Instrução | Aprendendo e ensinando
A importância da comunicação entre pais e professores
Por Henrique Terroni Filho
20/07/2010 às 14h20
instrucao/instrucao/aula_infantil_instr.jpg
mum que ocorre nos clubes e academias, envolvendo a falta de comunicação entre professores e pais de alunos. Há alguns anos, ministrando aulas em uma grande academia, na quadra ao lado da minha um jovem professor começou a dar aulas. Constantemente me procurava, solicitando orientações objetivando melhorar seu trabalho e eu o auxiliava, pois via nele um potencial para ser tornar um bom professor. Tinha sido um razoável jogador de competição, era responsável, educado, interessado em aprender, tanto academicamente como em atividades específicas envolvendo a arte de ensinar.

Ele tinha um aluno, garoto de 13 ou 14 anos, para o qual fazia todos os esforços a fim que ele evoluísse no tênis. Mas não havia jeito. Não que o aluno não tivesse algum talento, mas todos os esforços do professor eram em vão, face ao desinteresse, desatenção e indisciplina do garoto. As orientações e explicações eram recebidas com indiferença e desrespeito que se somavam às brincadeiras de amigos, fora da quadra, que o aluno trazia para a aula. De minha quadra ao lado, eu a tudo assistia. Por várias vezes, orientava o professor sobre a necessidade de levar o assunto aos pais. Mas ele, por receio e inexperiência, relutava em tomar uma decisão.

O assunto teve um desfecho quando o pai do garoto, demonstrando irritação, procurou o professor para dizer que tinha batido umas bolas com o filho e este não mostrara qualquer evolução, parecendo até que tinha regredido. Como eu estava ao lado, pedi licença e informei ao pai que era testemunha dos esforços do professor, mas o garoto não se empenhava e o comportamento deixava muito a desejar. O pai entendeu, desculpou-se com o professor e disse que tomaria providências. A partir daí, o aluno melhorou o desempenho em aula, mudou a conduta pessoal e hoje joga um bom tênis.

Este fato demonstra a necessidade de haver uma comunicação constante, de mão dupla, entre pais de alunos em iniciação e evolução no tênis e o professor. Durante anos verifico que, na grande maioria dos casos, os pais não fazem a mínima idéia de como está o filho nas aulas, qual o grau de interesse e progresso. Muitas vezes não sabem sequer o nome do professor. Limitam a pagar as mensalidades e só.

O professor, quase sempre, acomoda-se a esta situação. Limita-se a dar a sua aula e receber a mensalidade, evitando qualquer outro envolvimento que não seja o dever de estar na quadra no momento combinado e cumprir sua obrigação.

O bom senso e a adequada postura profissional recomenda que o professor periodicamente informe aos pais o desempenho da criança em aulas, tanto no aspecto técnico como comportamental e disciplinar. Mudanças de humor, apatia, cansaço exagerado, desinteresse, indisciplina, dificuldade de verbalização e sociabilização, devem ser observados e informados.

Os pais também devem ser conscientizados de que é praticamente ilusório imaginar que, pelo fato de a criança iniciar o aprendizado, breve estará apto a competir e ser um, talvez, jogador profissional. Deverão ser informados que as aulas, quase sempre em grupo, obedecem a uma linha recreativa e lúdica, filosofia atual da maioria dos clubes e academias. São grupos heterogêneos nos aspectos talento, interesse e empenho. Evidentemente, isto passa muito longe de um treinamento técnico planejado, objetivando uma preparação para competições.

Aprimorando o fluxo de informações, com o professor informando periodicamente aos pais o desempenho dos filhos e os pais, por sua vez, interessando-se pelos filhos em aula, com certeza diminuiremos a quantidade de crianças e pais frustrados pelos filhos não serem novos Federer ou Nadal e professores estressados tentando fazer o impossível.

Henrique Terroni Filho; 1ª classe da Federação Paulista; participou de competições oficiais nacionais e internacionais até meados de 1970. Professor de tênis para adultos e crianças há 25 anos. Autor do Programa "Tênis: terapia para crianças"; em conjunto com psicólogos. Consultor para clubes e academias nas áreas administrativa; financeira e técnica. Formação em Administração de Empresas; pós-graduação em Administração Financeira e Marketing; curso em Psicologia do Esporte.

hterroni@ig.com.br
Comentários
Raquete novo
Mundo Tênis