Tênis entre o novo e o velho
Por Chiquinho Leite Moreira
novembro 8, 2017 às 6:12 pm

É curioso, interessante, que enquanto a nova geração testa novas regras em Milão, os velhos campeões devem brilhar mais uma vez neste ano no Finals de Londres. Rafael Nadal e Roger Federer, ambos com mais de 30, são favoritos em seus grupos e ainda são os preferidos da torcida. Dependendo das condições físicas do espanhol a disputa promete.

As novas regras, como todas mudanças, sempre causam. Mas enfatizo que para quem goste ou para quem desaprove dificilmente entrará em vigor. Talvez uma ou outra apenas. É preciso lembrar que, diferente, de várias outras modalidades o tênis possui três comandos: ITF, ATP e WTA.

A ITF, além de deter a organização dos Grand Slams, Copa Davis, Fed Cup e competições juvenis, tem como objetivo de fomentar a modalidade nos quatro cantos do planeta. É, na realidade, uma instituição a serviço do tênis. Como seus dirigentes podem ser considerados conservadores, não acredito em alterações de regras nos quatro principais torneios do mundo. É bom lembrar que o tie break – inventado há décadas – até pouco tempo estava em discussão em Wimbledon e na Copa Davis.

Já a ATP e WTA são entidades de classe. Em teoria estão a serviço de melhores condições de jogo e de vida para os jogadores. Ambas têm também a ambição por lucros e, neste aspecto, os direitos de transmissão pela tevê são uma mina de ouro.

Além desses fatores é preciso deixar claro que a instalação de uma quadra cibernética como a de Milão deve custar uma fortuna. Torneios do circuito como ATPs 250, 500 ou 1000 exigem diversas quadras. Mas, embora eu me encaixe na definição de conservador, devo reconhecer que algumas mudanças deixam realmente o jogo mais dinâmico.

Tenho ainda de deixar claro uma outra situação e que acredito que seja também de muitos outros. Gosto de tênis. E os melhores duelos que vi na minha vida foram em confrontos épicos com cerca de cinco horas de duração. Não me importo em passar horas à frente da televisão, muito menos sentado numa arquibancada. O tênis nasceu com a filosofia de um jogador comprovar quem é melhor, confirmar seu jogo, evitar loterias como o no ad. Mas, por outro lado, os momentos de decisão se tornam mais frequentes. E nada melhor do que o tempo para mostrar o que irá acontecer.

 


Comentários
    1. Chiquinho Leite Moreira

      Achei legal os 25 segundos, mas será necessário padronizar a tensão do cabo e aço da rede. No let tb é legal. A quadra toda controlada pelo hawk eye é extraordinária, mas seu custo deve torná-la inviável para a maioria dos torneios. Enfim, para um torneio e outro o show é legal, mas não pega no Grand Slam

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      1. Marcos Ribeiro

        Te parabenizo, Chiquinho, pelas informações e pela abordagem racional e ampla das novas regras em estudo e teste para o tenis.

        Num diálogo despretensioso, considero o seguinte sobre elas:

        Acredito que o Hawk eye total já é mais barato do que os juízes de linha, e que vai ficar cada vez mais barato, além de ser bem melhor. Em pouco tempo tende a se tornar a norma.

        Tb gostei do relógio mostrador dos 25 segundos, que considero quase óbvio e que tb tende a virar norma. E do fim do let, que atrasa o jogo, acho chato e que não acrescenta nada. A propósito, vi um video no youtube com um jogo de tenis completo, apenas sem o intervalo entre os pontos e me surprendi : o jogo durou entre 50 e 60 min (não lembro o tempo exato) e o video apenas uns 15 min. 3/4 do tempo do jogo é bola parada. Estas duas alterações diminuem um pouco este período e para mim são bem-vindas.

        PS: Não me considero nem reformista e nem conservador. Procuro me posicionar sobre qualquer proposta analisando seus prós e contras. Se acho que ela melhora as coisas, sou a favor; se acho que piora, sou contra. Também não vejo sentido em ser conservador ou reformista a priori e em geral (embora não seja raro alguem se declarar um ou outro), me parece falta de disposição ou de confiança para avaliar as coisas. Felizmente, este post apresentou uma análise aberta e racional das novas regras.

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        1. Chiquinho Leite Moreira

          Muito boa sua análise. Juízes de linha antigamente eram voluntários das federações nos Slams mesclado com profissionais. Mas hj em dia quase todos profissionais. Torneios pagam pelo trabalho,passagens, hotel e refeições. Por isso acho sensata a sua opinião que o Hawk eye pode vir a se tornar mais barato com o tempo. Muitos amigos não gostarão de ouvir essa notícia, mas é assim que a vida caminha.
          Afinal, hj em dia a maior empresa de táxis não tem um carro sequer e a maior empresa de hotelaria tb não tem um hotel sequer

          Responder
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