A ucraniana Oliynykova compartilha dificuldades de um país em guerra

Oleksandra Oliynykova
Oleksandra Oliynykova (Foto: Reprodução/Instagram)

Melbourne (Austrália) – Por trás do semblante divertido de Oleksandra Oliynykova, que deu trabalho para a atual campeã Madison Keys avançar no Australian Open, há uma história de superação de muitas dificuldades. A ucraniana estreou em um Grand Slam nesta terça-feira e seu box de equipe estava vazio. Em entrevista, ela compartilhou que seu pai serve o exército e que sua casa não tem luz.

Em 2011, aos 10 anos, sua família fugiu da Ucrânia para a Croácia como refugiados políticos após protestarem contra o governo pró-Rússia de Viktor Yanukovych. Atualmente, eles voltaram a viver em Kiev. Mas Denis, pai da tenista, trocou a função de treinador para servir na linha de frente do exército ucraniano. Agora, ela viaja sozinha e sente que é uma missão poder representar a Ucrânia diante da guerra que já dura, praticamente, quatro anos.

Durante a coletiva de imprensa, ela entrou na sala de entrevista vestindo uma camiseta com os dizeres: “Preciso de ajuda para proteger as mulheres e crianças da Ucrânia, mas não posso falar disso aqui”.

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“Houve alguns ataques massivos na última noite que passei na Ucrânia antes da viagem para cá. Houve uma explosão perto da minha casa e um drone atingiu a casa do outro lado da rua. Meu apartamento literalmente tremeu por causa da explosão” disse a número 92, que estreou no circuito principal nesta terça-feira.

“Cada competição é importante, cada oportunidade de falar sobre a Ucrânia. Porque é triste, porque esta guerra é muito longa e acho que as pessoas estão perdendo a atenção depois de tantos anos. Mas agora, na Ucrânia, não temos eletricidade. No meu apartamento, não tenho eletricidade, água nem aquecimento. É isso que está acontecendo. Acredito que cada oportunidade de falar sobre isso é muito importante”, completou.

Chegada ao top 100 após torneios no saibro

Há apenas oito meses, ela ocupava a 274ª posição. Após conquistar três títulos de WTA 125 em quadras de saibro. O primeiro em Tolentino, na Itália, e outros dois na América do Sul, em Tucumán (Argentina) e Colina (Chile). Ela também esteve no Brasil no fim do ano passado e foi semifinalista em Florianópolis para chegar ao top 100.

“É a melhor experiência da minha carreira. Eu nunca tinha jogado nem mesmo uma chave principal de 250, e nunca tinha jogado em uma grande arena. Ter essa experiência é algo que vou lembrar pelo resto da vida”, disse a tenista de 25 anos.

Na partida contra Keys, conseguiu desestabilizar a norte-americana, abrindo 4/0 no primeiro set, mas sendo derrotada, mais tarde, por 7/6 (8-6) e 6/1.  Segundo ela, seu pai – que não pode estar presente – sempre foi seu maior apoiador, e jogar na Rod Laver Arena foi a realização de um sonho.

“Ele me disse que foi uma partida incrível”, disse Oliynykova. “E sim, eu realizei o sonho dele nessa situação. O que poderia ser melhor? O que poderia ser maior motivação? Não consigo imaginar”, finalizou orgulhosa.

Tatuagens no rosto

Perguntada sobre as tatuagens no rosto, disse que são apenas temporárias e que não há nenhuma conotação de protesto no uso delas: “São tatuagens temporárias mesmo. Eu as tiro depois das partidas e não têm nenhum significado. Foi apenas uma ideia divertida que tive no US Open. Eu estava fazendo compras e vi umas tatuagens de rosto, essas tatuagens falsas. Aí comecei a trocá-las. Já fiz com estrelas, com corações, agora são flores. Faz parte do estilo. Talvez vocês tenham percebido que combinava com a roupa e com a quadra também. Vestido azul, flores azuis e a quadra azul”.

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Hares
Hares
22 dias atrás

Toda Guerra é insana, e de consequências desastrosas.

Mas essa da Ucrânia, é antes de tudo, uma guerra de egos inflamados, especialmente do lado Russo, na pessoa do Putin.

A Ucrânia, sabia que não tem condições de vencer o poderio Russo, e faltou-lhe manejo e habilidade política, para negociar com os Russos, um acordo de não agressão.

Zelensky, presidente da Ucrania, levou seu país a um precipício sem volta, e se não fosse o apoio da Europa e USA, já teria capitulado há muito tempo.

Toda minha solidariedade a Oleksandra e sua família.

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