O outro lado da vida de Maria
Por Chiquinho Leite Moreira
maio 4, 2017 às 6:47 pm

Debaixo de críticas, em razão do wild card concedido a Maria Sharapova, o diretor do torneio de Madri, Gerard Tsobanian, justificou o convite com declarações contundentes. Disse que a tenista russa não é só uma jogadora, mas sim uma campeã. E que se trata de uma grande estrela com títulos importantes e, por isso, merece atenção especial. Concluiu afirmando que ela nasceu para competir e vencer.

Tsobanian fala com a autoridade de quem conhece o outro lado da história de Maria Sharapova. É um caminho diferente dos inúmeros títulos, dos fortes patrocínios e da glamorosa vida da beldade russa.

Particularmente já escrevi sobre estes detalhes pouco falados da vida de Sharapova no Estadão. Há muitos anos no torneio de Miami, comovida pelo seu sucesso na Flórida, ela abriu o coração e revelou como foram seus primeiros dias nos Estados Unidos. Um desafio e tanto, numa luta solitária e com  episódios quase diários de perseguição e  discriminação. O assunto rendeu uma reportagem de enorme repercussão na época. Foi uma surpresa ao público saber que ela tinha passado por tantas agruras na sua infância.

Voltei ao assunto no site do Bandsports, sob o título de a “vida de sacrifícios de Maria”. Segundo o então diretor do canal, Evandro Figueira, também uma reportagem com particular repercussão e interesse. Além, é claro, de muita gente boquiaberta com os fatos que envolveram a formação da tenista russa.

Vale a pena voltar ao tema, não para justificar os wild cards que Maria Sharapova recebeu em Stuttgart, ganhou em Madri e receberá em Roma. Isso já foi bem argumentado por Gerard Tsobania. Mas sim pelo lançamento do livro intitulado Unstoppable, em que a tenista revela fatos jamais respondidos em entrevistas, mas, sem dúvida, já bastante especulados pela mídia.

A figura que mais me marcou nos primeiros anos de Sharapova e que expus nas reportagens já divulgadas no Estadão e Bandsports foi dramática ao meu ver. Disse que assim como uma criança é abandonada em um cesto à porta de uma residência de uma família para ser criada, refletia a situação em que Sharapova foi levada a treinar na Academia de Nick Bollettieri. Mas o tom é ainda mais forte.

A cena descreve um pai e uma garota de apenas sete anos buscando um sonho. Os dois descem de um ônibus da famosa empresa americana Greyhound à porta da Academia de Nick Bollettieri na Flórida. Tocaram a campainha… ambos não falavam  inglês e tinham apenas 700 dólares no bolso. E assim deram início a louca aventura de Maria Sharapova, uma das maiores estrelas do tênis.

É muito intrigante como estas coisas acontecem no tênis feminino. A ex-número um do mundo, Martina Hingis, recebeu este nome em homenagem a Martina Navratilova. Da então Tchecoslováquia sua mãe mudou-se para a Suíça e transformou a filha numa grande estrela. Mais incrível ainda com Jennifer Capriati. Seu pai, Stefano, viajou com a esposa grávida para os Estados Unidos. A filha nasceu em solo americano e foi treinar com o pai de Chris Evert, como planejado, e Capriati também transformou-se numa excelente jogadora.

Maria Sharapova teve o mesmo destino. Dez anos depois de tocar a campainha na Nick Bollettieri, ela, aos 17, conquistou o título de Wimbledon, com vitória na final de 2004 sobre Serena Williams. Assim que terminou o jogo, a jovem campeã pegou um celular e ligou para sua mãe, Yelena, que sem conseguir visto americano ficou vários anos sem ver a filha. Conversou emocionada. Mas não se safou das primeiras críticas. Disseram que a ligação foi uma jogada de marketing. Afinal, alguns dias depois recebeu patrocínio de uma marca de celulares, que entre os seus tons de chamadas tinha um com os gritinhos em quadra de Maria Sharapova. Esta é a vida de quem faz sucesso…

 

 


Comentários
  1. Fabio

    Acho que todos sabem de alguns dos sacrifícios dela e qualquer jogador no top 100 ou até com ranking inferior. O problema do escândalo do dopping é que coloca em dúvida os títulos, principalmente os mais recentes. Andy Roddick falou esses dias que acha que ela não faria consciente isso e colocaria em dúvida seu legado, mas consciente ou não colocou a dúvida. História triste todo ser humano tem pra contar, as dificuldades que o Guga passou também foram enormes.

