Rio Open: muito mais que um torneio de tênis
Por Chiquinho Leite Moreira
fevereiro 24, 2018 às 8:10 pm

Um bom torneio de tênis, de uma forma geral, reúne grandes tenistas, jogadas espetaculares, torcida fervorosa, uma atmosfera eletrizante num clima de intensa competição. Só que o Rio Open tem revelado uma grandeza maior. Entre raquetadas e trocas de bola há muito mais acontecendo nas quadras do Jockey Club Brasileiro, no Rio de Janeiro.

Apoiado por uma competente equipe, o diretor do torneio, Lui Carvalho, tem colocado neste evento ingredientes artísticos, sociais e até goumerts. É que para ele, desenvolver e fazer crescer o Rio Open significa melhorar serviços e experiências. Desde o nascimento, a competição coloca troféus desenhados pelo joalheiro Antônio Bernardes. E assim como acontece em Roland Garros, também todos os anos um artista é escolhido para criar os posters. Este ano trata-se de um verdadeiro quadro de autoria de Carlos Vergara. Outros já emprestaram seu talento como Daniel Azulay e o grafiteiro Toz. A novidade este ano é que todas as obras de arte passarão por uma espécie de leilão e tudo o que for arrecadado seguirá para obras sociais. Aliás, outras ações semelhantes fizeram parte da programação esta semana no Rio.

Para quem quer estar num bom evento esportivo, entre artistas das raquetes e dos pincéis, e também aprecia uma boa cozinha, o Rio Open resolveu seguir o exemplo de Wimbledon e ter uma sobremesa tão interessante quanto o morango com chantili do All England Club. Para isso, o chef Claude Troisgros foi convidado para compor um mousse de chocolate de forte apelo.

Na parte técnica, embora exista uma grande sincronia entre o Rio Open e o belo cenário do Jockey Club Brasileiro, não há dúvidas de que atrair ainda melhores jogadores dependeria de uma mudança de piso. Hoje, o torneio conta com três tenistas entre os dez primeiros do ranking da ATP, mas ter outras estrelas ficaria mais fácil se o calendário ajudasse.

O problema é que manter um torneio de saibro, numa época em que a maioria dos jogadores já quer jogar no cimento prejudica bastante. Só que para o Rio poder mudar de superfície dependeria do conselho da ATP. Isso faria uma forte concorrência com Dubai, nesta próxima semana, e Roterdã, realizado anteriormente. Este fato causa influência nos votos dos membros que decidem pela Europa e a chamada área internacional. O único apoio viria da turma das Américas. Além disso, há também a pressão de vários jogadores que querem um porcentual maior de competições na chamada terra batida.

Por isso, uma mudança de local para o complexo olímpico da barra, que ressuscitaria as quadras olímpicas, depende primeiro de uma possibilidade de mudança de piso. Mas enquanto isso não acontece, o Rio Open investe na receita de melhorar serviços, experiências e boas jogadas em quadra.


Comentários
  1. Eduardo Braga

    Por que não continuar nessa espiral de excelência, melhorar as quadras do JC e se firmar como o maior ATP 500 de saibro do circuito, suplantando Barcelona e Hamburgo? Tradição, seu nome é tênis. Frisson, seu nome é Rio no Verão. Saibro, seu codinome é Brasil.

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  2. Daniel Silva

    Sobre a mudança de piso eu discordo de vc. Acho q vai mudar pouca coisa. Penso que só vai mudar a desculpa dos grandes jogadores: agora eles vão reclamar do calor e da distância. Acho q o mais benéfico pra esse torneio e os outros da gira sul-americana é mudar a data. Pra mim acho q podia antecipar Indian Wells e Miami em duas semanas, pois nessas 4 semanas entre o AO e IW os tops jogam pouco. Ao antecipar esses Masters sobra mais tempo pros torneios de saibro, e essa gira sul-americana poderia ser feita depois de Miami até o inicio de Monte Carlo, pois nessa época todo mundo joga no saibro. Até os torneios de saibro pós-Wimbledon (Hamburg, Umag, Kitzbühel), que são tão desvalorizados quanto essa gira de saibro da Am. Sul podiam migrar para ser um preparatório de Roland Garros.

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  3. Marcio Paulo

    o torneio pode ate mudar para a Barra. Mas, nao vai ser uma decisao acertada. Quero ver manter o publico na Barra. Eh muito longe, horario de rush hour, demora-se horas para chegar la.

    Honestamente,, nao vale a pena e desaconselho fortemente. Eu fui a todos. a grande maioria das pessoas que eu conheco e foram comigo nao irao num torneio na Barra.

    Ja imaginaram sair de la a noite? as 11:00 PM como acontece na zona sul? podem esquecer!!!!!

