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Monteiro busca consistência e mira Tóquio 2020
10/12/2018 às 08h00

Monteiro quer voltar ao top 100 e aos Grand Slam

Foto: João Pires/Fotojump
Felipe Priante

São Paulo (SP) - A temporada do cearense Thiago Monteiro foi primordialmente de estagnação, sem grandes novidades em seu jogo e principalmente no seu ranking. Ele começou 2018 na 124ª colocação e vai terminar praticamente na mesma, um lugar apenas melhor. Mas justamente para tentar mudar o panorama, o canhoto de Fortaleza trocou de técnico na reta final do ano, passou a trabalhar com o Fabian Blengino e espera voltar melhor para 2019 depois da pré-temporada com o novo técnico.

“Quero melhorar meu ranking, voltar ao top 100, quem sabe a longo prazo bater meu melhor ranking e seguir subindo”, falou o tenista de 24 anos em entrevista exclusiva ao TenisBrasil. Para conseguir alcançar essas metas traçadas, Monteiro sabe que além de muito trabalho vai precisar ser mais consistente do que na temporada que passou, em que oscilou bons resultados com atuações abaixo da média.

“O principal ponto baixo foi não manter a consistência, seja no jogo ou seja na semana de torneio. Tenho que encontrar uma maneira de jogar bem mesmo estando em um dia ruim, me inspirando em nomes como Rafael Nadal e Novak Djokovic, que mesmo quando não estão no melhor dos dias vão lá e vencem”, comentou Monteiro.

Além de buscar um melhor ranking, o cearense também pensa um pouco mais à frente e sonha com uma inédita participação olímpica, principalmente depois de ter ido aos Jogos de Londres como juvenil, em uma espécie de aclimatação no evento, e ter visto aqui no Rio de Janeiro a última edição da competição. “Sem dúvida é um sonho, para mim, poder defender o Brasil nas Olimpíadas. É algo do qual eu quero fazer parte e vou dar o meu melhor para que isso aconteça”.

Veja na íntegra a conversa com Thiago Monteiro:

A última vez que nos falamos foi no challenger de Campinas e você estava esperançoso por bons resultados neste fim de ano. Acabou fazendo duas semifinais, mas também perdeu três na estreia. Que avaliação você faz dessa reta final de 2018?

Em Campinas eu fiz um bom torneio, tive também uma boa semana em Lima, onde perdi um jogo bem duro para o (Christian) Garin, que acabou vencendo três títulos seguidos, no qual poderia ter saído vitorioso e com mais confiança. Depois tive dois revezes de primeira rodada e no geral não foi um período muito positivo, por algum motivo meu jogo acabou não encaixando em algumas partidas e acabou que não alcancei minha meta para o final de temporada. Tinha o objetivo de estar entre os 100 depois dessa gira na América do Sul, mas isso acabou não acontecendo. Consegui chegar a 112, depois perdi alguns pontos e agora estou 123. Estou um pouco desapontado por causa disso, mas já tirei alguns dias de descanso e estou com as baterias recarregadas para o ano que vem. Agora estou tendo tempo de treinar com meu novo treinador, porque mudei no meio da temporada, e não tivemos um tempo para fazer ajustes mais profundos.

O que você vê de positivo e negativo nessa sua temporada que acabou?

Foi uma temporada de altos e baixos, que pareceu não ser tão boa ao mesmo tempo que não foi ruim. Mantive o ranking que comecei o ano, fiz minha primeira semi de ATP, em Quito, fiz novamente quartas de final em um ATP 500, em Hamburgo, ganhando do (Fernando) Verdasco, um cara com uma bagagem muito grande no circuito, tive mais uma vitória sobre o (Gilles) Simon, também algumas semifinais de challeger. Gostaria de ter ganhado um neste ano, mas não consegui manter a consistência de fazer bons jogos por mais tempo, o que é necessário para vencer um título. Espero estar mais firme nessa questão de consistência no próximo ano.

Desses altos e baixos qual são os destaques?

