Não tão fácil
Por José Nilton Dalcim
13 de janeiro de 2014 às 10:57

A melhor coisa que pode acontecer a um grande candidato à final de Grand Slam é ter uma estreia vitoriosa e bem ritmada de três sets. Nesse aspecto, Novak Djokovic, David Ferrer e Tomas Berdych não podem reclamar da segunda-feira no Australian Open, onde tiveram esforço para ganhar rapidamente seus jogos. O outro forte nome, Stanislas Wawrinka, se valeu de contusão do adversário e deixa a avaliação para mais tarde.

Pode ser coincidência, mas o ‘efeito Becker’ pareceu já se refletir no jogo de Nole, que chegou ao torneio com apenas uma partida de exibição disputada. Dos 79 saques que deu, ele só perdeu 17 pontos (nove com o primeiro saque e oito com o segundo) diante do eslovaco Lukas Lacko, um ex-top 50 que faz tudo direitinho. O sérvio encarou um segundo set duro, jogou um belíssimo tiebreak e concluiu rapidamente. Agora, pega o frágil Leonardo Mayer na busca por reerguer um troféu de Slam depois de exatos 12 meses.

Com o terceiro lugar do ranking seriamente ameaçado por Juan Martin del Potro – precisa somar 410 pontos a mais que o argentino -, Ferrer é uma incógnita neste Australian Open. Jogou o bastante para superar Alejandro González, mas perdeu serviços e ficou atrás do placar mais do que se poderia aceitar. O regular espanhol, que não perde na estreia de um Slam desde Wimbledon de 2005, deve ainda assim passar sem sustos pelo canhoto Adrian Mannarino.

Único dos top 10 a não ganhar um único título em 2013, Berdych não pôde brincar diante do cazaque Aleksandr Nedovyesov, que joga um pouco mais do que seu atual 92º lugar do ranking. E cuidado com Kenny de Schepper na próxima rodada. O canhoto de 2,03m é sacador, foi às oitavas de Wimbledon no ano passado.

Oito dos 32 jogos que abriram a chave masculina acabaram no quinto set, com dois destaques: a apertadíssima vitória de Tommy Robredo sobre Lukas Rosol, com 8/6 no último set, e a virada aos trancos e barrancos de Jerzy Janowicz sobre o garoto local Jordan Thompson, mero 319º e estreando em qualquer torneio de primeira linha. O polonês continua com problema no pé. A rodada teve ainda três abandonos, o mais doloroso deles de Tommy Haas, novamente com dor no ombro.

A chave feminina começou bem mais agitada. Se é fato que Serena Williams e Na Li passearam, Petra Kvitova deu outro passo para trás, as italianas Sara Errani e Roberta Vinci decepcionaram e Venus Williams parece mesmo rumar para a aposentadoria. Registre-se enfim o retorno e derrota de Vera Zvonareva – veremos seus olhos azuis e quem sabe o bom tênis em fevereiro – e a vitória da juvenil suíça Belinda Becic em cima da veteraníssima Kimiko Date.

O segundo dia – Bons motivos para você perder a noite de sono. Roger Federer quebrará outro recorde memorável por volta da meia-noite – disputará o 57º Slam consecutivo -, Thomaz Bellucci e Teliana Pereira jogam por volta de 1h, Del Potro entra ali pelas 4h e a terça de manhã terá Rafael Nadal e Maria Sharapova.

Cabeça 6, sua mais baixa classificação em um Slam em 11 anos, Federer pega James Duckworth, cuja avó foi campeã do torneio em 1955. A distância para o garoto de 21 anos é astronômica: 564 vitórias na quadra dura contra 4, 926 triunfos na carreira contra 5. Esta será também a primeira das 10 semanas programadas para ter Stefan Edberg, bicampeão do Aberto, a seu lado.

O duelo de Nadal contra Bernard Tomic recebe todas as atenções, ainda que talvez nem o mais fervoroso torcedor local acredite na ‘zebra’. Não bastasse a diferença técnica e de currículo, Rafa não perde para um australiano desde janeiro de 2007 e nenhum tenista da Austrália ganhou de um líder do ranking desde que Mark Philippoussis superou Andre Agassi em Wimbledon de 2003.

Entre as meninas, espera-se estreia tranquilíssima de Vika Azarenka e um jogo interessante entre Sharapova e a espalhafatosa Bethanie Mattek-Sands, que gosta de atacar e causar sensação.

