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Após temporada na Espanha, Menezes volta ao Brasil
18/12/2018 às 07h29

Menezes treinou durante um ano e oito meses em Barcelona

Foto: Arquivo
Mário Sérgio Cruz

No momento em que alguns dos principais jogadores brasileiros buscam a evolução treinando no exterior, João Menezes faz o caminho inverso. Mesmo depois de viver a melhor temporada de sua carreira, com dois títulos de future e seu recorde pessoal no ranking, o mineiro de 21 anos acredita ser o momento certo de encerrar o ciclo de treinamento na Espanha e voltar a treinar em seu país.

"Infelizmente chegou uma hora que eu já estava um pouco esgotado de ficar lá sozinho e resolvi voltar para o Brasil", disse Menezes, em entrevista ao TenisBrasil. O mineiro passou um ano e oito meses treinando na acadamia 4Slam, do ex-top 40 Galo Blanco, em Barcelona. Agora, ele retorna à cidade catarinense de Itajaí e terá base na ADK Tennis, onde já treinou anteriormente. De volta ao Brasil, ele também destacou a evolução pessoal que teve no exterior. "Morando fora, eu aprendi a expressar mais o que eu estou sentindo e o que é melhor pra mim".

Atualmente no 351º lugar do ranking, Menezes alcançou a 292ª posição em agosto. Na temporada, o mineiro de Uberaba venceu três jogos em chaves principais de challenger e acumulou outras 20 vitórias em future, nível em que disputou três finais seguidas em Abuja, na Nigéria, onde conquistou dois títulos em abril. A experiência única no país africano foi motivada pelo trabalho com o técnico togolês de 33 anos Komlavi Loglo, ex-top 300 em simples, que o acompanhava no circuito.

Diante de um 2019 que prevê mudanças significativas na estrutura do circuito profissional, uma vez que os futures já não darão mais pontos para o ranking da ATP e sim para um novo ranking a ser criado pela ITF, Menezes quer se estabelecer no nível challenger e prioriza as competições maiores. "Vou tentar aproveitar que o meu ranking de transição está bom e tentar jogar alguns challengers. Deus queira que eu possa já sair jogando bem e fazer alguns pontos em torneios ATP para não precisar mais os torneios de transição. A minha principal meta para a próxima temporada seria me firmar no nível challenger e não descer mais para jogar o nível future".

Confira a entrevista com João Menezes.

Você teve um primeiro semestre muito forte nos futures, ganhou dois títulos, atingiu seu melhor ranking e depois tentou torneios maiores. Quais as principais diferenças que você sentiu nesses dois níveis de competição?
Com certeza, no nível dos jogadores. É aí onde você encontra a maior diferença de future para challenger. E o que eu senti foi que você tem que estar mais ligado, mais intenso durante os pontos, porque qualquer bobeirinha pode ser crucial para o jogo. De repente, alguma coisa que você fazia num future e tinha chance de recuperar já fica mais complicada. Então, acho que é essa atenção. E tudo vai afunilando, no nível de bola e fisicamente, então você precisa estar bem completinho em todas as áreas.

Na Espanha você trabalhou com o técnico togolês Komlavi Loglo. Como surgiu a oportunidade e o que você mais aprendeu com ele?
A oportunidade surgiu de eu estar na acadamia 4Slam e o head-coach, que era o Galo Blanco, destinou ele para viajar comigo. O que eu mais aprendi com ele, acho que foi a intensidade correta de como treinar e também a jogar um pouco mais ordenado na quadra. Nos últimos meses que eu fiquei ali, a gente vinha trabalhando mais em situações complicadas, em situações de emergência, porque eu nunca fui muito bom de defesa e em golpes como slice, então estava trabalhando bastante nisso também.

Foi dele [Loglo] a ideia bem sucedida de disputar os três futures em Abuja?
Sim, foi dele. Porque quando ele jogava, ele já disputou os torneios de lá, então ele já conhecia e achou que seria uma boa ideia. E realmente foi uma excelente temporada lá.

Qual avaliação que você faz do período em que você passou treinando na Espanha? O quanto você sente que evoluiu como jogador e como pessoa?
Eu acho que foi uma temporada sensacional de um ano e oito meses que eu fiquei na Espanha. Eu consegui não só o melhor ranking da minha carreira, mas também foi o ano que eu mais me desenvolvi como pessoa também. Eu sempre fui muito tímido, muito quieto, guardava as coisas sempre para mim. Agora, morando fora, eu aprendi a expressar mais o que eu estou sentindo e o que é melhor pra mim, mas infelizmente chegou uma hora que eu já estava um pouco esgotado de ficar lá sozinho e resolvi voltar para o Brasil.

O que mais te motivou a voltar ao Brasil para a próxima temporada? Como será sua equipe e onde será sua base de treinamento?
Como eu disse, o que me motivou foi que eu estava me sentindo um pouquinho triste lá e acabei voltando por uma questão de conforto. Eu estou agora na ADK, em Itajaí. O técnico principal é o Patrício Arnold, mas o [Luiz] Peniza também vai estar presente comigo nessa temporada, e o preparador físico Narciso Barbosa. Então, fechamos uma equipe nós quatro para viajar em torno de 30 semanas por ano acompanhados.

A partir de 2019, os futures já não darão mais pontos no ranking da ATP. Seu foco será já nos challengers ou nos novos torneios de transição? Você tem alguma meta em termos de ranking ou desempenho para a próxima temporada?
A princípio, eu vou tentar jogar alguns challengers sim. Vou tentar fazer valer que o meu ranking de transição está bom e tentar jogar alguns challengers, mas depende de como eu for também. Deus queira que eu possa já sair jogando bem e fazer alguns pontos em torneios ATP para não precisar mais os torneios de transição. A minha principal meta para a próxima temporada seria me firmar no nível challenger e não descer mais para jogar o nível future.

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