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Apenas um recado para Julien Benneteau
Por Chiquinho Leite Moreira
novembro 13, 2018 às 5:02 pm

Em meio a tantas coisas legais acontecendo nesta reta final do tênis em 2018 aparece um Julien Benneteau para tumultuar o ambiente. Suas afirmações de privilégios a Roger Federer, em entrevista a rádio francesa RMC, surgem como um contraponto ao clima de grandes atuações, duelos de gerações e toda emoção que esta temporada vem revelando.

Essas críticas de Benneteau levaram-me a entrar no túnel do tempo e lembrar de um episódio dos mais intrigantes em Roland Garros. Cansados de verem seu vizinhos (e rivais) espanhóis ganharem tudo no Aberto da França – ainda antes da era Rafael Nadal – a Federação Francesa de Tênis quis facilitar o caminho para o então número um do mundo, Pete Sampras, enfim ganhar uma Taça dos Mosqueteiros.

Conhecedores de como se construir uma quadra de “terre battu”, os organizadores do torneio ordenaram que o saibro daquele ano fosse o mais rápido possível. É claro que em dias de chuvas pesadas, nem mesmo os espertos franceses conseguem operar este milagre. Mas alcançaram sim uma superfície bem mais rápida do que em todos os outros anos.

A história vazou para media internacional. O assunto dominou os bastidores e causou revolta em muita gente. É claro que especialmente entre os tenistas espanhóis. Só que Sampras vivia momentos incríveis. A ATP, na época, chegou a colocá-lo como o melhor tenista dos últimos 25 anos, com perspectivas de se o maior de todos os tempos.

Enfim, a própria França resolveu dar privilégios a um dos maiores astros da história do tênis. Mas, nem assim, Pete Sampras ergueu uma vez sequer a cobiçada Taça dos Mosqueteiros.

É preciso entender também que os prêmios do tênis atualmente alcançam cifras milionárias em função de astros como Roger Federer. Por isso, apesar das críticas de Benneteau, o Australian Open sim colocou o suíço para jogar à noite por diversas vezes, com tratamento especial. Afinal, ele vende ingressos e ganhou por seis vezes o título em Melbourne.

O próprio Novak Djokovic perguntado a respeito das declarações de Benneteau não hesitou em defender a ideia de privilégios para um astro como Roger Federer. E isso acontece também com Rafael Nadal. Ora, quando ele esteve no Brasil é lógico que os organizadores colocaram o espanhol para jogar nos horários nobres. Nada mais justo e inteligente. Com Gustavo Kuerten sempre foi o mesmo.

Ora, Julien Benneteau às vésperas da aposentadoria perdeu uma boa chance…

 

 


Comentários
  1. Luís Frade

    Pode, concluir a frase, Chiquinho!!
    Julian.. não vale o que come!! E perdeu sim a oportunidade para ficar calado!! Porque se ele alcançou fama e dinheiro neste mundo do tênis !! Foi graças a estes jogadores de ponta que sempre estiveram unidos e reivindicaram uma melhoria substancial para a categoria!!!

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  2. Valmir

    Prezado Chiquinho, as críticas de Beneteau, por mais exageradas que sejam tem lá seu fundo de verdade também.
    Vamor relembrar dois episódios.

    1) Wimbledon
    Desde 2015 até antes da derrota para Anderson, Federer só jogou na quadra central.
    Não teve jogos adiados por causa da chuva… outros muitos tiveram.
    Em 2018, Djokovic teve que jogar na … quadra 2… aí reclamou e na rodada seguinte foi posto para jogar na quadra central e Federe foi para a quadra 1 (onde perdeu para Kevin Anderson).

    2) Paris Bercy
    Recentemente o diretor do Masters 1000 de Paris entre 2007 e 2011, Jean-François Caujolle afirmou que prepararam uma quadra especial super rápida em 2011 para.. FAVORECER… Federer nesse Masters… e ele venceu…. e foi a ÚNICA VEZ que venceu esse torneio também.

    Esses dois casos mostram que Beneteau tem muito fundo de razão… que o favorecimento comercial prejudica em muito o lado esportivo.

    Você deve uma crítica nesse sentido também…. não é só endeusar.

