba o jogo com vitória do suíço e a ajuda do francês. Semana que vem começa Paris e Federer do mesmo lado que Djoko, querem apostar que Federer perde antes das quartas para não levar uma surra do sérvio na semi?

  4. Marcelo-Jacacity

    Dalcim:

    “Federer se esforçou tanto que conseguiu perder o serviço. Entre tantas falhas, subiu mal à rede deixando toda paralela aberta e aí mandou outro forehand para fora na hora da pressão. Simon recupera a quebra mas ainda precisa confirmar o serviço para chegar ao empate.”
    Haja emoção, amigosss

    1. Marcelo-Jacacity

      E pra variar na hora do “vamos ver” deu o suíço.

      Dalcim, sei não hein… se o Federer passar do vencedor de Tsitsipas x Medvedev, chegará a final e acho que ele desistirá do Masters de Paris, mais uma vez.
      O Forget já indicou essa possibilidade.
      Será?

  5. Chileno

    O maestro infelizmente não está em grande forma. Saque irregular, muitos erros bobos, movimentação medíocre… ao menos o backhand não está sofrível como nos últimos meses.

    Me parece improvável que levante este caneco.

    1. Rodrigo S. Cruz

      Pois é.

      Neste exato momento, também está penando pra ganhar do inexpressivo Gilles Simon.

      Com certeza não deve estar 100% recuperado da lesão…

    1. José Nilton Dalcim

      Respondi você às 19h17… Mas vai aí de novo… Ficaria a 1.185 de Djokovic, que por sua vez está a 215 de Nadal.

      1. Rodrigo S. Cruz

        Foi mal.

        Eu não consegui localizar o meu próprio post, e por isso pensei que ele não tinha sido publicado…

  6. Marcelo Seri

    Na minha opinião, o jogo do Tsitsipas lembra muito o do Gáudio! Refiro-me à plástica dos golpes. Claro que o grego tem um jogo mais agressivo, e uma direita mais potente.

  7. Sérgio Ribeiro

    A cara amarrada do Suíço, a meu ver, passa longe de pressões. Quem fica 5 anos sem vencer SLAM ( 2012-2017), está pra lá de acostumado. Em 2013 ( ano da terrível lesão nas costas ) , era este mesmo semblante. Quem teve a oportunidade de assistir as Finais citadas no Post na rapida Basiléia, não viu Federer servir a 170 Km no primeiro e 150 no segundo Serviço como agora. Não precisa ser um Novak com suas extraordinárias devoluções, para criar problemas para o Titio , ainda mais com seus deslocamentos atuais em quadra. Se continua as dores nas mãos ( ao contrário do que disse o parceiro mais acima ) , não sei. Mas algo estranho está se passando. Se pudesse apostar minhas poucas fichas , alguém da novíssima geração leva Basel 2018 , para a tristeza dos admiradores do Craque Suíço. Abs!

  8. Rubens Leme

    Dalcim, esses dias você comentou sobre os chilenos que estão aparecendo (Nicolas Jarry e Christian Garin), que precisam sair mais do saibro, especialmente o Garin dos challengers sul-americanos.

    Bom, o Jarry é 42 do mundo e o Garin vai entrar no top 100 provavelmente, na semana que vem (atual 102). Aliás, os dois estão entre os 100 na corrida para Londres (36 e 95, respectivamente).

    Claro que estão longe de serem um Fernando Gonzalez ou Marcelo Ríos, mas hoje Jarry é o terceiro melhor sul-americano no ranking e Garin é o nono, 13 posições à frente do nosso Thiago Monteiro, o brasileiro de melhor ranking, (115) e que pode ser ultrapassado semana que vem pelo boliviano Hugo Delien, que vem logo atrás, 116. Para isso ocorrer, basta o Delien vencer o Garin e o Monteiro cair pro Delbonis, ambos nas quartas, em Lima, ou seja, corremos o risco de não ter nenhum brazuca no top 10 do continente.

    É uma situação vexatória, para dizer o mínimo, até porque os chilenos são ainda jovens e os nossos “melhores”, trintões.

  9. Rubens Leme

    Vai ser interessante ver Verdasco x Monfils. Pensei que o francês fosse cair pro Steve Johnson e me dei mal, até o Isner ele já tirou. Dois malucos que podem aprontar de tudo. Que bom que há espaço ainda para tenistas assim. Mil vezes o espanhol ao sem sal do Kyle Edmund, que desandou desde que afirmou que possui o melhor forehand do circuito. Sei.