Registro histórico
* Teliana Pereira não será apenas a primeira brasileira a jogar um Slam desde o US Open de 1993,  mas a primeira a atuar na Austrália desde Gisele Miró, em 1989. Assim como eu, a WTA não conseguiu localizar registro de uma vitória brasileira no Slam da Oceania em toda a Era Profissional e, em email que me respondeu ontem, considera “muito provavelmente” que tenha sido de Maria Esther Bueno, finalista em 1965.
* O australiano Marinko Matosevic pode entrar para a história também, caso surpreenda o japonês Kei Nishikori, cabeça 16, nesta noite. Ele se tornará assim o tenista profissional que precisou de maior número de Slam – 12 no total – para enfim ganhar um jogo e ir à segunda rodada.


Comentários
  1. Chetnik

    Acordei modo zumbi, só lembro de flashes do jogo rs. Lembro de um monte de esquerda na rede e, principalmente, da loira no camarote do Lacko rs

    Bem, Djoko tava sem ritmo de jogo, deve melhorar a partir de agora.

    Dalcim, como as tenistas são frágeis. Você tem tenistas medianas/boas como a Makarova e elas tem defeitos horríveis em seu jogo. Que movimentação horrível, não se defende nada. E que segundo saque bizarro rs. Mas ainda bem que venceu.

  2. Luiz Fernando

    Dalcim, vc sempre posta q filtra o q é ofensa e libera o q é razoavel. No post anterior, o educadissimo blogueiro EU, referindo-se a mim, postou “lf…dp”, numa clara alusão ao termo consagrado pela literatura de lingua portuguesa “fdp” e vc liberou. No mesmo post, respondendo a outro educado blogueiro, insinuei q o mesmo se maquiava e usava bolinha vermelha no nariz, numa clara alusão ao termo “palhaço” e vc vetou. Quer dizer q insinuar que os outros são FDP pode, isso não é ofensa? Será q palhaço é mais ofensivo? O blog é seu, vc libera o q bem entende, mas há necessidade ou de mais atenção ou de menos parcialidade.

      1. Luiz Fernando

        Preste atençao: lf…dp, é exatamente assim q está, o q será q significa? Fdp nao esta escrito, mas claramente insinuado, só nao ve quem nao quer.

  3. Fernando Brack

    Dalcim, só hoje li sobre a morte trágica do Zé Amin Daher. Embora eu o conhecesse pouco, estou abalado com a notícia. Que coisa triste isso. Falei com ele algumas vezes, mas o via com frequência em sua academia, aqui perto de casa.
    Li um bocado sobre ele e sei que foi um juvenil extremamente talentoso, só não indo mais longe por ser meio festeiro.
    Umas 2 ou 3 vezes eu vi exibições dele junto com Meligeni, Givaldo Barbosa e Dácio Campos, antes de torneios realizados em suas quadras, e era possível ver o quão habilidoso ele foi.
    Vi que você pretende escrever algo sobre ele. Ele merece essa homenagem.
    Abs

  4. Samuel

    A sorte de Azarenka e de Federer, na primeira rodada, foi que seus respectivos adversários ainda são mal-orientados, apesar de bastante habilidosos. A bielo-russa em mais uma ou duas rodadas consegue corrigir os pontos fracos. Já Federer…

  5. Samuel

    Lamento ter pegado no sono exatamente no momento em que o placar da televisão acusava match point a favor de Lleyton Hewitt, em um épico disputado por ele contra Andreas Seppi, algo que – conforme descobri há pouco – não se concretizou em favor do australiano. De fato, faltaram 10% de juventude, de preparo físico e de envergadura para Hewitt vencer a partida.

    1. José Nilton Dalcim

      Difícil dizer à distância e ainda considere o fortíssimo calor, que tira o grip do piso e o deixa mais veloz.

  6. Tiago

    Dalcim, uma dúvida:

    Como funcionará a pontuação do Bellucci, que furou o qually e tem uma vitória no AO? No momento ele somou 25 pontos do qually + 45 do R64 (=70)? Ou só 45 do R64?

    Abs.,

    Tiago

  7. AURÉLIO NR.

    Prezado Dalcim e amigos. O objetivo deste blog deveria ser discutirmos os aspectos técnicos e táticos de cada tenista. O momento de cada um. As chances de cada um nos torneios. A expectativa de surpresas e revelações no tênis. Contudo, fica essa eterna discussão sobre nadal e federer, nadal x djokovic. Este é um baloeiro e aquele outro é aposentado. Coisas aue não levam a nada e nem engrandecem este bem conceituado blog. Ainda vem alguns dizer que o blog é parcial. Se eu fosse você meste Dalcim censuraria todos os comentários que não tratassem do que eu mencionei acima.
    AURÉLIO NR.

