Instrução | Equipamento
Entenda a diferença que o antivibrador pode fazer
Por Fabrizio Tivolli
20/04/2010 às 14h20
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Eles são um dos menores equipamentos da prática do tênis (se não me falha a memória, só perdem dos "bate forte" ou string savers), mas nem por isso são deixados em segundo plano. Pessoalmente, já testemunhei inúmeras discussões sobre sua eficácia e o assunto tem sempre um toque de polêmica. Estou falando dos antivibradores, que são peças de silicone ou borracha que ficam acoplados na parte inferior do encordoamento da raquete. Suas funções conheceremos a seguir.

Antes de opinar sobre sua eficiência e quanta diferença pode fazer, precisamos conhecer o equipamento tecnicamente. Os antivibradores fazem parte de todos os catálogos das grandes empresas de artigos para tênis, podem ser produzidos de formas menores (normalmente os mais fáceis de escapar) ou em formato comprido, que além de estar em contato com mais cordas, são mais difíceis de escapar. Se isso vier a acontecer, será também mais fácil de achá-lo!

Normalmente, os antivibradores menores são de materiais mais simples, como borracha (são aqueles famosos logos dos fabricantes). Já os mais compridos geralmente são de silicone, material que se mostra muito mais eficiente em termos de eliminar as vibrações, lembrando que cada marca apresenta uma particularidade em seus modelos, sejam elas diferenças na hora de prendê-lo ou materiais extras que maximizam o efeito de eliminar a vibração (existem modelos que vêm com micro-esferas de quartzo em seu interior).

Onde usá-lo? - Qualquer golpe no tênis tende a gerar uma vibração, vibração essa que, eventualmente, pode até chegar ao cotovelo/ombro do jogador, e pode ser minimizada com o encordoamento, antivibrador, tecnologias das raquetes e musculatura do braço, além do próprio movimento do tenista. Esses "filtros" normalmente reduzem a porcentagem de vibração a um nível que o nosso físico pode tolerar. E a vibração sempre desce, por isso, quanto mais baixo o antivibrador é colocado, melhor, ao contrário do que muitos tenistas fazem, colocando-o em cordas mais superiores. Obs: Em torneios oficiais não é permitido o uso do antivibrador acima da primeira corda.

Quais diferenças eles trazem? - Ao usar um antivibrador, a primeira diferença que um tenista irá sentir é o som da batida, que fica mais "seco". Este é um dos principais pontos, pois eu, por exemplo, gosto de ouvir o som da batida, outros detestam. Mas isso é muito particular de cada jogador. No mais, no golpe propriamente dito, eles deixam também a batida mais seca e a consequência disso também varia de tenista para tenista, pois isso afeta o psicológico e cada um recebe de uma maneira. Falando da vibração, em si, o acessório ajuda, sim, a eliminar parte da vibração da corda, mas prestem atenção: a vibração que pode chegar ao braço do tenista de maneira nociva é a causada pela raquete, ou seja, uma excelente corda e um ótimo antivibrador em uma raquete que vibra muito (normalmente as de alumínio/fusionadas, mas algumas raquetes tops de linha (principalmente as de maior controle, que têm uma área de batida muito restrita) não mudam este quadro.

Devo usá-lo? - Particularmente, sou da opinião que os antivibradores fazem, sim, diferença, pois parto do princípio que, além dos tenistas amadores, alguns profissionais usam e outros não. Posso exemplificar: Djokovic, Nadal, Sampras e Agassi são alguns dos que usam. Por isso, acho vital que cada tenista faça ao menos alguns testes para saber na prática as diferenças que irão sentir e, a partir daí, chegar à conclusão de se deve ou não usar em suas raquetes. Conheço casos de tenistas que usam antivibrador em um determinado modelo, mas em outro, não, tamanha a peculiaridade que cada jogador, mais o seu equipamento, têm.

Conforme comentei acima, os antivibradores não "salvam" uma raquete que vibra muito, mas se você é aquele tenista que vive sofrendo com dores, principalmente de tennis elbow, ter uma raquete que não vibre, uma corda que proporcione conforto aliada com uma tensão adequada e um bom antivibrador, garanto que mal não fará, pelo contrário. O máximo que pode acontecer é somar maior conforto.

Quem quiser saber mais sobre equipamentos e novidades do tênis siga-me no Twitter: www.twitter.com/FabrizioTivolli.

Grande abraço e até a próxima!

Fabrizio Tivolli foi o encordoador oficial do Brasil Open; atuando também em torneios estaduais e brasileiros. Formado em encordoamento e análise técnica de raquetes por Lucién Nogues na convenção Babolat. É técnico e consultor de equipamentos tenísticos; encordoador e proprietário da Tivolli Sports; de Alphaville. Escrevendo sobre equipamentos também para a Federação Paulista. Encordoador oficial do Australian Open 2017.

fabrizio@tivollisports.com.br
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