Acho que a semi em Quito, a vitória contra o Verdasco em Hamburgo, pois não via ela vindo. Tinha perdido no quali do torneio, depois entrei de lucky-loser, tive uma boa vitória na primeira rodada contra o Simon e lá contra o Verdasco foi incrível. Tive também um bom momento no Rio Open, em que perdi um match-point contra o (Pablo) Cuevas e acabou que uma bola que ele salvou na linha. Foi uma partida que poderia ter mudado a minha temporada. Também perdi chances em Istambul, onde furei o quali, abri 5/3 no terceiro contra (Jiri) Vesely nas oitavas e acabei perdendo. São esses jogos, que fazem essa diferença no final do ano e que me deixaram fora do top 100.

E quais as lições que dá para tirar do que não aconteceu conforme o esperado?

O principal ponto baixo foi não manter a consistência, seja no jogo ou seja na semana de torneio. Às vezes eu conseguia alcançar um nível muito bom, mas chegava um momento em que uma questão de concentração você acaba deixando escapar um momento chave e acaba custando. Essa consistência me fará ganhar mais jogos e quem sabe assim possa vencer um ATP. Por isso tenho que seguir motivado, trabalhando duro e confiando na minha equipe.

Seu aproveitamento na ATP (10v/10d) foi melhor que nos challengers (17v/18d). Isso é um pouco o reflexo dessa inconsistência que você fala?

Sem dúvida, nos jogos da ATP eu consigo jogar de igual para igual com caras que têm um ranking muito mais alto, ao mesmo tempo que quando deixo cair a concentração o meu nível cai. Tenho uma diferença grande entre estar num dia bom, quando posso derrotar um cara como o Verdasco, e num dia ruim, em que posso perder para um cara que seja 400 ou 500 do mundo. Tenho que encontrar essa maneira de jogar bem mesmo estando em um dia ruim, me inspirando em nomes como Rafael Nadal e Novak Djokovic, que mesmo quando não estão no melhor dos dias vão lá e vencem.

Quais são suas metas para 2019 e também para mais a longo prazo?

O primeiro objetivo é tentar voltar a jogar as chaves dos Grand Slam, seja passando pelo quali ou entrando direto se conseguir voltar ao top 100. Quero fazer uma boa gira na América do Sul novamente (no começo do ano), acredito que jogue todos esses torneios depois da Austrália. Começa com o ATP de Córdoba, que entrou no lugar de Quito, depois vem Buenos Aires, Rio Open e Brasil Open. São torneios que gosto muito de jogar, com condições muito boas e alto nível. Acredito que possa jogar nesse nível e até chegar lá e fazer boas campanhas. Quero melhorar meu ranking, voltar ao top 100, quem sabe a longo prazo bater meu melhor ranking e seguir subindo.

Como você enxerga esse confronto com a Bélgica em Uberlândia?

Vai ser um confronto importantíssimo, em que o brasil voltará a jogar em casa depois de um longo tempo. Dos cinco ou seis confrontos que eu joguei nenhum deles foi em casa, então realmente se eu puder jogar será mais do que especial. É uma coisa que eu queria muito, jogar uma Davis no Brasil enquanto ainda temos essa possibilidade. Tem tudo para ser bem duro, mas não sei se a Bélgica virá com a equipe mais forte, com (David) Goffin, pois vai ser logo depois do Australian Open, mas esperamos que seja a equipe mais forte. Tem tudo para ser uma série equilibrada, escolhemos essas condições porque para a equipe eram as melhores possíveis. Fiquei surpreso com a cidade, pois nunca jogamos uma Davis lá, não conheço Uberlândia, mas já me falaram que lá tem um clube sensacional e vão dar todo o suporte para um evento dessa grandeza. Estou animado e vou dar o meu melhor para poder ser chamado.

Ainda falta um ano e meio, mas já estamos cada vez mais perto dos Jogos de Tóquio. Você tem pretensões olímpicas para 2020?

Não é algo que vem à cabeça quando eu penso no meu ranking, mas estamos chegando perto e sem dúvida é um sonho, para mim, poder defender o Brasil nas Olimpíadas. Depois que eu fiz parte do projeto de vivência olímpica, indo para Londres em 2012 como juvenil, vi esse clima e essa energia da competição. Vi os maiores ídolos do esporte lá e foi incrível. É algo do qual eu quero fazer parte e vou dar o meu melhor para que isso aconteça.

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