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A liderança política de Djokovic
Por Chiquinho Leite Moreira
março 12, 2019 às 8:59 pm

Não é só no ranking mundial que Novak Djokovic quer a liderança. Ele agora busca também ter domínio sobre o futuro do tênis masculino. Por isso – como contei no último blog postado em 28 de janeiro – desde o Aberto da Austrália, o tenista sérvio estava articulando a saída de Chris Kermode da presidência da ATP e conseguiu.

Este recente anúncio do fim do contrato de Kermode com a ATP para dezembro deste ano, causou um clima tenso entre os jogadores. Roger Federer, que já ocupou o cargo atual de Djokovic como presidente do ‘players council’ sentiu-se traído e achou que deveria ser consultado. Segundo o jornalista suíço, René Stauffer, Djokovic só tentou contato um dia depois de a decisão ter sido tomada. “O Federer tem muitas perguntas em aberto a fazer”, contou Stauffer.

Rafael Nadal embora tenha afirmado que gostaria de ficar longe das questões políticas do esporte também não gostou da decisão de finalizar o contrato de Kermode. O espanhol estranhou não ter sido consultado e usou uma interessante figura para expressar sua indignação. “Meu celular não tocou uma única vez com chamada de Novak, nem mesmo recebi qualquer mensagem de texto”. Ele ainda afirma que não seria necessário ser ouvido em pequenos detalhes, assuntos sem muita representatividade, mas uma demissão de um presidente da ATP considerou ser algo grande e merecedor de toda atenção.

Não é de hoje que Novak Djokovic e Chris Kermode estão em atrito. O sérvio tem um temperamento forte. Não gosta de ouvir uma ordem ou orientação sem poder contestar. É o seu jeito de ser, e o que incomoda a tanta gente.

O MOTIVO  – A raiz destes problemas está no fato de um dos pontos cruciais é de os jogadores sempre lutarem por melhores prêmios, além, é claro, de melhores condições profissionais, como calendário etc e tal. Mas o motivo chave é que dentro do ‘board da ATP’ os que pagam os prêmios e os que recebem e querem um prêmio maior estão sob o mesmo guarda chuva.

O board é formando por três representantes dos jogadores e três representantes dos torneios. Assim, em certos assuntos, a estrutura da ATP trabalha contra os jogadores, o que para um associação de classe não parece mesmo ser o melhor sistema.

Pressionados pelo presidente do council, Novak Djokovic, os três representantes dos jogadores no board não deram voto a favor de Kermode. O atual presidente precisaria de quatro indicações para manter no cargo pelo terceiro contrato seguido de três anos de duração cada.

Entre manter-se fiel a Kermode ou ao presidentes do ‘players council esses três representantes preferiram ficar com Djokovic. Aliás, um fato interessante é que este grupo não necessariamente conta com integrantes de forte formação nas quadras de tênis, como fica fácil analisar ao se conhecer os nomes: David Egdes é executivo do Tennis Channel; Alex Iglot, diretor de comunicações da Sportradar; e o mais ligado à raquete é Justin Gilmestob, ex-tenista norte-americano e hoje comentarista de tevê.

O grupo dos representantes dos torneios sempre esteve ligado em ter os jogadores nas mãos para assuntos financeiros e patrocínios. São ex-agentes como Herwig Straka, que cuidou por um bom período da carreira do ex-número 1 do mundo, o austríaco Thomas Muster. Outro integrante, Gabin Forbes, pertenceu a uma das maiores agências de atletas do mundo, a IMG, enquanto Charles Smith, é da Juss Event, um companhia chinesa responsável pela produção e organização de grandes eventos esportivos.

Ora, com tanta gente assim por perto, dá bem para entender a preocupação de Novak Djokovic com o futuro do esporte. Mas isso não justifica o fato de não ouvir mais atentamente nomes como os de Roger Federer e Rafael Nadal. Não agiu certo, afinal, quem pode garantir que essa decisão de afastar Kermode será a melhor para a ATP?


Comentários
  1. Stephany Raposo

    Acredito que mudança sempre é bom, logo se Nadal e Federer se sente tão ofendidos , porque não faz parte do conselho, ou porque já sabendo que Djoko é sangue quente para resolver esses assuntos por que colocaram ele como presidente ?

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  2. Mateus Nagime

    Oi Chiquinho, tudo bem?

    Perdão, mas não entendi sua lógica: como pode o grupo de “representantes dos jogadores” (que como você mesmo afirmou não tem nenhum jogador…) representar o desejo dos jogadores? Melhor colocando: como pode um grupo que conta apenas com diretores de torneios, exibidores, televisões, etc. ter legitimidade para tomar uma decisão que melhore os jogadores?

