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Raquetes são todas iguais? - Parte 2
Por Fabrizio Tivolli
17/03/2008 às 14h20
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Nesta segunda parte da matéria sobre as características das raquetes de tênis, continuaremos observando quesitos que nos ajudam a diferenciar uma raquete de outra, como número de cordas versus tamanho da cabeça, espessura do aro, empunhadura e comprimento.

Número de cordas x tamanho da cabeça: muitos tenistas não dão a atenção necessária para este quesito, porém, é um fator determinante para causar maior potência ou controle e uma área de batida maior ou menor.

Para um entendimento mais fácil, imaginem uma raquete exatamente igual, com o mesmo tamanho de cabeça, porém uma delas tem 16 cordas na vertical e 19 cordas na horizontal, enquanto outra possui respectivamente 18 por 20. Vocês irão observar que a raquete 16x19 fica com a "malha" das cordas mais afastadas umas da outras, enquanto o espaço que separa uma corda de outra na raquete 18x20 é notoriamente é menor.

Como consequência, a área de batida da raquete 16x19 é muito maior, ou seja, o tenista terá um espaço maior na cabeça para bater a bola, obtendo uma boa resposta e menor vibração. Contudo, na raquete 18x20, a área doce de batida é sensivelmente menor, porém, quando o tenista atinge esta pequena área de contato, desfrutará de um excelente controle do golpe e chançe de ter uma batida com maior efeito. A grande maioria das raquetes dos tenistas profissionais possui muita corda x aro pequeno, pois eles acertam quase sempre no centro e precisam de muito controle. No caso de um tenista amador, com movimento médio, o normal é uma raquete com furação menor x um aro maior, mas isso não é uma regra, pois cada tenista tem uma necessidade diferente.

Espessura do aro: esta característica é menos complexa que a anterior,
mas não menos importante! A espessura do aro deve ser analisada na
escolha de uma raquete, pois ela também irá definir, entre outras
coisas, se a raquete será de sensação rígida ou flexível. Normalmente, uma raquete pesada, de cabeça pequena e grande número de cordas, vem acompanhada por um aro de espessura fina, pois garantirá maior controle e mais facilidade a bater com efeitos (por ter menos atrito com o ar).

Notem que é uma série de características que, combinadas, resultam em uma raquete para determinado estilo de batida. Quando a raquete tem um aro largo, normalmente solta mais a bola, pois é feita para quem bate mais
"chapado" na bola, com movimentos curtos ou médios. Esta característica
aliada a outras exige menos do braço e garante maior potência na batida
e menos esforço ao braço.

Empunhadura: Quando falamos de empunhadura nos equipamentos, não estamos nos referindo necessariamente ao jeito que cada tenista pega na raquete e, sim, ao tamanho e materiais presentes no cabo. Na minha opinião, a empunhadura é uma das partes mais essenciais para um tenista, pois é o que nos liga à raquete!

O tenista deve dar muita atenção ao tamanho da empunhadura (nem muito maior e nem muito menor) para evitar lesões e garantir um bom "feeling" na hora de trocar uma empunhadura de forehand para um voleio, por exemplo, pois isso também irá definir uma bola na linha ou fora por exemplo. Além disso, um grip em boas condições de uso e muito bem colocado é fundamental, pois também interferirá numa boa aderência. Existem grips feitos exclusivamente para quem transpira muito nas mão e vice versa.

Comprimento da raquete: O comprimento é um fator sutil, pois normalmente se altera nas raquetes do mercado numa diferença de 1/4 ou 1/2 polegada. Uma raquete de adulto normalmente tem 27 polegadas ( a maior raquete infantil indicada para uma criança entre 10 a 12 anos tem 26 polegadas). Quando o tenista usa uma raquete mais longa, obviamente ganha um alcance maior, porém, também altera um pouco a área de batida.

Por isso, é bom se acostumar bastante em treinos, pois a diferença é sutil, mas sempre é uma diferença, talvez principalmente no saque. O interessante é a grande quantidade de tenistas profissionais que usam raquetes longas, e não só os mais baixos! Em minha loja tenho a raquete usada pelo croata Ivan Ljubicic (1m93) e Fernando Gonzalez (1m82), ambas são mais compridas, porém, a altura deles não necessáriamente pediria uma raquete mais comprida.

Um dos mais renomados especialistas em equipamentos para tênis do Brasil, com quase duas décadas de experiência. Encordoador oficial do Australian Open 2017; encordoador oficial do Brasil Open em 3 oportunidades além de outros torneios ATP nível Challenger. Certificado pelo francês Lucién Nogues durante a convenção Babolat Brasil. Esteve presente em Roland Garros 2017, convidado para acompanhar a sala de encordoamento do torneio e últimas tendências do circuíto. Autor de dezenas de matérias sobre equipamentos de tênis nos maiores veículos de comunicação do esporte. Proprietário e responsável pela área de tênis no grupo Tivolli Sports/Raquetemania, em Alphaville -SP.

fabrizio@raquetemania.com.br
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