    1. José Nilton Dalcim

      Verdade, gostaria mesmo que o pessoal aproveitasse bem o espaço. A discussão sobre Nadal, Federer, Djokovic é válida, mas seria legal se fosse mais por fatos do que por ofensas. No entanto, Aurélio, sou contra a censura. Apenas evito o absoluto exagero. Abs!

  8. Marcos Vinícius

    Dalcim, já aconteceu de algum campeão de Grand Slam ter saído do qualifying? Se sim, qual foi a última vez que isso ocorreu? Bellucci vai realizar o feito novamente hehe

        1. José Nilton Dalcim

          Sim, Mark Edmondson, no AusOpen de 1976. Mas não era quali. Isso para você ver como era fraco o evento nos anos 1970.

  9. edmundo

    8 desistências na primeira rodada!!!!!!!!!!! Isso é um recorde? Calor, início de temporada, muita festa, coincidência? Quem não se machucar leva o torneio. rsrs

  10. André Luis Lopes

    Dalcin, parabéns pelo blog, sempre o melhor no Brasil referente ao tênis. Gostaria de saber se já houve uma época em que o Australian Open fosse o principal torneio Grand Slam do circuito ou sempre foi ‘inferior’ a Us Open, Roland Garros e Wimbledon.

    1. José Nilton Dalcim

      Sempre foi inferior, André, principalmente porque a Austrália sempre foi muito distante até para os europeus. A situação começou a mudar no início dos anos 80 e, com o novo complexo e fora da grama, passou aos poucos a aumentar a premiação e atrair os grandes nomes. Hoje em dia, não fica devendo nada aos demais.

  11. Pedro Augusto

    Meus parabéns à Teliana que jogou muito bem e deu um trabalhão à Palyuchenkova, tendo chances reais de ganhar a partida. Realmente uma pena ela não ter levado sorte no sorteio porque seria mais do que merecido a brasileira ganhar mais alguns valiosos pontos e dólares australianos, em caso de vitória. Cada vez mais admiro essa batalhadora que tira leite das pedras e é um exemplo para todos. Torcida total para ela ao longo de toda a temporada que só está começando. Teliana nos enche de orgulho!!

  12. Eduardo Martins

    A política do “um peso, duas medidas” é algo atrelado subconscientemente aqui no blog. A regra é clara: ofender participantes é terminantemente proibido, enquanto que emitir opiniões ruins sobre tenistas (há ressalvas) é algo passível de moderação e na metade das vezes é aprovado para publicação. Há parcialidade, é notório. E nesse caso, tenho que concordar com o Roberto Rocha. Só para frisar, eu como torcedor do Nadal, admiro muito o Federer também, mas tente chamar o Federer de arrogante, mentiroso, hipócrita, mimado, bombado ou medíocre e talvez você pode ficar frustrado em não ver seu comentário publicado. Aposentado pode, mas em compensação o Nadal pode ser chamado de ogro, siri, 666, bombado, medíocre. E se alguém questionar, pode ter como resposta uma já dita anteriormente: “O internauta deu a opinião dele”. Mas quando o Chetnik se referiu ao Federer como fraude, bailarina, patético, piada, além de mencionar o “Oh God, it’s killing me”, ele também não estava apenas dando a opinião dele? Federer não merece ser desrespeitado por ninguém, mas muitos acham que fazer isso com o Nadal é justo. Sócrates não ficaria nada contente com essa parcialidade.

    1. José Nilton Dalcim

      Eu tento controlar o Blog sem ser demasiadamente antidemocrático. Perimito algumas respostas pessoais, mas corto quando descamba para a discussão. Detesto a censura, tento usar o mínimo dela. É uma tarefa difícil, porque o esporte é um universo diferente do que Sócrates provavelmente viveu. Ainda assim, não obriga ninguém a concordar com os critérios e nem a segui-los.

