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Jaramillo: segredos de um 'fabricante de campeões'
10/01/2019 às 19h28

Gabe Jaramillo condena novo ranking criado para o tênis profissional

Foto: Divulgação
André Sousa
Especial para TenisBrasil

Colombiano de nascimento, cidadão dos EUA, Gabe Jaramillo diz que não treina jogadores, ele faz tenistas. Foram oito números 1 do ranking e mais de 28 que figuraram no top 10. Alguns dos maiores nomes do tênis, como Andre Agassi, Pete Sampras, Jim Courrier, Monica Seles, Marcelo Rios, Maria Sharapova e Kei Nishikori estiveram sob seu ohar e comando ao longo da carreira.

Gabe também é conhecido não só por fazer campeões, mas por fazer estrelas, jogadores que transcenderam o mundo do tênis e cujos nomes são reconhecidos em todo o mundo. Tornaram-se marcas bem conhecidas.

Kei Nishikori se tornou uma estrela. Uma das razões foi a persistência de Gabe para que o japonês aprendesse inglês fluentemente para que pudesse responder as entrevistas sem a ajuda de um tradutor. Além do trabalho na quadra, Gabe o levava às reuniões de treinadores, onde ele foi entrevistado muitas vezes sobre diferentes temas. Gabe explica que era o mesmo sistema usado com Sharapova e todos os jogadores para se acostumarem com as entrevistas. No momento em que esses jogadores enfrentaram a imprensa, eles estavam mais do que prontos. A filosofia de Gabe é que o dinheiro de peso está no microfone e na forma com que se gerencia a imprensa.

Depois de sair da IMG, Gabe abriu seu próprio lugar e continua a produzindo jogadores, muitos juniores de primeira linha, como Emiliana Arango, Maria Camila Osorio e Nichole Melichar. Também se tornou uma figura mais pública, aparecendo na ESPN, Euro Sports e TWP. Hoje, é um colaborador da BBC Radio.

Veja os principais trechos da entrevista:

Sua experiência como treinador é muito vasta. Quais são os destaques na sua opinião?
Minhas primeiras experiências como treinador foram nos anos 1980 viajando com Jimmy Arias, Carling Basset e Lisa Bonder, mais tarde Aaron Krickstein. Nos anos 1990 aparecem Agassi, Sampras, Courier, Seles, período que em tivemos os melhores jogadores o mundo. O incrível é que fizemos passo a passo esses jogadores. Começaram conosco quando tinham 13 anos de idade. Nós os fizemos, eu digo nós porque é preciso uma equipe para fazer um campeão. O que nós tivemos nos anos 1990 nunca aconteceu novamente. Produzimos não só campeões, mas estrelas que transcendiam ao tênis. Depois deles vieram Rios, Haas e Sharapova, que foi outra grande colheita. Em 2008, Nishikori chegou para fazer um nome, outro triunfo especialmente para mim. Ao mesmo tempo, vi Nicoe Vaidisova chegar ao top 10. E hoje Melichar, que através de uma determinação incrível também chega ao top 10 WTA em duplas.

Vou mencionar alguns nomes e quero que você os descreva rapidamente em uma ou duas palavras..
Jimmy Arias - esperto e engraçado; Agassi - diversão; Courrier - trabalhador esforçado; Sampras - quieto; Seles - talento fora deste mundo; Rios - muito profissional; Haas- muito alemão; Sharapova - uma máquina; Nishikori - gênio; Melichar - uma lutadora.

O que todos esses jogadores tinham em comum?
Além de serem trabalhadores duros, ter grandes objetivos, todos desde muito jovens seguiram as mesmas rotinas, sem corpo mole. Chegavam antes do treino para se aquecer com todo o equipamento preparado, toalhas, água e tudo que eles precisavam para a prática. Também treinavam mais por conta própria, sacando ou fazendo condicionamento físico. Sei que há muitos jogadores jovens fazendo o mesmo, mas em última análise a diferença dos jogadores que fizeram grande é que eles jogaram sem medo.

E o que é preciso para ser um treinador campeão?
Primeiro você tem que ter um atleta talentoso, especial. Sem esse material nem mesmo um mágico pode fazer um campeão. Todos os jogadores que fiz foram muito especiais desde cedo. Ao mesmo tempo, não perdemos tempo, tudo foi muito bem planejado, acredito firmemente que o segredo para o sucesso é um bom plano. Sim, trabalho duro, dedicação, sacrifício, boa comunicação etc, etc, mas é tudo sobre planejamento e execução. Outro grande fator para um treinador é não ter medo, tem que acreditar em si mesmo.

O que você acha do tênis brasileiro?
Primeiro de tudo eu acho que a CBT está fazendo um bom trabalho, especialmente formando melhor os treinadores. O Brasil é um dos poucos países no mundo que faz com que os ex-jogadores profissionais estudem para ser um treinador antes de poderem exercer essa profissão. É muito diferente ser um jogador e um treinador. Admiro Cesar Kist por todos os seus esforços para melhorar o sistema de treinamento no Brasil. Agora ele está fazendo isso para a ITF na América do Sul.

Neste momento, o Brasil tem dois novatos com muitas expectativas: Thiago e Gilbert Klier, que se firmaram entre os melhores juvenis no ano passado e parecem muito bons. Um dos maiores fatores para todos os aspirantes é a nova regra da ITF, que torna quase impossível para um jogador talentoso fazer isso. Ser um jogador profissional com essas novas regras requer alguém extremamente talentoso. As entidades decidiram que apenas 700 jogadores podem ser jogadores profissionais. Isso, na minha opinião, é um absurdo e comprometerá as oportunidades dos jovens jogadores brasileiros.

Você acha importante os brasileiros treinarem fora do país?
O Brasil tem treinadores excepcionais, ótimas instalações, bom tempo e jovens talentosos. Os jogadores no Brasil se saem muito bem até os 15 anos de idade e, em geral, começam a ir em festas e a disciplina não é a mesma. Algumas das vantagens de treinar, por exemplo, na Flórida, é que a competição é muito boa. Serão expostos a diferentes estilos de jogo, de todo o mundo. A luta aqui é dura, há torneios todo fim de semana, de todos os níveis. Ao mesmo tempo, estarão aprendendo Inglês e ter oportunidades de bolsas de estudos como uma segunda opção é uma vantagem. Outro fator importante é que nos EUA eles serão forçados a ter mais disciplina.

Quantos anos mais você vai treinar?
Eu amo o que faço, é a minha paixão. Adoro ver esses jovens jogadores se transformando em campeões dentro e fora da quadra.

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