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Bellucci: 'Não consigo encontrar caminho da volta'
04/12/2018 às 08h00

Bellucci fechou o ano na modesta 242ª posição no ranking

Foto: João Pires/Fotojump
Felipe Priante

Profissional desde 2005, o paulista Thomaz Bellucci teve em 2018 o pior ano de sua vida desde a arrancada há uma década. Ele começou a temporada ainda cumprindo os meses que faltavam de sua suspensão por doping e voltou ao circuito sem ritmo de jogo ou confiança. Os resultados também não vieram e o canhoto de Tietê terminou com o saldo negativo de 17 vitórias e 25 derrotas, sendo 11 delas de virada e a maioria em mero nível challenger.

“Acho que a maior parte dessas 11 derrotas foram com o jogo praticamente ganho”, lamenta o atual 242 do mundo em entrevista para TenisBrasil, na qual ele próprio reconhece que o desempenho apresentado no ano foi muito abaixo do que pode produzir e do qual pouca coisa poderá tirar. “Acho que 90% pode jogar fora, porque consegui fazer muito poucas coisas comparado com o que eu já realizei na minha carreira”, disparou.

Na tentativa de reencontrar seu melhor tênis na próxima temporada, Bellucci ainda segue sem respostas para o desempenho fraquíssimo em 2018. O paulista, que irá completar 31 anos no penúltimo dia do ano, acredita que mesmo assim consiga dar a volta por cima e aposta no trabalho duro do dia a dia para buscar o caminho das vitórias, tendo como primeiro passo em 2019 a disputa do qualificatório do Australian Open.

Confira a conversa com Bellucci e sua avaliação do atual momento que vive no circuito:

Qual o balanço que você faz do seu 2018?

Acho que foi uma temporada muito abaixo do que eu vinha fazendo nos últimos anos, em que vinha conseguindo me manter entre os 100 do ranking e jogando os torneios grandes. Neste ano eu praticamente não consegui disputar torneios grandes, fiquei quase só nos challengers e com um desempenho bem abaixo do que eu esperava. O fato de eu ter ficado cinco meses sem jogar me atrapalhou na hora de voltar, nunca tinha ficado tanto tempo longe do circuito. Isso afetou o aspecto psicológico no começo da temporada e depois eu não me encontrei, não consegui um nível de jogo bom, tanto fisicamente quanto tecnicamente. Acho que ano que vem, se deus quiser, vai ser melhor do que esse.

Você sentiu que com o passar dos torneios, depois de tanto tempo parado, as coisas começaram a engrenar de novo mesmo com os resultados não aparecendo?

No começo da temporada eu estava sentindo bastante a falta de ritmo, mas depois não foi mais isso, foi mais porque eu não estava jogando bem. As vitórias não estavam vindo, a confiança foi cada vez mais para baixo. Os challengers eram torneios que eu sempre jogava para ganhar muitos jogos e levar a confiança para os ATPs, mas foi justamente o contrário que aconteceu. Ao invés de me dar essa confiança acabou me tirando, pois não conseguia ganhar dos caras que antes eu vencia. Fui entrando em um buraco e para o próximo ano tenho que sair desse buraco.

Neste ano que passou, 11 de suas 25 derrotas foram de virada. Como fazer com que isso não se repita na próxima temporada?

Acho que a maioria dessas 11 derrotas foram com o jogo praticamente ganho, com break acima. Acho que fiquei muito ansioso nessas partidas, o mental não conseguiu acompanhar o jogo e também não soube aproveitar as chances que tive. O resto foi por queda física, tive uns jogos que perdi porque não consegui me manter bem fisicamente. São coisas que preciso ajeitar para o ano que vem.

O que fazer para contornar essa fase e voltar a apresentar o seu melhor tênis?

É difícil essa pergunta, seu eu soubesse a resposta eu já teria feito e saído de onde eu estava.

Mas o que você tem tentado para sair dessa situação?

Acho que não tem segredo. Várias vezes durante minha carreira eu cheguei a cair para 110, 120 e conseguia ganhar um challenger logo em seguida e voltava depois para onde estava antes. Sempre consegui encontrar um caminho de volta, mas agora está sendo diferente, não consigo encontrar esse caminho. Tenho tentado coisas diferentes, a troca de técnico foi a mais rápidas que já tive, fiquei só um ano com o André (Sá). Preciso ajustar coisas minhas que não estão bem, mas ainda não consegui achar tudo. A confiança de que posso voltar aos melhores resultados ainda está dentro de mim, acredito ser uma questão de tempo para achar o caminho.

