Instrução | Equipamento
Como melhorar seu jogo através do equipamento
Por Fabrizio Tivolli
22/01/2013 às 14h20
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Procure testar raquetes e cordas diferentes.


Foto: Arquivo

Nós, tenistas, sabemos que com o passar do tempo, em diversas oportunidades, sentimos que nosso jogo parou de evoluir... O que não deixa de ser parte de um ciclo natural de um jogador, pois passamos por picos de evolução e estagnação durante nosso aprendizado e desenvolvimento. Acredito que a estagnação (em qualquer nível) é inevitável e quando isso acontece é hora de procurar novas alternativas, sejam elas no campo psicológico, físico, do próprio treinamento, etc. O que vamos abordar é como mudar/melhorar nosso jogo no campo dos equipamentos, pois estes certamente estão aí para nos ajudarem, e muito.

Afirmei acima que para fazer um upgrade no jogo devemos aceitar mudanças pelo simples fato de que com o passar do tempo nós próprios mudamos, nosso jogo muda e consequentemente nosso estilo de batida também se modifica. Por isso, usar exatamente o mesmo material que usávamos não faz muito sentido, mesmo porque o nível dos adversários também é outro, fazendo com que nossas prioridades e objetivos nos equipamentos sejam diferentes. Vejamos abaixo por onde começar e o que fazer:

Do meu ponto de vista, o primeiro passo é, juntamente com seu professor, fazer uma análise do atual nível em que você se encontra e saber ao máximo o estilo de batida que está desenvolvendo (swing curto, médio ou longo, se bate com top spin ou mais chapado, etc.) para a partir daí saber o que você deverá buscar. Em geral, os tenistas desenvolvem estilos mais ofensivos (esses precisarão de equipamentos de maior firmeza e controle) ou defensivos (esses precisarão de equipamentos de maior potência), mas não podemos nos limitar apenas a esses dois grandes grupos. Saibamos que cada caso é um caso.

Quais mudanças posso fazer?

Sugiro que iniciem suas mudanças pelo encordoamento. Existem diversos tipos de cordas para finalidades diferentes, além de modificar também a tensão das cordas (para saberem mais sobre cordas e tensão, leiam as outras matérias desta coluna que tratam destes assuntos). Tenha em mente um objetivo que queira alcançar com as cordas e converse com profissionais capacitados das lojas específicas de tênis. Posso adiantar que ultimamente tem sido comum a redução de libragem nas cordas, principalmente pelo fato de diversos jogadores preferirem cordas em monofilamentos (popularmente conhecidas como "arames").

Outro bom caminho, muito aceito tanto no circuito profissional quanto amador, é o uso de cordas híbridas (diferentes modelos de cordas nas verticais e horizontais da raquete). Se sua raquete tem um estilo mais competitivo (cabeça menor e maior furação de cordas, além de mais peso voltado para o cabo) procure testar cordas que ofereçam maior conforto e potência (cordas mais elásticas, como tripas sintéticas, como por exemplo, Head Fibergel Power 17 L, Babolat International Tour, Gamma TNT 17, Wilson Stamina, entre muitas outras.

Se sua raquete for mais leve, com cabeça maior e soltar muito a bola, procure testar monofilamentos em co-polímero com uma tensão mais alta, que lhe dará uma sensação de maior firmeza e controle. Exemplos: Signum Pro Poly Plasma, Prince Beast, Babolat RPM Blast, Head Sonic pro, Luxilon Alu Power 1.25mm, etc.

Não deixem de testar também as cordas rugosas, voltadas para melhora dos efeitos (este tipo de corda ajuda a bola a girar mais nos golpes) como a Gamma Zo Twist, Wilson Spin Cycle, Prince Top spin duraflex, Toalson Asterisk ou a Prince Poly EXP. Converse sempre com o encordoador para ajustar a tensão ao que mais se aproxime de seus objetivos com a troca de corda.

No universo das raquetes, também há muito o que fazer... É normal que sua raquete atual esteja limitando seu jogo e prejudicando sua evolução por estar incompatível com sua batida atual. Por isso, procure testar raquetes diferentes (antes de comprar uma nova) para ter um ponto de partida. Todo teste é válido, pois caso não goste da raquete que testou, ao menos saberá que caminho NÃO SEGUIR (apesar de eu não recomendar que teste um número muito alto de raquetes em pouco tempo, pois certamente prejudicará sua escolha). Em geral, à medida que vamos evoluindo, nos damos melhor com raquetes mais pesadas (isso não é uma regra) pois essas colocam mais peso na bola e nos ajudam no controle. Obviamente, devemos escolher uma raquete que se encaixe mais em nosso biotipo, faixa etária e estilo de jogo.

Procure novas tecnologias e inovações de materiais que, unidos, resultam em raquetes de ótima firmeza com pouca vibração (o que era mais difícil de acontecer cerca de 10 anos atrás). Ótimas opções de tecnologias que a meu ver fazem boa diferença (pois se trata de inovações que você consegue ver na raquete) são a Prince Exo³; Babolat com sistema Cortex; ProKennex linha Kinetic, entre outras. Marcas como a Head, Wilson, Yonex e Dunlop apostaram em materiais inteligentes nas fibras de suas raquetes, que oferecem o máximo de firmeza e o mínimo de vibração, o que resulta em raquetes de ótima qualidade.

Procure testar raquetes de peso e balanço diferentes da sua atual, pois a mudança na distribuição de peso oferecerá mudanças drásticas em sua batida, sendo que quanto maior o peso na cabeça, maior potência nos golpes e consequentemente menor controle. Quando o peso está voltado para o cabo, os valores são inversamente proporcionais. E as equilibradas, obviamente, oferecerão um pouco de tudo, o que não necessariamente seja o que você está procurando. Por isso, sugiro que experimentem!

Outra técnica que está mais comum nos dias de hoje é a colocação de fitas de chumbo nas raquetes (para ajudara modificar o balanço). Minha opinião é que se trata de algo extremamente válido, desde que saibam exatamente o resultado que gostariam de ter. Sugiro que usufruam das fitas de chumbo (Lead tape) quando a mudança não for muito grande (não indico colocar mais do que 20 gramas na raquete, para isso, é melhor procurar uma raquete mais pesada de fábrica). Caso usem as fitas e não gostem... Não se preocupem, pois elas podem ser retiradas da raquete!

Então é isso... Meu conselho é que vocês, na medida do possível, possam romper os paradigmas e aceitarem as mudanças, sempre buscando informações e conversando com profissionais capacitados. Como estamos no início da temporada, esta pode ser uma boa hora para realizar testes. Sim, abusem dos testes! Pois só através de experiências, poderão sentir na prática as diferenças que terão em seu jogo. A tecnologia e todo o arsenal de modelos dos mais diversos equipamentos estão aí para nos ajudar! E não se esqueçam: quando seu jogo estagnar, procurem fazer algo novo, pois quem faz sempre as mesmas coisas, atinge sempre os mesmos resultados!

Let's play!

Grande abraço!

Fabrizio Tivolli foi o encordoador oficial do Brasil Open; atuando também em torneios estaduais e brasileiros. Formado em encordoamento e análise técnica de raquetes por Lucién Nogues na convenção Babolat. É técnico e consultor de equipamentos tenísticos; encordoador e proprietário da Tivolli Sports; de Alphaville. Escrevendo sobre equipamentos também para a Federação Paulista. Encordoador oficial do Australian Open 2017.

fabrizio@tivollisports.com.br
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