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Indecisa, Teliana repensa carreira e vê futuro na TV
11/12/2018 às 08h00

Teliana disputou 12 torneios na última temporada

Foto: Arquivo
Felipe Priante

Ex-top 50 e dona de dois títulos de WTA, ambos conquistados em 2015, Teliana Pereira vive um momento crucial na carreira. Depois da pausa de seis meses feita em 2017, a pernambucana retornou ao circuito neste ano e encontrou dificuldades para retomar a melhor forma. Disputando apenas torneios menores, acumulou 18 vitórias na temporada, não conseguiu alcançar uma semifinal sequer e atualmente figura na modesta 628ª colocação.

Todo esse panorama faz com que a tenista de 30 anos, completados em julho, tenha algumas incertezas sobre seu futuro. Buscando motivação para tentar retomar o caminho das vitórias em 2019, a tenista radicada em Curitiba já pensa no pós-tênis. Chegou inclusive a comentar alguns jogos durante o US Open na ESPN, em uma experiência que ela diz ter adorado.

“Foi uma das melhores semanas que eu já tive. Estava muito tensa no começo, porque uma coisa é estar na quadra jogando e outra coisa é comentar um jogo no qual tem muita gente lá do outro lado assistindo”, afirmou Teliana, em entrevista exclusiva para TenisBrasil. Quero fazer isso muitas vezes mais. Além de ser muito divertido, aprendi bastante”, completou.

Indecisa quando ao futuro, a pernambucana vai aproveitar os últimos dias de férias e depois voltará todo seu foco para o retorno às quadras no começo do próximo ano, tentando recuperar todo o terreno perdido nos últimos tempos. Contudo, o que a espera em 2019 nem mesmo a própria consegue responder com 100% de certeza: “Até onde eu quero ir é uma coisa que não sei te responder”.

Veja a conversa completa com Teliana Pereira:

Esse ano que passou foi bem atípico para você. Como lidou com as peculiaridades deste 2018 com idas e vindas no circuito?

O ano passado já foi diferente para mim, pois em junho eu decidi parar e dar um tempo. Tinha meu casamento em outubro e aproveitei para relaxar e cuidar um pouco disso. Neste ano, em janeiro, resolvi ir para Barcelona para fazer algo diferente, pois nunca havia treinado fora, e foi uma experiência muito boa, na qual aprendi bastante. Tenisticamente falando não alcancei o nível que gostaria, não cheguei a colocar números, mas queria jogar bem, vencer torneios e passar por essa fase de ranking baixo, já que fiquei um tempo sem jogar. Só que isso não aconteceu, tive muitos altos e baixos física e mentalmente, é muito difícil você voltar. Eu já parei várias vezes, mas por lesão, nunca para dar um tempo para cabeça.

Acho que amadureci bastante, principalmente como pessoa, passei a viver um pouco o fora quadra. Nunca tive essa oportunidade e queria viver isso: sair com minhas amigas, fazer churrasco, ficar com minha família. Não estava a fim de viajar, senti que estava viajando muito, e pude fazer tudo isso no ano passado. Senti falta de jogar e neste ano decidi voltar tudo de novo. Só que fisicamente é muito duro, ainda mais para alguém como eu que tem um histórico de lesões. Sofri bastante, principalmente com o cotovelo. Não foi o que eu esperava, mas o mais importante foi que aprendi a me ver mais como pessoa do que como tenista.

Das coisas que você fez nesta pausa, qual sentia mais falta?

O principal foi ficar em casa, sentia muita falta de ficar lá, de dormir na minha cama. Sentia muito falta da minha família, pois sempre fui uma pessoa grudada com eles. Também sentia falta de sair com as amigas sem ter que me preocupar com a hora de voltar porque teria treino no dia seguinte. Fiquei totalmente desprendida, algo que nunca tinha acontecido comigo, pois sou exageradamente focada. No ano passado pude curtir tudo isso sem ter o peso na  consciência.

Você falou que tem uma preocupação exagerada, é assim também com o que come e o que ingere?

Com certeza. Primeiro porque tenho meu histórico com meu joelho e por isso não posso engordar, tenho que tomar cuidado com isso. Sempre cuidei muito da alimentação, de 2014 para cá comecei a fazer um acompanhamento e fiquei ainda mais focada. Se você é atleta de alto rendimento, precisa ter essa preocupação. No ano passado, quando fiquei sem jogar, relaxei principalmente em relação a remédios, Quanto à alimentação eu não mudei muito, pois estava dando um tempo e quando fosse voltar tinha que estar bem.