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    1. Chiquinho Leite Moreira

      Está é apenas uma possibilidade. A organização do Rio Open está satisfeita com a atual sede. Apenas que uma mudança de piso seria mais conveniente para trazer os principais jogadores

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      1. Marcio Paulo

        entendo Chiquinho. A questao eh que, sempre que se fala da mudanca de piso, fala-se da mudanca para a Barra. Acho, honestamente, que a emenda sera pior do que o soneto. Esse ano nos tivemos 3 top 10. Nunca tivemos menos de 2 top 10. as chaves tem sido muito fortes. Acham realmente que vamos aumentar o numero de top 10? acapulco tem mais sim… mas eh ao lado dos USA…. aqui eh longe! mesmo com o piso duro, nao virao. O Nadal ja veio aqui quantas vezes? 3?
        repito: ir para a Barra, na minha opiniao, eh um grande equivoco. e achar que teremos mais do que 3 – ou 4 top 10 – uma visao miope do problema. Dubai eh piso duro e tem 1, somente 1, top 10.

        ah, ir do Brasil para Acapulco vai ser facil… nada! longe e complicado pacas. Pelo menos 2 conexoes, seja pelo Estados Unidos, seja pelo Mexico.

        espero que isso seja pensando com calma… afinal, eu gosto muito desse torneio e , na Barra, nao sera possivel.

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  4. Rogerio

    Se montaram o saibro no Ibirapuera, porque nao daria no centto olímpico?
    Pra mim a decisão é fujir da coisa pública, no que estão certos.

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    1. Chiquinho Leite Moreira

      Sim não seria problema montar o saibro no complexo olímpico. Mas, o que os organizadores mais querem é a troca de superfície para adequar ao calendário, assim como fez Acapulco

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  5. beto

    Realmente, é nítida a preocupação dos organizadores em fazer do Rio Open um torneio grande cercado por várias opções fora da quadra (como os citados no texto). Agora, um grande torneio não pode errar no básico: a quadra principal não estava bem, era evidente o quique irregular da bola, acima do esperado para uma superfície de saibro; a colocação da lona mostrou que a equipe não estava preparada, foi feita com atraso e de forma atabalhoada. A Organização do torneio luta contra o calor, a umidade, a chuva e a má educação do brasileiro, que xinga estrangeiros como se estivesse num campo de futebol. Contra estes, ela pouco pode fazer, infelizmente. Resta-lhe trabalhar duro para ter quadras bem próximas da perfeição, cuidar bem dos jogadores e principalmente melhorar o atendimento ao público. Jogadores contentes asseguram a propaganda boca a boca, tão importante para qualquer torneio, e torcedores contentes ratificam essa propaganda e consolidam o sucesso e a durabilidade do evento.

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  6. Eduardo Braga

    Aqui mesmo no site saiu uma matéria “Rio Open chega ao fim com números impressionantes”. Isso reforça o bom caminho do torneio.
    Barra?!?! Argh!! Gente, o visual, o charme do Rio Open com a Guga Kuerten quase no suvaco do Cristo é simplesmente o mais fantástico do circuito.
    Não pode sair do JC de jeito nenhum.
    Repito: Tênis é tradição! Vamos melhorar as quadras e continuar atraindo mais e mais tops.
    E ajudar a manter a gira sudamericana de saibro, Quito-Buenos Aires-Rio-SP. Somos hermanos!
    Acapulco mudou e se deu bem? Parabéns. Virou preparação pra jogar no deserto. Ótimo. Que sejam felizes.
    Nós por aqui vamos manter o nosso barato de participar da recepção à legião de saibristas pra curtirem o final do verão no Cone Sul.
    Repito: Barcelona e Hamburgo que se cuidem, 500 no saibro vai ter nome: Rio!
    Valeu.

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  7. Eduardo Braga

    Aliás, complementando, os nossos notáveis do Tênis como o Chiquinho e o Dalcim podiam lançar uma campanha forte para um 250 no Rio em setembro, no Centro Olímpico, na semana da Davis que vem logo depois do US Open (semifinais, em 2018 14/9) , aproveitando que essa horrível “nova Davis” parece que vai emplacar de vez (vide matéria “ITF planeja sede única e curta duração para Davis” nesse site. O clima estará ainda ameno por aqui e na Europa já tem que se jogar indoor nessa época, todo mundo vai estar desse lado do Atlântico mesmo e Metz e São Petersburgo não têm grande apelo.
    Valeu

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  8. Daniel

    Mudar de piso é demonstração de complexo de vira lata. O torneio tem que estar a serviço do formento do tênis no Brasil e na América do Sul, e tênis aqui, é no saibro.

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  9. Daniel

    Mudar de piso é um equivoco. O torneio tem que estar a serviço do formento do tênis no Brasil e na América do Sul, e tênis aqui, é no saibro.

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  10. FONSECA

    Precisa melhorar também para o público.
    Quem estava no RioOpen sabe o que foi a chuva da quarta feira. Ingresso a 300 reais e não tinha estrutura para abrigar o público na chuva? Absurdo! Tem que melhorar muito a organização. Tudo começa prestigiando o público que mantém vivo o tenis no Brasil e “aceita” pagar o valor absurdo dos ingressos.

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