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    1. Chiquinho Leite Moreira

      Falha nossa…mas não gostou do conteúdo? Hj David Edges mandou um statement confirmando as informações que adiantei pra vcs

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  3. José Coutinho

    Oi Chiquinho.

    Eu estava mesmo atrás de informações precisas sobre esta batalha política.
    Acredito muito que o bloco RF/RN (articulado tomando cafezinho um na casa do outro) está insatisfeito porque estes dominaram as premiações por tanto tempo que se acostumaram com o modo que o sistema funciona. Novak não me parece estar mal intencionado ouvindo a história que você contou. Mas ele certamente não é bobo, e politica sabemos que cada um puxa a sardinha pra si.

    Agora um trecho ficou muito confuso. Talvez o modo que vc apresenta as info ou a minha clara dificuldade interpretativa. Desculpe me a ignorância.

    “A raiz destes problemas está no fato de um dos pontos cruciais é de os jogadores sempre lutarem por melhores prêmios, além, é claro, de melhores condições profissionais, como calendário etc e tal. Mas o motivo chave é que dentro do ‘board da ATP’ os que pagam os prêmios e os que recebem e querem um prêmio maior estão sob o mesmo guarda chuva.”

    Sinceramente não compreendi. Se você fizer a gentileza de explicar novamente, ficarei muito grato.

    Abraço, meu caro. Parabéns pela importante matéria.

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    1. Chiquinho Leite Moreira

      Os que pagam os prêmios = os três representantes dos torneios ( dei os nomes no post). Os que recebem os prêmios são os jogadores representados pelo três nomes que tb dei no post.
      Portanto, os que defendem os interesses dos torneios estão na mesma estrutura- no mesmo guarda chuva- dos que recebem
      Os prêmios. Há alguns anos os diretores de torneio queriam acabar com as duplas, pois queriam economizar. As duplas tb exigem infra, como hotel, alimentação, transporte, bolas, juízes etc e tal e não chama público. Antigamente os jogadores de simples tb jogavam duplas. Assim o torneio não tinha tanta despesa. Hj são jogadores diferentes, como se fossem dois eventos. Um que dá público- chave de simples- e as duplas …
      Por isso, hj o Coincil dos jogadores têm tb representantes.

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      1. Guilherme Cabrine

        Nem tudo são flores também nessa disputa. O próprio Djocko foi dono de torneio (na verdade a família dele, na época um ATP250), e dizem que pelo insucesso do torneio, o Kermode decidiu encerrá-lo e passar a data a outro torneio (o que teria deixado o Djocko incomodado…). Dai que fica a grande questão: está em uma simples vingancinha, ou buscando efetivamente melhorar a situação dos tenistas? Me parece que RF e RN já fizeram tanto pelo tênis que efetivamente buscariam tb o melhor pro esporte, e por suas histórias, era quase obrigação procurá-los. E ainda há o comentário de RF de que tentou (sem sucesso) contato com Djocko antes da decisão, ao menos para conversarem…

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  4. Sandro Pereira

    Acredito que o Conselho de jogadores foi eleito por todos os jogadores em condição de votar e carrega a confiança de todos os jogadores. Se for para consultar os jogadores, seja lá quais forem, antes de uma decisão ser votada o Conselho perde todo o sentido de existir. Entao eles devem abolir o conselho e colher assinaturas uma a uma antes de decidir. Se Nadal, segundo declarações anteriores, prefere não se envolver em política e Federer reconhece que ficou afastado dos assuntos políticos, como também declarou, não podem simplesmente tumultuar o ambiente, ao lado da imprensa, em um dos mais importante torneios da temporada.

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  5. Valmir

    Chiquinho,

    Tem mais um fator contra Kermode que foi acusado de fazer corpo mole … não defender suficientemente os jogadores frente a ITF em algumas situações

    a) Calendário da nova Taça Davis (muitos tops não vão jogar)
    b) Mudança no ranking ITF dos challengers
    c) Qualificação para as olimpíadas 2020 não deveria considerar a participação obrigatória na Taça Davis de 2019, por esta ser jogada depois do Finals.

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  6. Maurício

    Chiquinho,
    Achei o tema muito interessante, porém acredito que um melhor aprofundamento seria mais esclarecedor…se Roger e Nadal “torceram o nariz”, talvez coubesse a eles participarem um pouco mais das “reuniões de condomínio “…

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