Londres (Inglaterra) – O torneio de tênis, depois de ser reintroduzido no programa olímpico em Seul, em 1988, quando não foi visto com bons olhos, neste ano é uma das grandes atrações, por ser disputado no All England Club. As lembranças de Chris Evert sobre sua participação nos Jogos de Seul, onde perdeu na terceira rodada para uma obscura adversária, não são das melhores. Apenas cerca de 50 pessoas foram testemunhas da queda. As recordações da cerimônia de abertura também não boas.
"Eu me senti bem desconfortável", disse Evert. "Quase me senti como uma impostora porque os outros atletas olhavam para nós, tenistas, como se dissessem 'O que eles estão fazendo aqui?'. Porque nós temos Wimbledon, o US Open, os Abertos da França e da Austrália e nossos milhões de dólares. Estes deveriam ser atletas amadores que só têm uma chance a cada quatro anos", recorda a americana. Naquela ocasião, o tênis não era disputado nas Olimpíadas há 64 anos.
Gradualmente, entretanto, o tênis foi aceito como esporte olímpico porque todos vêm como os jogadores valorizam a conquista de uma medalha. Andre Agassi, por exemplo, classifica a medalha de ouro em 1996, em Atlanta, como o auge de sua carreira. Roger Federer chorou quando perdeu na segunda rodada. Os irmãos Bryan pegaram o primeiro avião de volta para casa, com raiva, depois de serem surpreendidos nos Jogos de 2004.
"Vai ser fenomenal", prevê Patrick McEnroe, técnico da equipe olímpica masculina americana em 2004. "O All England Club vem se preparando para isto há muito tempo. Vai ser espetacular ver. O perfil do tênis olímpico cresceu consideravelmente desde o retorno às Olimpíadas nos anos 1980. Para mim, isso vai continuar. Ter o torneio em Wimbledon é um empurrão enorme ao evento."
O torneio olímpico começa dia 28 de julho. A grama será a mesma, mas o visual será diferente, sem o tradicional respeito ao branco nas roupas e com os símbolos olímpicos no lugar do conhecido logotipo do torneio, em verde escuro.
"Vai ser surreal", comenta Maria Sharapova, campeã de Wimbledon em 2004. “Uma experiência completamente diferente. Não sei o que vou sentir quando estiver lá fora jogando na grama de Wimbledon e sabendo que não é Wimbledon. É uma oportunidade única para todos nós, mas estou extremamente entusiasmada que seja em Wimbledon. É um dos meus lugares favoritos para jogar tênis."
Sharapova, que com a conquista de Roland Garros tem no currículo todos os títulos de Grand Slam, pode se tornar a segunda tenista a ganhar o chamado “Golden Grand Slam” se conquistar a medalha de ouro nos Jogos de Londres, juntando-se à alemã Steffi Graf.
Com o recorde de 16 títulos de Grand Slam, o suíço Roger Federer ainda não tem a cobiçada medalha de ouro em simples. Em 2008, em Pequim, ao lado de Stanislas Wawrinka, porém, ganhou o torneio de duplas. "Como você pode imaginar, com o histórico que tenho em Wimbledon, vai ser superemocionante", afirma o ex-número 1 do mundo.
Serena Williams, 13 títulos de simples de Grand Slam, também sonha com a primeira medalha olímpica de ouro em simples, depois de ter conquistado o torneio de duplas ao lado de Venus,em 2000 e 2008. Venus, campeã olímpica em simples em 2000, em Sydney, mostra a importância das Olimpíadas em sua carreira ao fazer de tudo para se tornar elegível para a disputa, depois de ter sofrido com uma doença que afetou sua imunidade. "É o auge dos esportes. Então, para mim, qualquer medalha em qualquer evento, mesmo ser for no dardo, é uma medalha."
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