    Links a postos amanhã.

    1. Sérgio Ribeiro

      Sei, Kyle Edmund desandou. Ganhou o ATP na Bélgica semana passada em cima exatamente de um dos loucos citados, Gael Monfils. Parece que a Nextgen incomoda mais do que se imagina. Lugar pros citados ? Somente fora do Top 10, a meu ver. Abs!

      1. Rafael

        Sérgio, Kyle Edmund seria como o limpador das cocheiras dos cavalos do Rei Arthur e dos Cavaleiros da Tavola Redonda, enquanto Verdasco é como a personificação do lendário El Cid, que afugentou milhares de guerreiros morto dentro de sua armadura e colocado em seu cavalo, apenas pq eles temiam sua figura e fama.

        Deixo pra vc uma estrofe de un pasodoble do famoso e também lendário Manolo Escobar:

        Cuando llegue la suerte a tu casa
        no la dejes que salga sin ti,
        que sin tú darte cuenta se marcha
        y se va tan contenta y feliz.
        Y muchos que la tuvieron
        la dejaron que se fuera.
        Y luego la maldijeron
        porque ya no son quien eran.

        É sobre as oportunidades que perdemos na vida, que alguns chamam de sorte, e que não voltam mais. Estou meio melancólico hoje.

        Abs!

  10. Rafael

    Sobre o post anterior, concordo com a ordem dos 3 primeiros, mas não com as observações. Em minha opinião, o jogo de Federer foi único, mas se Novak Djokovic está prestes a alcançar ou passar Nadal, este está prestes a alcançar ou passar Federer. E mesmo Djokovic, tudo dentro da subjetividade, não está tão longe de Federer como seus números indicam, no que diz respeito à noção do suposto GOAT. Na verdade, em um cenário de momento (amanhã os 3 podem se aposentar ou contundir, ninguém sabe), eu colocaria as mesmas posições, o Djoko em 3o. como indicado, mas em empate técnico com Federer, no limite da margem de erro. Acredito que com o declínio de Federer, a ressurreição de Djoko e a já conhecida eficiência de Nadal, os 3 nunca estiveram tão próximos, na ordem em que foi colocada no post.

    Ou seja, o posto de Federer não me parece que vai durar 100 anos como parecia há uns 2 anos. Será difícil dizer que alguém é ou será maior que ele, mas as discussões aumentarão bastante.

    Observando os títulos maiores de Djoko e o número de FINAIS de que participou, seu nível é simplesmente ASSOMBROSO.

    1. Rafael

      PS: Rod Laver fica fora das considerações por não haver como comparar. O nível dos três primeiros alcançou dimensões estratosféricas, nunca antes vistas no tênis.

    2. Lucas

      E aí, Rafael! Pela segunda vez você volta ao blog depois de dizer que não voltaria mais. Controle os impulsos, meu caro. Abraço.

      1. Rafael

        Conto com vc, caro Lucas, cuja desimportância pra mim é tamanha que não consigo sequer lembrar pq está me dirigindo a palavra, para me ajudar a fazê-lo!!

        Abs!!!

  11. Nova geração tênis vem forte

    Claro que Roger Federer tem muita chances de ser campeão mais não acho que seja o favorito sozinho ………. Agora como está bom ver os abertos de Viena e Basileia grandes promessas jogando mais que outros tenistas no auge ……… Esse meu nome que eu uso pra comentar ja e antigo eu comentava antes e parei a 2 anos atrás por se .. e agora não me surpreendo com tantos jogadores jovens ano que vem vamos ter top 10 histórico de jovens ………. E outra coisa como sou fã do verdadeiro tênis gosto do roger Federer e essas pro essas lembram o estilo clássico dele isso é pra mostrar que Federer é o moderno .. claro que falta confiança pras promessas vejo eles arriscando pouco mais Jajá pega confiança … E escrevem se ano que vem é o último ano de Djokovic no melhor do mundo essa nova geração vai varrer ele são muitos mais habilidozos que ele e tem seu mesmo preparo físico …………. Só falta a experiência e jogar mais ofensivamente jogar contra as estrelas como se estivesse jogando com top 90 jogar naturalmente