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    1. Chiquinho Leite Moreira

      Fábio li um comentário que enfatiza um detalhe importante. Sharapova ganhou os títulos sem doping, pois o que ela tomava não estava entre os ingredientes proibidos. Isso só aconteceu no AO

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      1. Fabio

        Oi Chiquinho, obrigado pelo resposta. Eu não tenho o direito de julgá-la, mas entendo as companheiras de profissão que tem menos força física, menos patrocínio, menos fãs e menos homens cortejando se sentirem traídas porque elas devem sentir que poderiam ter vitórias contra ela pela resistência física ou por correr mais e se esforçar, jogadaoras como Wozniacki e Radwanska são criticadas por serem devolvedoras de bola, correrem como loucas e algumas já foram ironizadas pela própria Maria pelo estilo de jogo, existe registro disso. Mesmo não tendo o direito de julgar ninguém acho que seria uma forma natural de equilibrar as coisas se elas tivessem a oportunidade de fazer frente pela resistência e seu estilo defensivo, como Novak, Murray, Nadal, Ferrer e até Federer eu já vi fazer. Acho que é normal ela ser criticada, só isso. Todos tem dificuldades, cada um escolhe como superar as dificuldades, tem quem defenda o Lula e a Dilma até hoje.

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        1. Chiquinho Leite Moreira

          Vc tem razão. Mas eu só quis colocar uma opinião de um leitor. Ele viu como um bom advogado. Os títulos conquistados por Sharapova foram qdo o Meldoniun não fazia parte das deigas proibidas. Não aceito tb estas coisas de se usar o regulamento para tirar vantagem. Mas a observação do leitor merece menção abs

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        2. Evaldo

          Caro Fabio.,
          Assino embaixo todos os seus argumentos contra a Sharapova. Eu particularmente não sou fã dela nem tampouco simpatizo com ela. Por outro lado não a conheço pessoalmente e não conheço detalhes de sua vida pessoal para julgá-la, e com relação ao dopping, ela já foi julgada pelo tribunal competente e devidamente punida. Acho que é página virada na vida dela, desde que não volte a reincidir. Agora ela tem a nova chance pra provar que é uma verdadeira campeã sem uso de dopping. Aguardemos as cenas dos próximos capítulos.

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  2. Alvaro Queiroz

    As e os campeões são cheios de superações em suas vidas e nestes novos tempos de midias sociais, o que mais se faz é comentar sempre com criticas contun dentes tudo e todos. É uma pena que chegamos a isto.

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  3. Luiz Carlos

    Ela tem uma historia de vida triste mesmo, felizmente deu a volta por cima e hoje não só ela mas a família toda vive bem, mas mesmo assim eu sou contra os convites, ela tem qualidade para ganhar torneios menores e subir no ranking.

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  4. Odirlei Ronaldo

    Toda a trajetória dela, especialmente seus títulos e espaço que possui nos diversos veículos de imprensa, só justifica pra quem entende que o wild card pode e deve ser utilizado pensando no torneio apenas comercialmente. Agora, pelo viés esportivo, o wild card para algum(a) tenista que volta de um período de suspensão por doping, tira a oportunidade de algum(a) outro(a) tenista que busca novas conquistas para sua carreira. Enfim, ao invés da Sharapova, o wild card poderia ser oferecido a tenistas com projeção na WTA.

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  5. João ando

    Todo torneio tem direito dé fazer convite.tanto para juvenis que sao revelacoes como para tenistas experientes que nao tem ranking.so achp que para slams oque conta e o ranking .tem ranking para jogar o slam joga nao tem disputa o Qualy ou o pre Qualy.

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  6. Antonio

    Ela tem uma história de vida triste mesmo, mas isso não justifica o doping. E tem gente que ainda defende o Temer e os tucanos, mesmo perdendo o direito a aposentadoria.

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  7. Renato

    O texto reflete o coração do blogueiro que certamente se encanta com a beleza de Maria e faz tapar seus ouvidos de seus gritos histéricos. O argumento dos que a defendem – respeito – não se sustentam. O doping não se revela pela lei e sim pelo efeito. Liberada ou não a substância conforme estudo científico tem propriedades que alteram o desempenho e funcionamento do corpo. Isso por si encerra a meu ver a discussão. Jogava dopada enquanto as outras na luta de sempre! Quanto à saga familiar é semelhante a milhares que se conhece de atletas do tênis, futebol, volei, basquete e tantos outros. Abcs

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  8. Bruno Menegon Nossig

    Chiquinho Leite Moreira, meu nome é Bruno e estou trabalhando em uma reportagem sobre Maria Sharapova na empresa Jornalismo Junior da ECA-USP. Como o senhor trata muito de assunto e opina sobre o caso de doping da atleta gostaria de entrevistá-lo. Posso faze-lo?

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  9. Jairo Sérgio de Abreu Campos

    O grande problema é que nunca explicaram com realidade o problema que houve,ou seja,o remédio foi caracterizado com dopping, depois de usar durante uma década,dando impressão que ela se dopava.Essa é a impressão que ficou.

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    1. Chiquinho Leite Moreira

      Jairo na realidade, ela usava este medicamente há anos. Mas sua equipe deveria ter ficado mais atenta ao informá-la e proibi-la de seguir usando em janeiro deste ano, quando o Meldoniun entrou na lista de ingredientes proibidos. Hj, por exemplo, a creatina é permitida. Mas acredito que logo será proibida. A lista de tenistas e esportistas que usam creatina é enorme.

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