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Federer e Zverev discordam sobre calendário da ATP
16/11/2018 às 19h26

Alemão defende temporada mais curta, suíço diz que tenistas podem montar o calendário

Foto: Arquivo

Londres (Inglaterra) - Adversários nas semifinais do ATP Finals, Roger Federer e Alexander Zverev se enfrentam às 12h (de Brasília) deste sábado e têm posições diferentes sobre a duração do calendário e a quantidade de torneios que cada jogador deve disputar. Enquanto Zverev defende que a temporada seja mais enxuta, Federer acredita que os jogadores são livres para fazerem seus próprios calendários.

"Jogador e equipe podem decidir quais são suas prioridades e o quanto o corpo pode aguentar, o quanto a mente pode aguentar e quantas semanas a pessoa pode viajar", disse Federer após a vitória sobre Kevin Anderson na última quinta-feira em Londres.

"O bom é que os jogadores não são empregados de um clube. Eu posso sair agora mesmo pela porta e tirar férias se eu quiser. Ninguém vai me impedir. As pessoas não vão gostar, mas eu posso. Isso é um enorme privilégio, creio eu, que um tenista tem", explica o suíço, ao lembrar da situação dos atletas de esportes coletivos.

Zverev tem como principal queixa a duração do calendário entre janeiro e o fim de novembro. O alemão cita que os tenistas têm pouco tempo de recuperação entre uma temporada e outra, e que concentrar os torneios em número menor de datas poderia ser um cenário mais favorável.

"Como eu digo, o problema não é nem a quantidade de torneios que jogamos no ano, mas quanto tempo dura a temporada. Mesmo se você não estiver jogando um torneio naquela semana, você não pode tirar essa semana de folga. Você tem que estar treinando, você tem que estar se preparando", avalia o número 5 do mundo.

"Nós não temos tempo para nos preparar, fisicamente e mentalmente, e também não temos tempo para nos dar descanso. Você só pode isso fazer durante período de pré-temporada, não quando há outros torneios em que você não está jogando", complementa o jovem de 21 anos.

Sabendo da opinião de Federer, Zverev lembra que o suíço de 37 anos e outros veteranos do circuito têm menos obrigações, de acordo com o regulamento da ATP. "Roger é mais velho, então ele tem regras diferentes da ATP. Ele pode pular dois Masters 1000 e não precisa jogar todos os ATP 500. Eu tenho que jogar todos os quatro Grand Slams, todos os nove Masters 1000, e eu tenho que jogar quatro 500 eventos além disso. Na verdade, eu até joguei um evento de 250 também".

O alemão também lembra que o número 1 do mundo Novak Djokovic também já contestou a duração do calendário em diferentes momentos da carreira. "Se você perguntar a Novak, ele concorda comigo. Já tivemos essa conversa. Ele tem pensado da mesma forma nos últimos 10 anos, mas nunca falou sobre isso. Agora que os jogadores estão falando sobre o assunto, ele também fala".

Para Federer, um calendário mais extenso também impede que jogadores comprometam uma temporada inteira em caso de lesões, como acontece em alguns esportes individuais. "Há duas maneiras de ver isso. De um lado, é bom que haja tantos torneios. Quando você se machuca, você não perde a temporada inteira, como acontece com os esquiadores, por exemplo. Por outro lado, seria incrível ter cinco meses para trabalhar no seu jogo e maximizar o jogador que você é e o potencial que você tem".

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