      1. Nova geração tênis vem forte

        É que meu celular está com teclado difícil aqui KK……… Resumindo essa nova geração e tecnicamente parecida com Roger Federer , e com condicionamento físico do Djokovic, só falta confiança pra eles .. pra mim ano que vem será o último ano de Djokovic no topo do tênis … Pq depois que essa nova geração pegar confiança esquece vão passar por cima do djokofisico e vão mostrar que o estilo do Federer sempre será o melhor pq essa geração lembra roger fderer como eu disse . Só que as pessoas esquecem que Federer é da época que não se exigia muito físico , mais se ele fosse da geração Djokovic que treina mais físico ele nunca perderia para o Djokovic

    1. Carlos

      Leio os textos do Dalcim e logo em seguida venho na sessão de comentários pra ver os comentários desse maluco aí pra dar risada.
      É sempre a mesma coisa, a nova geração tem o “tênis clássico estilo Federer” e todos são mais habilidosos que Djokovic (essa parte não poder ser esquecida).

      Inclusive tem Borna Coric como o maior expoente do “tênis clássico estilo Federer”.

      hahahahahahahahahah

      Esse entende!

      1. Nova geração tênis vem forte

        Kkkkkkkkkkkk maluco é vc por se ofender com djokofisico kkkkkkk todo mundo sabe que ele só ganha no físico e vc é fã do cara poblema seu .. vô ter falar Gael monfies teve melhor carreira que Djokovic fez os entendedores de tênis gostarem de vê-lo .. existe 30 melhores que Djokovic no mundo por ae ……… E sobre a maior revelação se chama zverev deixa o cara pega confiança e ngm segura seus golpes e vc vai se lembrar dessa frase o resto da sua vida KK como vc Adimirava o jogador que só corria e corria igual Djokovic kkkkkkkkk a pergunta sempre é quem jogou mais tênis não quem correu mais .. mais vc aí da vai perceber isso

      2. Lola

        Eu acho a gurizada mais parecida com o estilo Djoko de ser… hahaha.
        O Coric é um baby Djoko, todo jogam de fundão, o estilo moderno, como bem disse o nosso mestre da crônica, está dominando o circuito.

  12. Pedro

    Dalcim,

    O Federer com este jogo dificilmente ganhará do vencedor de Medvedev e do grego e caso isto aconteça (muito difícil), não ganha do Zverev. Não se sabe o que está acontecendo com o suiço, porque revelar problema de contusão meses depois de Wimbledon, pareceu balela.

    1. Sergio Ribeiro

      Nem em 2013 ele revelou a terrível lesão como desculpa, parceiro. Uma Temporada em que apanhou de Nadal e Novak ( e Delbonis da vida ) a dar com o pau. Agora em Xangai , mesmo perdendo , se disse livre da lesão nas mãos. Não é bem por aí … Abs !

  13. PAT CASH

    Com relação ao Finals, tendo como adversários um debilitado Nadal, um decrépito Federer, um ainda pouco confiável Zverev e os sempre irregulares Thiem, Cilic e Anderson, você acredita que exista alguma possibilidade do título não parar nas mãos do Djokovic?

    1. José Nilton Dalcim

      Precisamos ver se Nadal realmente volta e eu nunca descartaria Federer. Mas o favoritismo é amplo do Djokovic.

      1. Marcelo Gomes

        Finals é onde estão os 8 melhores, não da pra cravar um campeão. Cilic mesmo fez jogos duríssimos contra Djokovic esse ano, o mesmo vale pra Thiem.
        Nadal ao que tudo indica já é carta fora do baralho, e Federer só tem chances de ser campeão de não cruzar com Djokovic, pois quando pega o sérvio treme demais.

        1. Chileno

          Cilic sempre será azarão contra os três gênios. Mas descartá-lo me parece ser sempre um erro. Vira e mexe o cara apronta ou no mínimo engrossa…

        2. Luiz Fabriciano

          Cravar um campeão antes da hora é realmente um risco. Mas, como o torneio começa a ser definido bem antes, ou seja, têm classificados que, às vezes, se classificam em determinadas condições, mas na hora do evento em si, as condições não são mais as mesmas, Cilic por exemplo.
          Então, é possível apontar possíveis vencedores.

Comentários fechados.