Cadê as duplas?
Por Chiquinho Leite Moreira
fevereiro 28, 2017 às 2:10 pm

O Rio Open terminou com sucesso e uma discussão. Na quadra Dominic Thiem confirmou o favoritismo e conquistou o título. A final foi digna de um ATP 500, com Pablo Carreña Busta exigindo um tênis de alto nível do campeão, num jogo que certamente agradou a boa platéia na quadra central do Jockey Club Brasileiro.

Fora da quadra, mas em certo aspecto ainda dentro dela, o Rio Open discute e possibilidade de deixar o saibro da Lagoa para ir ao cimento do Complexo Olímpico. Há muitos prós e contras. Uma decisão difícil e que certamente irá gerar muita polêmica.

Aliás, o assunto já está dando o que falar. Afinal, dois dos principais duplistas brasileiros seguiram para as quadras duras de Acapulco, no México, pulando o saibro do Brasil Open no clube Pinheiros, em São Paulo.

As decisões de Bruno Soares e Marcelo Melo, sem dúvida, estão bem sedimentadas. Ambos ocupam um lugar entre os dez primeiros do ranking e precisam dos pontos de um 500. Além disso, o México também deixou o saibro e foi para a rápida com intuito de preparar os jogadores para os 1000 de Indian Wells e Miami.

Tudo a meu ver muito claro e certo. Mas será que Soares e Melo deveriam sim abandonar o Brasil Open? Será que não estão matando ‘a galinha dos ovos de ouro?’ Afinal, a Koch Tavares é responsável pela organização do evento desde 2001. Esta mesma empresa (só para refrescar a memória) também trouxe nomes como Roger Federer, Rafael Nadal, Maria Sharapova, Serena Williams em um evento com muitas outras estrelas e que lotou as arquibancadas do Ginásio do Ibirapuera.

Nos dias de hoje está muito difícil organizar um ATP no Brasil. E devo relembrar um fato para esclarecer esta situação. Há muitos anos, o tenista brasileiro Luiz Mattar jamais deixava de disputar um torneio no Brasil. Sempre dava um jeito, mantendo viva as empresas que organizavam tênis no País. Sabia que sua presença era importante para o público e também para os organizadores. Competente e esperto, Nico Mattar ganhava praticamente todos os torneios em solo nacional e construiu uma carreira brilhante.

Na época o Brasil era um dos países que mais realizava torneios profissionais. Isto antes mesmo da era Guga Kuerten. Hoje estamos reduzidos a praticamente duas semanas: Rio e São Paulo. Se não houver apoio este número pode reduzir ainda mais…


Comentários
  1. André Aguiar

    Caro Chiquinho, acho que no 4º parágrafo você mesmo resumiu a resposta para a sua própria pergunta: “As decisões de Bruno Soares e Marcelo Melo, sem dúvida, estão bem sedimentadas. Ambos ocupam um lugar entre os dez primeiros do ranking e precisam dos pontos de um 500. Além disso, o México também deixou o saibro e foi para a rápida com intuito de preparar os jogadores para os 1000 de Indian Wells e Miami”.
    Eu ainda acrescentaria que: (1) as decisões de Bruno Soares e Marcelo Melo não dependem só deles, mas também de seus parceiros fixos não brasileiros e talvez até de empresários e patrocinadores, os quais não existiam ou não exerciam tanta influência em épocas passadas. O Luiz Mattar, assim como o Guga e o Meligeni (e agora o Bellucci), para citar os mais bem sucedidos, priorizaram em suas carreiras mais simples do que duplas, portanto a decisão em jogar no Brasil era somente deles; (2) melhor do que o exemplo do Mattar, você poderia ter citado o do Cássio Motta e do Kirmayr, que se notabilizaram mais como duplistas, com desempenho próximo ao de Bruno e de Melo, ambos com 10 títulos de duplas em torneios da ATP, alcançando respectivamente a 4ª e 6ª colocação no ranking de duplas em 1983. De fato os dois jogaram (e ganharam) muito no Brasil, porém na maioria das vezes jogando juntos, ou com parceiros não fixos brasileiros, entre os quais o próprio Mattar. Caso jogassem juntos, possivelmente Bruno/Melo priorizassem os torneios da ATP disputados no Brasil.
    Grande abraço.

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  2. Claudemir

    Acho que o problema não são os jogadores mas o Brasil Open. O torneio é bem antigo no Brasil e deveria ser ele um atp 500 ou até um atp 1000, mas parou no tempo e no momento está mais pra ser subistituido por outro país ao meu ver.

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  3. Rogério Rangel

    Penso igual a vc.
    1 semana a mais no saibro, não ia atrapalhar a preparação pros 1000 americano. Tem 1 semsna ainda depois do Br Open. Também os pontos de Acapulco, não ia fazer impacto maior no ranking.
    A decisão é deles, claro, mas acho que o pouco caso foi com quem acompanha e torce por eles o ano inteiro.
    Agora, vi diversas entrevistas com os 2. Ninguém perguntou a eles o porque disto!

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