Instrução | Equipamento
Encordoamento: o motor da raquete - Parte 1
Por Fabrizio Tivolli
03/09/2007 às 14h20

Nós, tenistas, sempre procuramos o máximo de informações possíveis para acertar na hora de escolher uma nova raquete, pois é ela que vai determinar características importantes ao nosso jogo. Porém, os mesmos cuidados que tomamos na hora de escolher uma raquete deve ser tomado com as cordas. Minha comparação é simples: imagine um carro de fórmula 1 com um motor de uma moto de 125 cilindradas. O resultado seria catastrófico e anularia toda a tecnologia que inúmeros engenheiros e projetistas desenvolveram. No mundo dos equipamentos tenísticos, isso não é diferente.

Nas raquetes e cordas, as variações existentes proporcionam diferenças enormes em nosso jogo. Falaremos sobre os materiais que compõem uma corda e as diferentes sensações que eles proporcionam.

Vamos começar com os tipos de corda que podem variar principalmente pelo material que as compõem e a forma que estão dispostos. Podemos dividir as cordas em dois grupos maiores, que são os multifilamentos e os monofilamentos.

Os multifilamentos são cordas que são feitas em várias camadas (vários microfios formando um só) e podem ser produzidos de vários materiais. Por isso, os multifilamentos são cordas mais confortáveis, pois absorvem mais as vibrações que atingiriam o braço do tenista, porém costumam ser menos duráveis.As cordas em multifilamentos são as de nylon, as tripas sintéticas e as tripas naturais.

Os monofilamentos são cordas de um ou vários materiais que são feitas em um filamento só. Por não possuirem flexibilidade, ao contrário dos multifilamentos, este tipo de corda passa a impressão de rigidez excessiva (são aquelas cordas chamadas de "arame" por alguns tenistas). Alguns jogadores usam este tipo de corda pois dificilmente as cordas "correm" pela raquete quando o tenista usa principalmente o efeito top spin. Por não "correrem", também oferecem maior durabilidade. Os monofilamentos podem ser divididos em poliéster e polímero.

Cordas de nylon: Os multifilamentos de nylon são os mais econômicos do mercado,, pois não há praticamente tecnologia investida para a produção deste tipo de cordas. Normalmente, quem usa o nylon não quer uma corda de custo elevado e por serem normalmente feitas com espessuras largas, oferecem uma boa durabilidade. A vantagem de um nylon para uma corda de poliéster, por exemplo, é que o nylon é muito mais confortável por vibrar menos. Exemplos: Prince Tournament, Head Tournament, Wilson Tournament, etc..

Cordas de tripa sintética: As tripas sintéticas variam principalmente pelo material que as compõe e as inúmeras tecnologias que são usadas em sua produção. Por isso, temos uma grande faixa de valor para esse tipo de corda (costuma variar entre R$ 15,00 e R$ 100,00). Existem tripas sintéticas que são feitas com rugosidades exclusivamente para auxiliar a bater golpes com efeito, pois a bola gira mais devido às rugosidades. São conheçidas como tripas sintéticas para "spin". Exemplos: Babolat Conquest Rough, Head Fibergel Spin, Wilson Super Spin, Toalson Cyber Spin, etc.

Para os tenistas que buscam extremo conforto, existem algumas tripas sintéticas que são tão multifilamentadas, que amortecem a bola em contato com a raquete. Exemplos: Wilson Nxt, Tecnifibre Pro mix, Babolat Xcell, Head Fxp, etc.

As cordas de poliéster e polímero são aparentemente iguais, porém são muito diferentes. Normalmente, o tenista que usa este tipo de corda procura muita durabilidade e sensação de rigidez. Sabemos que na maioria dos casos, durabilidade e qualidade de jogo, conforto, etc, são inversamente proporcionais. As cordas de poliéster são mais econômicas que os polímeros, pois o poliéster é um monofilamento que apesar de durável é a corda que mais tem perda de tensão entre todas e também vibra em excesso.

Já o polímero é a combinação de vários materiais, inclusive o poliéster, que juntos oferecem também rigidez e durabilidade, além de não vibrarem e serem as cordas que menos perdem a tensão no mercado. Exemplos de cordas em poliéster: Babolat Duralast, Wilson Enduro Gold, Sonic Polimax, Head Competition, etc. Exemplo de cordas de polímero: Wilson Enduro Tour, Luxilon Alu power, Head Sonic pro, Toalson Thermax, Babolat Pro Hurricane, Prince Tour, etc..

Tripas naturais: São incontestávelmente as melhores cordas em termos de conforto, toque de bola, etc. São feitas de tripa animal, o que as deixa frágeis em virtude de variações climáticas, umidade, etc.. Porém, existem tecnologias que hoje revestem as tripas para minimizar sua fragilidade, mas continua sendo imbatível quando o quesito a analisar é qualidade de jogo. Exemplo: Babolat Vs Team ou Touch.

Na próxima matéria, falaremos sobre as diferenças e consequências ao jogo que as tensões das cordas podem ofereçer, combinações híbridas na vertical e na horizontal das cordas da raquete e as diferenças de espessura das cordas. Confiram!

Fabrizio Tivolli foi o encordoador oficial do Brasil Open; atuando também em torneios estaduais e brasileiros. Formado em encordoamento e análise técnica de raquetes por Lucién Nogues na convenção Babolat. É técnico e consultor de equipamentos tenísticos; encordoador e proprietário da Tivolli Sports; de Alphaville. Escrevendo sobre equipamentos também para a Federação Paulista. Encordoador oficial do Australian Open 2017.

fabrizio@tivollisports.com.br
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