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Encordoamento: o motor da raquete - Parte 2
Por Fabrizio Tivolli
03/10/2007 às 14h20
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Dando continuidade à matéria sobre cordas, iremos nesta matéria saber as consequências no jogo que algumas mudanças no encordoamento podem causar.

Tensão das cordas: inúmeros tenistas têm a impressão que ao usar a tensão no limite máximo da raquete terão uma batida mais veloz, porém, esta afirmação é incorreta. Ao usar uma tensão maior, as cordas ficam mais esticadas, o que resulta em uma batida mais "pesada" e de maior controle. Já quando se usa uma tensão baixa, a corda faz uma espécie de "estilingue", impulsionando a bola, o que resulta em maior potência de batida e menor esforço do braço do tenista. Todas as raquetes têm especificadas um limite máximo e mínimo de tensionamento das cordas, o que não impede o tenista de usar menos tensão que o recomendado ou mais do que o máximo (apesar de abalar a estrutura da raquete com o passar do tempo).

Obviamente, potência e controle não estão apenas ligados à tensão das cordas. Características como essas também são determinadas pelo tipo de raquete que está sendo usada e o tipo de material das cordas (existem cordas feitas exclusivamente para auxiliar na potência do golpe, controle, durabilidade, efeitos etc.).

Diferentes tensões na vertical e horizontal: Alguns tenistas usam diferentes tensões ao longo do encordoamento, o que realmente traz mudanças para o rendimento em quadra e durabilidade da corda. Ao contrário do que muitos pensam, não existe uma regra para se fazer isso. Normalmente, usamos uma tensão maior na vertical do que na horizontal, pois o espaço de uma extremidade da raquete para outra na vertical é maior do que na horizontal. Por esse motivo, as cordas da vertical tendem a perder tensão com maior facilidade. Caso sua preocupação seja esta, minha sugestão é que se use duas libras a mais na vertical do que na horizontal. Pude comprovar nos torneios profissionais que tenistas como Juan Ignácio Chela e Nicolas Almagro usam este tipo de encordoamento.

Comentei que não existem regras, pois tenistas como Gustavo Kuerten usam mais tensão na horizontal do que na vertical, o que milimetricamente "encolhe" a raquete na lateral. Como resultado, temos maior durabilidade das cordas verticais e maior facilidade de gerar efeito top spin.

Combinações híbridas de cordas: é comum usarmos diferentes cordas na vertical e na horizontal da raquete. Com a grande variedade e tecnologia de cordas que temos atualmente, tem sido uma experiência muito proveitosa, pois a simples mudança de material na vertical e horizontal da raquete resulta em grandes diferenças ao nosso jogo.

O básico desta "experiência" é se usar uma corda de durabilidade na vertical (que é onde geralmente arrebenta) e uma corda de conforto na horizontal. Tenistas fazem isso normalmente, pois gostariam de manter um certo conforto nas cordas, porém, precisam de durabilidade. Claro que esta combinação não é comparada com a maciez que uma corda confortável gera na raquete inteira, porém é uma boa saída. O suiço Roger Federer, por exemplo, foge à regra e usa uma corda de durabilidade e spin na horizontal e uma corda altamente confortável (tripa natural) na vertical de sua raquete, mas existem muitas outras alternativas de se experimentar, de acordo com cada necessidade.

Espessuras das cordas: Outro fator importantíssimo no encordoamento é a espessura que a corda a ser usada possui, pois esta característica define muito mais do que apenas a durabilidade da corda.

Normalmente, para quem procura qualidade de jogo, o ideal é usar uma corda mais fina, pois este tipo de corda é sensivelmente melhor para quase todas as características de jogo, exceto durabilidade. Em uma raquete que possui um número de furação x aro elevado (normalmente raquetes usadas por jogadores de competição), uma corda mais fina aumenta visivelmente o espaço de uma corda para outra, o que além de aumentar a área de batida, gera muito mais sensibilidade da bola e controle. Porém, cordas mais grossas, além de durarem mais, oferecem maior potência aos golpes. O norte-americano Pete Sampras, por exemplo, usava cordas altamente confortáveis e absurdamente esticadas, porém de pouca espessura. No caso dele, como sabemos, deu muito certo.

Até a próxima!

Fabrizio Tivolli foi o encordoador oficial do Brasil Open; atuando também em torneios estaduais e brasileiros. Formado em encordoamento e análise técnica de raquetes por Lucién Nogues na convenção Babolat. É técnico e consultor de equipamentos tenísticos; encordoador e proprietário da Tivolli Sports; de Alphaville. Escrevendo sobre equipamentos também para a Federação Paulista. Encordoador oficial do Australian Open 2017.

fabrizio@tivollisports.com.br
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