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Recordista Chris Evert diz que Nadal já fez mais
06/06/2018 às 23h02
Ricardo Acioly
Especial para TenisBrasil

Se ganhar 81 jogos no saibro é um feito inimaginável, o que você diria então de uma tenista que passou 125 partidas sem conhecer uma derrota sequer na terra batida? Essa foi a notável marca que a norte-americana Chris Evert, sete vezes campeã em Roland Garros, obteve em sua espetacular carreira.

Evert é hoje proprietária de um dos mais renomados centros de preparação de juvenis do mundo, a Evert Academy, na Flórida, que formou justamente as duas semifinalistas de Roland Garros desta sexta-feira, Sloane Stephens e Madison Keys.

A ex-número 1 do ranking diz em entrevista exclusiva a TenisBrasil que exerga os feitos de Nadal no saibro superiores aos seus. "Nos anos 1970, as maiores tenistas praticavam saque-voleio, como Billie Jean King, Margaret Court e Virginia Wade, enquanto eu era uma jogadora de base, já que cresci no saibro", avalia ela, com modéstia.

Chris assinala que havia uma distinção clara entre os pisos, diferente da padronização de hoje. "Ganhei três vezes Wimbledon jogando na base, acho que foram meus maiores feitos. Hoje a grama é mais dura, está mais para as quadras sintéticas, assim como o saibro ficou mais rápido. Não há mais especialistas no tênis de hoje, todos são bons em tudo".

Segunda maior colecionadora de troféus da Era Profissional, com 154 conquistas de simples, Evert destaca o papel de sua força mental: "Tinha fome de títulos", brinca. "Os grandes campeões são assim. Esquecem a vitória do dia ou da semana anterior e já estão focados no próximo. No meu caso, o sucesso era basicamente fruto do poder mental. Não tinha atributos físicos, mas me focava, me concentrava. Isso também é o que diferencia um grande tenista dos maiores campeões, como Serena (Williams), Steffi (Graf), Monica (Seles) ou Martina (Navratilova). Mesmo sem jogar bem, achávamos uma forma de ganhar".

Na sua opinião, o tenista de hoje precisa de potência, "um grande golpe e um grande saque", além de se mexer bem. "E claro, saber jogar sob pressão". Ela admite que o calendário profissional é muito duro, porém não acredita que isso seja um problema: "Todos os torneios querem ver os melhores, isso é normal. Temos visto muitas contusões, mas ao mesmo tempo os jogadores com mais de 30 anos conseguem ir mais longe. Então me parece que o calendário está certo".

A norte-americana, hoje com 63 anos, acha que o próprio tenista é quem coloca pressão sobre si mesmo: "Quando eu era juvenil, ficava tensa por ter de encarar jogadoras mais velhas. Mas ao entrar no circuito profissional, com 13 anos, sabia que tinha o tempo a meu lado e as adversárias é que ficavam nervosas. Lá no final da minha carreira, quando enfrentava as jovens Seles e Graf, aí sim veio a pressão sobre mim. Acho que pressão é algo que o tenista coloca sobre si mesmo quando entra em quadra".

Habituada a tratar com pais ansiosos todos os dias, Chris usa sua experiência pessoal para controlar o dia a dia de sua agitada academia. "Meu pai jogou o circuito e depois foi técnico de todos os filhos. Essa relação pai-tenista nem sempre dá certo, mas hoje em dia vemos o bom exemplo de Caroline Wozniacki. Aqui na Evert Academy, permitimos que os pais acompanhem o trabalho à distância e que discutam com os treinadores ao final do dia, mas lá na quadra a coisa cabe aos técnicos. Os garotos não precisam de mais pressão do que já têm".

Assim como no Brasil, Chris se depara com frequência com as dúvidas da família sobre o tenista seguir carreira ou tentar a universidade. "Há muitos tenistas talentosos que desejam virar profissional. Acho que aos 16 anos você já sabe se está entre os melhores do país, se está indo bem nos futures. O instinto vai lhe dizer se vale ou não ir para o circuito. Se você é número 1.000 do ranking e está com 17 ou 18 anos, então melhor ir para a universidade. Educação é algo muito importante e o estudante pode decidir tentar o tênis profissional depois de um ou dois anos de Universidade, mas dificilmente vai conseguir o contrário. O ambiente nas Universidades americanas é incrível, com trabalho em conjunto, excelente treinadores".

Em julho, a Evert Academy sediará o College Day, um evento em que tenistas do mundo inteiro tentam mostrar suas habilidades perante os treinadores das melhores Universidades americanas em busca de bolsas e oportunidades. "A Evert procura combinar esporte e estudo de uma maneira única e seu programa de tênis permite que os alunos treinem em dois períodos, com 5 horas diárias, e ao mesmo tempo frequentem presencialmente a escola".

Os brasileiros também poderão participar do College Day. Os interessados podem contatar a R3A pelo email contato@r3asports.com.br.

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