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Monteiro aposta no 'jeitinho argentino' para reagir
16/10/2018 às 07h00

Monteiro quer voltar ao top 100 antes do fim do ano

Foto: João Pires/Fotojump
Felipe Priante

Atual número 1 do país, o cearense Thiago Monteiro resolveu fazer uma reviravolta em sua carreira nesta reta final de temporada na busca pelo melhor tênis de sua carreira. Tudo começou com uma mudança na mentalidade do canhoto de 24 anos, que acabou trocando a Tennis Route, academia em que trabalhava no Rio de Janeiro, pelo experiente argentino Fabian Blengino, que levou Guillermo Coria à final de Roland Garros em 2004.

“Cheguei a ser 74º do mundo e queria seguir nos ATP, mas não estava jogando para ganhar as partidas e sim para não deixar essa oportunidade escapar. Isso interfere no seu jogo, você acaba segurando mais a mão e pensando mais do que deveria pensar. O tênis é um esporte intuitivo e está cada vez mais próximo. Não é porque eu estava 70 do mundo que não podia perder para um cara que era 200 e antes meu pensamento era que quando fosse jogar um challenger eu tinha que ganhar, mas não é assim”, explicou o cearense.

Monteiro despontou no circuito em 2016, quando venceu o francês Jo-Wilfried Tsonga na primeira rodada do Rio Open, que abriu caminho para uma grande temporada, na qual entrou pela primeira vez no top 100. No ano seguinte ele disputou uma série de torneios ATP e a pressão pela manutenção do ranking custou a saída do top 100 em julho e a luta até agora para tentar o retorno, uma de suas metas para esse final de 2018.

“Em 2016 eu estava muito concentrado e queria ganhar sempre o próximo jogo, sem me preocupar tanto com erros e acertos. Jogava o jogo. No ano passado, eu evolui tecnicamente, mas essa questão da competitividade me atrapalhou, fiquei me pressionando sem necessidade e isso me abalou em certos jogos. Me deixava perdido na quadra em questão tática. Faltava ter a tranquilidade de notar o que estava acontecendo no jogo e buscar uma alternativa para mudar, isso fez muita diferença”, analisou o atual 114 do mundo.

“Estou voltando a subir no ranking e tenho a meta de voltar ao top 100 depois dessa sequência de torneios (latino-americanos sobre o saibro) e poder assim entrar de novo na chave principal do Australian Open”, complementou Monteiro, que acredita ter feito um 2018 com altos e baixos, mas bem mais consistente que a temporada anterior, destacando as quartas de final no ATP 500 de Hamburgo e a primeira semi no começo do ano, no ATP 250 de Quito.

Sonhando não só em recuperar a melhor forma, mas também em dar passos maiores, o canhoto de Fortaleza iniciou sua parceria com Blengino após o US Open. “Começamos treinando na Europa, mais para nos conhecermos melhor. Ele tem uma boa visão de correções, não só tecnicamente falando, mas de plano de jogo, algo que gostei muito”, disse o brasileiro sobre suas primeiras impressões ao lado no novo técnico.

Mesmo ainda em começo de trabalho, o treinador já começou a colocar sua mão em alguns aspectos do jogo, como ajudar Monteiro nas bolas mais fáceis, pedindo mesma atenção e movimento de pés do que nos pontos disputados. "Eu confiava muito na mão, ficava mais parado e acabava errando. São detalhes e ajustes finos que fazem a diferença. Estamos trabalhando bastante também o saque, um golpe que faz a diferença no jogo”, disse o cearense.]

Grande candidato a integrar o time brasileiro que enfrentará a Bélgica em fevereiro do próximo ano, pelo playoff do Grupo Mundial da ‘Nova Copa Davis’, o cearense comemorou poder enfim jogar dentro de casa, já que os cinco confrontos que fez até então foram todos fora. "Não sei como é ter o público ajudando e te empurrando. Fico feliz de poder jogar agora em casa contra a Bélgica, que é um confronto duro, mas dependendo de como estivermos nesse fim de ano podemos ter boas chances”, finalizou Monteiro.

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