      1. Eduardo Martins

        Eu sei que são universos paralelos, mas quis usar o jargão de Sócrates por ser notório nesse espaço uma certa censura ao criticar ou ofender o Federer em contrapartida que o mesmo é quase totalmente liberado em relação ao Nadal. Eu até entendo que pra você é uma tarefa hercúlea separar o joio do trigo, mas ainda sim não entendo a parcialidade. Por muito menos você censurou o Chetnik enquanto outros podem chamar o Nadal de demônio (666) a vontade sem a menor preocupação. Muitas pessoas sensatas e responsáveis lêem o seu blog, pode ter certeza disso. E os comentários sensatos só não existem em maior quantidade pela crença de que os comentários ofensivos e depreciativos afasta ou inibe participantes mais seletivos de comentar alguma coisa. Esse espaço não deve ser sisudo, muito pelo contrário, deve ser descontraído, mas as brincadeiras devem ser saudáveis. Torna-se contraditório, e de certa forma até insalubre, ler posts tão bacanas quanto os que você publica em relação aos comentários e brincadeiras infames de certos participantes.

        1. José Nilton Dalcim

          Você não é capaz de imaginar as coisas que não deixo publicar falando do Nadal. Tento ser razoável e o alerta ao internauta que exagerou serve para todos (como você bem percebeu). Abs!

      2. G.K

        Apenas para fins didáticos, a famosa frase “Oh God, it’s killing me” foi dita por Roger Federer, aos prantos, abraçado ao pratinho, em seu discurso de vice-campeão do AO 2009. Fato curioso: o campeão daquela edição do grand slam australiano foi seu arquirrival Rafael Nadal, que, diante de da reação tão intensa e real do suíço, comemorou timidamente seu sexto triunfo em torneios desse porte.

        1. Eduardo Martins

          G.K, todos nós sabemos o quanto o Federer estava sofrendo com a perda do posto para o Nadal e o entrave de não conseguir alcançar o Sampras em número de GS, mas isso é algo humano (eles continuam tão humanos quanto nós) e o choro e o “Oh God, it’s killing me”, na minha opinião, não serve para ficar desqualificando nem depreciando o cara. Só ele sabe o quanto ele sofreu com quedas em seus pisos prediletos (WB e AO) e perda do número 1. Aquilo não diminuiu em nada a grandiosidade do Federer.

        2. Eduardo Martins

          Só pra frisar, em relação a desqualificar e depreciar o Federer, eu me referi a outra pessoa, não a você.

        3. Renato Vieira

          Correção:

          A reação de Rafa Nadal foi abraçar Federer numa das cenas mais legais do tennis nos últimos anos. Essa cerimônia de premiação foi muito bacana.

  13. José Eduardo Pessanha

    José Amin Daher morreu hoje em um acidente de carro na Rio-Santos. Já ouvi falar o nome dele muitas vezes, mas não me lembro de ter assistido algum jogo dele. Mais uma pessoa que perde a vida nessas nossas rodovias suicidas. Uma pena.

    1. Samuel

      José Amin Daher foi mais um tenista brasileiro realmente batalhador, que conseguia transitar em torno dos cem melhores do mundo em uma época pré-gugamania, isto é, quando era ainda mais penoso aos profissionais obter algum patrocínio; quando a internet sequer existia para possibilitar transmissão de partidas, interação via blogs e publicações de matérias por sites. Viveu no período em que era mais raro e caro conseguir material para jogar tênis nesse país e, também, havia escassas transmissões de partidas pela televisão. Contemporâneo de Cássio Motta, Dácio Campos e Luiz Mattar, Daher fazia parte dessas gerações que quase pagavam para ser tenistas profissionais e que aparentemente tinham por esse esporte um apego apaixonado, nostálgico e romântico.

    1. José Nilton Dalcim

      Sim, a princípio acho que os dois são amplos favoritos em suas chaves. Se chegarem lá, 60 a 40 para o Nole (mas claro que isso antes de o torneio começar).

  14. marta

    Djokovic mais uma vez saiu com a chave mais fácil! Meu Deus! Ex-jogador, agora treinador já está fazendo diferenca? Pegando um sem expressão é fácil! Difícil aguentá-lo!

  15. lina

    Dalcin, o adversário mais difícil será o calor. Estou com peninha do meu favorito Roger Federer, vai jogar no primeiro horário, tremendo azar para a primeira partida.

  16. Pedro Augusto

    Dalcim, tanto a Teliana quanto o Bellucci foram escalados para fazer o segundo jogo da rodada em suas respectivas quadras, a 19 e a 20, que começa às 22h. Sendo assim, no caso dela, acho que por volta da meia-noite ela começa a jogar se o primeiro jogo for rápido, não?

