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Raquetes são todas iguais?
Por Fabrizio Tivolli
13/01/2008 às 14h20

Já ouvi infinitas vezes, em meu contato de anos com o mundo do tênis, a afirmação de que raquetes são todas iguais e devo confessar que sempre que a escuto fico prestes a ter um ataque do coração! Nesta série de matérias, falaremos sobre o principal instrumento de um tenista: sua raquete. Aprenderemos uma série de conceitos e características a serem analisados, que diferenciam as raquetes umas das outras e, consequentemente, muito irão influenciar em nosso modo de jogar, na prevenção de lesões e, com certeza, em nosso rendimento final em quadra.

Seja você é um iniciante à procura da sua primeira raquete ou um tenista mais avançado na busca de uma raquete nova, na hora da escolha é obrigatório ficar atento a inúmeros detalhes que veremos a seguir:

Na primeira parte desta matéria, conheceremos os fatores básicos que diferenciam uma raquete de outra que são o peso, a distribuição de peso (equilíbrio) e tamanho da cabeça. Na próxima parte, falaremos de outros conceitos como número de cordas versus tamanho do aro, espessura do aro, empunhadura e comprimento.

Peso: é comumente o primeiro quesito a ser analisado pois também é o primeiro a ser notado nos primeiros contatos com a raquete. Ao analisarmos esta característica, devemos levar em consideração a faixa etária e condição física do tenista. Não costumo dividir raquetes em femininas e masculinas, pois como sabemos existem exceções, porém é claro que na grande maioria uma raquete mais leve se indica ao público feminino.

Uma raquete é considerada leve quando está abaixo de 270 gramas. Existem no mercado raquetes que pesam até 220 gramas (atualmente, a mais leve do mundo). Consideramos de um peso intermediário uma raquete que pesa entre 275 e 310 gramas. Após isso, as raquetes já serão consideradas pesadas. Temos no mercado raquetes pesando até 340 gramas, sem corda.

Como entenderemos ao final destas duas matérias, uma raquete leve ou pesada, é acompanhada de outros fatores que a fazem "prender" ou "segurar" mais a bola. Os tenistas profissionais, por exemplo, em sua grande maioria, costumam usar raquetes exageradamente pesadas, até mesmo a mais que o normal do mercado (O argentino Guillermo Cañas, por exemplo, ostenta 378 gramas em sua raquete!) o que lhes garante, entre outras coisas, o máximo possível de controle de bola, pois eles têm todos golpes perfeitos, movimentos muito amplos e potência de sobra. Ao contrário, de nós, "meros mortais", que não temos esse tipo de movimento e precisamos de raquetes mais "tranquilas" de se jogar, principalmente no quesito peso.

Distribuição de peso: Esta característica é motivo de dúvidas para diversos tenistas, porém essencial, pois a distribuição de peso, entre outras coisas, garantirá maior potência ou controle em nossos golpes. Uma raquete de medidas normais ten 68 centímetros, porém as raquetes mais equilibradas do mercado tem o ponto de equilíbrio em 32 cms, ou seja, quando o ponto de equilíbrio está abaixo de 32 cm ela tem peso voltado ao cabo e acima de 32 cm, peso voltado mais à cabeça.

Existe aquele famoso teste de colocar o dedo no coração da raquete, que é bem eficiente, mas não é exato. Temos máquinas que nos mostram com perfeição esses valores, mesmo comparados a outras raquetes (um tenista mais avançado, muitas vezes tem raquetes iguais que apresentam diferenças na distribuição de peso).

A diferença é que quando uma raquete pende para a cabeça (as famosas "hammer"), ela gerará maior potência e exigirá menos do braço do tenista, o que explica por que da maioria das mulheres e quase a totalidade de raquetes infantis possuírem peso voltado para cabeça, pois este tipo de raquete dará maior margem para chegar atrasado na bola e fazendo com que a bola passe com maior facilidade ao outro lado da rede. Uma raquete com peso voltado ao cabo é o inverso, exige o máximo do braço do atleta e o máximo de perfeição na execução dos golpes, em contrapartida, exala controle de bola e golpes com mais "peso" na quadra adversária. Uma raquete equilibrada, como o próprio nome diz, é para tenistas que não querem nem o "8 nem o 80", são as que mais vendem no mercado pois se encaixam em quase todos estilos de batida.

Tamanho da cabeça: Por fim, iremos analisar esta característica. O tamanho da cabeça convencional, que chamamos de "mid plus", é de 95 sq. A 102 sq, uma cabeça pequena ou "mid size" fica entre 85 sq e 93 sq. E uma cabeça maior, ou "over size", começa a partir de 105 sq. Uma cabeça maior implica em uma área de batida, ou "sweet spot", maior, ou seja, o tenista terá uma área de contato eficiente maior para a execução desejada do golpe.

Tenistas como Andre Agassi, por exemplo, jogaram a carreira toda com uma raquete "over size", obviamente guardado as proporções de peso e equilíbrio. Uma raquete de cabeça pequena deixa o "sweet spot" muito restrito, tenistas que não têm uma batida concentrada no centro da raquete, por exemplo, sofreriam com uma raquete assim, pois além da batida sair totalmente sem precisão, causa diversas vibrações nocivas ao braço do tenista. Ao contrário, quando o tenista possui batida concentrada, garantirá o máximo do controle e excelência nos golpes.

Caso tenham dúvidas (que realmente irão surgir!),entrem em contato, pois este é um assunto que merece a atenção de todos.

Feliz 2008 com muita paz, saúde e claro muito tênis a todos!

Fabrizio Tivolli foi o encordoador oficial do Brasil Open; atuando também em torneios estaduais e brasileiros. Formado em encordoamento e análise técnica de raquetes por Lucién Nogues na convenção Babolat. É técnico e consultor de equipamentos tenísticos; encordoador e proprietário da Tivolli Sports; de Alphaville. Escrevendo sobre equipamentos também para a Federação Paulista. Encordoador oficial do Australian Open 2017.

fabrizio@tivollisports.com.br
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