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Notícias | Dia a dia | Australian Open
Bernardes A ATP nos proibe de dar entrevista
01/02/2016 às 15h00
Diego Diegues, especial para TenisBrasil
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Melbourne (Austrália) - O que era para ser uma entrevista de 15 minutos tornou-se um bate-papo de aproximadamente uma hora. Proibido pela Associação dos Tenistas Profissionais (ATP) a conceder entrevistas durante os torneios, e incomunicável quando não está arbitrando, o TenisBrasil conseguiu uma brecha cedida pela organização do Australian Open para conversar com exclusividade com o árbitro brasileiro Carlos Bernardes.

Há 25 anos arbitrando os principais torneios do mundo, o brasileiro falou sobre a rigidez da entidade que comanda o tênis mundial. “Geralmente para a ATP nós não podemos dar entrevistas, falar de jogadores, e tudo mais, porém como se trata de um Grand Slam a organização aceitou que concedesse essa entrevista. Achei estranho. É a primeira entrevista que concedo a um veículo brasileiro”, ressaltou Bernardes.

Nascido e criado em São Caetano, região localizada no ABC de São Paulo, Bernardes, 51 anos é um dos principais árbitros do circuito mundial. Respeitado dentro e fora de quadra por tenistas e companheiros de profissão, o brasileiro possui em seu vasto currículo como juiz, uma final na grama sagrada de Wimbledon, disputada entre Novak Djokovic x Rafael Nadal, vencida pelo sérvio.

Antes de virar árbitro profissional, o tênis já fazia parte da carreira de Bernardes. O paulista era professor de tênis e estudante de Engenharia, porém no de 1990 resolveu largar tudo e tentar a sorte como árbitro. “No começo de 1990, comecei a viajar pela América do Sul para arbitrar jogos, mas o primeiro convite para ser árbitro principal de cadeira de um torneio ATP só veio a acontecer em 1992. Daí não parei mais, e estou nessa carreira há 25 anos”, disse.

Não escalado para as fases finais em Melbourne, Bernardes arbitrou seu último jogo nas quartas de final. Amante confesso de esportes e torcedor do Palmeiras, o ex-professor de tênis e estudante de engenharia abriu o jogo sobre o circuito, à vida de árbitro dentro e fora das quadras, Jogos Olímpicos, polêmicas, fatos curiosos, bastidores, Copa do Mundo, política, curling, crickett, Rafael Nadal, jornalistas e claro, tênis.

Confira o Bate-Bola exclusivo com Carlos Bernardes:

Como é vida de um árbitro profissional de tênis?
São 25 semanas no mínimo de trabalho, e que você pode juntar com mais oito equivalentes aos Grand Slam. Além do mais, se algum torneio não estiver no seu calendário, você pode fazer a aplicação para trabalhar nele. Tudo extra quadra é pago pela ATP, como transporte e hospedagem. O restante é a organização do torneio que fica como responsável, como acomodação e comida.

Por que escolheu a Itália para viver e morar?
Eu vivo em Bergamo, na Itália. E moro com a minha namorada (também italiana). A verdade é que pretendo viver lá o resto da minha vida. Gosto muito do Brasil, sinto falta das minhas raízes, mas em termos de qualidade de vida, não tem como deixar a Itália e voltar ao Brasil.

Como começou a paixão pelo Tênis?
Assistia ao (Bjorn) Borg e (John) McEnroe em partidas épicas nas finais de Wimbledon, e tinha uns amigos que gostavam de tênis em São Caetano, e lá tinha um lugar (que não existe mais) com apenas uma quadra e nós pulávamos o muro para jogar, quando não tinha ninguém lá. Lembro que colocávamos um cavalete de atletismo para simular uma rede, e um belo dia a professora de tênis nos pegou em flagrante e ao invés de dar bronca nos convidou para começar a treinar lá.

Quando resolveu virar árbitro profissional e tornar isso como profissão?
Foi na época que tive que decidir entre parar de dar aulas de tênis e iniciar esse novo desafio na minha carreira. No início, eu fazia juiz de linha e de cadeira nos torneios.

Você imaginava chegar ao patamar, que se encontra hoje?
Nem imaginava. Nem no meu melhor sonho. Você começa na sua região, depois nas principais cidades do Brasil, passa a arbitrar pelo continente e depois para o mundo. Uma coisa que vai devagar, e se torna algo gigantesco.

Você se considera um ponto de referência para os mais jovens? Uma espécie de percussor, ainda mais com a falta de um grande ídolo dentro de quadra?
A falta de ídolos dentro de quadra torna essa opção do árbitro viável para algumas pessoas. Eu me sinto sim responsável por abrir essa porta para nova geração. Mas no começo nada foi fácil, comida e quarto compartilhados, passamos dificuldades. Eu aposto muito na Paula Vieira. Acho que temos alguns bons exemplos de árbitros brasileiros da nova geração que estão chegando forte e podem junto comigo crescer na profissão.

Você se considera uma celebridade, um famoso no mundo do tênis?
Os fãs do tênis são fanáticos. Nós vamos aos lugares e as pessoas te param para pedir fotos, autógrafos. Mesmo fora do circuito e sem usar as roupas de juiz, as pessoas realmente sabem quem eu sou e te param na rua. É engraçado porque eu não sou jogador, e mesmo assim me tratam como famoso. Mas eu as entendo, porque quando tenho a oportunidade peço selfies para alguns jogadores (fora do tênis).

