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US Open muda método para definir cabeças de chave
24/06/2018 às 10h44

Serena pode ser beneficiada pela mudança aprovada pela USTA

Foto: Arquivo

Nova York (EUA) - A organização do US Open irá modificar o método de definição das cabeças de chave a partir da edição deste ano, que acontece entre os dias 27 de agosto e 9 de setembro. O objetivo é permitir que jogadoras que tiveram de fazer pausa na carreira por conta da gravidez, casos das ex-líderes do ranking Serena Williams e Victoria Azarenka, permaneçam entre as favoritas.

Em entrevista ao jornal New York Times, a presidente da USTA Katrina Adams afirmou que as jogadoras que voltam ao circuito depois de formarem uma família não podem ser "penalizadas", segundo ela: "É a coisa certa a fazer para as mães que estão voltando a jogar".

Adams não detalhou como será feito o cálculo, apenas disse que a ideia é "revisar as cabeças de chave se a gravidez for um fator determinante no ranking atual de uma jogadora". A dirigente jogou profissionalmente entre as décadas de 1980 e 1990, chegando ao top 100 em agosto de 1996. Até por isso, ela entende que jogadoras de ranking mais baixo podem ser contrárias à medida.

"Sou uma ex-jogadora e entendo", comentou a norte-americana,  que chegou ao número 94 do ranking. "Não gostaria de ser a número 32 do mundo, que trabalhou duro durante um ano para obter esse ranking. Mas nós somos um Grand Slam e temos o direito e a oportunidade de ordenar as jogadoras de acordo com o que acreditamos ser justo".

A dirigente também destaca que a mudança também é positiva para as futuras gerações do circuito e também para mulheres de diferentes profissões. "Achamos que é uma boa mensagem para nossas atuais jogadoras e futuras jogadoras", disse Adams. "Está tudo bem parar e se tornar mãe para depois voltar para o seu trabalho. Acho que é uma mensagem maior"

Ela também não nega que a mudança leva a consideração a condição de Serena, que foi mãe em setembro do ano passado e disputou apenas três torneios de simples desde então. A ex-número 1 aparece atualmente no 183º lugar do ranking. "Serena Williams é sem dúvida a maior jogadora de todos os tempos, com 23 títulos de Grand Slam. Ela merece respeito e ser colocada nessa posição."

Jogadoras que ocupam as primeiras posições no ranking como Simona Halep e Elina Svitolina, além da ex-número 1 Maria Sharapova foram perguntadas sobre isso em Roland Garros e se mostraram favoráveis. A discussão deve seguir em Wimbledon, que não utiliza necessariamente o ranking para definir as cabeças de chave. Durante o WTA de Birmingham na última semana, a número 8 do mundo Petra Kvitova adotou um meio termo e acredita que Serena poderia ser "cabeça 9" do Grand Slam britânico.

Como era esperado, jogadoras com ranking mais baixo ou que lutam pela condição de cabeça de chave contestam a medida. É o caso da 24ª colocada Barbora Strycova. "Por que devemos dar a condição de cabeça de chave a alguém que escolheu ter um bebê? Não dão quando você está voltando de lesão. Eu acho que elas não deveriam ser cabeças de chave. É duro, mas esta é a minha opinião".

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