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Jovens contam dificuldades do início no profissional
05/12/2017 às 08h00

Orlandinho e Zormann costumam jogar juntos nas duplas

Foto: João Pires/ Fotojump
Felipe Priante

Três das principais esperanças do tênis nacional para o futuro, o paulista Marcelo Zormann e os gaúchos Orlando Luz e Rafael Matos, estão sentindo na pele as dificuldades do início da carreira de profissional.

Em conversa simultânea com o TenisBrasil, durante o IS Open, torneio da série future disputado em São Paulo, eles contaram um pouco dos perrengues deste início no circuito da ATP e falaram bastante sobre a amizade que levam para o dia a dia.

Além de falarem bastante sobre tênis, revelando seus jogadores preferidos, e todo o entorno da modalidade que escolheram para levar a vida, os jovens tenistas também descontraíram e contaram um pouco sobre de seus gostos fora da quadra.

Veja a primeira parte do bate-papo:

Como funciona essa amizade de vocês três no circuito? O quanto ela ajuda a levar o dia a dia?

Zormann: Isso facilita bastante a vida no circuito. Você está longe de casa, principalmente eu, que neste ano passei muito tempo fora, e isso ajuda demais. Estar com alguém conhecido e principalmente alguém com quem se tem um convívio há bastante tempo, mais de quatro anos, faz com que se crie um laço grande, quase como uma família...

Matos: Que lindo, Zormann!

Zormann: ... é algo que ajuda bastante, por é difícil lidar com as derrotas. Até porque a gente nem sempre viaja com treinador.

Fora de tênis, quais os assuntos que vocês mais conversam?

Matos: Essa pergunta é boa para ti (aponta Zormann), que gosta de assuntos polêmicos.

Zormann: A gente acaba conversando de tudo um pouco, principalmente outros esportes. Eu sou um cara mais reflexivo em assuntos diferenciados. Tenho muito tempo livre e acabo viajando demais até. Também falamos muito de séries e filmes.

Qual a série que vocês estão vendo atualmente?

Zormann: Estava vendo Dragon Ball Super.

Orlandinho: Eu vejo várias ao mesmo tempo, mas gosto mais de séries policiais, como Blindspot e Blacklist. Também gosto muito de super-heróis.

Então você vê todos esses filmes da DC e da Marvel?

Orlandinho: Todos! Agora lançou Liga da Justiça e estamos marcando para ver.

Zormann: O Rafa ali é rato de série.

Matos: Minha série favorita é Suits, gosto bastante de séries de advogado.

Orlandinho: Tem também How to Get Away with Murder, que é muito boa.

Qual o maior perrengue que vocês já passaram viajando pelo circuito?

Matos: Teve uma viagem que a gente fez bem longa, em que estávamos os três juntos, para chegar na Itália, em Cornaiano.

Orlandinho: Meu deus!

Matos: Foi uma viagem que não acabava nunca. Saímos do Brasil, pegamos um avião para a Alemanha, em Frankfurt, depois pegamos um voo para Milão e aí era um trem para lá, outro para cá e não chegávamos nunca. Foram mais de 40 horas de viagem.

Orlandinho: Cheguei lá e mal conseguia abrir meu olho.

Zormann: Essas cidades mais do interior nos países as estações de trem são bem ruins. Tinha uma, faz pouco tempo, acho que na Espanha, que só tinha um barzinho. Mass teve uma viagem que a gente fez no tempo de juvenil em que passamos muito medo.

Matos: Acho que foi a mais marcante.

Zormann: Estávamos indo de Milão para a Bélgica, em um trem de noite, destes que tem camas. Nesta a gente passou muito medo. O pessoal era meio estranho, tinha polícia checando o passaporte, uns policiais italianos mais agressivos assim. E a gente não sabia qual era, estávamos virando a noite e cheios de malas. Não sabíamos se dava para dormir ou não, dormia agarrado na mochila.

Matos: Foi nossa primeira gira na Europa.