  17. André Luiz

    Tomic vai virar gente grande hoje? Ou é só um australiano talentoso e azarado que, no major em sua casa, pega por dois anos seguidos o Rei na terceira rodada e agora Nadal logo na estreia? A conferir.

    Tô achando as quadras mais rápidas, inclusive nos jogos noturnos. Ou seja, não é o calor.

  18. Eduardo Martins

    Chega a ser hilário comentários chorosos e nostálgicos sobre igualar a velocidade dos tipos de pisos. Se por um lado, alguns acham que o maior beneficiado pode ter sido jogadores como o Nadal, por outro lado, esses mesmos alguns acham que o maior prejudicado pode ter sido jogadores como o Federer. Muitos se esquecem de considerar diversos outros fatores como o tipo de quique da bolinha e a própria pressão e velocidade das bolinhas. Talvez algum louco tivesse enchido o saco de saque e voleio, mas nada disso justifica o lamento. Tudo na vida muda pra melhor ou pra pior e nós como seres adaptáveis sempre tentamos nos adequar e estamos em constante evolução. Quem trabalha duro, consegue o benefício da satisfação. Outros podem ser mais preguiçosos ou ainda ter outras coisas com que se preocupar ou dividir o foco. Uns acabam se sobressaindo mais do que os outros em relação a essa questão de adaptação. O mais curioso é que, mesmo com a tentativa de igualar a velocidade dos pisos (o que chega a ser uma heresia, pois os pisos certamente possuem velocidades e características diferentes, não dá pra dizer que RG é igual a WB ou US, só se a pessoa for insana mesmo), o Nadal já batia o Federer no piso duro e rápido de Miami lá em 2004, antes de 2006, conforme o próprio Dalcim diz ser o ponto de partida da lentidão dos pisos rápidos. Só que se houve a lentidão dos pisos rápidos, isso aconteceu de forma gradativa e não da noite pro dia, uma quadra dura ficou mais lenta que uma de saibro. Madrid é o saibro mais rápido e ainda sim é mais lento que as quadras rápidas, no máximo pode se igualar à uma quadra dura mais lenta, mas ainda sim as peculiaridades delas são mantidas bastante diferentes. Sou torcedor do Nadal, mas um admirador nato do jogo do Federer, e na minha humilde opinião, foi muito mais difícil pro Nadal, como especialista no saibro, adaptar seu jogo para as outras quadras, incluindo aí seus joelhos de porcelana. Só que o cara é lobotomizado, tiraram a parte do cérebro dele que avisa que perder também faz parte do jogo. Já pro Federer, deveria ter sido mais fácil na teoria, já que apesar do seu amplo domínio na grama e nas duras, ele é cria do saibro, só que teve a infelicidade de cruzar com o espanhol por 5 vezes em RG, senão em vez de 1, ele teria 6 RG. Se o lamento dessa padronização tiver ligação com o momento atual da carreira do Federer, onde percebe-se uma considerável dependência em relação ao percentual de 1º serviço, aí eu concordo amplamente com o Sergio Luiz quando diz que o maior prejudicado foi o Sampras que dava ace de 2º serviço exatamente porque ele não tinha esse fundamento (o que ele tinha na verdade eram dois 1os. serviços). 11 GS do Federer foram conquistados a partir de 2006, exatamente a partir do começo da padronização da velocidade dos pisos, mencionada pelo Dalcim. O Nadal conquistou 12 GS a partir de 2006. Desmerecer títulos já conquistados e lamuriar sobre igualdade na velocidade dos pisos, desconsiderando características peculiares de cada um deles, beira o absurdo da infelicidade humana.

  19. Jonatã

    Legal foi ter visto a Samantha Stosur ter vencido na Estreia…Gostei da Vitória da Julia Goerges sobre a Errani, a Alemã sofreu ano passado com o pulso, e problemas físicos

      1. edmundo

        existe alguma forma de medir a velocidade da bolinha depois do quique? Ou a razão de frenagem dela? só assim pra ter certeza né, pois durante o “voo” as velocidades são muito parecidas ou até maiores, vide o saque.

        1. José Nilton Dalcim

          Exatamente, Edmundo. Para mim, a velocidade deveria ser medida após o quique (que na teoria muda com vento e piso) e não no lançamento. Seria mais preciso.

