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Puig conta com preparador brasileiro e mira o top 20
28/11/2017 às 08h28

Campeã olímpica terá a companhia de Cassiano Costa na próxima temporada

Foto: Divulgação
por Mário Sérgio Cruz

Campeã olímpica no Rio de Janeiro em 2016, Monica Puig não conseguiu repetir o bons resultados na última temporada, por conta de lesões e de uma mononucleose, e caiu no ranking, deixando o 32º lugar que ocupava no fim do ano passado para a atual 57ª posição. Disposta a não apenas recuperar posições como também a dar um salto na carreira, a porto-riquenha fez mudanças na equipe e quer terminar 2018 entre as vinte melhores do mundo.

Para o ano que vem, Puig conta com o preparador brasileiro Cassiano Costa, que já trabalhou com as ex-top 5 Vera Zvonareva e Eugenie Bouchard. A parceria foi testada nos últimos dois torneios de 2017 e a porto-riquenha conseguiu seu melhor resultado na temporada ao ser finalista do WTA de Luxemburgo. Em entrevista ao TenisBrasil, Cassiano falou sobre a expectativa para a próxima temporada

Puig, Cassiano e o técnico Nacho Juan Todero iniciam a quarta das sete semanas da pré-temporada estabeleceram um plano de metas para diferentes etapas do circuito e aposta na tecnologia para evoluir em aspectos de concentração, reação e improvisação.

O preparador, que também colabora com Thomaz Bellucci, também falou um pouco sobre o trabalho de recuperação do canhoto paulista que completa 30 anos em dezembro e está voltando de uma lesão no tendão de aquiles.

Confira a entrevista com Cassiano Costa.

Quando começou seu trabalho com a Puig e como surgiu a possibilidade de trabalhar com ela?
O trabalho começou na metade de outubro, uma semana antes do torneio de Linz. O manager dela, Marjin Bal, me conhecia da IMG, porque eu já tinha trabalhado com alguns atletas dele, já conhecia o técnico de vê-lo competições e eles fizeram um convite. Foi um teste naquelas três semanas e aí oficializou.

A última temporada não foi tão boa para ela, que caiu do 32º para o 58º lugar, e venceu só 23 jogos, mas terminou bem com o vice em Luxemburgo. Como manter esse nível para o ano que vem?
Terminou com uma energia diferente. Ouvi bastante o manager, o quiroprático e o técnico dela sobre os erros e o que não foi bom durante o ano. Nas semanas que eu estava, eu já vi como deveria preparar um trabalho mental e físico, até porque ela não teve uma boa pré-temporada por N motivos e eles sabiam que isso poderia interferir bastante na performance dela. E a gente já vê o resultado em como ela vem treinando e se dedicando.

Como está sendo desenvolvida a pré temporada? Sei que vocês estão na quarta semana de sete.
Muito boa. Nós tivemos os blocos iniciais que a prioridade era minha. Esssa semana é a transição e a semana mais dura, porque você aumenta a intensidade do tênis e diminui um pouco a preparação física. E da semana que vem em diante, meu trabalho é mais de ajuste e manutenção e o técnico impacta bastante na quadra. Tá muito boa. Inclusive hoje tivemos um treino de altíssima qualidade e estamos bem contentes, e ela também, porque vê o resultado.

A gente vê muitas jogadoras que viajam com rebatedor. Para uma jogadora agressiva e que bate muito forte na bola como ela, é uma opção boa?
Rebatedor é sempre uma boa opção. O problema é que isso agrega um custo maior na equipe. Como os torneios sempre oferecem bons rebatedores e o Juan é um cara que tem boa mão para trocar com ela. E ela é uma pessoa que também treina com outras meninas, não é uma prioridade. Não que não tenha necessidade, tanto que estamos usando na pré-temporada. A preferência de investimento é com quiroprata e em mim, mas não vai ser surpresa se aparecer uma semana com ela viajando com rebatedor.

