Melbourne (Austrália) – Adversário de Guto Miguel nas oitavas de final do Australian Open juvenil, Ntungamili Raguin está fazendo história para o tênis de Botsuana. O tenista de 17 anos é o primeiro de seu país a disputar um Grand Slam, como júnior ou profissional.
Para chegar até aqui, Raguin trilhou um longo caminho. Precisou vencer duas partidas do qualificatório, além do búlgaro Dimitar Kisimov na primeira rodada e o norte-americano Gavin Goode na segunda fase da chave principal. E na semana passada, o atual 75º do ranking fez uma boa campanha no ITF J300 de Traralgon para chegar à semifinal no torneio em que Guto foi campeão.
Durante uma entrevista concedida à ITF, no início do torneio, Raguin compartilhou que seu desempenho em quadra virou notícia no seu país de origem, onde o tênis não é tão popular. Além de atrair muitos botsuanos para as arquibancadas de Melbourne.
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“Em Botsuana têm falado muito de mim porque fui o primeiro jogador a participar de um Grand Slam. É por isso que muita gente tem vindo”, disse.
A trajetória de Raguin no tênis começou aos quatro anos, na escolinha de seu pai, Dominic. Já aos oito anos, ele e a família se mudaram para a França.
Breakthrough for African tennis 🎾
Ntungamili Raguin, competing in the 2026 Australian Open boys’ draw, becomes the first Botswana player, either professional or junior, on record to compete at a Grand Slam 🙌 pic.twitter.com/Si7oiZGIgY
— ITF (@ITFTennis) January 26, 2026
O tenista de 17 anos vem apresentando um ótimo desempenho e preparo físico. Ele passou meses no centro de treinamento de Aix-en-Provence, na França, lugar em que Thomas Enqvist, ex-número 4 do mundo, é um dos donos.
“Tenho jogado muito bem. Antes de vir para cá, treinei durante dois meses no sul da França. Tenho obtido resultados incríveis, então estou muito feliz”, disse.
Apesar de manter os pés no chão e encarar um jogo de cada vez, as ambições do botsuano número 91 do ranking juvenil da ITF, são altas. “Sei que posso vencer a maioria dos jogadores no torneio”, afirmou.
Mesmo com tantas conquistas no esporte, ele não deixa de ter os mesmos dilemas de qualquer adolescente e admitiu ter provas atrasadas na escola. “Estou um pouco atrasado com os meus trabalhos escolares. Tenho exames em junho deste ano. É bastante difícil conciliar os estudos com os torneios”, comentou.











Muito legal e interessante esse despertar, ainda que tardio, do tênis na África. Há vários bons juvenis jogando e aparecendo por lá. Que surjam outros mais.
E será um perigoso adversário do Guto que declarou que também teve cãibras e mal estar após o seu jogo…
É um começo. Mas, ele e sua família, em especial, parecem ter relação com a França tanto quanto com Botswana, que foi protetorado britânico até décadade 1960..