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    1. Fernando larcher

      Esporte profissional hoje nao sobrevive sem dinheiro. Fededer arrasta multidoes onde vai jogar. Como coloca lo em quadra secundária. Ha anos ele é a gainha dos ovos de ouro da atp, nao é so no tenis que acontece isso não, todo atleta muito rentavel tem sua imagem mais explorada, normal isso.

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      1. Valmir

        Wimbledon é muito maior que Roger ou qualquer outro.
        Vende todos os ingressos para qualquer jogo… não tem porque favorecer alguém.

        Roger realmente é Roger… com seu próprios esforços nunca ganhou Paris Bercy… só conseguiu com ajuda da organização ao fazer um piso sob medida.

        Para ele ganhar… MonteCarlo e Roma… nem com piso sob encomenda.

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  3. Willian Rodrigues

    ” Nada mais justo e inteligente” ??!
    Peço desculpas amigo, mas há de se entender que, ao se favorecer Federer, seja por questões financeiras (ampliar arrecadação), seja porque se trata de um ídolo de gerações, ALGUÉM MUITO ESFORÇADO E TALVEZ TALENTOSO pode estar perdendo a chance de vencer um torneio importante!!!!!!!!
    Que noção ética é essa??!
    Como isso poderia ser justo??!!
    Djokovic e outros só falarão algo em defesa o suíço pra que a mídia não coloque ainda mais pilha nas diferenças entre eles.

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  4. Ge

    Ain, não pode falar a verdade do meu preferido. Ah me poupe. Só porque ele vende mais é justificativa pra prejudicar (calor prejudica sim) os demais? Agora falar que isso é justo é no mínimo falta de bom senso, pra não dizer outra coisa. Chiquinho perdeu uma boa chance…

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  5. Marco

    Como eu falei no link da notícia, vc não pode julgar apenas um lado como o correto.

    É verdade que o Federer é importante para o esporte, fundamentalmente no lado comercial, já que mesmo não sendo o melhor ou n°1 ele é a maior atração do esporte. Obviamente que o tênis, tal como todos os esportes hoje em dia, tem seu lado comercial. Não obstante, o francês não merece criticas simplesmente pq atacou o “favorito” da maioria sendo que ele está coberto de razão do ponto de vista esportivo.
    Pelo que eu saiba a essência do esporte é proporcionar aos atletas condições iguais e que vença o melhor. Ao privilegiar o lado comercial estão proporcionalmente prejudicando o lado esportivo, pois jogar de dia ou de noite na Austrália faz muita diferença num torneio quente, úmido e desgastante como é o AUS Open.

    Digo mais, se fosse um Djokovic, Nadal ou Murray da vida, que tb tem “privilégios” (mas em escala menor), as críticas seriam mais questionáveis, o francês em questão nem é um concorrente e prejudicado diretamente por essas questões, de forma que suas críticas são ainda mais válidas. Enfim, há de se entender os dois lados, criticar o francês é um absurdo.

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  6. ronaldo piovezan

    Chiquinho, sou leitor assíduo de tua coluna e respeito teus comentários. Mas não posso concordar com a posição de que Federer pode ter privilégios, pois, na minha opinião, isto viola uma regra de ouro do esporte, que é a isonomia entre os atletas, que começa pela definição das chaves por sorteio. Dar condições especiais a um atleta, em detrimento dos outros, é um privilégio inaceitável no esporte, ainda para quem não precisa disto para vencer.

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  7. ronaldo piovezan

    Chiquinho, sou leitor assíduo de tua coluna e respeito teus comentários. Concordo plenamente com o comentário do leitor Marco. Não se sustenta do ponto de vista desportivo com a posição de que Federer pode ter privilégios, pois é um atleta que atrai público. Na minha opinião, aceitar isto significa violar uma regra de ouro do esporte, que é a isonomia entre os atletas, que começa pela definição das chaves por sorteio. Dar condições especiais a um atleta, em detrimento dos outros, é um privilégio inaceitável no esporte, ainda para quem não precisa disto para vencer, como é o caso do Federer.

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    1. Chiquinho Leite Moreira

      Não se trata de dar melhores condições, mas escalar o Federer na Central é praticamente uma exigência da organização e do público

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  8. Carmelo mudeh

    No tenis todos torcem sempre para os mesmos. E enjoativo ver a midia babona tem que aparecet gente nova para renovar. O Benneteau ta certo só se forms novos ídolos substituindo os malas antigos. Que os brasileiros aprendam a jogar tenis. Carmelo

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