Mas, não me sinto uma celebridade. As estrelas são os jogadores. Estamos ali para fazer o nosso trabalho da melhor maneira possível, controlar a partida e garantir que não haja nenhum tipo de polêmica.

Você tem alguma história engraçada de algum fã?
Tenho uma, no Chile. Fazia muito jogo do Marcelo Rios (ex-número um do mundo e um dos principais tenistas chilenos da história). Eu estava de day off um dia e fui no cinema em um dos shoppings de lá. Daí eu estava no banheiro, e um senhor que limpava o banheiro pediu para tirar uma foto comigo lá mesmo. Foi engraçado e constrangedor.

Outra história aconteceu em Roma, na Itália. Em um dos dias livres, estava passeando com minha namorada pela cidade, quando vi o Kei Nishikori junto com diversos japoneses, como turista, ali despercebido sem seguranças e acabamos conversando como dois “anônimos” em meio à multidão de pessoas que lá estavam.

Como é a sua vida fora do tênis? O que gosta de fazer no seu tempo livre?
Eu gosto de jogar tênis (risos). Onde moro tem um clube que me deu o título de sócio honorário, e o mais engraçado que minha namorada que é italiana precisa pagar toda vez que vai lá (risos). Então sempre que posso jogo tênis, passeio com meu cachorro, mas o meu hobby principal é ficar em casa. As pessoas não tem ideia do quão difícil é ficar viajando o tempo inteiro e passar horas e horas dentro do avião, sem tempo para família. Às vezes quando você volta para casa, o que mais quero é ficar em casa com as pernas para cima. Lavo e passo roupa, cozinho minha própria comida, assisto TV, não vejo ninguém, só minha namorada. Gosto de ver futebol e basquete. Sinto falta de ficar na minha casa e de um programa caseiro.

Por que você considera a vida de árbitro desgastante?
Porque, às vezes fico meses sem aparecer em casa. A gente está sempre viajando e emendando um torneio no outro. A diferença para os jogadores é que nós precisamos ficar até o final, o tenista se perder antes consegue regressar à sua casa.

Você tem algum fato curioso, que gostaria de compartilhar?
Tem jogador que já pediu para foto comigo, alegando que sua mãe era minha fã. Mas nós árbitros não podemos tirar fotos com jogadores, nem conversar e muito menos sentar na mesma mesa enquanto comemos, porém se o atleta vier até nós e sentar conosco nós não podemos recusar. São alguns dos bastidores dessa relação árbitro/jogador.

Quem são seus ídolos no esporte?
Ayrton Senna e Michael Jordan. Uma vez fui à Nova York, e me lembro até hoje que paguei um ingresso super caro de um cambista, mas valeu muito a pena, porque nessa partida, o Jordan fez 54 pontos, a última jogada da partida e de quebra o time dele venceu por um ponto. A verdade é que adoro esportes, acho o ambiente saudável e sempre que posso tento assistir e aproveitar ao máximo.

Qual a sua expectativa para os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro?
Eu fui selecionado para trabalhar. Eu espero que consigam construir um legado, e que possam ser usados pelos atletas depois dos jogos, para desenvolvimento do esporte brasileiro. Eu espero que não fiquem largados iguais alguns estádios da Copa do Mundo, e prefiro acreditar que os investimentos continuem sendo investidos para o melhor do Brasil.

Eu só fiquei triste, porque nenhuma pessoa ligada à organização do tênis nos Jogos Olímpicos procurou a mim ou aos atletas para pedir nossa opinião na construção da quadra ou na elaboração do projeto. E se dá um azar e chove os cinco dias na semana. Será que o Rio de Janeiro está preparado? Nós temos um plano B? Os jogadores na semana seguinte tem Indian Wells. Porque não construir duas quadras cobertas com teto retrátil e jogar o Rio Open para lá, talvez mudar do saibro para quadra dura. A verdade é que nunca perguntaram nada para gente. Eu só acho que uma opinião das pessoas do meio seria bem-vinda. Tanto é que a quadra foi pintada errada ... então porque não chegar para o Guga, e perguntar o que você acha? O mesmo vale para Meligeni, Saretta, Bellucci, e outros profissionais da área. Sem dúvida as pessoas dificultam as coisas que poderiam ser feitas mais facilmente. Não quer falar com o juiz, ok, então procure os jogadores.

Como avalia o atual momento do tênis brasileiro?
É difícil para eu avaliar, porque não vivo no Brasil e não tenho acompanhado de perto o que tem sido feito e realizado. Por exemplo, o processo de treinamento e coordenação do tênis, assim como o que é errado ou certo.

Como foi apitar jogos de Brasileiros? Qual a recomendação para esse tipo de caso?
A gente evita apitar jogos de jogadores da mesma nacionalidade. Porém, quando isso acontece, o jogador adversário é consultado e se não tiver problemas, apitamos. Mas é com total profissionalismo.

No começo do torneio, eles te informam os jogos e até que fase você vai arbitrar. Então eu já sabia que aqui na Austrália eu apitaria do qualy até as quartas de final. E, geralmente se você faz quartas, você não faz semi e final.

Qual foi sua partida mais marcante na carreira de árbitro?
Sem dúvida, Rafael Nadal x Novak Djokovic, em Wimbledom. Porque era o torneio que eu via na televisão quando criança, e vinte anos depois como árbitro eu estava lá arbitrando. Foi uma emoção muito grande.

E por falar em Rafael Nadal, o que você pode falar sobre a polêmica com o tenista espanhol
Sobre esse assunto, eu prefiro não comentar.

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