Instrução | Aprendendo e ensinando
Você se considera um tenista?
Por Henrique Terroni Filho
30/05/2011 às 14h20

Sempre que alguém interessado em aulas procura um professor, a pergunta inicial que este faz (ou deveria fazer!) é sempre aquela, meio padrão e clichê: "Você já joga tênis?". E a resposta, invariavelmente é positiva. Mesmo que o "jogar tênis" informado pelo interessado restrinja-se a algumas poucas aulas, realizadas em algum lugar do passado, ou raras idas à quadra para "brincar" com amigos, antes da cervejinha nos finais de semana.

Definir alguém como um "jogador de tênis" não é muito difícil. Basta conhecer as regras, a contagem e ter uma breve iniciação nos fundamentos, podemos dizer que essa pessoa é um jogador ou, mais precisamente, um "praticante" do tênis. Joga de vez em quando, especificamente aos fins de semana, nas duplinhas com os amigos. Até porque a condição física, revelada pela barriguinha, não permite vôos mais altos.

Mas quando falamos de tenista, mesmo amador, a situação é um pouco diferente. Estamos falando de alguém que teve uma iniciação com um profissional, tem pelo menos uns 10 anos de atividade ininterrupta, com uma freqüência de ao menos três vezes por semana na quadra. A condição física permite jogar partidas oficiais de três sets. Deve ter participado de competições internas em clubes e academias e as oficiais da Federação.

Aliado a estes fatores, nosso "tenista" deve ter o domínio de dois aspectos técnicos fundamentais que o diferenciam do iniciante no esporte. Aspectos estes que farão a diferença nos jogos recreativos com os amigos ou nas competições, sejam as extra-oficiais internas nos clubes ou academias ou nas oficiais federadas. Muitos já perceberam que estou falando da regularidade e do direcionamento.

A regularidade é a capacidade do tenista em manter a bola em jogo com eficiência tanto ofensiva como defensivamente. É a confiança e a segurança de efetuar longas trocas de bola, sem a necessidade de procurar a decisão do ponto precipitadamente, característica dos iniciantes. A regularidade não premia um "winner" esporádico, seguido de uma sucessão de erros primários, os já conhecidos "erros não forçados". Mas, sim, a troca de bolas consistente, esperando o melhor momento para definir o ponto. A regularidade conquista-se após treinos exaustivos e repetitivos, em que a postura correta na recepção e execução do golpe são fatores fundamentais.

Muito bem! Conquistada a regularidade, é necessário o aperfeiçoamento. E este se apresenta pela capacidade de lançar a bola num local determinado pelo momento ou por uma estratégia pré-definida, que dificulte a devolução do adversário, forçando-o ao erro. Estou me referindo ao direcionamento. É a repetição ou alternância de bolas cruzadas ou paralelas, longas ou curtas. Quando o tenista atinge este estágio, digo que ele possui a "regularidade inteligente", característica dos jogadores diferenciados. Para tanto é necessário treinamentos sólidos com um bom parceiro ou professor.

Até aqui, caro leitor, você já identificou seu estágio? Seu jogo é de um iniciante, um praticante ou já pode ser enquadrado como um tenista? O caminho, claro, não é fácil. Exige treinamentos, dedicação e orientação profissional. Mas dominando seu jogo através da regularidade e do direcionamento, o tênis tornar-se-á muito mais prazeroso e se não o transformar em um novo Nadal, o fará um tenista diferenciado entre seus amigos e nos torneios que vier a disputar.

 

Dúvidas? Comentários? hterroni@ig.com.br

Henrique Terroni Filho; 1ª classe da Federação Paulista; participou de competições oficiais nacionais e internacionais até meados de 1970. Professor de tênis para adultos e crianças há 25 anos. Autor do Programa "Tênis: terapia para crianças"; em conjunto com psicólogos. Consultor para clubes e academias nas áreas administrativa; financeira e técnica. Formação em Administração de Empresas; pós-graduação em Administração Financeira e Marketing; curso em Psicologia do Esporte.

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