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Mitos e verdades do tênis amador
Por Henrique Terroni Filho
18/01/2016 às 19h58
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Olga Danilovic teve a honra de bater bola com Djokovic.


Foto: Reprodução

No universo do tênis amador existem algumas idéias disseminadas, tanto entre os iniciantes como entre aqueles que já possuem uma bagagem e experiência considerável, a exemplo daquelas questões envolvendo alimentos, remédios ou pessoas do tipo “mito ou verdade”. Essas idéias, algumas já arraigadas, muitas vezes distorcem a realidade atrapalhando a evolução do tenista. Vou enumerar algumas e você leitor verifique se pensa desta forma e se concordar, procure mudar seu pensamento. 

1 – “O PROGRESSO SERÁ RÁPIDO”

Se você está iniciando no tênis e alguém disser isso, não acredite. Pode parecer no começo, afinal quem não tem nenhum conhecimento, o fato de jogar a bola para o outro lado da rede já é um grande avanço. O tênis é reconhecidamente um esporte complexo e completo, pois para bem jogá-lo é necessário técnica, condição física, controle emocional e estratégia. E isto requer orientação profissional, perseverança, empenho, dedicação e tempo. O progresso é lento e gradual. Cada golpe, cada fundamento, tem sua técnica e seus segredos. O importante é não se preocupar com o tempo e investir no aprendizado sabendo que vai demorar. Mas a cada etapa vencida será uma conquista que te dará muito prazer.

2 – “ESTOU DESAPRENDENDO!”

Essa idéia é uma extensão da anterior. E muito comum entre os iniciantes. Como o aprendizado é longo, há períodos que a evolução aparece e outros não. Por ser um esporte individual, fatores extra quadra influenciam de forma concreta no desempenho. O fato de você  jogar bem num dia e mal em outro, estar numa fase que tudo vai  bem e de repente começa a falhar, não representa nada. Faz parte do aprendizado. E lembre-se: tudo que você aprende na vida, seja que área for, você não desaprende.

3 – “SÓ AS AULAS ME BASTAM!”

Para o aluno que está iniciando no tênis, o professor deve deixar claro que as aulas são fundamentais, mas a experiência vai se adquirindo através da atividade com outros jogadores. E o momento do início dessa atividade é o professor quem determina. Como destaquei na matéria “Alguns cuidados e jogue sem problemas”, já publicada, a iniciação deve ser com um professor, para o aprendizado correto da postura, da técnica de cada fundamento. Mas a malícia, a estratégia, o controle emocional se adquire na atividade extra aula. E lembre-se: Para jogar bem você precisa de aulas... e jogar!

4 – “ESTOU JOGANDO MAL... VOU TROCAR DE RAQUETE”

Quem nunca disse isso? Basta cair o rendimento e a raquete já leva a culpa. Saiba que você é responsável em 95% por jogar bem ou mal. Os 5% restantes podem ser debitados ao vento, sol, piso ruim, etc... e a raquete.  Claro que o equipamento deve estar adequado no que se refere a peso, grip, etc. A troca deve ser feita após avaliação de um professor ou alguém experiente quanto à inadequação da raquete. E lembre-se... trocar a raquete só porque o amigo trocou e disse que o jogo  melhorou...não o levará a lugar nenhum.

5 – “SÓ VOU TREINAR COM ADVERSÁRIOS MAIS FORTES”

Quando comecei a pensar assim, juvenil ainda, meu pai me alertou: “Um excelente treino é bater com alguém mais fraco” Olhei-o surpreso! E ele complementou: “Para que o treino flua com alguém tecnicamente inferior, você precisa controlar a intensidade da batida (força) e o direcionamento. Com isso você estará aprimorando a regularidade e o controle”.  Comprovei na pratica que ele tinha toda a razão. Intercale treinos fortes com parceiros com nível inferior ao seu. Começará a perceber uma evolução no controle de seu jogo.

Estes são alguns mitos, entre tantos. Para que seu tênis evolua, prenda-se a fatos concretos. Tenha a certeza que o progresso é lento e depende de muita dedicação e persistência e que em alguns momentos parecerá que ocorreu uma estagnação ou retrocesso. Assim que se sentir seguro, jogue com outras pessoas, mesmo sabendo que o resultado possa ser desastroso.  Se estiver tendo aulas, seu professor corrigirá o que for necessário. Não imagine que trocando de raquete, “trocará o jogo”. Ela é sua fiel companheira nos momentos “alegres e tristes”. Quando for necessário trocar, consulte seu professor ou alguém com mais experiência. E treine. Com adversários mais fortes e mais fracos. Você sempre aprenderá algo novo. Basta ter humildade, característica dos grandes jogadores.

Henrique Terroni Filho; 1ª classe da Federação Paulista; participou de competições oficiais nacionais e internacionais até meados de 1970. Professor de tênis para adultos e crianças há 25 anos. Autor do Programa "Tênis: terapia para crianças"; em conjunto com psicólogos. Consultor para clubes e academias nas áreas administrativa; financeira e técnica. Formação em Administração de Empresas; pós-graduação em Administração Financeira e Marketing; curso em Psicologia do Esporte.

hterroni@ig.com.br
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