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'Ninguém vira nº 3 do mundo sem talento', diz Ferrer
19/12/2018 às 13h27

Ferrer disputará sua última temporada no circuito em 2019

Foto: Arquivo

Madri (Espanha) - Prestes a iniciar sua temporada de despedida do circuito profissional, David Ferrer falou ao diário espanhol El Mundo. Com respostas curtas, mas contundentes, o veterano de 36 anos avaliou os pontos altos e baixos de sua carreira e comentou sobre as realidades física, financeira e emocional da vida de atleta de alto nível.

Finalista de Roland Garros em 2013, ano em que chegou ao terceiro lugar do ranking mundial, Ferrer rechaçou a imagem de jogador que construiu uma carreira de sucesso sem tantos recursos técnicos. "Isso não existe, você não pode ser o número três no ranking sem talento, quem diz que não sabe nada sobre tênis", declarou o vencedor de 27 títulos de ATP.

Os últimos torneios de Ferrer como jogador profissional serão a Copa Hopman, os ATPs de Auckland, Buenos Aires, Acapulco, Barcelona e o Masters 1000 de Madri. Atualmente no 127º lugar do ranking mundial, o espanhol foi perguntado se ele será mais um exemplo de ex-atleta profissional que convive com dores pelo resto da vida. "As dores eu já tenho. O tendão de Aquiles dói cada vez mais há cinco ou seis anos. Espero que se regenere depois que eu parar de jogar, mas não contem comigo em uma maratona. Eu não posso correr mais de 40 minutos".

O espanhol também fala sobre os dilemas emocionais na vida dela, ao citar uma entrevista do jogador de futebol Andres Iniesta, que se dizia deprimido mesmo durante um período muito vencedor de sua carreira. "Eu entendo isso perfeitamente. Vivemos em um mundo em que a vitória parece ser tudo. Se você vencer, presume-se que você tem que ser feliz. Eu vivi isso, houve anos em que eu ganhei muito e ninguém entendeu que eu poderia ter outros problemas".

Como se sabe, David sofreu muito nos últimos anos, mas nega que tenha perdido o amor pelo tênis. "Eu não odeio o tênis, mas tive momentos difíceis como perder estar longe da família, mas os bons momentos compensam isso. Imagino que isso aconteça em todos os esportes. Amadurecer é aprender a assumir a parte ruim da realidade, para torná-la o mais fácil possível".

Perguntado sobre sua situação financeira e o fato de muitos tenistas optarem por um estilo de vida austero, o espanhol justificou. "Isso acontece porque o tênis é um esporte caro, e no começo não é fácil pagar por viagens para pequenos torneios. É por isso que os jogadores de tênis valorizam o dinheiro que ganham", comentou o espanhol, que não se lembra de ter feito grandes gastos quando começou a ser bem sucedido financeiramente. "Certamente alguns, mas não muitos. Meus pais me deram uma boa educação".

Ainda sobre o assunto, Ferrer comentou sobre uma pesquisa citada pelo jornal de que 60% dos ex-jogadores profissionais de basquete da NBA passam por dificuldades financeiras nos três primeiros anos depois que terminam a carreira. "É relativamente fácil que algo assim aconteça. Aos 18 anos você é uma criança. Se eles não te prepararem para ganhar uma fortuna, você geralmente desperdiçará isso. E então, sua carreira é curta. É aí que a família tem que te proteger e te dar um treinamento".

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