Orlandinho: Teve uma em que eu e o Rafa estávamos de um future para o outro e os trens estavam em greve e tínhamos que chegar para assinar o quali e não conseguia chegar no lugar porque o único modo de chegar na cidade era de trem e estava tudo em greve. Aí fomos com um bilhete fantasma, sem lugar para sentar nem nada, era quase um papel em branco e a gente foi, pingando de vagão em vagão buscando um acento. E era uma viagem de oito horas.

Zormann: Neste mesmo torneio o (João) Menezes tinha feito semi e eu final, daí a gente acabou alugando um carro para ir da França para a Bélgica e foram acho que 20 horas de carro com o (Luis) Peniza (treinador de Zormann) dirigindo. Chegou um momento que estava a 20km/h na estreada e então paramos na estrada para tirar um cochilo.

Qual o lugar mais diferente ou curioso que vocês foram?

Orlandinho: Eu nunca fui para uma cidade que não voltaria, nunca passei aperto tão feio. O pior foi na China por questão de comida. Eu sou muito fraco para pimenta e tudo era apimentado, do café da manhã até a janta. Era difícil para comer.

Este ano foi complicado para torneios no Brasil. Para vocês que estão começando, foi mais difícil ter que caçar esses pontos lá fora?

Orlandinho: Fala tu, que ficou seis meses na Europa (apontando para Zormann).

Zormann: Foi bastante difícil, não apenas na questão financeira, mas esse fato de ficar tanto tempo longe de casa também acaba atrapalhando. Você acaba treinando menos e não consegue ter umas duas ou três semanas para dar uma descansada e só treinar, para voltar novo para as competições.

Vocês acompanham outros esportes? Rola uma provocação no clubística no futebol?

Zormann: Claro! Os caras jogaram a série B. Se bem que meu time quase caiu, mas no final deu tudo certo. Segunda-feira eles sumiam todos.

E algum outro esporte além do futebol?

Orlandinho: Só futebol e tênis mesmo.

Zormann: Eu acompanho pouco de outros esportes, mas tenho acompanhado bastante CS (Counter Strike – jogo virtual de tiro).

E você joga ou só acompanha?

Orlandinho: Ele engana.

Zormann: Eu jogo, mas não CS-Go, jogo o seis. Na última competição que teve eu passei mal com o time do Brasil, o SK Game, que salvou quatro match-points. Foi a primeira vez que assisti ao vivo e foi muito legal, você fica numa adrenalina. Também gosto muito de pôquer, fico vendo o tempo todo, mas não tenho um jogador favorito.

Você gosta de blefar? Acha que dá para levar um pouco para a quadra?

Zormann: Acho que todos os jogadores tentam não demonstrar as emoções para o adversário, principalmente no terceiro set, quando sempre se está mais cansado. Às vezes é um gatilho que o cara vê, acha que você está cansado e resolve jogar mais. Mas também pode ser o contrário.

Orladninho: Então você blefa e finge que está cansado? Aí de repente você vai e corre?
Zormann: Isso eu já fiz (risos), mas é coisa que acontece no tênis. O circuito está cheio de truques e pegadinhas assim.

Voltando ao futebol, vocês são torcedores de acompanhar bastante o time ou nem tanto?

Matos: Eu vejo os resultados, mas não sou fanático.

Zormann: Vou te dizer que agora que o São Paulo estava em uma fase ruim eu fiquei acompanhando bastante.

Orlandinho: Eu já fui uma vez no Beira-Rio, mas para conhecer. Nunca assisti um jogo lá, só na Arena do Grêmio, um Grenal ainda. Meu empresário trabalha com o Grêmio e fui com ele. Nunca tinha ido em um estádio de futebol, foi a primeira vez. O vice-presidente conhecia ele e nos chamou para a tribuna. Sentamos com o cara e saiu o gol do Grêmio. Achei que era tranquilo não comemorar, só que o meu empresário falou que eu era gremista e na hora ficara me olhando e tive que pular. No final acabou 2x1 para o Inter, mas por sorte os gols saíram quando estava na fila do cachorro-quente e deu para gritar.

Matos: Ia no estádio com meu pai, não bastante, mas algumas vezes sim.

Zormann: Fui várias vezes no estádio do Linense, que está na série A1 do Paulista, campeonato estadual mais difícil do país.

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