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Para Bia, novas lesões doem mais que as derrotas
17/12/2018 às 14h49

Bia teve mais uma temporada bastante prejudicada por lesões

Foto: Arquivo
Mário Sérgio Cruz

Principal jogadora do país na atualidade, Beatriz Haddad Maia sofreu com lesões ao longo de 2018 e não conseguiu repetir os bons resultados que teve no ano anterior, quando viveu o melhor momento na carreira. Bia teve 11 vitórias e 19 derrotas em chaves principais de torneios na temporada e seu principal resultado foi conqusitado no início de novembro, quando jogou a final do ITF de US$ 80 mil em Tyler, no Texas. Apesar da perda de posições e da necessidade de recuperar terreno nos próximos meses, a paulistana de 22 anos faz uma avaliação positiva de sua temporada e prioriza a preparação física para recuperar os bons resultados.

Depois de ter alcançado o 58º lugar do ranking em setembro do ano passado e começado o ano na 65ª posição, Bia repetiu seu recorde pessoal em fevereiro, mas depois teve lesões no punho esquerdo e nas costas. Ela chegou a fazer uma cirurgia para sanar as dores de uma hérnia de disco lombar, que a deixou sem jogar entre maio e agosto. De volta às quadras, acabou eliminada na estreia em sete dos últimos oito torneios que disputou em 2018 e aparece atualmente na 185ª colocação.

"Minha temporada foi boa, apesar de os resultados não terem sido tão bons. Meu objetivo era terminar o ano saudável e, voltando da minha cirurgia, ainda consegui sair com uma final. Então acho que foi positivo", disse Betriz Haddad Maia, em entrevista ao TenisBrasil

Embora muito jovem, Bia tem longo histórico de lesões. Em 2013, ainda com 17 anos, machucou o ombro depois de uma queda em quadra e ainda sofreu uma lesão na coluna que a fez encerrar precocemente a temporada. Dois anos depois, durante os Jogos Pan Americanos em Toronto, voltou a sentir o problema no ombro, e precisou de cirurgia que a afastou das quadras pelo resto da temporada. No ano passado, precisou adiar o início de sua temporada depois de um acidente doméstico que a deixou três meses sem jogar. Já em 2018, o problema no punho aconteceu logo no primeiro torneio da temporada de saibro, em Charleston, e o das costas se agravou às vésperas de Roland Garros.

Apesar de não ver os resultados aparecerem logo que voltou às quadras, ela garante que ter passado novamente por uma cirurgia e ficado longe das quadras foi muito pior que as derroas. "Com certeza, o mais difícil é lidar com as lesões e a cirurgia, porque eu gosto de jogar tênis. Independentemente de estar ganhando ou perdendo, é o que eu gosto de fazer. Lesionada, eu não posso fazer o que eu amo. Então, isso é pior".

Bia só conseguiu vencer dois jogos seguidos em dois torneios na temporada e teve apenas cinco vitórias no segundo semestre. Ela esteve perto de vencer algumas partidas na reta final do ano antes de permitir a reação às adversárias e avalia o que ficou faltando. "No jogo de tênis todo mundo joga bem, mas alguns jogos foram detalhes. Em alguns jogos eu vacilei nos momentos importantes ou as meninas jogaram muito bem e foi mérito delas. Mas tenho que focar mais no meu presente, preciso estar mais focada e consciente do que eu tenho que fazer e não apenas no resultado".

Um fato importante no ano da jovem jogadora foi a mudança em seu lugar de treinamento. Depois de quase três anos treinando no Rio de Janeiro, ela decidiu voltar a Santa Catarina, onde já treinou no início de sua carreira profissional. Apesar da mudança de casa, o argentino German Gaich continua sendo o técnico da tenista número 1 do Brasil. Entretanto, a equipe conta com um novo preparador físico, Felipe Reis, com quem Bia já trabalhou anteriormente, e um novo fisioterapeuta, Paulo Cerutti.

"Eu ia seguir o trabalho com o Germain e fazer um trabalho físico que fosse ser ligado ao meu pós-operatório e não ia ser no Rio" explica a paulistana, que decidiu em julho mudar sua base de treinamentos para Florianópolis. "O Paulo era um físio muito bom, eu já o conhecia há alguns anos, de quando eu morava em Balneário Camboriú e ele trabalhava na seleção de rúgbi, e aí eu fui em busca disso. O físico sempre foi minha prioridade".

A maior vitória da carreira de Bia Haddad Maia foi conquistada em maio do ano passado no saibro de Praga, diante da ex-top 5 e então 19ª colocada Samantha Stosur. Além de ter superado a veterana australiana em quadra, Bia já acumula experiência de enfrentar algumas das maiores jogadoras do mundo como Venus Williams, Simona Halep, Garbiñe Muguruza, Karolina Pliskova e Jelena Ostapenko. Ainda em busca de sua primeira vitória contra uma top 10, ela julga o que é necessário para vencer uma adversária deste porte.

"Já me acostumei mais a jogar com meninas desse nível, mas eu acho que o importante é saber o que faltou para melhorar e evoluir. Acho que todas elas têm suas características específicas, e independente de contra quem eu jogar, tenho que manter o meu padrão durante todo o jogo, seja com elas ou contra uma menina top 200 ou 300", avalia Bia que já fez cinco jogos contra top 10 na carreira. "Falando das top 10, o que eu acho fundamental é saber lidar com as emoções nos momentos importantes e não se preocupar com coisas externas e resultados".

Bia não costuma estabelecer metas de ranking ou resultado, mas determina seus objetivos pensando no desempenho em quadra, em melhorar aspectos de seu jogo e no lado mental, além de tentar passar um ano sem lesões. "Eu tenho objetivo de melhorar meu jogo, de ser mais agressvia e também mais consistente. E no meu lado mental, tenho sempre que acreditar em mim, e sempre acreditar que estou fazendo as coisas certas, que eu estou no caminho certo e não posso ter pressa de nada. E, principalmente, estar bem fisicamente. Acho que isso é o principal".

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