Quais foram as principais dificuldades que você encarou nessa volta após a pausa?

Fiquei desde junho até dezembro do ano passado sem pegar na raquete e você acaba perdendo muita coisa. Perde muito músculo, pois por mais que eu fosse na academia, correr e tudo mais, acontecia sem compromisso, fiquei com zero músculo. Esse ano que voltei sofri bastante com lesões. Quando estava treinado lá em Barcelona (para voltar) toda hora tinha que parar por causa de alguma coisa, mas é um preço que você paga para competir em alto nível. No circuito, o mais difícil é recuperar o ritmo e ganhar os jogos para ganhar confiança, já que a confiança só vem quando você vence. Isso foi o mais difícil. E para voltar a jogar quali de torneio de US$ 25 mil você tem que estar muito bem mentalmente. Achei que estava preparada, mas em alguns momentos eu realmente estava e em outros não e mentalmente me questionava por estar passando de novo por aquilo. Foi muito duro começar praticamente do zero.

O mais difícil é lidar com as situações de jogo ou com as derrotas?

Acho que é o jogo e você passando por todas aquelas adversidades de novo. Os torneios menores não têm a mesma estrutura, então você acaba passando por maratonas para chegar no hotel e aí lá não tem o que você precisa. Em alguns momentos surge o questionamento: ‘será que já não está bom, vou passar por isso de novo’? Você cria dúvidas e isso passou muito na minha cabeça. Eu continuo batendo na bola igual, mas o ritmo de jogo muda. Um quali de torneio de US$ 25 mil não é fácil, as meninas jogam bem, e raramente aparece um jogo fraco. As meninas querem ganhar de você, ainda mais quando já foi 43 do mundo. Se você não está convicta do que está fazendo, se questiona bastante.

Como está sua motivação para a próxima temporada?

A força vem do desejo, do sonho e do preço que você está disposta a pagar. Isso é uma coisa que eu penso bastante: até onde eu quero ir? Isso é uma coisa que não sei te responder. É uma coisa que eu faço por paixão, mas também por profissão e em alguns momentos eu me questiono se não era melhor fazer outra coisa. Não vou te falar que estou extremamente motivada, até porque tenho meus problemas físicos e não sei se consigo voltar ao meu topo.

Nesse tempo de profissional já deu para juntar uma grana pensando no pós-tênis?

Para você ganhar dinheiro precisa estar no top 100, no tempo que estive lá consegui fazer aquilo ali render, então estou bastante tranquila. Sabia que a carreira do tênis podia acabar a qualquer momento, você pode se machucar e não poder jogar nunca mais. Vivi o que tinha que viver, gastei com o que tinha que gastar, mas também me planejei. Gosto de gastar com comida, com show e com viagem.

 
 
 
 
 
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Imagino que o plano A seja voltar a jogar, mas há algum plano B ou plano C para caso não dê certo?

Eu quero voltar a jogar, isso é óbvio, vou me esforçar o máximo que puder, mas também já penso no que vou fazer depois que eu parar. Esse ano fui comentar na ESPN, televisão é algo que me atrai demais e gostaria muito de fazer isso quando parar de jogar. Tenho vontade também de ter um projeto social. E mesmo se seguir jogando quero fazer outras coisas juntas. Mas de tudo isso o que eu mais gosto é televisão.

Como foi sua experiência como comentarista? Algumas dificuldades no começo?

Foi uma das melhores semanas que eu já tive. Primeiro que é algo novo, e fazer coisas novas é muito legal, dá aquela renovada. Estava muito tensa no começo, porque uma coisa é estar na quadra jogando e outra coisa é comentar um jogo no qual tem muita gente lá do outro lado assistindo e você vai receber as críticas. Por mais que eu entenda do esporte, tem aquele feedback. No meu primeiro dia descobri que ia fazer com o Everaldo Marques e fiquei nervosa. ‘Meu deus, logo com o Everaldo’! Cheguei lá, encontrei com ele e já fui falando a real: ‘Estou muito nervosa, então você segura as pontas’. Ele foi maravilhoso. Quero muito fazer isso muitas vezes mais. Eu vejo tênis em casa, mas nunca o jogo inteiro, mas lá você tem ficar focada o tempo inteiro e aí acabei até vendo coisas que não prestava atenção antes, olhando gestos, reações, o que serve e o que não serve. Além de ser muito divertido eu aprendi bastante.

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