Como está sua equipe atualmente?

A princípio o German López, que está comigo lá nos Estados Unidos, fará a pré-temporada, mas eu ainda não decidi meu segundo técnico, pois o German não viaja sempre, vai estar comigo só entre 12 e 15 semanas no ano que vem. Ele fica sempre em Bradenton para treinar, mas ainda estou buscando um segundo nome. Isso é uma coisa que devo decidir nas próximas semanas.

Em Campinas, você falou que tinha como meta buscar uma subida no ranking nos challengers sul-americanos que aconteceram no final do ano, mas os resultados não foram tão bons. Qual avaliação você faz desses torneios?

Acho que o final dessa temporada foi o pior momento do ano, no qual eu consegui ganhar pouquíssimos jogos. Perdi para caras que normalmente eu não perco. Foi mais por uma falta de nível meu, joguei muito mal em umas quatro ou cinco partidas. Ainda teve derrotas em que tive queda física e o meu rival se aproveitou disso. Serve de lição para o ano que vem, para ajustar as coisas e não ficar pensando muito nisso. Você aprende mesmo quando perde, mas nesse ano sofri umas derrotas tão ruins que nem consegui tirar algo de positivo.

Dessas derrotas que você teve, alguma delas foi mais doída?

A maioria das que eu perdi de virada após abrir 4/0 ou 5/1 acabam doendo mais, pois você acaba sentindo o gosto da vitória e depois vê o jogo escapando. Elas são as mais difíceis.

Não teve uma mais destacável?

Talvez a derrota lá em Lima, em que estava ganhando de 6/1 e 4/0, alguma coisa assim, foi uma das que eu mais senti, pois meio que não sabia o que estava acontecendo e não entendi por que tinha perdido o jogo, não sabia distinguir o que não fiz legal e isso foi o que me mais causou frustração. Foi um pouco disso o ano todo, de eu não encontrar o caminho e os porquês para ajustar depois para os próximos jogos.

Achar um bom nome para ser seu segundo técnico pode ser uma maneira de te ajudar a encontrar esse caminho?

Pode ajudar sim, mas eu tenho quase certeza que tudo está dentro de mim. Se eu continuar trabalhando e me dedicando uma hora vou encontrar o caminho de volta e conseguir conquistar as vitórias de novo. Técnico pode sim ajudar. German é um cara muito experiente, já foi jogador (chegou a ser 61 do mundo em 1992) e tem muitos anos como técnico, me ajuda muito nessa retomada de confiança e de voltar ao nível que eu estava antes.

Dá para tirar alguma coisa de positivo desse ano que passou?

Acho que 90% pode jogar fora porque consegui fazer muito poucas coisas comparado com o que eu já fiz na minha carreira. Mas na questão de aprendizado você sempre acaba aprendendo alguma coisa. Hoje em dia eu valorizo muito mais onde eu estava antes. Quando você está lá como 30 ou 40 do mundo jogando os torneios, as derrotas machucam muito, mas hoje em dia vejo que elas machucavam mais do que deveriam. Olho para trás e vejo o tanto de coisas que consegui alcançar e coisas que eu fazia de positivo que não tenho conseguido fazer. Valorizo bem mais tudo aquilo.

Como estão seus objetivos e pensamentos para 2019?

Já tracei algumas metas com a minha equipe, mas eu não gosto muito de ficar falando, pois acho que são coisas pessoais. Mas já temos objetivos sim.

E qual seu calendário no início do próximo ano?

Começo jogando o quali da Austrália, não vou disputar torneio algum antes. Acho que devo entrar, já que nos últimos 5 ou 6 anos com o ranking que estou hoje eu entraria. Depois eu tenho que ver, talvez vá para um challenger em Punta del Este, vou tentar os qualis dos ATPs na América do Sul, contar com convites para o Brasil Open e o Rio Open. A princípio é isso. Com meu ranking, não dá para ficar planejando muito calendário.

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