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Após chegar a Harvard, Koelle avalia próximos passos
23/11/2018 às 14h58

O paulista Lucas Koelle estuda atuar no mercado financeiro

Foto: João Pires/Fotojump
por Mário Sérgio Cruz

São Paulo (SP) - Convidado da Sociedade Harmonia de Tênis para a Maria Esther Bueno Cup, torneio em que oito jovens promissores do tênis brasileiro disputam uma vaga no Rio Open, Lucas Koelle vive uma rotina diferente de seus demais colegas em fase de transição para o circuito profissional. O paulista de 20 anos vive há dois anos nos Estados Unidos, onde concilia os estudos na conceituada Universidade de Harvard com o tênis universitário.

Koelle ainda não se decidiu se tentará a carreira profissional no tênis e avalia os próximos passos da vida profissional. "É um esporte muito difícil, porque financeiramente não é viável até você ser top 100. Então, é delicado o processo de conseguir ser tenista", disse o paulista em entrevista para o TenisBrasil. Atualmente sem ranking, Koelle foi 57º colocado no ranking mundial juvenil da ITF e sua melhor marca na ATP foi 1.856 lugar.

Uma das opções para o jovem paulista é atuar no mercado financeiro, já que sua área de formação é voltada para economia e história. "O mercado financeiro é algo que me interessa bastante. Já trabalhei em um fundo aqui no verão e gostei bastante do fundo, da cultura, das pessoas. Então, me formando, seria um mercado que me interessa".

Confira a entrevista com Lucas Koelle.

Você foi para Harvard, que tem muito mais tradição acadêmica que esportiva. E aí não falando apenas do tênis, mas também como futebol americano e o basquete. Como foi sua escolha por lá e o processo de seleção?
Claro. Acho que, apesar da fama dela ser muito acadêmica, acho que é uma faculdade que incentiva bastante o esporte. Então, por exemplo, ela é faculdade nos Estados Unidos com maior número de esportes na divisão I da NCAA. Então incentiva bastante o esporte. E o tênis, mesmo que não seja o primeiro do país, teve o James Blake que foi um jogador super bom. Fui recrutado pelos treinadores do time e fiz o processo como qualquer outro candidato, fiz as provas que precisavam e mandei as minhas notas na escola e tudo mais.

Na escola, até o ensino médio você fez aqui?
Até os meus 13 anos eu fiz uma escola britânica aqui. E dos treze em diante, quando eu comecei a viajar para os torneios ITF, eu fiz uma escola on-line chamada Laurel Springs, que tem base na California, é uma escola americana.

Qual foi o seu curso e como está sua formação hoje?
Lá eles têm uma educação chamada de artes liberais, Liberal Arts. Então eles incentivam muito a você fazer várias matérias diferentes. Estou fazendo economia agora e história, já fiz filosofia e psicologia, e já fiz diversas matérias. Eu pretendo focar mais em história e economia.

Você falou em focar economia. Depois que você se formar, você pretende atuar no mercado financeiro?
O mercado financeiro é algo que me interessa bastante. Já trabalhei em um fundo aqui no verão e gostei bastante do fundo, da cultura, das pessoas. Então, me formando, seria um mercado que me interessa.

Até pela sua formação em história e outras áreas, você tem alguma aspiração de desenvolver algum trabalho ou contrapartida social?
Eu teria vontade. Não sei bem no que seria, mas tenho a cabeça aberta quanto a isso.

O tênis universitário tem algumas regras diferentes, tem maior envolvimento da torcida, como foi para se adaptar com isso?
Acho que foi tranquilo. Não foi um choque tão grande. Acho que jogar num time foi o maior choque, porque tênis é tão individual, geralmente, tem só você e seu treinador. Agora, jogar tênis como se fosse um esporte coletivo, acho que foi o maior choque.

Chegou a jogar Sul-Americano ou Mundial de 16 anos? Sentiu alguma semelhança ou ainda assim é bem diferente?
Cheguei a jogar todos os torneios. Ainda assim é bem diferente. Representar seu país é uma outra sensação.

Aqui no Brasil, a gente tem uma cultura muito do saibro. Como foi para se acostumar a jogar praticamente o ano inteiro na dura?
O saibro é bom porque não machuca tanto o corpo. Quadra dura é duro no joelho, nas costas e várias coisas. Mas meu estilo de jogo é bem adaptado à quadra rápida. Então nisso, o choque não foi tão grande.

Eu acompanhei seus resultados no site da Atlética de Harvard e no ano passado você teve uma temporada curta. Foi 4-2 em duplas [ao lado de Tao Kenny] e não jogou em simples. E daí nesta temporada você retomou a jogar simples e atuou nas janelas do dia 14 e 21 de setembro. Por que você teve que parar de jogar?
Não, eu decidi me focar no acadêmico. Essa é a grande liberdade que Harvard te dá. Eles falam que você tem que entrar lá como ser um humano e como qualquer outro estudante, sem privilégios como atleta, mas por outro lado, você tem essa opção de sair do time. Eu quis experimentar isso. Joguei tênis por muito tempo e quis experimentar essa vida só acadêmica.

E sair do time afeta alguma coisa com relação à bolsa de estudos?
Não afetou, porque Harvard não oferece bolsas a atletas. A bolsa é 100% baseada em necessidade financeira e nunca pode ter vínculo ao esporte.

E como você faz para se manter no time e financeiramente?
Com o time é fácil, porque você tem academia de manhã, tem treino à tarde, o coach e o time ficam em cima de você. E financeiramente, meu pai e minha mãe me apoiam bastante.

Você pretende tentar ainda o circuito profissional, até pelos exemplos recentes de jogadores que vieram do circuito universitário, como Kevin Anderson e Steve Johnson? Até porque os futures no ano que vem não vão mais dar pontos.
No momento eu não sei. O tênis é um esporte muito difícil, porque financeiramente acho que não é viável até você ser top 100 do mundo. Então, é delicado o processo de conseguir ser tenista.

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