  20. Matheus

    UAL! Que post maravilhoso Dalcim, Parabéns!! 🙂 … Realmente Vênus caminha a aposentadoria, seguindo o ditado: se não se encerra a carreira no “auge”, as veteranas acabam perdendo pra novatas, inclusive sofrendo derrotas incrédulas. Em relação a Serena, o que dizer dela…falta é motivação para jogar aos 32 anos com um jogo e currículo invejável e incomparável com suas maiores adversárias da circuito atual (se diga, de um bom tempo) Azarenka e Sharapova…aliás de qualquer jogadora profissional da última década, mas ela encontrou um motivação “estar do lado de grandes tenistas”, foi o que eu li ela dizer em uma entrevista. Quanto ao jogo n[do Djoko, ele fez sua parte, mas o menino Lackko brilhou com algumas jogadas, me lembrei do Janowicz (estava torcendo fervorosamente, dando conselhos haha), que por sinal fez alguns manobras bem interessantes para o tênis, mas falando no jogo dele.. nem acreditei quando eu vi que ele iria decidir no 5 set, realmente foi aos trancos e barrancos, teve uma hora que ele quase desistiu, mas realmente o comentarista falou algo interessante “o nome pra ser guardado” referente ao Jordan Thompson . O “garoto” defende muito bem, às vezes contra-ataca, sem falar no saque que tem, eu via uma tamanha tranquilidade nos momentos que ele estava despanchando o Janowicz (apesar do erros do Top20, ele defendia muito bem)…eu vi só dois momentos bem rápidos do que pode se dizer de “instabilidade”, mas acho que ele aprendeu da forma mais difícil como é não é fácil fechar um jogo, até porque o que vale é ultimo ponto, quando estava acabando ele se destabilizou, ele ainda podia mexer com o psicológico do Jerzy se continuasse com seus toquinhos para o outro lado, mas perdeu a cabeça, perdeu o jogo. O jogo entre Na Li e esse tal número um do mundo juvenil, detentora de dois GS juvenil no ano passado, vai ser curioso de ver…e o jogo entre a atleta da casa Samantha Stosur. contra a quallifyng Tsvetana Pironkova que ganhou em Sydney e passou da primeira rodada no AO vai saber bem interessante, por mais que Stosur tenha uma variedade de golpes capaz de complicar qualquer tenista, ela tem seus altos e baixos. Sobre o Federer, não espero nada mais do que uma vitória, se ele perder vai ficar escancarado o quão ele está cego no tênis…Quero ver Dmitrov jogar, “a eterna promessa do tênis”. Nadal e Tomic vai ser legal o que o badalado (diga se pelas baladas) vai fazer contra o canhoto de Mallorca. De Azarenka não espero outra coisa a não ser vitória (seria um vexame). Maria Sharapova, não sei se ligaram mais ela tava jogando muito bem em Brisbane, achei que ela chegou acima da média depois de uma lesão, acho que vai vim com tudo…sem problemas, mas o jogo também vai bom de ver também haha…É o Australian Open mexendo com nossas madrugadas e emoções…

        1. edmundo

          parece que não há consenso nem entre os jogadores: mas uma coisa do comentário do Federer: hj as surpresas são menores, os tops não têm tantos obstáculos qto antigamente (Krajchek derrotando Sampras em w), ou seja, não apenas o jogo, mas o circuito ficou mais previsível. Antigamente estaríamos falando de Isner e Karloviv rsrs. Por outro lado, antigamente nós tínhamos um circuito no primeiro semestre, e outro no segundo e dois grupos de tenistas que mal se viam rsrs. Difícil decidir. Talvez se houvesse 4 velocidades diferentes misturadas, ou seja, sem temporadas de saibro, dura etc.
          difícil
          abs
          edmundo

  21. Daniel Lara

    Eu selecionei vencedores para todos os jogos e inclusive os placares que escolhi estão marcados, mas todos os jogos que envolviam qualis e eu optei por escolher um quali como vencedor estão sem o nome dos jogadores, inclusive nos jogos que ainda não foram e eu escolhi quali vencedor também consta o placar mas não o meu palpite.

      1. Daniel Lara

        Dalcim na votação das partidas da 1 rodada, marquei resultado em todas as partidas e enviei, so que como não havia definido o quali ainda nos jogos onde haviam quali escolhi um e marquei o placar, todos os placares que marquei sairam nos resultados enviados mas os vencedores não sairam, será que esses resultados foram computados??Obrigado.

        1. José Nilton Dalcim

          Sim, você vota no Q e não no nome, porque o Q só é definido depois. Se vovcê votou no Q e o Q venceu, ponto seu.

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