Arquivo mensais:março 2019

Next Gen brilha, mas ainda sonha com Slam
Por Chiquinho Leite Moreira
março 18, 2019 às 5:55 pm

O mais velho da nova geração, o austríaco Dominic Thiem conquistou o título mais importante de sua carreira ao derrotar o melhor de todos os tempos, Roger Federer, numa final emocionante em Indian Wells. Na mesma quadra, a jovem canadense, de origem romena, Bianca Andreescu, com apenas 18 anos ganhou de Angelike Kerber para celebrar também um troféu dos mais pesados no circuito mundial.

Sem dúvida, o novo brilhou no último fim de semana. E esta geração é p’ra lá de bem vinda. Mas para não escorregar, acho prematuro ainda dizer que estas conquistas em Indian Wells marcam mudanças definitivas. Recentemente, o genial John McEnroe usou uma frase emblemática “chancing of the guard” para celebrar a chegada de uma nova e talentosa geração. Disse o ex-tenista norte-americano e hoje comentarista de tevê, que estes novos nomes iriam ‘breaking trought’, romper todos os obstáculos nesta atual temporada. E as vitórias estão mesmo chegando.

Sem exagerar, porém, no conservadorismo falta ainda um troféu do Grand Slam para esta nova geração e só então a troca se concretizará. E tudo pode acontecer. O próprio Thiem esteve na final de Roland Garros do ano passado. É claro que perdeu para Rafael Nadal sem oferecer muita resistência. Mas chegar a uma decisão de Slam e uma porta aberta para o sucesso absoluto. E estes novos estão cada vez mais perto.

Nestas situações, como a do Thiem diante de Nadal, sempre lembro de um episódio que aconteceu em Roland Garros, há muitos anos. A espanholinha Arantxa Sanchez desafiaria na final a poderosa Steffi Graf. Meus colegas jornalistas espanhóis estavam receosos de um grande vexame na Philippe Chatrier. Mas ao final, Arantxa acreditou no impossível e saiu de quadra com a taça de campeã.

Não há como negar que temos o privilégio de estarmos diante de alguns dos maiores nomes da história do tênis. E sem querer parecer esnobe tive a oportunidade de ver de perto jogadores como Ivan Lend, John McEnroe, Mats Wilander, Stefan Edberg, Jimmy Connors, Andre Agassi, Andrés Gomes, Pete Sampras, Gustavo Kuerten, Magnus Norman, Marat Safin e até mesmo Bjorn Borg, mas estarmos diante de Roger Federer, Rafael Nadal ou Novak Djokovic entre vários outros talentos. Não dá para reclamar. Assim como também acredito que ninguém irá ficar insatisfeito com o s que estão surgindo.

ESPÍRITO DE DAVIS – Alguns jogadores tem o chamado espírito de Davis. É aquela determinação especial de lutar em equipe por um objetivo comum. Deixar de lado os interesses e peculiaridades do Tour da ATP e realmente vestir a camisa.

Sem essa unidade de propósito é muito difícil um time fazer sucesso. E um dos tenistas brasileiros que têm este espírito, este é, sem dúvida, o novo campeão da Davis, Jaime Oncins. Defendeu as cores do Brasil em diversas oportunidades e sabe o que é preciso para tirar o melhor de cada um em nome de uma competição.

É claro que a Davis sofre hoje profundas alterações em seu formato. Seu futuro é incerto, mas ainda assim, a indicação de Oncins para liderar o time brasileiro pode nos levar a entender melhor o que é este tão importante estado de espírito quando se defende uma nação.

 

A liderança política de Djokovic
Por Chiquinho Leite Moreira
março 12, 2019 às 8:59 pm

Não é só no ranking mundial que Novak Djokovic quer a liderança. Ele agora busca também ter domínio sobre o futuro do tênis masculino. Por isso – como contei no último blog postado em 28 de janeiro – desde o Aberto da Austrália, o tenista sérvio estava articulando a saída de Chris Kermode da presidência da ATP e conseguiu.

Este recente anúncio do fim do contrato de Kermode com a ATP para dezembro deste ano, causou um clima tenso entre os jogadores. Roger Federer, que já ocupou o cargo atual de Djokovic como presidente do ‘players council’ sentiu-se traído e achou que deveria ser consultado. Segundo o jornalista suíço, René Stauffer, Djokovic só tentou contato um dia depois de a decisão ter sido tomada. “O Federer tem muitas perguntas em aberto a fazer”, contou Stauffer.

Rafael Nadal embora tenha afirmado que gostaria de ficar longe das questões políticas do esporte também não gostou da decisão de finalizar o contrato de Kermode. O espanhol estranhou não ter sido consultado e usou uma interessante figura para expressar sua indignação. “Meu celular não tocou uma única vez com chamada de Novak, nem mesmo recebi qualquer mensagem de texto”. Ele ainda afirma que não seria necessário ser ouvido em pequenos detalhes, assuntos sem muita representatividade, mas uma demissão de um presidente da ATP considerou ser algo grande e merecedor de toda atenção.

Não é de hoje que Novak Djokovic e Chris Kermode estão em atrito. O sérvio tem um temperamento forte. Não gosta de ouvir uma ordem ou orientação sem poder contestar. É o seu jeito de ser, e o que incomoda a tanta gente.

O MOTIVO  – A raiz destes problemas está no fato de um dos pontos cruciais é de os jogadores sempre lutarem por melhores prêmios, além, é claro, de melhores condições profissionais, como calendário etc e tal. Mas o motivo chave é que dentro do ‘board da ATP’ os que pagam os prêmios e os que recebem e querem um prêmio maior estão sob o mesmo guarda chuva.

O board é formando por três representantes dos jogadores e três representantes dos torneios. Assim, em certos assuntos, a estrutura da ATP trabalha contra os jogadores, o que para um associação de classe não parece mesmo ser o melhor sistema.

Pressionados pelo presidente do council, Novak Djokovic, os três representantes dos jogadores no board não deram voto a favor de Kermode. O atual presidente precisaria de quatro indicações para manter no cargo pelo terceiro contrato seguido de três anos de duração cada.

Entre manter-se fiel a Kermode ou ao presidentes do ‘players council esses três representantes preferiram ficar com Djokovic. Aliás, um fato interessante é que este grupo não necessariamente conta com integrantes de forte formação nas quadras de tênis, como fica fácil analisar ao se conhecer os nomes: David Egdes é executivo do Tennis Channel; Alex Iglot, diretor de comunicações da Sportradar; e o mais ligado à raquete é Justin Gilmestob, ex-tenista norte-americano e hoje comentarista de tevê.

O grupo dos representantes dos torneios sempre esteve ligado em ter os jogadores nas mãos para assuntos financeiros e patrocínios. São ex-agentes como Herwig Straka, que cuidou por um bom período da carreira do ex-número 1 do mundo, o austríaco Thomas Muster. Outro integrante, Gabin Forbes, pertenceu a uma das maiores agências de atletas do mundo, a IMG, enquanto Charles Smith, é da Juss Event, um companhia chinesa responsável pela produção e organização de grandes eventos esportivos.

Ora, com tanta gente assim por perto, dá bem para entender a preocupação de Novak Djokovic com o futuro do esporte. Mas isso não justifica o fato de não ouvir mais atentamente nomes como os de Roger Federer e Rafael Nadal. Não agiu certo, afinal, quem pode garantir que essa decisão de afastar Kermode será a melhor para a ATP?