Com quais meninas ela costuma treinar nos torneios e agora na pré temporada quando joga alguns pontos?
Por ora ela não está jogando pontos, então não está treinando com ninguém específicamente. Nos torneios, ela não é fechada. Só pela proximidade, como ela já treinou com o pessoal da USTA, às vezes treina bastante com as americanas como a Christina McHale, a Louisa Chirico e a Sloane Stephens. Também se dá muito bem com as latinas por conta da língua. Quem tiver no torneio, ela treina. É muito tranquila com isso. E o Nacho sempre tenta pegar alguém que tenta pegar alguém com características similares.

A Puig tem uma meta de ser top 20 no fim do ano. O título da Ostapenko, que tem um estilo de jogo parecido, em Roland Garros e o próprio outro olímpico dela são sinais de que ela pode não apenas cumprir esse objetivo como chegar ainda mais longe?
O título da Ostapenko acho que não reflete muito onde a Monica pode chegar. O ouro dela nas Olimpíadas, sim. E agora mais e mais ela está vendo que mantendo o ritmo de concentração e esforço ela pode ter recompensa. Mas com certeza, todos vemos grande potencial nela e temos expectativa muito positiva para esse ano.

Pode descrever um pouco sobre esse plano de metas até o top 20 no fim da temporada?
A ideia é deixar bem competitiva para o período entre a Austrália e Miami e tentar arrancar bons resultados que a coloquem no top 40 ou mais. Depois o segundo bloco vai ser deixar ela preparada para a temporada na Europa e daí, esperançosamente, já terminar entre as trinta e preferencialmennte entre as 20 já em Nova York.

Agora, a teoria é bonita. A gente vai dar as ferramentas para prepará-la mentalmente, fisicamente e tecnicamente, mas o tênis tem muitas coisas. Você tem a adversária que você joga contra, tem o momento do jogo, mas a gente vê que é realista e pés no chão essa possibilidade.

Tem algum estilo de adversária que ela sinta mais dificuldade ou que vocês sintam mais necessidade de trabalhar no jogo dela?
Essas jogadoras como a Svitolina que ficam no jogo, tem um bom estilo e devolvem muito é o tipo de jogadora que a gente quer fazer com que ela não passe mais tanto apuro

Ela tem utilizado alguns exercícios de treinamento mental durante a rotina. Explique esse procedimento e no quanto ele ajuda.
A gente tem adequado alguns exercícios de concentração, atenção, memória, processamento de informação, meditação e combinação com o movimento. Eu uso algumas aplicações, a mais famosa é a Lumosity, que são até alguns joguinhos bem interessantes. Ajuda demasiado porque ela consegue ter mais atenção ao que está acontecendo, resolver as situações e não se desesperar.

Desde a medalha de ouro, a Puig virou uma embaixadora de Porto Rico e passou a se envolver em muitas causas sociais no país. O quanto essas experiências são engrandecedoras pra ela e como tem sido feito para conciliar esse trabalho com a rotina de treinos e competições?
Acho importante porque está ajudando ela amadurecer como pessoa e como atleta também. Ela pode ver coisas que ela talvez não estivesse exposta antes, porque ela mora nos Estados Unidos desde menina e isso só ajuda. Ela não deixa isso de forma alguma atrapalhar a rotina de treinos dela.

Sabe mais ou menos com quantos anos ela se mudou para os Estados Unidos?
Ela foi bem nova, com oito ou nove anos.

Antes de encerrar: O trabalho com o Thomaz foi finalizado?
Não. Na verdade, vou conseguir manter atividade com os dois. Está bem organizado isso.

Certo. Como está o processo de recuperação dele?
Está ótimo. Ele agora pode treinar normalmente. Ainda sente um pouco de dor, mas com certeza em janeiro já estará bem preparado para a gira australiana.

Ele já está treinando então?
Ele está começando a se preparar para a quadra, porque ele também está fazendo pré-temporada e ainda está na parte física.

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